quarta-feira, dezembro 31, 2003
Bom ano a todos.
Jiro Taniguchi (1) - L`uomo che cammina
com a devida vénia aos companheiros secretos
posted by Luís Miguel Dias quarta-feira, dezembro 31, 2003
“VIAGEM A ITÁLIA” pela mão de Goethe e do Google 2
“De Bolzano a Trento são nove milhas por uma vale fértil, cada vez mais fértil. Todas as plantas que, no alto das montanhas, tentam vegetar, têm aqui já mais força e vitalidade, o sol é mais quente e voltamos a acreditar que há um Deus.
Uma pobre mulher pediu-me que levasse o filho na carruagem, porque a terra quente lhe queimava os pés. Fiz essa acção misericordiosa em honra da poderosa luminária. A criança estava muito asseada e bem arranjada, mas não consegui arrancar-lhe uma palavra em qualquer língua.
O Ádige corre agora mais manso e forma em muitos lugares largas ilhotas de saibro. Em terra, junto ao rio e pelas colinas acima, as culturas pegam-se tanto que somos levados a pensar que se afogam umas às outras: por todo o lado, vinhas, milho, amoreiras, maçãs, peras, marmelos e nozes. Dos muros pende exuberantemente o salgueiro-anão. A hera cresce à volta de fortes troncos pelos rochedos acima e alastra sobre eles; as lagartixas esgueiram-se pelos espaços abertos, e tudo que permanentemente anima a paisagem nos recorda os mais amenos quadros da pintura. As tranças das mulheres, presas ao alto, o peito descoberto e os casacos leves dos homens, os possantes bois que levam do mercado para casa, os burricos carregados, tudo faz um Heinrich Roos vivo e animado. E agora, quando a noite desce, no ar tépido, poucas nuvens nos cumes dos montes, as do céu mais pairando que movendo-se, quando ao sol-posto se começa a ouvir a zoada das cigarras, então sentimo-nos em casa neste mundo, e não como num abrigo ou no exílio.
GOETHE (trad. João Barrento), “Viagem a Itália”, Lisboa, Relógio D`Água Editores, 2001, p.p. 31 e 32.
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Heinrich Roos, Roman Landscape with Cattle and Shepherds, 1676.
posted by Luís Miguel Dias quarta-feira, dezembro 31, 2003
Correspondência
obrigado e igualmente para si António Carvalhal. parabéns pelo seu trabalho.
posted by Luís Miguel Dias quarta-feira, dezembro 31, 2003
BLOGOSFERA
obrigado e igualmente, Alexandra Barreto.
“Feliz 2004
«presa do assombro do que é novo e antigo»
cheio de surpresas de passado, presente e futuro
e de enigmas que de certezinha vamos ser capazes de resolver
Alexandra”
de visita a alguns blogues:
Desportista Urbano - enganos da locomoção
Porque Morremos, senhor – poor nascer
sEMPRE em fRENTE aMOR - Amor em série... sériAmor e 1 vício
NãO se NASCE, FICA-se - elocubrações vuvuvianas
cócegas na língua - Ociosa a língua coça o pensamento!
Probabilidade subjectiva
Escorreito
El Coronel - Blog generalista de Esquerda, direita e as vezes mesmo centro... Sportinguista, Portista , Leixonense e Vilanovense
mendiz - experimental é im espaço adequado para fazer todas as experiências necessárias ao acerto do seu blog. Alteração de cor de letras, música, contadores et. Faze inicial para lançar o folhas torgueiras.
Eu e a Minha Sombra! - A reflexão é um momento fundamental da nossa própria existência...!
posted by Luís Miguel Dias quarta-feira, dezembro 31, 2003
terça-feira, dezembro 30, 2003
MOLESKINE
"Moonwatchers"
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Caspar David Friedrich (German, 1774–1840), Two Men Contemplating the Moon, 1819.
posted by Luís Miguel Dias terça-feira, dezembro 30, 2003
Sentado debaixo do grande terebinto XXIV
“Rubro, abrasado e intumescido – disse ele com voz trémula – está o meu rosto de tanto chorar. Profundamente aflito aqui estou chorando e as lágrimas rolam-me sobre a face sem cessar.
Estas palavras não eram suas, percebia-se logo. A acreditar em antigos cânticos, já Noé as proferira, iguais ou parecidas, quando do Dilúvio. Jacob fê-las suas. Já é bom e consoladoramente cómodo que tenham chegado à humanidade sofredora, vindas de tempos remotos, expressões plangentes que se adaptam também ao tempo actual e parecem feitas de propósito para ele, satisfazendo a vida dolorosa, se é que simples palavras podem satisfazer, e que possamos servir-nos delas para unir a nossa mágoa à antiga mágoa que ainda perdura. Na verdade, Jacob não podia prestar maior honra à sua afeição do que compará-la ao Dilúvio e empregar as palavras motivadas pelo cataclismo.
