domingo, novembro 30, 2003
FARÖ
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David Johnson (British), American Barque "Jane Tudor," Conway Bay, ca. 1855.
“Queixas-te de que falas e de que Deus não te ouve.
Dizes que estás encarcerado e temes uma pena perpétua, apesar de ninguém se ter pronunciado.
Considera-te, pois, teu juiz e teu carcereiro. Prisioneiro, abandona a tua prisão. Verás, para teu espanto, que ninguém te impedirá.
A realidade fora dos muros da prisão é aterradora, apesar de menos aterradora do que a tua angústia fechado naquela cela das profundezas.
Caminha rumo à liberdade. Não é difícil. Apesar do segundo passo ser o mais difícil nunca te deixes vencer pelo teu carcereiro, que não é outro senão o teu medo e o teu orgulho.”
in Na presença de um palhaço de Ingmar Bergman.
“ No dia em que o escultor Salvini morreu, foi-lhe concedido como ao resto dos mortais, o tempo de percorrer todos os locais e instantes da sua vida na terra.
O escultor recusou este favor.
`A minha vida não foi mais que uma sucessão de aventuras extraordinárias e visitá-las só serviria para mais me entristecer`, disse ele. Prefiro servir-me do tempo que me dão para percorrer a minha última obra. “Nemésis divina”, que todos conhecem melhor como “Triunfo da morte”. E assim fez.
Pouco tempo depois, o anjo da morte aparece para lhe dizer que o tempo terminara.
`Há um paradoxo em tudo isto, diz Salvini, tinha tempo para visitar todos os momentos da minha vida, que durou 63 anos, e esse mesmo tempo, não chegou para percorrer um obra que fiz em três meses.`
`Nesta obra, há toda uma vida, e a vida de todos os homens, respondeu o anjo da morte. Para percorrer, precisarias da eternidade.`”
in O tempo reencontrado de Raoul Ruiz.
posted by Luís Miguel Dias domingo, novembro 30, 2003
agradecimento
o nosso obrigado ao Pedro Mexia pelas palavras simpáticas que teve para connosco. obrigado.
posted by Luís Miguel Dias domingo, novembro 30, 2003
sábado, novembro 29, 2003
MOLESKINE
From Renoir to Rothko
Auguste Renoir, La Femme à la perruche,1871.
Mark Rothko, Untitled (Violet, Black, Orange, Yellow on White and Red), 1949.
posted by Luís Miguel Dias sábado, novembro 29, 2003
OUVI DIZER
Ouvi dizer que havia
na água uma pedra e um círculo
e sobre a água uma palavra
que dispõe o círculo à volta da pedra.
Vi o meu choupo descer para a água,
vi o seu braço mergulhar no fundo,
vi as suas raízes suplicar noite voltadas para o céu.
Não corri atrás dele,
limitei-me a apanhar do chão essa migalha
que dos teus olhos tem a forma e a nobreza,
tirei-te do pescoço o colar daquelas falas
e debruei com ele a mesa onde agora estava a migalha.
E deixei de ver o meu choupo.
Paul Celan
posted by Luís Miguel Dias sábado, novembro 29, 2003
COM BRANCUSI, A DOIS
Se destas pedras uma
anunciasse
o que a faz silêncio:
aqui, muito perto,
na bengala deste velho,
isso se abriria, como ferida
em que terias de mergulhar,
solitário,
longe do meu grito, ele também já
talhado pelo cinzel, branco.
Paul Celan
posted by Luís Miguel Dias sábado, novembro 29, 2003
sexta-feira, novembro 28, 2003
uma casa
"As obras de Arte são grandes pelo indefinido e imperfeito que encerram, pois dessa imperfeição fecunda se alimenta o nosso espírito."
Teixeira de Pascoaes
Dining Room
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Constantin Brancusi, Maiastra, 1912 (?). Polished brass, 73.1 cm high, including base. Peggy Guggenheim Collection.
Kitchen
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Max Ernst, Little Machine Constructed by Minimax Dadamax in Person, 1919-20.
Drawing Room
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Theo van Doesburg, Composition in Gray (Rag-time), 1919.
Library
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Constantin Brancusi, Bird in Space, 1932-40.
West Corridor
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Paul Klee, Magic Garden, 1926.
Entrance Hall
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Pablo Picasso, On the Beach, 1937.
