quarta-feira, março 31, 2004
waitin' on a sunny day
It's rainin' but there ain't a cloud in the sky
Musta been a tear from your eye
Everything'll be okay
Funny thought I felt a sweet summer breeze
Musta been you sighin' so deep
Don't worry we're gonna find a way
I'm waitin', waitin' on a sunny day
Gonna chase the clouds away
Waitin' on a sunny day
Without you I'm workin' with the rain fallin' down
Half a party in a one dog town
I need you to chase the blues away
Without you I'm a drummer girl that can't keep a beat
And ice cream truck on a deserted street
I hope that you're coming to stay
I'm waitin', waitin' on a sunny day
Gonna chase the clouds away
Waitin' on a sunny day
Hard times baby, well they come to tell us all
Sure as the tickin' of the clock on the wall
Sure as the turnin' of the night into day
Your smile girl, brings the mornin' light to my eyes
Lifts away the blues when I rise
I hope that you're coming to stay
Copyright © Bruce Springsteen (ASCAP)
posted by Luís Miguel Dias quarta-feira, março 31, 2004
terça-feira, março 30, 2004
"onde é a tua campa?"
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posted by Luís Miguel Dias terça-feira, março 30, 2004
"Há uma semelhança entre uma obra de arte e um ser humano que é, enquanto um fala da alma de um homem, o outro também pode falar da alma de um homem, a sua personalidade. A alma manifesta-se no estilo que é a manifestação do artista da sua forma de entender o seu material. O estilo é essencial para preservar a inspiração de uma forma artística. Mas é invisivel, e não é demonstrável."
Carl Th. Dreyer
posted by Luís Miguel Dias terça-feira, março 30, 2004
segunda-feira, março 29, 2004
"«Scriiic!» gritava. «Sou uma gaivota.»"
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Alice Neel, Joe Gould, 1933. (at the Whitney)
"«A noite passada encontrei no Minetta Tavern um jovem pintor meu conhecido e a mulher dele», escrevia ele, «que me disseram que tinham ido há pouco a uma festa no atelier de uma pintora chamada Alice Neel, que é uma velha amiga minha, e que no decorrer da noite lhes tinha mostrado um retrato meu que ela fizera há alguns anos. Perguntei-lhes o que tinham achado. A mulher do pintor foi a primeira a responder: “É um dos quadros mais chocantes que vi na minha vida”, disse ela. E ele concordou. “Bem o podes dizer”, disse ele. Isto agradou-me muito, especialmente a reacção do rapaz, porque é um manda-chuva do abstraccionismo das primeiras filas da vanguarda e normalmente não se deixa impressionar por nenhum quadro, a não ser que não tenha o mínimo significado e tenha sido concluído uma meia hora antes. Posei para aquele quadro em 1933, já lá vão treze anos, e o facto de as pessoas ainda o acharem chocante quer dizer alguma coisa. Pode muito bem querer dizer que talvez tenha alguma coisa daquela qualidade que todos os grandes quadros têm em comum, o poder de durar. Talvez já lhe tenha escrito antes a falar neste quadro, ou talvez lhe tenha falado nele, mas não tenho a certeza. Se assim for, peço que me desculpe; a minha memória vai-me falhando. Há um bom número de quadros por aí pelos ateliers da cidade bem conhecidos da gente do mundo artístico, mas que não podem ser exibidos em galerias ou museus porque provavelmente seriam considerados obscenos e poderiam criar problemas à galeria ou ao museu, e este é um deles. Ao longo destes anos, houve centenas de pessoas que o viram, entre as quais muitos pintores que manifestaram o seu apreço, e tenho o pressentimento de que um destes dias, ao ver como as pessoas se vão habituando à chamada obscenidade, acabará pendurado na Whitney ou no Metropolitan. (…)
Depois apareceu o retrato de um homem pequeno, de barbas, ossudo, descarnado e de ombros caídos, completamente nu, apenas com uns óculos, e era o retrato de Gould. Era um quadro bastante grande, e Gould parecia quase em tamanho natural. O fundo era vago; dava a impressão de estar sentado num banco de madeira numa sauna, à espera do vapor. As mãos ossudas estavam poisadas nos joelhos ossudos, e percebiam-se claramente as costelas. Viam-se os órgãos sexuais masculinos no sítio normal, outros no sítio onde devia estar o umbigo, e outros ainda que surgiam do banco de madeira. Do ponto de vista anatómico, a pintura era fantasiosa e grotesca, mas não particularmente chocante; tirando a plétora de órgãos sexuais, era um estudo rigoroso e sóbrio de um homem subalimentado de meia-idade. O que era chocante era a expressão no rosto de Gould. De vez em quando, num dos seus poisos na Village ou numa festa, Gould ficava com tanta empáfia que se levantava de um pulo e desatava a correr pela sala, em vénias para as mulheres de todas as idades, tamanhos e graus de acessibilidade, pedindo-lhes que dançassem com ele e por vezes tentandp abraçá-las e beijá-las. Ao fim de pouco tempo, repelido de todos os lados, acabava por se cansar. Punha-se então a imitar o voo de uma gaivota. Saltitava, dava pulinhos, saltinhava, bamboleava-se, agitando os braços para cima e para baixo enquanto guinchava como uma gaivota. «Scriiic!» gritava. «Sou uma gaivota.»"