Em todo o caso, o seu desespero, nas suas lamentações, já empregava antes muitas frases feitas ou meias feitas. Especialmente a que tantas vezes repetia suspirando: «Uma fera cruel devorou José! Despedaçado, despedaçado foi José!», tinha um cunho característico, embora se não deva crer que isto possa diminuir o que há de impressionante em tais prantos. Ah! Nada faltava para os tornar impressionantes, embora tivessem o cunho de outras eras.
- O cordeiro e a ovelha mãe foram trucidados! – repetia Jacob em ladainha, balouçando de um lado para o outro e chorando amargamente. – Primeiro a mãe, depois o cordeiro! A ovelha-mãe desamparou o cordeiro quando só faltava mais um pouco de caminho até ao abrigo. Agora também o cordeiro se tresmalhou e perdeu! Não, não, não! É de mais, é de mais! Ai de mim, ai de mim! Pelo filho dilecto se ergue o meu lamento. Pelo rebento cujas raízes foram arrancadas, pela minha esperança que foi extirpada como uma vergôntea! O meu Damu, o meu filho! A sua morada é o mundo inferior! Não comerei mais pão, não beberei mais água. Despedaçado, despedaçado está José…”
Thomas Mann, “O jovem José”, Livros do Brasil.
posted by Luís Miguel Dias terça-feira, dezembro 30, 2003
por estes dias recebemos uma mensagem simpática. de uma leitora. respondemos-lhe. soledade. com um nome fantástico. a leitora. e dissemos-lhe. soledade. e ela respondeu.
DERAM-ME O NOME
deram-me o nome
da mãe
da avó
e de outras ancestrais que não conheci
a avó fez juz ao nome
e de Andaluzia onde foi menina
trouxe a espantosa solidão
da cama desabitada
dos filhos todos
perdidos
na guerra
a mãe foi artesã
da alegria
(da minha - não da sua)
e passou breve
cisne ao sol
sacrificado
e agora
eu herança
no longe dos seus olhos
Soledade Santos
posted by Luís Miguel Dias terça-feira, dezembro 30, 2003
segunda-feira, dezembro 29, 2003
nestes dias de catástrofe, devastação e sofrimento, mas também de esperança, para o povo iraniano, persa, recordamos Kiarostami: Where is the Friend`s Home, And Life Goes On e Through the Olive Trees
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DIRECTOR'S STATEMENT
"The lust for life that I saw gradually changed my perspective, and the death and destruction became less and less significant."
-Abbas Kiarostami
“In June 1990, an earthquake of catastrophic proportions jolted northern Iran, killing tens of thousands of people and causing unbelievable damage. Immediately, I decided to make my way to the vicinity of Koker, a village where four yours earlier I shot Where is the Friend's Home? My concern was to find out the fate of the two young actors who played in the film but I failed to locate them. However, there was so much else to see....
I was observing the efforts of people trying to rebuild their lives in spite of their material and emotional sufferings. The enthusiasm for life that I was witnessing gradually changed my perspective. The tragedy of death and destruction became less and less significant.
Towards the end of my trip, I became less and less obsessed by the two boys.
What was certain what this: more than 50,000 people had died, some of whom could have been boys of the same age as the two who had acted in my film (the tow boys at the end of this film may be taken as substitutes for the original pair.) Therefore, I needed a stronger motivation to go on with the trip.
Finally, I felt that perhaps it was more important to help the survivors who bore no recognizable faces, but were making every effort to start a new life for themselves under very difficult conditions and in the midst of an environment of natural beauty that was going on with its old ways as if nothing had happened. Such is life, it seemed to tell them, go on, seize the day...”
AND LIFE GOES ON (aka LIFE AND NOTHING MORE)
posted by Luís Miguel Dias segunda-feira, dezembro 29, 2003
serviço público
parabéns a todos os envolvidos - é bela a colectânea de outono
posted by Luís Miguel Dias segunda-feira, dezembro 29, 2003
“VIAGEM A ITÁLIA” pela mão de Goethe e do Google 1
“Trento, 11 de Setembro, de manhã [1786]
Finalmente, já com o Sol alto e depois de andarmos um bom bocado para norte, divisei o vale onde fica Bolzano. Rodeada de montes íngremes e de razoável altitude, a cidade abre-se para sul e é protegida a norte pelas montanhas do Tirol. Um ar suave e macio enchia todo o lugar. Aqui, o Ádige corre de novo para sul. Nas colinas no sopé das montanhas cresce a vinha. As estacas alinham-se ao longo de latadas baixas, e dá gosto ver as uvas pretas pendentes, amadurecendo com o calor da terra próxima. (…)
Cheguei a Bolzano com sol aberto. Alegrei-me de ver tantos rostos de comerciantes, que reflectem de forma viva uma existência com sentido e abastada. Na praça havia mulheres a vender fruta em cestos redondos e baixos, com mais de quatro pés de diâmetro, onde acamavam os pêssegos de modo a não se tocarem. O mesmo se passava com as peras. Ocorreu-me uma quadra que tinha visto escrita na janela da estalagem de Regensburg:
Comme les pêches et les mélons
Sont pour la bouche d`un baron,
Ainsi les verges et les bâtons
Sont pour les fous, dit Salomon.