Large Room
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Alberto Giacometti, Woman with Her Throat Cut, 1932.
East Corridor
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Robert Motherwell, Personage (Autoportrait), 1943.
Guest Bedroom
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Jackson Pollock, The Moon Woman, 1942.
Peggy`s Room
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Mark Rothko, Sacrifice, 1946.
Dressing Room
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Jean Arp, Head and Shell, 1933.
Small Room
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Pegeen Vail, On the Grand Canal, 1950s.
Garden
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Alberto Giacometti, Standing Woman ("Leoni"), 1947 (cast 1957).
and for you…
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Giorgio Morandi, Bottles and Fruit-Bowl, 1916.
posted by Luís Miguel Dias sexta-feira, novembro 28, 2003
quinta-feira, novembro 27, 2003
BAC! Barcelona Arte Contemporáneo 2003
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Cartel BAC IV: Pilar Albajar y Antonio Altarriba, título: Miedo a la verdad, fotografía, 2001.
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Ricard Aymar, Náufrago, Instalación, 2003.
posted by Luís Miguel Dias quinta-feira, novembro 27, 2003
"O BAILADO" 8
"Desejais conhecer a alma? Não procureis na terra, à luz do sol. Procurai-a entre os sepulcros, ao luar... Procurai-a nos livros e nos Museus.
O Louvre é um cemitério prodigioso, uma cidade de almas, como a Bíblia! O resto de Paris é vida, - o Bois... O Louvre vale mais do que Paris. O Vaticano seria mais belo do que Roma se não fossem os clássicos espectros da Via Ápia. Roma é o maior cemitério do mundo! Oh, quem o pudera contemplar no dia da ressurreição, Miguel Ângelo!"
Teixeira de Pascoaes, "O Bailado".
posted by Luís Miguel Dias quinta-feira, novembro 27, 2003
terça-feira, novembro 25, 2003
Lauren Hartke 4
“Ao longo de grande parte da peça há um acompanhamento sonoro, a voz robotizada e anónima de um atendedor de chamadas a recitar um aviso igual a tantos outros. Este é repetido incansavelmente e acaba por introduzir-se na textura visual da representação.
A voz impregna sobretudo o trecho intermédio da peça. Aí, surge em palco uma mulher vestida de executiva, de pasta na mão, que vê as horas no relógio de pulso e tenta chamar um táxi. Ela passa de um gesto para outro de um modo bastante formal (talvez inspirada pela anciã japonesa). Faz isto muitas vezes, vezes sem conta. Depois torna a fazê-lo uma última vez, dando uma meia pirueta em movimento muito lento. O espectador pode dar por si a observar e a escutar, absorto num fascínio hipnótico, física e mentalmente suspenso, ou pode lançar uma olhadela ao seu próprio relógio, percorrer a coxia em passo desengonçado e desaparecer na noite.”
DeLILLO, Don (trad. Paulo Faria), “O Corpo Enquanto Arte”, Lisboa, Relógio D`Água Editores, 2001.
posted by Luís Miguel Dias terça-feira, novembro 25, 2003
do Mestre d`A Casa Encantada (9)
CINEMA E PINTURA IV
O Testamento do Dr. Mabuse de Fritz Lang (1933).
“A última obra prima de Fritz Lang na Alemanha antes da ascensão dos nazis ao poder, é uma verdadeira alegoria sobre o novo regime, que seria proibido por Goebbels logo após a tomada de poder. Lang retoma o personagem do Dr. Mabuse que o clássico mudo deixara num asilo de alienados. Através dos seus escritos (verdadeiro manual de terrorismo) um seu “herdeiro” dirige um regime de terror e crime a partir do hospital.”
A Mulher na Lua de Fritz Lang (1929).
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“Esta história de uma expedição à Lua em busca de ouro é também uma história de amor, de cobiça, de luta contra o destino e de fracasso, como todos os filmes de Lang. A cobiça lançará os membros da expedição uns contra os outros até restarem apenas um homem e uma mulher, novos Adão e Eva num mundo deserto. A MULHER NA LUA tem a curiosidade de ter sido também o primeiro grande filme de ficção científica feito com rigor (Hitler proibiu-o porque a nave era quase idêntica às V-2 que se construíam em segredo). Um dos grandes “tesouros” da Cinemateca, restituído no ano 2000 ao esplendor original numa versão restaurada a partir de uma cópia de época em nitrato conservada no nosso arquivo.”