MITCHELL, Joseph (trad. José Lima), "O Segredo de Joe Gould", Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2001.
posted by Luís Miguel Dias segunda-feira, março 29, 2004
domingo, março 28, 2004
Moleskine
Stanley Kubrick
Exhibition and films
"He created more than movies. He gave us complete environmental experiences that got more, not less, intense the more you watched them."
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"Stanley Kubrick's unrealised projects, Napoleon and Aryan Papers, are documented in detail for the first time. Materials from the estate show the considerable development status of Kubrick's project on the life of the French emperor and his adaptation of the novel Wartime Lies by Louis Begley."
posted by Luís Miguel Dias domingo, março 28, 2004
"o Pianista"
uma revista cor-de-rosa, chamada flash!, vende esta semana por 8,5 euros o dvd do excelente e terrível filme de Roman Polanski.
posted by Luís Miguel Dias domingo, março 28, 2004
sábado, março 27, 2004
Artistas Unidos
os nossos preferidos
Viver o nada como se de tudo tratasse...
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Samuel Beckett, À Espera de Godot.
posted by Luís Miguel Dias sábado, março 27, 2004
"VIAGEM A ITÁLIA" pela mão de Goethe e do Google 9
De Verona a Veneza
Vicenza, 19 de Setembro [1786]
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"Cheguei aqui há algumas horas, já percorri a cidade e vi o Teatro Olímpico e os edifícios de Palladio*. Editaram aqui um livrinho muito interessante, com gravuras que facilitam a orientação do forasteiro, e com um texto por um especialista em arte. Quando vemos estas obras é que reconhecemos o seu grande valor; pois a sua finalidade é a de nos satisfazer o olhar pela sua grandeza e volume reais, e o espírito através da bela harmonia das suas dimensões, não só em planos abstractos, mas com todo o jogo de avanços e recuos da perspectiva. Assim, de Palladio poderia dizer que ele foi um homem da interioridade e, a partir de dentro, um grande homem. A maior dificuldade com que ele e todos os arquitectos modernos tiveram de se debater foi da aplicação correcta das ordens de colunas na arquitectura civil; pois a ligação de colunas e paredes será sempre uma contradição. Mas como ele soube articular as coisas, como ele, na presença das suas obras, nos impressiona e nos faz esquecer que pretende apenas covencer-nos! Nas suas construções há verdadeiramente algo de divino, à semelhança da força do grande poeta que, a partir da verdade e da mentira, constrói uma terceira coisa cuja realidade de empréstimo nos encanta."
*" Andrea Palladio (1508-1580), nascido em Pádua, é com Alberti um dos arquitectos do Renascimento que mais sistematicamente estuda e aplica os Antigos neste domínio (em especial Vitrúvio e os seus Dez Livros sobre a Arquitectura."
GOETHE (trad. João Barrento), “Viagem a Itália”, Lisboa, Relógio D`Água Editores, 2001.