É óbvio que foi um barão do Norte quem isto escreveu; e é natural que ele, se viesse a estas paragens, mudasse as suas opiniões.”
GOETHE (trad. João Barrento), “Viagem a Itália”, Lisboa, Relógio D`Água Editores, 2001, p.p. 29 e 30.
posted by Luís Miguel Dias segunda-feira, dezembro 29, 2003
domingo, dezembro 28, 2003
Water Goddess
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15th–early 16th century, Aztec peoples.
in www.metmuseum.org
posted by Luís Miguel Dias domingo, dezembro 28, 2003
"O BEBEDOR NOCTURNO" 2
(poemas mudados para português por Herberto Hélder)
ENIGMAS ASTECAS
- Um espelho numa casa feita com ramos de pinheiro?
- O olho com a sobrancelha.
*
- Uma velha com cabelos de feno branco, velando à porta da casa?
- A meda de milho.
*
- Uma pedra branca de onde saem plumas verdes?
- A cebola.
*
- Uma coisa que caminha, levando à frente plumas vermelhas, seguida por um bando de corvos?
- O incêndio das savanas.
*
- Uma coisa que tem sandálias de pedra e se levanta à porta de casa?
- Os pilares laterais da porta.
*
- Uma coisa que vai pelos vales fora, batendo as palmas das mãos como uma mulher que faz tortilhas?
- A borboleta voando.
in herberto helder, "POESIA TODA", Assírio &Alvim.
posted by Luís Miguel Dias domingo, dezembro 28, 2003
sábado, dezembro 27, 2003
Capturing Ancient Light
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19. AAT 100 Sombrero Galaxy M104, NGC 4594; 8. AAT 15 Helix Nebula NGC 7293.
posted by Luís Miguel Dias sábado, dezembro 27, 2003
Aforismos - Teixeira de Pascoaes
"Cada homem é a medida do Universo.
*
O ritmo é a substância das coisas.
*
A ideia de água antecede todas as fontes.
*
O som é o espírito da cor.
*
Amar é dar à luz o amor, personagem transcendente.
*
Um murmúrio imperceptível durante o dia, enche toda a penumbra.
*
O homem é pedra e fogo, incandescência solar, espectro a arder.
*
As formas objectivas do Universo ninguém as vê. Existem sepultadas na escuridão que cai do sol."
posted by Luís Miguel Dias sábado, dezembro 27, 2003
sexta-feira, dezembro 26, 2003
desconstrutivismo. agora a vítima é Antonio Stradivari. é este o caminho? para nós, não. e o amor?
La ciencia desvela el secreto que hace únicos a los violines «stradivarius»
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posted by Luís Miguel Dias sexta-feira, dezembro 26, 2003
DIVULGAÇÃO
"É A CULTURA, ESTÚPIDO!" O MELHOR E O PIOR DO ANO
O MELHOR E O PIOR DO ANO NO "É A CULTURA, ESTÚPIDO!"
O ano literário e político em revista é o tema do último encontro “É a Cultura, Estúpido!” de 2003, a realizar no próximo dia 30 de Dezembro, terça-feira, às 18.30h, no Jardim de Inverno do Teatro São Luiz. O convidado da sessão será Mário de Carvalho, autor de um dos melhores romances do ano, “Fantasia para Dois Coronéis e uma Piscina” (Caminho).
Para além de poder acompanhar a conversa entre o escritor e a jornalista Anabela Mota Ribeiro, quem passar pelo Jardim de Inverno ouvirá as escolhas dos críticos e jornalistas residentes – José Mário Silva, Pedro Mexia, João Miguel Tavares e Nuno Costa Santos - para as diversas categorias - melhores livros, piores livros, melhores capas, piores capas, títulos mais comerciais, títulos mais improváveis, etc. – , saberá quais são os melhores e os piores factos políticos de 2003, no entender dos colunistas Daniel Oliveira e Pedro Lomba, e assistirá à stand-up comedy de Ricardo Araújo Pereira sobre o balanço do ano literário.