Suprema Decisão de Fritz Lang (1944)
“Um dos filmes que Fritz Lang mais gostava, e o que mais se coloca sob a instância psicanalítica, na manifestação do sonho como reflexo das culpas não assumidas. Todo o filme é uma construção onírica sobre um homem convencional que se deixa envolver nas teias de uma mulher fatal que o leva ao crime.”
Cidade nas Trevas de Fritz Lang (1956).
“Outro dos filmes favoritos de Lang. Adaptação de um romance de Charles Einstein que, por sua vez, teve como uma das inspirações o filme de Lang MAN HUNT. Lang retoma o tema do assassino “compulsivo” que desenvolvera em M, mas coloca-o no centro da disputa pela direcção de um jornal por um grupo de candidatos.”
O Diabólico Dr. Mabuse de Fritz Lang (1960).
“No seu regresso à Alemanha depois da guerra, Lang escolheu refazer dois clássicos do mudo que deixara o seu nome ligado. DIE TAUSEND AUGEN DES DR. MABUSE tornou-se o seu último filme e revela-se tão premonitório da sociedade futura como o Mabuse anterior o fora do nazismo. Nesta última aventura (dirigida por Lang, pois que o personagem de Mabuse continuou em filmes medíocres), um descendente do génio do crime utiliza a electrónica e a televisão para espiar os menores gestos dos ricos clientes de um hotel de luxo.”
in programação da cinemateca, Fevereiro de 2002.
posted by Luís Miguel Dias terça-feira, novembro 25, 2003
segunda-feira, novembro 24, 2003
MOLESKINE
ANA CRISTINA LEITE
Ana Cristina Leite, Sugar Cubes, 2003.
posted by Luís Miguel Dias segunda-feira, novembro 24, 2003
Lauren Hartke 3
"Hartke é uma artista corporal que tenta libertar-se do corpo – do seu, pelo menos. Um homem parado no meio de uma galeria de arte, deixa que um outro lhe aponte uma arma de fogo e lhe dispare contra um braço. Isto é arte. Um homem coberto de uma profusão de tatuagens é coroado com uma coroa de espinhos. Isto é arte. A obra de Hartke não é um exercício de exibicionismo nem de autoflagelação. Ela está a representar, num processo contínuo de transformação numa outra pessoa ou de exploração de uma qualquer identidade primordial. Uma mulher pinta quadros com a vagina. Isto é arte. Um homem e uma mulher, nus, lançam-se de cabeça um contra o outro, repetidas vezes, a uma velocidade cada vez maior. Isto é arte, sexo e agressão. Um homem vestido com peças de roupa interior feminina ensanguentadas amontoa uma enorme quantidade de carne picada. Isto é arte, sexo, agressão, crítica cultural e autenticidade. Um homem crava pregos no pénis. Isto é apenas autenticidade.
A peça de Hartke começa com uma mulher japonesa em traje tradicional, num palco vazio, a executar os gestos estilizados do teatro Nô, e termina setenta e cinco minutos mais tarde com um homem nu, macilento e afásico, que tenta desesperadamente dizer-nos algo."
DeLILLO, Don (trad. Paulo Faria), "O Corpo Enquanto Arte", Lisboa, Relógio D`Água Editores, 2001.
posted by Luís Miguel Dias segunda-feira, novembro 24, 2003
domingo, novembro 23, 2003
FARÖ
Hiroshi Sugimoto :In Praise of Shadows, 1999.
posted by Luís Miguel Dias domingo, novembro 23, 2003
blogosfera
não sabemos caro António . conscientemente? numa busca permamente? em ascensão? não sabemos. bela, a fotografia d` "O Tesouro de Arne".
obrigado Cristina , pelo The body artist, read by Laurie Anderson.
posted by Luís Miguel Dias domingo, novembro 23, 2003
sábado, novembro 22, 2003
para Mário Rui de Oliveira : parabéns pelo novo livro, "Bairro Judaico", (Assírio & Alvim).
já agora aproveito para lhe dizer que em Portugal já podemos comprar o
new single
dvd / cd
double pack
features:
new twelve minute
track and the three
videos for svefn-g-englar,
vidrar vel til loftárása
and ( )
ou seja
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Título SIGUR RÖS - UNTITLED # 1 - DVD
interdito o aluguer
classificaçao M4
Nº. De Registo 5152/2003 cópia nº. 420
tudo por 15 euros
mais uma vez parabéns. cada vez menos secreto. boa viagem até Ferrara.