Palladio Museum
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posted by Luís Miguel Dias sábado, março 27, 2004
"Gostarás da Grécia"
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Henry Miller and Lawrence Durrell in 1962
"«Miller, tenho a certeza de que gostarás da Grécia.» Não sei porquê, estas palavras impressionaram-me mais do que todas as coisas que ele dissera acerca da Grécia. Gostrás da Grécia… isso ficou-me atravessado. «Por Deus, sim, eu gosto», repeti vezes sem conta a mim mesmo, parado junto da amurada, a observar o movimento e o alarido. Iclinei-me para trás e olhei para o céu. Nunca vira um céu assim antes. Era esplendoroso. Sentia-me completamente separado da Europa. Entrara num novo reino como um homem livre: tudo se conjugara para tornar a experiência única e fritificante. Jesus, como me sentia feliz. Mas pela primeira vez na vida estava feliz com plena consciência de estar feliz. É bom estarmos apenas simplesmente felizes, é um bocadinho melhor sabermos que estamos felizes; mas compreendermos que estamos felizes e saber porquê e como, de que maneira, graças a que encadeamento de acontecimentos ou circunstâncias, sabê-lo e mesmo assim estarmos felizes, estarmos felizes no estar e no saber, em, isso transcende a felicidade, isso é beatitude, e se possuímos algum bom senso devemos matar-nos ali, no momento, e acabar com o assunto. Era assim que eu me sentia – com a diferença de que não possuía a força ou a coragem para me matar ali mesmo, de imediato. E ainda bem que não acabei comigo, porque haveria momentos ainda mais grandiosos, alguma coisa que transcenderia a própria beatitude, alguma coisa em que provavelmente não teria acreditado se alguém tentasse descrever-ma. Não sabia, então, que um dia estaria em Micenas, ou em Faistos, ou que uma manhã acordaria e, ao olhar por uma vigia, veria com os meus próprios olhos o lugar acerca do qual escrevera num livro, mas que nunca soubera que existia nem que tinha o mesmo nome que eu lhe dera na minha imaginação. Na Grécia acontecem coisas maravilhosas a uma pessoa: maravilhosas coisas boas que não nos podem acontecer em nenhu outro lugar da Terra. De certo modo, quase como se Ele estivesse a cabecear, a Grécia continua sob a protecção do Criador. Os homens podem entregar-se à sua insignificante e ineficaz feitiçaria, até mesmo na Grécia, mas a magia de Deus continua a funcionar e, independentemente do que a raça do homem possa fazer ou tentar fazer, a Grécia ainda é um recinto sagrado – e é minha convicção que continuará assim até ao fim do tempo."
MILLER, Henry (trad. Fernanda Pinto Rodrigues), "O Colosso de Maroussi", Lisboa, Livros do Brasil, 1996.
posted by Luís Miguel Dias sábado, março 27, 2004
sexta-feira, março 26, 2004
abalada
"Não. É precisamente por não te pareceres com ninguém que gostaria de te encontrar sempre... em toda a parte..."
Hugo Pratt, "A Balada do Mar Salgado".
posted by Luís Miguel Dias sexta-feira, março 26, 2004
quinta-feira, março 25, 2004
Moleskine
Poets, Lovers, and Heroes in Italian Mythological Prints
Apollo and Diana, ca. 1500–1505
Next comes Apollo with his flowing locks,
…And there appears
the sacred laurel, green and gold,…
cooling the bowers where the Muses nine
Seem with alternate song and sweet refrain
To charm the stars and halt them in their course.
Petrarch, Africa 3.188; .204–.210
Love conquers all; let us, too, yield to Love!
Virgil, Eclogues 10.69
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Sleeping Cupid, mid-17th century
By these arms the monster of Nemea lies crushed; upon this neck I upheld the sky!
Hercules, in Ovid, Metamorphoses, 9.197–.198
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Judgment of Paris, 1515–20.
posted by Luís Miguel Dias quinta-feira, março 25, 2004
«Mi existencia entera es un verso oscuro».
Forugh Farrojzad, muerta en accidente a los 32 años, cuyos libros estuvieron prohibidos en su tierra, es ahora una autora admirada, incluso una imagen simbólica.
posted by Luís Miguel Dias quinta-feira, março 25, 2004
quarta-feira, março 24, 2004
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Javier Vallhonrat, Vuelvo a tí.
"E agora? O ritmo fugiu-lhe, cessou e depois recomeçou a mover-se e a palpitar. E agora? Fumo, incenso que ascendia do altar do mundo.
Da chama se ergue o fumo do incenso
Cobrindo terras e mares inconfinados
Não me recordes mais os dias encantados.
Subia aos céus o fumo do mundo inteiro, dos oceanos vaporosos, o incenso dos louvores dela. A terra era um imenso turíbulo oscilante, balançando-se, uma esfera de incenso, uma esfera elipsoidal. O ritmo fugiu-lhe subitamente; o grito do seu coração quebrara-se. Os seus lábios começaram a repetir os primeiros versos, vezes sem conta; depois começaram a propeçar em meios versos, hesitantes e frustrados; finalmente, pararam. O grito do seu coração quebrara-se.