Os encontros "É a Cultura, Estúpido!”, organizados pelas Produções Fictícias, continuarão a realizar‑se até Junho de 2004, nas últimas quartas-feiras do mês, no Teatro Municipal São Luiz.
www.producoesficticias.pt
posted by Luís Miguel Dias sexta-feira, dezembro 26, 2003
quarta-feira, dezembro 24, 2003
Boas Festas a todos
in David Lynch, The Straight Story, 1999.
posted by Luís Miguel Dias quarta-feira, dezembro 24, 2003
"Uma história para uma noite de calmaria"
ONDE VAIS?
A primeira palavra que ouvi
na minha vida
foi «onde vais?»
Num aposento sentados
em sacos de milho
eu e minha mãe.
Tinha apenas um ano
e não sabia ainda
o que eram as palavras
e onde me poderiam levar.
in Tonino Guerra, Histórias para uma Noite de Calmaria", Assírio & Alvim.
posted by Luís Miguel Dias quarta-feira, dezembro 24, 2003
terça-feira, dezembro 23, 2003
Seated Figure, 6th century.
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Maya peoples; Mexico or Guatemala.
Wood; H. 14 in. (35.6 cm)
The Michael C. Rockefeller Memorial Collection, Bequest of Nelson A. Rockefeller, 1979 (1979.206.1063)
in www.metmuseum.org
posted by Luís Miguel Dias terça-feira, dezembro 23, 2003
"O BEBEDOR NOCTURNO" 1
(poemas mudados para português por herberto helder)
ENIGMAS MAIAS
- Filho, quais são as bocas tristes por onde as canas se lamentam?
- Os buracos da flauta.
*
- Filho, viste acaso duas pedras verdes com uma cruz ao meio?
- Os olhos do homem.
*
- Filho, e o papagaio que levanta a saia, e tira a capa, e a camisa, e o chapéu, e os sapatos? Filho, passou acaso por ti? Talvez tivesses passado tu por ele, pela alta pedra que se levanta à entrada do céu, e está na porta da muralha. Quando por lá passaste, viste porventura avançarem para ti homens como touros inclinados?
- A pupila e o par de olhos.
*
- Filho, viste as velhas que traziam ao colo os enteados e outras crianças?
- Pai, estão aqui enquanto cômo, e não os posso deixar. O polegar e os outros dedos.
*
- Filho, por onde passaste há um riacho.
- Pai, esse riacho está em mim. É o sulco ao meio das minhas costas.
*
- Filho, vai buscar uma mulher de Jalisco que tenha os cabelos em desordem e seja muito bela e virgem. Que lhe dispo o vestido e o saiote, e ficarei feliz de vê-la assim. O seu perfume será de terra, e um turbilhão será a sua bela cabeça.
- É a tenra espiga de milho verde cozida debaixo da terra.
*
Ele ganha e, contente, leva consigo a pedra vermelha com que sonhou. O orvalho do céu com que sonhou.
herberto helder, "POESIA TODA", Assírio & Alvim.
posted by Luís Miguel Dias terça-feira, dezembro 23, 2003
segunda-feira, dezembro 22, 2003
MOLESKINE
William Blake
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William Blake (British, 1757–1827), Nebuchadnezzar, 1795/ca.1805
As told in the book of Daniel (4: 31–33), God punished King Nebuchadnezzar—who defiantly built the glorious city of Babylon—by taking away his reason. Driven to the fields to eat grass, the former king became bestial, sprouting feathers and claws. (When he finally recognized the superiority of God, his reason was restored.) Blake derived the pose of the figure from a Dürer print; he might have intended the subject as a veiled reference to the madness of his own king, George III of England.
posted by Luís Miguel Dias segunda-feira, dezembro 22, 2003
globalização
de facto, nessa matéria, é assim...
é assim, de facto, nessa matéria...
nessa matéria, é assim, de facto.
posted by Luís Miguel Dias segunda-feira, dezembro 22, 2003
domingo, dezembro 21, 2003
Guston's Poem-Pictures
Philip Guston's Poor Richard
posted by Luís Miguel Dias domingo, dezembro 21, 2003
lync(h)ados
escondido, tímido e assustado, o homem espreitava. não um homem qualquer. um homem. vendia-se. elefante. vendeu-se. a preço de saldos. tantos o olharam e não o levaram. elefante. cabia em qualquer sítio. este homem. levaram-no para junto de outros. elefante.
entrou na estrada perdida e de veludo azul vestido contornando uma duna entrou na mulholland drive onde presenciou uma história simples e estava à porta de twin peaks.
posted by Luís Miguel Dias domingo, dezembro 21, 2003
sábado, dezembro 20, 2003
o trabalho do tempo
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Librado Romero
Emily Dromgold, who visited New York City from Florida, rode on her father's shoulders during a shopping trip on Fifth Avenue.