posted by Luís Miguel Dias sábado, novembro 22, 2003
por volta das
09h e 30 m
as imagens
das estradas
deixarão de estar disponíveis.
são reais.
posted by Luís Miguel Dias sábado, novembro 22, 2003
Lauren Hartke 2
"Peço-lhe que me explique o significado do vídeo que é projectado na parede do fundo ao longo de toda a peça. O filme mostra uma estrada de duas faixas, com pouco tráfego. Um carro passa num sentido, depois vem outro em sentido contrário. Num dos cantos da imagem, um mostrador digital regista a passagem do tempo.
- Tem a ver com o passado e o futuro – diz ela. – Aquilo que está ao nosso alcance conhecer e aquilo que não está.
- Aqui, porém, conhecemos ambos.
- Conhecemos ambos. Vemos ambos – acrescenta ela, e depois cala-se.
Fico parada à espera. Como um pedacinho do meu baba ghanouj. Olho para Hartke. O que é um baba ghanouj?
- Talvez a ideia seja pensar no tempo de uma maneira diferente – retoma ela, ao fim de alguns minutos. – Parar o tempo ou prolongá-lo ou torná-lo aberto. Criar uma natureza morta que seja viva, não pintada. Quando o tempo pára, o mesmo acontece connosco. Nós não paramos, ficamos despojados, menos seguros de nós mesmos. Não sei. Quando sonhamos ou temos muita febre ou estamos drogados ou deprimidos, é ou não verdade que o tempo abranda ou parece parar? Que é que resta? Quem resta?"
DeLILLO, Don (trad. Paulo Faria), "O Corpo Enquanto Arte", Lisboa, Relógio D`Água Editores, 2001, p.p. 106 e 107.
posted by Luís Miguel Dias sábado, novembro 22, 2003
sexta-feira, novembro 21, 2003
Lauren Hartke 1
"Deixou de ouvir os boletins meteorológicos. Aceitava as flutuações do clima sem grandes interrogações, a chuva gélida e os dias ventosos e os grandes penedos corcundas nos campos inclinados, como insígnias de clãs, a pulsarem com os relâmpagos e as histórias e o tempo. Cortava lenha. Passava horas diante do ecrã do computador a olhar para as imagens em tempo real de uma câmara de vídeo montada na berma de uma estrada de duas faixas, junto de uma cidade finlandesa. A noite ia a meio em Kotka, na Finlândia, e ela contemplava o ecrã. Aquilo interessava-lhe porque estava a acontecer naquele preciso instante, enquanto ela se encontrava ali sentada, e porque acontecia vinte e quatro horas por dia, imagens anónimas de carros a entrarem e a saírem de Kotka ou somente a estrada vazia nos momentos mortos. Os momentos mortos eram os melhores.
Ficava sentada, a olhar para o ecrã. Era irresistível, suficientemente real para não ser afectado pela circunstância de nada acontecer. Era precisamente essa circunstância que dava força às imagens. Eram três da manhã em Kotka e ela esperava que um carro surgisse ? não que se interrogasse sobre quem ia lá dentro. Era apenas um facto passado em Kotka. Era a sensação de organização, um lugar contido numa moldura inalterável, tal como é e tal como nós o vemos, com a indicação da hora local num mostrador digital, num dos cantos do ecrã. Kotka era um outro mundo, mas ela podia vê-lo em toda a sua realidade, nas suas horas, minutos e segundos.
Por vezes, imaginava que havia pessoas que se masturbavam a olhar para aquilo, a aparição de um carro na estrada para Kotka, a meio da noite. Dava-lhe vontade de rir. Cortava lenha. Todos os dias, guardava algum tempo para a webcam de Kotka. Não sabia qual o significado daquele fluxo de imagens, mas aceitava-o como um acto de poesia à deriva. Preferia os momentos mortos. Esvaziavam-lhe o espírito e faziam-na sentir o silêncio profundo de outros lugares, o mistério de alcançar com a vista um recanto do outro lado do mundo, despojado de tudo à excepção de uma estrada que se aproxima e se perde na distância, ambas as realidades simultâneas, e os números a mudarem no mostrador digital com uma urgência bizarra e oca, os segundos a avançarem ao encontro do minuto, os minutos a treparem ao encontro da hora, e ele ficava sentada a ver, à espera que o vulto fugaz de um carro assomasse no asfalto."