A hora velada em que o vento não sopra tinha passado e a claridade matinal começava já a surgir por trás das vidraças nuas da janela. Um sino tocou, muito longe. Ouviu-se o gorgeio de uma ave; duas aves, três. O sino e a ave calaram-se; e a frouxa claridade branca espalhou-se de oriente para ocidente, cobrindo o mundo, cobrindo a luz rósea dentro do seu coração."
James Joyce, "Retrato do Artista Quando Jovem".
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Javier Vallhonrat, Vuelvo a tí.
posted by Luís Miguel Dias quarta-feira, março 24, 2004
terça-feira, março 23, 2004
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Bill Peronneau: Denwick, 1999;Nude 1, 1979.
- "É muito estranho ver-te.
- E o contrário também, não é?
- Não. Normalmente não te vejo.
- De facto pareces-me estar um pouco diferente. O que é que te aconteceu?
- Isso faz-me parecer assim tão diferente? Diz-me qual é a diferença e eu digo-te qual a causa. Estou mais alta, mais baixa, mais gorda, mais larga?
- Não, é muito subtil.
- Subtil? Queres que seja séria? Tive saudades tuas?"
Philip Roth, "Traições".
"- Há algo neste cigarro.
- Sim.
- Alguém me liberta de um Mickey.
- Uh! A mim também.
- Tu estás ligeiramente a nadar.
- Eu estou ligeiramente a pensar.
- A nadar em frente dos meus olhos."
Philip Roth, "Traições".
posted by Luís Miguel Dias terça-feira, março 23, 2004
segunda-feira, março 22, 2004
Hugo Pratt e o Cinema (2)
Zéfiro de José Álvaro de Morais, Portugal, 1993.
Um tema caro a José Álvaro de Morais – o Sul, simultaneamente real e mitológico – num filme-mosaico feito de pequenos fragmentos narrativos e contemplativos. Sobre Lisboa paira a sombra fugidia de Corto Maltese, numa bonita homenagem ao herói de Pratt.
Fatalidade de Josef von Sternberg, Estados Unidos, 1931.
Pratt espalhou diversas piscadelas de olho a cinéfilas pela sua obra. Lendo o volume Les Femmes de Corto Maltese descobre-se DISHONORED, afinal, se baseia na vida de Lady Rowena, uma espia a soldo dos alemães… A mesma que, tornando-se amiga de Sternberg, colaborará estreitamente com ele na escrita do argumento de SHANGAI EXPRESS.
O Expresso de Xangai de Josef von Sternberg, Estados Unidos, 1932.
Como se explica na nota sobre DISHONORED, teria sido uma personagem de Pratt, Lady Rowena, quem inspirou Sternberg para esse filme, e foi ela quem o ajudou a escrever o argumento de SHANGHAI EXPRESS. O resultado foi feliz, SHANGHAI EXPRESS é outro título inesquecível da frutuosíssima colaboração entre Sternberg e Marlene.
Espoir – Sierra de Teruel de André Malraux, França-Espanha, 1945.
O único filme realizado por André Malraux, título mítico sobre o mais romântico dos conflitos do século XX, a Guerra Civil de Espanha. Durante muito tempo (isto é, até à publicação das suas memórias) acreditou-se que Corto Maltese tinha morrido durante a guerra, onde combateu nas fileiras republicanas (obviamente).
O Denunciante de John Ford, Estados Unidos, 1935.
A mais directamente política das histórias irlandesas de John Ford, ambientada em Dublin em 1922. É um filme que contradiz a célebre fórmula de apresentação de Ford (“…and I make westerns”) mas também é uma das suas obras mais fascinantes. Por alturas da acção de THE INFORMER também Corto Maltese andou por Dublin, envolvido com o IRA, na belíssima história Concerto em Dó Menor para Harpa e Nitroglicerina.
in programação da cinemateca, Setembro de 2002.
posted by Luís Miguel Dias segunda-feira, março 22, 2004
inéditos de Maria Zambrano
El surgir de la palabra
La palabra que surge unifica acción y pensamientos que se dan en diversos sujetos.
Es la palabra en que se resume el diálogo.
Y así lo hace innecesario y así igualmente lo abre indefinidamente. Ya que lo propio de la palabra viva actuante es la infinitud de su alcance. Con ella se abre una indefinida extensión que se presenta como infinitud pues que no se le ve el término.