in www. nytimes.com
“Mas não pode ser verdade que ele flutua de uma realidade para outra, alheio à lógica do tempo. Tal não é possível. Nós somos feitos de tempo. É essa força que nos confere uma identidade própria. Basta fecharmos os olhos e sentimo-la. É o tempo que define a nossa existência. (…)
O tempo é a única narrativa que conta. Prolonga os acontecimentos e torna possível que sintamos dor e a superemos e que assistamos ao espectáculo da morte e continuemos a viver. Mas não para ele. Ele move-se noutra estrutura, noutra cultura, onde o tempo é uma dimensão à parte, pura e isolada, que não oferece abrigo. (…)
Mas que sabia ela? Nada. Eis a regra do tempo. É a coisa da qual nada sabemos. (…)
Passado, presente e futuro não são artifícios de linguagem. O tempo desdobra-se nas costuras do ser. Passa através de nós, cria-nos e molda-nos.”
in DeLILLO, “O Corpo Enquanto Arte.”
posted by Luís Miguel Dias sábado, dezembro 20, 2003
sexta-feira, dezembro 19, 2003
Cell of the Month
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posted by Luís Miguel Dias sexta-feira, dezembro 19, 2003
na montanha IX
"O átomo era um sistema cósmico carregado de energia, em cujo seio gravitavam planetas, numa rotação frenética, em torno de um centro semelhante ao Sol, e cuja órbita era percorrida, a velocidades só mensuráveis em anos-luz, por cometas mantidos nas suas órbitas excêntricas pela força do corpo central. E isto não é uma simples comparação, tão pouco quanto o seria a que define o organismo multicelular como um «Estado de células». A cidade, o Estado, a comunidade social organizada segundo o princípio da divisão do trabalho não sòmente era comparável à vida orgânica, mas repetia-a exactamente. Da mesma forma no seio da natureza, repetia-se o universo astral, o macrocosmos, cujos grupos, nebulosas, constelações, nuvens, pairavam, empalecidos pela Lua, flutuavam ante os olhos do nosso adepto, por cima do vale cintilante de neve. Não seria lícito pensar que certos planetas do sistema solar atómico ? esses exércitos, essas via-lácteas que compunham a matéria ? que um outro desses corpos celestes intraterestres se encontrava numa condição semelhante àquela que fazia da Terra uma sede da vida? (...)
A anatomia patológica da qual mantinha um volume inclinado para a luz vermelha da lampadazinha, informava-o, por grupos parasitários de células e dos tumores infecciosos. Eram formas de tecidos ? formas de tecidos especialmente exuberantes ? provocadas pela irrupção de células estranhas num organismo que se mostrara particularmente acolhedor e de algum modo ? era preciso dizer talvez: de modo depravado ? oferecia condições favoráveis ao seu crescimento. O mal não era que o parasita privasse de alimentos o tecido circundante; mas, no decorrer do metabolismo peculiar a toda a célula, produzia combinações orgânicas surpreendentemente tóxicas e inevitavelmente perniciosas."
Thomas Mann, "A Montanha Mágica".
posted by Luís Miguel Dias sexta-feira, dezembro 19, 2003
quinta-feira, dezembro 18, 2003
Oldest sculptures unearthed
A set of ivory figurines found in southwestern Germany add to a growing cache of the oldest art known.
The 30,000-year-old carvings underline the remarkable creativity of our earliest European ancestors. Nicholas Conard of the University of Tübingen, Germany, discovered the 2-centimetre-high figures in the Hohle Fels Cave in the country's Swabia region1.
posted by Luís Miguel Dias quinta-feira, dezembro 18, 2003
exportações
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[comandante de um barco] - Mas aqui está o senhor Oliveira da Figueira, de Lisboa, meu passageiro. [no alto mar]
[Oliveira da Figueira] - Encantado, senhor, estou encantado...
[Tintim] - Muito prazer.
[Oliveira da Figueira] - ... e ofereço-lhe os meus préstimos imediatamente: posso fornecer-lhe, a preços sem concorrência, qualquer artigo de que necessitar.
Aliás, vou mostrar-lhe. Uma olhadela não o compromete a nada. Aqui está, em primeiro lugar, um conjunto de soberbas gravatas.
Esplêndido!... Maravilhoso!... As cores desta ligam admiravelmente bem com o seu tom de pele!...
Tenho também um conjunto óptimo de sabres, verdadeiras lâminas de Toledo.
E, como brinde, um despertador, uma escova de dentes e uma esferográfica!
[Depois vê-se Tintim carregado com um conjunto de bugigangas, para espanto de um escravo, a dizer:]
Felizmente, não me deixei ir na conversa dele. A tipos como este, acaba-se, quase sempre, por comprar uma data de coisas inúteis.
[Já em terra.]
[Tintim] - Vai instalar-se aqui? Mas estamos em pleno deserto. Não arranjará um único cliente.
[Oliveira da Figueira] - Espere vou fazer um pouco de publicidade.