DeLILLO, Don (trad. Paulo Faria), "O Corpo Enquanto Arte", Lisboa, Relógio D`Água Editores, 2001, p.p. 38 e39.
posted by Luís Miguel Dias sexta-feira, novembro 21, 2003
rendas
numa papelaria algures por aí entra uma senhora. na papelaria. e pede uma fotocópia de outra fotocópia. a outra senhora que a atende diz-lhe que se fosse o orginal ficava com mais qualidade. a fotocópia. na papelaria. mais qualidade. a primeira senhora responde que não faz mal pois é para uma amiga. não quer estragar mais o original. uma fotocópia. a amiga. a segunda senhora tenta dizer algo. o original. olhe até nem a junte com a minha não vá eu ficar com a pior. disse a primeira senhora em resposta ao esboço da segunda senhora. amigas. na papelaria. estragar. devolva-me já a minha para não haver confusão disse a primeira senhora novamente à segunda senhora. ela que se desenrasque. a terceira senhora. uma amiga. a fotocópia. numa papelaria. risos. original.
posted by Luís Miguel Dias sexta-feira, novembro 21, 2003
quinta-feira, novembro 20, 2003
MOLESKINE
The Road to Impressionism
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Philibert-Leon Couturier: A Yard with Poultry and a Cock Pheasant.
posted by Luís Miguel Dias quinta-feira, novembro 20, 2003
um dia de novembro
e a pobreza de já não ter, vivos, dois amigos e a angústia de ter percebido que não disse a tempo a algumas pessoas o quanto as amava e esperar que elas o tenham percebido e tanto mais que foi dito para uma multidão em ligação fechada e aquela expressão que se abre docilmente de uma concentração aparentemente grave e aquela fotografia que abriu e fechou a entrevista. no fim desligamos a televisão. desligamos.
posted by Luís Miguel Dias quinta-feira, novembro 20, 2003
LITERATURA E CINEMA 3
o nosso muito obrigado ao Luís Carmelo por gentilmente ter acedido ao nosso pedido. disse o que queríamos saber:
No filme, com um final totalmente diverso, o João viu sobretudo a história de uma geração e eu, ao ter redigido grande parte, senão o sumo, do guião, acabei por ceder um pouco a essa visão. O carácter algo híbrido do filme, ou, se se preferir, a sua demasiada inércia (em certos momentos) pode ter a sua raiz nesse ponto. Seja como for, um livro é um acontecimento e um filme é um outro acontecimento completamente diferente. O único vaso comunicante entre ambos será ou terá sido o ponto de partida imaginário que foi meu. Mas, depois, no filme - aliás, como também no livro - todas as instâncias criativas ganharam autonomia e frutificaram a seu modo.
Quanto ao convite, infelizmente, não vamos poder estar presentes. mais uma vez obrigado.
Já agora, relembrar que a discussão está aberta a todos aqueles que queiram participar nestes apontamentos sobre literatura e cinema.
posted by Luís Miguel Dias quinta-feira, novembro 20, 2003
BLOGOSFERA
Depois de alguns convites, a visita a:
Cidadão do Mundo - Impressões sobre este mundo e os outros
Nocturno com gatos- «Ognuno sta solo sul cuor della terra
Trafitto da un raggio di sole:
Ed è subito sera»
PickPocket- Palpites, inspiracoes, transcricoes, roubos descarados, comentarios e bocas;
PEQUENAS HISTÓRIAS - {rebentos de trigo surgem novos juntos ao altar} {flor vinda de semente temporã} {Dois palmos, dois palmos para uma mulher} {Para além disso ela não acredita. Nada importa nada.} - Ezra Pound
dropnames lists - para construir e listar
placard - Painel de comentários, à esquina das horas!
posted by Luís Miguel Dias quinta-feira, novembro 20, 2003
quarta-feira, novembro 19, 2003
Los moais, en peligro
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posted by Luís Miguel Dias quarta-feira, novembro 19, 2003
"Letrinhas de Cantigas"
COMO UM PÁSSARO NO MAR
(coladera)
Quero cair no teu peito
como um pássaro no mar
ferido por ti no leito
sinto a noite se me deito
como veia a latejar.
O meu sangue n` almofada
não pára de te chamar
acende-se a madrugada
numa candeia apagada
um olhar para outro olhar.