Esta palabra une por un instante el paralelismo del lenguaje interno y rompe así la asociación automática que viene del subconsciente asociativo dejado a su ociosidad.
posted by Luís Miguel Dias segunda-feira, março 22, 2004
blogosfera
de visita a alguns blogues:
NO SILÊNCIO DA NOITE - antonio júnior
Auhh Viva as nossas grandes noites!!!
Ambiente no Mundo - Especial Forum Ambiente - O Mundo Pós-Joanesburgo (Outubro de 2002)
Bolina
wonderland - welcome to a new dimension
my life is - mylifeisawiredgame
Sublinhar - O mundo em palavras
Ma-Schamba
posted by Luís Miguel Dias segunda-feira, março 22, 2004
domingo, março 21, 2004
ELEGIA DO AMOR
Lembras-te, meu amor,
Das tardes outonais,
Em que íamos os dois,
Sozinhos, passear,
Para fora do povo
Alegre e dos casais,
Onde só Deus pudesse
Ouvir-nos conversar?
Tu levavas, na mão,
Um lírio enamorado,
E davas-me o teu braço;
E eu, triste, meditava
Na vida, em Deus, em ti...
E, além, o sol doirado
Morria, conhecendo
A noite que deixava.
Harmonias astrais
Beijavam teus ouvidos;
Um crepúsculo terno
E doce diluía,
Na sombra, o teu perfil
E os montes doloridos...
Erravam, pelo Azul,
Canções do fim do dia.
Canções que, de tão longe,
O vento vagabundo
Trazia, na memória...
Assim que o partiu
Em fragil caravela,
E andou por todo o mundo,
Traz, no seu coração,
A imagem que viu. (...)
Teixeira de Pascoaes
posted by Luís Miguel Dias domingo, março 21, 2004
Il Mestiere di Vivere di Cesare Pavese (3)
"1950
21 de Março
Dia duro. Situação internacional, situação italiana de guerra civil latente, boatos diversos de reacção atómica em cadeia para Abril. Tudo tende a separar-me dela, a fazê-la regressar à América, a bloquear Roma, a pôr tudo fora do sítio.
Eu antes sofria assim tanto? Sim, sofria então do medo de morrer. Sofro apenas do medo de a perder. É sempre um modo de sofrimento. Resigna-te. O estoicismo, é isso que conta. Si fractus illabatur orbis…"
PAVESE. Cesare (trad. Alfredo Amorim), “O Ofício de Viver”, Relógio D`Água, Lisboa, 2004.
posted by Luís Miguel Dias domingo, março 21, 2004
"A Rosa"
"Entregando-se livremente a todo o tipo de pensamentos dos mais diversos teores, chegou a um outeiro coroado de edifícios e de onde a vista abarcava tudo em redor. Ali permaneceu imóvel um bom pedaço de tempo, em silêncio perante o monumento a um homem, para cujo rosto grave e sensato, revelador de uma natureza compassiva, duas crianças erguiam o olhar com uma expressão de confiane religiosidade.
Tratava-se do monumento dedicado a um pedagogo, e o passeante disse para consigo mesmo: «Por enquanto, as minhas obras boas não são muitas, não são mesmo nenhumas. Isso devia causar-me desgosto. Todavia, sinto tão pouca inveja da fama dos grandes que não há razão para que as suas efígies me façam desanimar. Tenho vivido até agora de acordo com o que considero bom e justo e não temo a possibilidade de que alguém possa vir provar-me que errei, pelo que me acho com todo o direito de afirmar que errar é humano. Compreendo, no entanto, que seria bom agirmos segundo nobres critérios, reduzirmos um pouco as alegrias da vida para cumprirmos outras tarefas, entendermos a felicidade também de outras formas que não apenas a de preservarmos a boa disposição, não nos tornarmos dependentes desta última, receosos a toda a hora de a perder, sempre preocupados em a manter viva; não, antes ousar, de peito aberto, sacrificar a nossa felicidade e talvez, como consequência disso ganhá-la de novo.»
Vê-se bem que ele admitia que lhe faltava ainda algum discernimento, julgava-se, no entanto, detentor de espírito de realização."