[Um tripé e três altifalantes]
[Oliveira da Figueira] - Alô, alô! Salaam Aleikum! Aqui, o senhor Oliveira da Figueira, que vos cumprimenta...
... traz-vos as mais maravilhosas riquezas dos países do Ocidente e convida-vos a vir admirá-las.
[dois beduínos] - O branco-que-vende-tudo!
in Tintim, Os Charutos do Faraó.
posted by Luís Miguel Dias quinta-feira, dezembro 18, 2003
quarta-feira, dezembro 17, 2003
MOZART no Cinema
A Flauta Mágica de Ingmar Bergman (1975)
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“Um filme “milagroso” que consegue escapar ao conceito de “ópera filmada”, mesmo respeitando o espaço cénico e mostrando o público que assiste á representação. E é através do olhar de uma criança, que parece concentrar o de todos, inclusive o dos espectadores do filme, que entramos no mundo mágico de Mozart.”
Don Giovanni de Joseph Losey (1979)
“Nos anos 50 e 60, foram feitos na Europa e na União Soviética uma série de “filmes de ópera”, geralmente com actores dobrados por cantores célebres e com as partituras um tanto abreviadas. Em fins dos anos 70, a Gaumont retomou o género e actualizou-o. DON GIOVANNI é o primeiro exemplo da série de filmes de ópera produzidos pela Gaumont (CARMEN, PARSIFAL, BORIS GODUNOV), encorajada pelo exemplo de A FLAUTA MÁGICA, de Bergman, cujo sucesso de bilheteira veio confirmar a apetância das gerações mais novas pela ópera. A ideia central da realização do filme de Losey consiste em mostrar aquilo que não se pode ver num teatro: todo o filme foi feito em cenários naturais, muitas cenas são ao ar livre e, embora o filme seja post-sincronizado, os intérpretes cantam diante ads câmaras para dar maior veracidade.”
A Hora do Lobo de Ingmar Bergman (1967)
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“Numa terra de ninguém e em tempo impreciso, vive um pintor em isolamento, com a sua mulher, sendo alvo de estranhas alucinações e fantasmas, numa mistura de fantasia e realidade. Um dos mais estranhos filmes de Bergman, onde paira a ideia do fim de uma guerra que destrói o mundo, de que o pintor foge, até abandonar a casa e “desaparecer”. Um dos mais belos momentos do filme é uma recriação de um fragmento do 1º Acto de A Flauta Mágica, seis anos antes da adptação da ópera de Mozart por Bergman. Comentando essa passagem, representada por marionetas, alguém lhe chama “a mais alta manifestação da arte humana, a música mais bela e mais perturbante jamais escrita.”
Amadeus de Milos Forman (1984)
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“Adaptação da peça homónima de Peter Shaffer que se centra na “rivalidade” entre Mozart e Salieri, este interpretado por F. Murray Abraham que ganhou um dos oito Oscars atribuídos pela Academia. Tom Hulce é um Mozart hedonista e provocador, um Mozart visto por Salieri, emoldurado pelos magníficos décors de Praga e pela magnífica coreografia de Twila Tharp.”
in programação da cinemateca, Maio de 2002.
posted by Luís Miguel Dias quarta-feira, dezembro 17, 2003
Na Montanha VIII
“Uma tarde, resolveram levar Karen Karstedt ao cinema «Bioscope», porque ela apreciava imenso tudo aquilo. No ar viciado que os incomodava aos três fisicamente, acostumados como estavam a uma atmosfera puríssima, pesava-lhes o peito e nublava-lhes a cabeça. Nesse ar que pesava no peito deles e produzia uma bruma confusa na cabeça, uma vida múltipla sucedia-se na tela diante dos seus olhos doloridos, uma vida apresentada em pedacinhos, divertida e apressada, cheia de uma inquietação saltitante, nervosa e rápida, numa agitação fermente que só se demora, vibrando, para logo tornar a partir, acompanhada por uma mùsicazinha que aplicava a sua presente divisão do tempo à fuga de aparências passadas, e que, apesar da limitação dos seus recursos, sabia lançar mão de todos os registos da solenidade, da pompa, da paixão, da barbárie e de uma sensualidade lânguida. Era uma história movimentada de amor e de crime, que viram desenrolar-se, silenciosamente, na corte de um déspota oriental: acontecimentos precipitados cheios de magnificiência e de nudez, cheios de desejos do soberno e da fúria religiosa dos servos, transbordante de crueldade, de volúpia, de volúpia assassina e de uma lentidão evocadora, quando se tratava por exemplo de fazer apreciar a musculutura dos braços de um verdugo, numa palavra, inspirados por um conhecimento familiar dos desejos secretos da civilização internacional que assistia a este espectáculo. Settembrini, como homem de juízo, condenaria, provavelmente da forma mais severa, este espectáculo tão pouco humanístico, com a sua ironia mordaz e clássica não teria deixado de fustigar o abuso que se fizera da técnica com o fim de animar imagens que rebaixavam a dignidade do homem: era no que pensava Hans Castorp, e segredou ao primo algumas observações a este respeito. A sr.ª Stohr, porém, que também estava no cinema, não longe dos três, parecia extasiada, e o seu estólido rosto vermelho estava convulsionado pelo prazer.