E morro sobre o teu peito
como um pássaro no mar.
MORTO COBRIDO DE AMOR
(valsa lenta)
Se eu te chamasse um nome de cidade
só te chamava um nome de mulher
gaivota ou grão de areia ou claridade
e eu cobrido de amor até morrer.
Luanda, oh
Luanda, oh
Luanda
Se eu te chamasse um nome de navio
era um barco no sangue até arder
no peito a flor do Inverno quando é estio
e eu cobrido de amor até morrer.
Luanda, oh
Luanda, oh
Luanda
Se eu te chamasse um nome de país
dizia devagar vem conhecer
a terra de silêncio onde caí
e eu cobrido de amor até morrer.
António Lobo Antunes
posted by Luís Miguel Dias quarta-feira, novembro 19, 2003
terça-feira, novembro 18, 2003
Sun Burst
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posted by Luís Miguel Dias terça-feira, novembro 18, 2003
Lynch and Lobo day.
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Logo, por volta das 23 horas, na sic-notícias, Rodrigo Guedes de Carvalho conversa com António Lobo Antunes. Acaba na radical o Lynch começa na notícias o Lobo. O que os aproxima? O que os afasta? Para ver intensamente. Mesmo que a chuva fustigue as gelosias. A televisão, também tem momentos assim.
Se pudéssemos, colocaríamos a seguinte questão a António Lobo Antunes: pensa que as sucessivas correcções com que depura as suas obras, são um caminho para Deus?
posted by Luís Miguel Dias terça-feira, novembro 18, 2003
um dia em dezembro
a chuva fustigara a terra todo o dia. a chuva começara a fustigar a noite. um sol ia brilhar nessa noite escura. intensamente. ele saíra de casa às vinte e uma e quarenta e cinco. o sol. intensamente. a chuva fustigava, agora, os vidros do carro. a emoção do sol à meia noite. a primeira vez. o spray da chuva na estrada. muito tráfego, apesar da chuva. mas havia o sol. iriam todos para o mesmo local? naquela noite. uma viagem que parecera a de Godard, a caminho de Paris. num domingo. a caminho da cidade. uma encosta vista das alturas. várias horas debaixo de chuva. uma pequena multidão esperava-o. ansiosamente. e a chuva. e o sol. duas horas de conversa. e a chuva lá fora. e a pequena multidão lá dentro. ansiosa. e ele correspondeu. superou. "por que é que ao domingo não trabalhámos? como é que as famílias se entendem, ao domingo, tanto tempo juntas, quando à semana mal se vêem? um país com tantos artistas e com tão poucas obras primas. porquê?" nas alturas, a luz amarela. na noite escura. de frente, uma encosta da cidade. das alturas. o spray tinha sido substituído por um nevoeiro pouco denso. ou muito denso? a chuva tinha parado. já era outro dia, na noite.
posted by Luís Miguel Dias terça-feira, novembro 18, 2003
LITERATURA
“O tempo parece escoar-se. O mundo acontece, prolonga-se numa sucessão de momentos e nós detemo-nos a olhar uma aranha espalmada contra a sua teia. Há na luz um fulgor que leva a que os objectos nos pareçam recortados com precisão, enquanto faixas brilhantes percorrem a baía. Sabemos melhor quem somos num dia de intensa claridade, depois de um temporal, quando o sentimento de si trespassa todas as folhas que caem, mesmo as mais pequenas. O vento rumoreja entre os pinheiros e o mundo adquire uma existência irreversível e a aranha agarra-se à teia que o vento faz baloiçar.”
DELILLO, Don (trad. Paulo Faria), “O Corpo Enquanto Arte”, Lisboa, Relógio D`Água Editores, 2001, p.7.
posted by Luís Miguel Dias terça-feira, novembro 18, 2003
segunda-feira, novembro 17, 2003
Como a Liga Portuguesa Profissional de Futebol se pode impor à FIFA
No jogo da meia final do mundial de Rugby, entre a França e a Inglaterra, que se disputa por estes dias na Austrália, pudémos assistir, num momento do jogo ao seguinte: os árbitros tiveram dúvidas em assinalar um ensaio à selecção francesa e, por isso, tiveram que esperar alguns minutos por uma decisão de um colégio de juízes que assistia ao jogo in vivo, mas tinha acesso às imagens da transmissão televisiva. O estádio completamente cheio, não se manifestou nem se manifesta nesta modalidade, contra estes momentos que trazem a verdade desportiva. Não são momentos mortos. Bem pelo contrário. Os jogadores também não perdem o ritmo. O ensaio foi mesmo ensaio. E mesmo através das imagens foi difícil a sua validação.