WALSER, Robert (trad.Leopoldina Almeida), "A Rosa", Relógio D`Água, Lisboa, 2004.
posted by Luís Miguel Dias domingo, março 21, 2004
sábado, março 20, 2004
"Gostarás da Grécia"
"Eu nunca teria ido para a Grécia se não fosse uma rapariga chamada Betty Ryan que morava na mesma casa que eu em Paris. Uma noite, enquanto tomávamos um copo de vinho, ela começou a falar das suas experiências de viajar pelo mundo. Escutei-a sempre com grande atenção, não apenas porque as suas experiências eram estranhas, mas também porque quando falava das suas andanças ela parecia pintá-las: tudo quanto descrevia ficava na minha cabeça comotelas acabadas de um mestre. Foi uma conversa peculiar a dessa noite: começámos por conversar a respeito da China e da língua chinesa, cujo estudo ela iniciara. Em breve estávamos no Norte de África, no deserto, entre povos de que nunca ouvira falar antes. E, subitamente, ela caminhava sozinha ao lado de um rio, a luz era intensa e eu seguia-a o melhor que podia sob o sol ofuscante, mas ela perdeu-se e dei comigo a vaguear numa terra estranha, ouvindo uma língua que nunca tinha escutado. (…)
Uns meses antes de rebentar a guerra, resolvi tirar umas longas férias. Para começar, há muito tempo que desejava visitar o vale de Dordogne. Por isso, fiz a mala e meti-me no comboio para Rocamadour, onde cheguei de manhã cedo, perto do ascer do Sol e com a Lua ainda a brilhar luminosamnte. Foi um rasgo de génio da minha parte percorrer a região da Dordogne antes de mergulhar no mundo luminoso e antigo da Grécia. O simples vislumbrar, em Domme, o negro e misterioso rio da bela fraga da orla da cidade é algo para ficar grato durante o resto da vida. Para mim, este rio, esta região pertence ao poeta Rainer Maria Rilke. Não é francesa, não é austríaca, não é sequer europeia: é o território do encantamento que os poetas demarcaram e que eles e só eles podem reivindicar. É o que existe mais próximo do Paraíso deste lado da Grécia. Chamemos-lhe o paraíso do homem francês, a título de concessão. Na realidade, deve ter sido um paraíso durante muitos milhares de anos. Acredito que deve tê-lo sido para o homem do Cro-Magnon, apesar dos vestígios fossilizados das grandes cavernas que apontam para condições de vida assaz desorientadoras e aterradoras. Acredito que o homem do Cro-Magnon se fixou aqui porque era extremamente inteligente e tinha um sentido do belo altamente desenvolvido. Acredito que o seu sentido religioso já estava também altamente desenvolvido e floresceu aqui apesar de ele viver como um animal nas profundezas das cavernas. Acredito que esta grande região tranquila da França será sempre um lugar sagrado para o homem, e que quando as cidades tiverem dizimado os poetas este será o refúgio e o berço dos poetas vindouros. Repito, foi muito importante para mim ter visto Dordogne: isso dá-me esperança para o futuro da espécie, para o futuro da própria Terra. A França pode um dia deixar de existir, mas Dordogne continuará a viver, do mesmo modo que os sonhos continuarão a viver e a alimentar as almas dos homens."
MILLER, Henry (trad. Fernanda Pinto Rodrigues), "O Colosso de Maroussi", Lisboa, Livros do Brasil, 1996.
posted by Luís Miguel Dias sábado, março 20, 2004
obrigado cristina
Double indignity
posted by Luís Miguel Dias sábado, março 20, 2004
quinta-feira, março 18, 2004
maya
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Bill Peronneau, Nude 2, 1979.