O mesmo aspecto ofereciam, deresto, as fisionomias dos demais espectadores. Quando a derradeira e trémula imagem de uma sequência de cenas de desvanecia e se fazia luz na sala, e o campo das visões aparecia á multidão aparecia à multidão como uma tela vazia, nem podia haver aplausos. Não estava presente ninguém que se pudesse recompensar com exclamções, graças à arte de que dera provas.”
Thomas Mann, “A Montanha Mágica”.
posted by Luís Miguel Dias quarta-feira, dezembro 17, 2003
terça-feira, dezembro 16, 2003
MOLESKINE
Tour: Dutch Landscapes and Seascapes of the 1600s
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Jacob van Ruisdael, Forest Scene, c. 1655.
posted by Luís Miguel Dias terça-feira, dezembro 16, 2003
Sentado debaixo do grande terebinto XXIII
“O sinal será mais suave que a palavra? É ponto contestável. Judá julgava do ponto de vista de quem traz mais novas. Este preferirá com certeza o sinal, porque o dispensará de falar. Mas quem o recebe? A palavra, com a força que nos dá o desconhecimento do facto, pode ser desdenhosamente posta de lado. Quem a ouve, pode repudiá-la como mentirosa: mandá-la, com risonha convicção, para o inferno dos absurdos até se fazer luz no seu espírito. A palavra, com a força que nos dá o desconhecimento do facto, pode ser desdenhosamente posta de lado. Quem a ouve, pode repudiá-la como mentirosa: mandá-la, com risonha convicção, para o inferno dos absurdos, até se fazer luz no seu espírito. A palavra só actua lentamente. Começa por ser iincompreensível. Não se lhe apanha o sentido. Não reproduz logo a realidade. Durante algum tempo, para prolongar o teu desconhecimento, és livre de descarregar sobre o mensageiro a confusão que ele quer produzir no teu coração e no teu cérebro, e podes tomá-lo por louco. «Que dizes?», podes perguntar-lhe. «Senteste-te mal? Vem que te porei bom, dando-te cordial a beber. Depois já poderás falar novamente, de maneira que faça sentido o que dizes!» Tudo isto não deve ser mortificante para o outro. Com dó da tua situação, de que ele é senhor, mostra-se indulgente contigo. Mas pouco a pouco o seu olhar circunspecto e compassivo põe-te vacilante. Já não toleras esse olhar, compreendes que não consegues a inversão de papéis que pretendias impor para conservação de ti próprio e que, pelo contrário, é a ti que terão agora de dar de beber um cordial…
Tão dilatória luta com a verdade só te é permitida pela palavra. Mas já não é possível, se a substitui o sinal. Este surge com uma crueldade que não admite delongas. Não pode haver equívoco e não há necessidade de se realizar já é real. O sinal é palpável e desdenha a branda qualidade de ser incompreensível. Não se presta a subterfúgios, ainda que preliminares. Força-te a conceberes o que repelirias com loucura se te fosse anunciado por palavras. Força-te portanto a tomares-te por louco, a ti mesmo, ou a aceitar a verdade. Na palavra e no sinal, o mediato e o imediato encadeiam-se de maneira diferente. Deixamos indeciso a qual deles toca o imediato mais brutal. O sinal é mudo, e pela forte razão de ser a própria coisa, dispensa a fala para ser «compreendido». Calado, deita-te por terra.”
Thomas Mann, “ O jovem José”.
posted by Luís Miguel Dias terça-feira, dezembro 16, 2003
segunda-feira, dezembro 15, 2003
para José Tolentino Mendonça
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Jean-Marc Bustamante (French, born 1952), Lumière, 1991
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Brancusi, Bird in Space (L’Oiseau dans l’espace), 1932–40.
posted by Luís Miguel Dias segunda-feira, dezembro 15, 2003
domingo, dezembro 14, 2003
do Mestre d`A Casa Encantada (10)
CINEMA E PINTURA VI
Andrei Rubliov de Andrei Tarkovski (1966-67).
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"A história do pintor de ícons Andrei Rubliov, é pretexto para Tarkovski criar um fresco magistral sobre a Idade Média, a fé e a criação artística. Um filme imenso e solene, do lirismo mais exacerbado ao realismo mais doloroso, no percurso de Rubliov para a elevação do espírito."