Ora, por que espera a nossa liga de futebol para tomar estas medidas? Não é verdade que a verdade desportiva, anda, por cá, pelas ruas da amargura? Se a FIFA se pronunciar negativamente, digam-lhes para vir cá ver se era ou não preciso essa preciosidade!
monumentos
Caro Pedro Mexia : monumentos locais? Tente ir à Rua de Ceuta, ao número 88. O telefone é 22 207 62 00. Este monumento não existe mesmo em Lisboa. Existirão outros, é certo, mas este... não.
a zona
Para saber o que é a Zona, deve-se espreitar á Janela .
posted by Luís Miguel Dias segunda-feira, novembro 17, 2003
do Mestre d`A Casa Encantada (8)
CINEMA E PINTURA IV
True Heart Susie, de David Wark Griffith (1919).
“Simplicidade como sinónimo de perfeição. TRUE HEART SUSIE é um dos filmes mais complexos de Griffith, entre o romance pastoril e o melodrama. A história de uma jovem que apoia na sombra o homem que ama, vendo este nela apenas uma amiga. Tom Cunning, um dos mais destacados críticos griffithianos, refere que TRUE HEART SUSIE representa, ao lado de BROKEN BLOSSOMS e WAY DOWN EAST, o máximo da depuração da obra de Griffith no que se refere à aproximação aos seres humanos. A abrir a sessão, um Griffith de 1909, também sobre uma história de amor mal-correspondido mas duradouro.” [Lines Of White On A Sullen Sea, de David Wark Griffith (1909).
A Morte Cansada, de Fritz Lang (1921).
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“O amor mais forte do que a morte. O filme que consagrou Fritz Lang é uma deslumbrante parábola sobre a vida, o amor e a morte. Uma jovem quer roubar o noivo à Morte que lhe impõe, como prova, proteger a luz de três velas que correspondem a outras tantas vidas em perigo. O último episódio é uma féerie oriental que influenciou Douglas Fairbanks para fazer o seu famoso THE THIEF OF BAGDAD.”
Nosferatu, Ein Symphonie Dês Grauens, de Friedrich W. Murnau (1922).
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“Quando chegou ao outro lado da ponte, os fantasmas vieram ao seu encontro ». Este célebre intertúlio de NOSFERATU abre as portas do cinema fantástico. A primeira e mais célebre adaptação do romance de Bram Stocker, Dracula e uma das máximas obras-primas da história do cinema.”
As Finanças do Grão-Duque, de Friedrich W. Murnau (1923).
“Lottte Eisner chamou-lhe um “filme menor” na obra de Murnau, destacando apenas “uma certa autenticidade da arquitectura, a riqueza discreta dos cenários, construídos em Balbelsberg, e algumas profundidades de campo”. Mas por detrás da “frivolidade” desta comédia emerge uma amena crítica à vida de então na Alemanha e na Europa.”
Tartufo, de Friedrich W. Murnau (1925)
“A peça de Moliére serve de “revelador” ao refinamento que a hipocrisia toma quando alguém procura conquistar os favores de outro. O filme decorre nos tempos “modernos” (o da rodagem) e conta as manobras de um hipócrita que a representação da peça no palco vem pôr a claro, como a peça no interior de Hamlet revelava o crime do rei. O método de Murnau não terá sido bem compreendido e o filme foi um inesperado fracasso na sua carreira. Hoje, é unanimemente considerado um filme genial.
Almas Perversas (Scarlet Street), de Frtitz Lang (1945).
“ Segunda versão do famoso romance de La Fouchardière e a primeira incyrsão de Frtiz Lang na obra de Jean Renoir (o filme é um remake de LA CHIENNE). A história de um pintor que abandona a mulher e mata a amante num acesso de cólera e perde a sua faceta realista para se transformar numa sombria incursão pela culpa e o peso do destino, numa atmosfera de filme negro.”
in programação da cinemateca, Fevereiro de 2002.
posted by Luís Miguel Dias segunda-feira, novembro 17, 2003




