"A distância entre nós aumenta, mesmo quando a minha caneta hesita. Os motores roncam nos espaços entre as palavras, devorando os quilómetros, os hactares das quintas planas, grandes quadrados castanhos e verdes que desfilam por baixo da asa enquanto ela avança devagar. Fecho os olhos e vejo a nossa casa branca, os seus dois alpendres rsguardados e a comprida estufa envidraçada, o terraço a espreitar para o mae e as rochas da enseada – essas rochas cinzentas onde tu, a Pearl e eu tantas vezes fizemos piqueniques e que, quando o sol lhes bate nos veios, causam uma sensação de calor mesmo em Fevereiro -, o regaço ondeante do relvado e o canteiro de bolbos tão luxuriosos e eriçados de folhas agora que a Primavera chegou. (…)
Levantei metade do que havia nas nossas contas conjuntas, de todas as de que consegui encontrar extractos – a conta à ordem a 5,5%, a conta de poupança a 6,5% e a conta de capital em Bóston a 7,25% (suponho). Na realidade, levantei um bocadinho mais de metade, visto que os CD (certificados de depósito) ficam imobilizados seis meses de cada vez e tu tens a bom recato todo o dinheiro das participaç~oes do Plano Keogh (plano de reformas de profissionais e outros grupos) e do plano de reforma dos médicos, a respeito do qual foste sempre muito cauteloso e reservado (…)
uma das coisas que sempre me magoaram sem que o admitisse sequer para comigo mesma foi a tua tendência para chamares «teu» a inheiro que na realidade ganhámos juntos, visto que eu cuidava da nossa encantadora casa para realçar a tua imagem aos olhos dos teus pacientes e dos teus confrades e criava anossa filha virtualmente sem qualquerajuda, uma vez que tu estavas sempre no consultório por razões que durante anos não passaram pela minha pobre e inocente cabeça – para não mecionar que, enquanto tu mourejavas tão heroicamente (era o que todos me diziam a toda a hora) na escola médica e no internato, quem prescindiu de dois anos de faculdade e da hipótese de ter acesso a um curso de pós-graduação fui eu – esqueceste com certeza que tencionava especializar-me em filosofia francesa. De Descartes a Sartre – acho espantoso tudo quanto em tempos soube e depois esqueci, todo aquele ser e nada, e cogito ergo sum; a única coisa de que me recordo é de que a essência precede a existência – ou será o contrário? Seja como for, eu então adorava essas coisas e imaginava-me como Simone de Beauvoir ou Simone Weil, e em vez disso calhou-me ser professora substituta de Francês e Costura naquela pavorosa escola paroquial em Sommerville… (…)
Po que será que os Americanos pensam sempre que devem sentir-se culpados a respeito das suas coisas? Eu amava as nossas coisas. Coisas são aquilo por que nós lutamos, aquilo por que todas as ondas do ar nos dizem que lutemos – são a substância dos nossos sonhos, e depois, como Eva e Adão a digerirem a maça, temos de nos sentir tão culpados. Eu não me sentia, acho que não me sentia. Ao longo da minha década dos trinta anos fui escandalosamente feliz por ser eu, por ser parte de nós."
UPDIKE, John (trad. Fernada Pinto Rodrigues), "S", Livros do Brasil, Lisboa, 1991.
posted by Luís Miguel Dias quinta-feira, março 18, 2004
quarta-feira, março 17, 2004
A Strange Day
Give me your eyes
That I might see the blind man kissing my hands
The sun is humming
My head turns to dust as he plays on his knees
And the sand
And the sea grows
I close my eyes
Move slowly through drowning waves
Going away on a strange day
And I laugh as I drift in the wind
Blind
Dancing on a beach of stone
Cherish the faces as they wait for the end
A sudden hush across the water
And we're here again...
And the sand
And the sea grows
I close my eyes
Move slowly through drowning waves
Going away
On a strange day
My head falls backs
And the walls crash down
And the sky
And the impossible
Explode
Held for one moment I remember a song
An impression of sound
Then everything is gone
Forever
A strange day...
the cure
posted by Luís Miguel Dias quarta-feira, março 17, 2004
terça-feira, março 16, 2004
também nós enviamos os parabéns a Tonino Guerra
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Pennabilli, la Valmarecchia e l'Adriatico
o maravihoso mundo de Tonino Guerra. um mundo que já não existe? não, existe.
Tonino Guerra: i "Luoghi dell'anima"
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DINO
Tinha bigode meu irmão e dançava o tango
agora vive com quatro mil patos
que chafurdam dentro do rio
entre as canas.
Se o convido para Roma
chega com duas folhas de alface
como se fosse
um canário na gaiola.
E todas as vezes que nos vemos
mesmo quando passou mais de um ano
damos as mãos e isso basta.
Tonino Guerra.
Dar, também, os parabéns ao mário rui de oliveira, pela recente tradução de mais um livro de Tonino Guerra. e ficámos sempre à espera do próximo.
posted by Luís Miguel Dias terça-feira, março 16, 2004
segunda-feira, março 15, 2004
Moleskine
Rubens, « uomo universale », génie de la peinture occidentale.
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P.P. Rubens, Paysage avec saint Georges, 1629-34.
posted by Luís Miguel Dias segunda-feira, março 15, 2004
OVermelho
e o Negro
1783-1842
"Frases soltas, encontros ditados
pelo acaso, transformam-se em provas
mais que evidentes aos olhos de um
homem com imaginação, se ele tiver
algum fogo no coração
Schiller
E vieram-lhe à lembrança certos olhares impregnados de desprezo que lhe lançara a senhora de La mole, e sobretudo as damas suas amigas.
O prazer de levar a melhor sobre o marquês de Croisenois veio completar a derrota do caminho da virtude.