The Picture of Dorian Gray de Albert Lewin (1944)
"Adaptação da famosa novella de Oscar Wilde, sobre um aristocrata libertino cujos vícios e crimes se “sublinham” num quadro que esconde num sótão. Óscar para a melhor fotografia. Destaque-se que o último plano (que exibe “transformado”) é a cores num filme a preto e branco."
A Matter Of Live and Death de Michael Powell e Emeric Pressburger (1946)
"Uma obra prima do cinema fantástico que é também uma das mais deslumbrantes experiências com a cor no cinema. Um piloto ferido em combate é sujeito a uma melindrosa operação, e o tempo dela é também o de uma digressão pelo “outro mundo” (a preto e branco, contrastando com a cor do mundo real), onde tem de enfrentar um julgamento."
The Cobweb de Vincente Minnelli (1955).
"Nova incursão na loucura por Vincente Minnelli, anos depois de UNDERCURRENT, e preparando-se para o assombroso retrato de Van Gogh no ano seguinte. Em THE COBWEB, Minnelli coloca a instituição no próprio centro do drama, fazendo da clínica de doenças mentais a arena onde se confrontam os membros do corpo médico."
Muriel ou le Temps d'un Retour de Alain Resnais (1963).
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"Jean-Louis Comolli afirmou que Muriel “assinala a chegada da sensibilidade ao cinema de Resnais, numa emoção próxima das coisas e dos seres”. Situado em França, no período final da guerra da Argélia, Muriel tem como tema a memória afectiva de uma mulher (Delphine Seyrig) que não consegue esquecer o passado, e o seu filho, obcecado plas violências que testemunhou e a tortura e morte de uma mulher."
La Prise de Pouvoir par Louis XIV de Roberto Rossellini (1966)
"Notável evocação da história de França, no momento em que se instaura o poder pessoal e absoluto de Luís XIV, e se inicia o reinado do “rei-sol”. O exemplo mais perfeito do “cinema didáctico” que Rossellini fez para a televisão."
The Vanishing Point de Richard Sarafian (1971).
"THE VANISHING POINT é um dos muitos filmes que se fizeram nos EUA na sequência do sucesso de EASY RIDER. Uma história que tem por personagem um rebelde individualista que por puro desafio resolve percorrer as auto-estradas de Denver a San Francisco a alta velocidade. Perseguido pela polícia de dois Estados, torna-se um herói popular apoiado pelas estações de rádio locais."
in “programação da cinemateca", Maio de 2002.
posted by Luís Miguel Dias domingo, dezembro 14, 2003
BLOGOSFERA
de visita a alguns blogues:
Pequenas Histórias
Bloggaridades - para quase toda a vulgarIdade
buraco da fechadura: espreitando alarvemente - um blog de voyerismo sobre as minhas vizinhas
A Forma do Jazz a Vir - Esquisitices varias. Musica em particular, mas ha mais. O titulo é so para enganar. E politiquices absortas a desproposito.
Confessionário do Veado - Um blog de Cedro Mugia
Desportista Urbano - enganos da locomoção
posted by Luís Miguel Dias domingo, dezembro 14, 2003
sábado, dezembro 13, 2003
Gray-Goo Problem, The
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Illustration by Moonrunner Design Ltd.
The gray-goo problem.
"...something called the gray-goo problem, in which a swarm of millions of rapidly self-replicating microscopic robots, in a ravenous quest for fuel, would consume the entire biosphere until nothing remained but an immense, sludgelike robotic mass."
posted by Luís Miguel Dias sábado, dezembro 13, 2003
A Danish Eye Stops Time, Holding All in Balance
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"Woman in Front of a Mirror" (1841), by the Danish painter Christoffer Wilhelm Eckersberg, is part of the National Gallery's survey of his career. / "The Cloisters of the Franciscan Monastery of Santa Maria in Aracoeli in Rome" (1813-1816).
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Detail of "View in the Gardens of the Villa Borghese in Rome," (1814). / "View Through a Doorway," (1845).
posted by Luís Miguel Dias sábado, dezembro 13, 2003
"O BAILADO"
"Repito: a nuvenzinha daquela tarde, para mim, é tudo.
- E é muito pouco - acrescenta a Modéstia, Madalena arrependida e apaixonada por todos os Artistas, esses mártires do Impudor."
Teixeira de Pascoaes, "O Bailado".
posted by Luís Miguel Dias sábado, dezembro 13, 2003
sexta-feira, dezembro 12, 2003
esqueçam as renas...
Un plongeur habillé en père Noël s'ébat avec une tortue, jeudi, dans un aquarium de Pékin. Comme en Russie, où il est en concurrence avec le traditionnel «Ded Moroz» (le père hiver), le père Noël connaît une popularité grandissante en Chine, où les symboles occidentaux gagnent du terrain. (Libération.fr)
posted by Luís Miguel Dias sexta-feira, dezembro 12, 2003






