Como me agradaria que ele se zangasse!, disse Julien. Com que segurança lhe desferiria agora um golpe de espada! E fazia o gesto da espadeirada. Antes disso, não passava de um mestre-escola, abusando mesquinhamente de um pouco de coragem. Depois desta carta, sou seu igual.
«Sim – dizia consigo com infinita voluptuosidade e falando lentamente – os nossos méritos, os do marquês e os meus, foram postos na balança, e o pobre serrador do Jura levou a melhor. «Bom! – exclamou; acabei de encontrar a assinatura da minha carta de resposta. Nem lhe passe pela cabeça, menina de La Mole, que vou esquecer a minha condição. Força-la-ei a compreender e a dar-se bem conta de que pelo filho de umserrador de madeira que a menina trai um belo descendente de Guy de Croisenois, que acompanhou São Luís à cruzada.
Julien não conseguia conter a sua alegria. Teve de voltar para o jardim. O quarto, onde se tinha fechado à chave, afigurava-se-lhe demasiado estreito para aí poder respirar.
Eu, pobre camponês do Jura – repetia constantemente – eu, condenado a usar sempre este triste fato negro! Vinte anos mais cedo, teria envergado como eles o uniforme! Nessa época, um homem como eu, ou era morto, ou se tornava general aos trinta e seis anos. Aquela carta, que ele apertava na mão, dava.lhe a envergadura e o porte de um herói. Hoje em dia, também é certo que, com este fato negro, aos quarenta anos podem ter-se cem mil francos de rendimento e o cordão azul, como o Sr. Bispo de Beauvais.
Pois bem – disse consigo, rindo como Mefistófeles -, tenho mais espírito que eles; sei escolher o uniforme do meu século. E sentiu-se redobrar de ambição e de apego ao hábito eclesiástico. Quantos cardeais de mais baixo nascimento que o meu não governaram! O meu compatriota Granvelle, por exemplo.
Pouco a pouco, a agitação de Julien acalmou-se; a prudência veio ao de cima. Repetiu, como o seu mestre Tartufo, cujo papel sabia de cor:
Posso tomar essas palavras por um artifício honesto.
……………………………………………………………..
Não me fiarei em tão doces frases,
Sem que um pouco dos seus favores, pelos quais suspiro,
Não me venha garantir tudo o que elas poderão dizer-me.
Tartufo, acto IV, cena V.
Também Tartufo foi atraiçoado por uma mulher, e valia tanto como qualquer outro… A minha resposta pode ser mostrada… para o que já encontrámos o remédio – acrescentou, pronunciando lentamente as palavras, com um acento de ferocidade contida – basta começá-la pelas frases mais ousadas da carta de sublime Mathilde."
STENDHAL, "O Vermelho e o Negro".
posted by Luís Miguel Dias segunda-feira, março 15, 2004
domingo, março 14, 2004
Blemish
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posted by Luís Miguel Dias domingo, março 14, 2004
Poesia
A VOZ
A cada novo dia o silêncio do quarto solitário
fecha-se como o ar sobre o leve marulhar
de cada gesto. A cada novo dia a janela estreita
abre-se imóvel ao ar calado. A voz
rouca e doce não volta no fresco do silêncio.
Abre-se o ar imóvel como boca que fosse falar,
e cala-se. Cada dia é sempre o mesmo.
E a voz é a mesma, pois não rompe o silêncio,
rouca e igual para sempre na imobilidade
da recordação. A clara janela acompanha
com o seu leve latejar a calma daquele tempo.
Cada gesto percute a calma daquele tempo.
Se a voz ressoasse, voltaria a dor.
Voltariam os gestos no ar pasmado
e palavras à voz submissa.
Se a voz ressoasse, também o breve latejar
do silêncio que dura seria dor.
Voltariam os gestos da dor inútil,
Percutindo as coisas no estrépito do tempo.
Mas a voz não volta, e o sussurro longínquo
não enruga a recoradção. A luz imóvel
esparze o seu fresco latejar. O silêncio para sempre
cala-se, rouco e submisso, na recordação daquele tempo.
Cesare Pavese
posted by Luís Miguel Dias domingo, março 14, 2004
sábado, março 13, 2004
Moleskine
Man Ray Photo
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posted by Luís Miguel Dias sábado, março 13, 2004
quinta-feira, março 11, 2004
Madrid
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posted by Luís Miguel Dias quinta-feira, março 11, 2004























