sábado, julho 31, 2010
´todos aqueles cabos, e no entanto um elemento de leveza. A liberdade que aquelas pessoas que vão no teleférico têm. Como uma espécie de fuga. Tudo parece pesado, e no entanto quando o teleférico levanta...`(e não tão sorratareiro mas tão torrencial como o ladrão Ferrara) e Joshua a dizer que Abel para ele é "uma personagem perfeita para aquilo que ele chama ´the teatrics of the city` e também que quando trabalhou numa loja de vídeos ´ele era a única pessoa que estava autorizada a levar filmes grátis` e continua Josh a dizer ´quantas vezes vi depois Ferrara na rua à noite, e a chamar por mim : Josh, Josh, dá-me dinheiro` até ao momento maior ´ele é o verdadeiro poeta da rua de Nova Iorque`, lindo tão lindo
posted by Luís Miguel Dias sábado, julho 31, 2010
terça-feira, julho 27, 2010
agora mesmo aqui vinha a calhar na horinha certa que o texto algumas frases que tenho para ali que ainda nem têm título logo aqui a seguir a este vídeo de trinta e tal segundos vinha mesmo a calhar e agora até me esqueci mesmo agora de meia dúzia de palavras agorinha e já escrevi memso memso memso três vezes apagar e corrigir outras tantas vinha mas ainda não tem título e ainda não está acabado aquele que há-de ser numerado um de quatro dois de quatro três de quatro quatro de quatro pelo menos mas como não vem go get some rosemary aka vão-me buscar alecrim é maravilhoso maravilhoso maravilhoso quase desde o início que só me apetecia ir a correr (e não tão sorratareiro mas tão torrencial como o ladrão Ferrara) abraçar Ben and Joshua Safdie e dizer-lhes sei lá o que dizer como aqueles chatos que quando falam para nós nos estão sempre a pôr a mão ou a tentar sim ficar ali só por perto a olhar isso
e também william gaddis, meu Deus!
posted by Luís Miguel Dias terça-feira, julho 27, 2010
sexta-feira, julho 23, 2010
posted by Luís Miguel Dias sexta-feira, julho 23, 2010
quarta-feira, julho 21, 2010
Fica-se logo deslumbrado: um candeeiro, uma mesa de madeira de tamanho médio, um livro, uma cadeira, uma actriz mulher vestida de criada doméstica, luz boa, uma voz a ver e a dizer como foi e é e ainda, a repetição da narrativa que a faz avançar e retroceder, sempre me pareceu ainda que lhes pareça simples genial que pessoas decorassem textos e os dissessem
primeiro em inglês: “Eu, tu, beijo”
também no estabelecimento prisional onde trabalhei um ano e os reclusos a decorarem a peça que preparamos e escolhemos para eles e eles a chegarem todos os dias com um fragmento novo decorado e sabido
depois em espanhol: “Eu, tu, beijo”
e uma claridade de caravaggio naquelas celas e faces.
A certa altura ela diz que a condessa lhe perguntou se já tinha ido deitar dormir com ______,
Diz que é espanhol.
Espero que não seja aquele pequenito e entroncado
que me apalpava o rabo sempre que eu o ia servir
e que vinha cá com uma mulher diferente sempre
mesmo que fosse hoje e no dia seguinte e depois de
amanhã
era sempre uma mulher diferente grande rabo
grande peito mais altas que ele sempre
que ele era pequenito e entroncado quase careca
ou rapava o cabelo
era pintor.
do que é que ela estava à espera? Tonta. Abre as pernas, abre mais. Outra vez. Muitos desenhos. Agora de um lado, agora de outro lado.
depois em português: “Eu, tu, beijo”
Los Angeles, a lembrar My Blueberry Nights.
Jorge Silva Melo para trás e para a frente, experiência, a delicadeza da inocência, a ironia, o distanciamento, a aprendizagem, o passar dos dias, do tempo, agora agarrado ao colesterol e não a uma dança nas margens do Sena; a vida a tantos sabores, a lembrar a artisani da Álvares Cabral, um ano e durante uma hora depois. Tesouros.
De certeza que depois em muitas outras línguas, desde o vapor da janela do café ou do restaurante em Los Angeles.
Se já se tinha deitado dormido ido para a cama com ______, do que é que ela estava à espera? Tonta. Abre as pernas, abre mais. Outra vez. Mais. Mais desenhos. Agora de um lado, vira-te. Diz que é espanhol./Espero que não seja aquele pequenito eentroncado/que me apalpava o rabo sempre que eu o ia servir
“Eu, tu, beijo”.
"-E agora é o quê?
A pergunta fez-me recordar a visita de uma cançonetista espanhola que veio cantar ao Centro Galego, ou melhor, no teatro do Centro. Estava ela sentada numa cadeira nos bastidores, à espera da sua vez, a fumar nervosamente. Perto dela estava um maquinista, com um martelo na mão, à espera de um momento de acalmia para pregar um prego. A cançonetista sentada tinha a saia puxada para cima dos joelhos e mostrava umas pernas esplêndidas (era famosa pela voz e pelas pernas), exibidas agora fora de cena enquanto fumava. O maquinista, que estava ajoelhado, aproximou-se da cançonetista quase cócoras para observar as pernas de perto. Pôs-lhe subitamente uma mão no tornozelo e a cançonetista não se mexeu. Parecia que não tinha dado conta. O maquinista percorreu com a mão uma das pernas perfeitas. A cançonetista continuou sem se mexer. O maquinista prosseguiu e passou a mão por umas coxas tão perfeitas e sedosas como as pernas. (A cançonetista não usava meias.) O maquinista meteu a mão entre as coxas que deixavam de ser coxas na púbis. A cançonetista que não usava meias também não usava calcinhas. Nem sequer sabia que havia este nome para aquilo que ela chamaria cuecas. O maquinista introduziu um dedo na racha. A cançonetista olhou finalmente para ele, acabou d efumar o cigarro e atirou-o ao chão, e disse ao maquinista: «O senhor acabou de chegar à cona. E agora como é?» (p.p. 102 e 103)
Andaporfavordevagarnosferrarisenosaustenmartin`s, por favor.
“Eu, tu, beijo”.
Olhar para trás e para a frente, poder ver poder, a delicadeza da inocência, a ironia, o distanciamento, a aprendizagem, o passar dos dias, do tempo, agora agarrado ao colesterol e não a uma dança nas margens do Sena; a vida a tantos sabores, a lembrar a artisani da Álvares Cabral, um ano e durante uma hora depois. Tesouros.
citações de: Artistas Unidos, Culturgest, FALA DA CRIADA de Jorge Silva Melo; Guilhermo Cabrera Infante, A Ninfa Inconstante; jornais portugueses, ingleses e espanhóis.
posted by Luís Miguel Dias quarta-feira, julho 21, 2010
domingo, julho 18, 2010
posted by Luís Miguel Dias domingo, julho 18, 2010
La casa de Dostoievski
PIEDRA DE TOQUE. Aunque nació en Moscú, San Petersburgo es la ciudad que más le marcó como escritor. Y aún hoy, los barrios y casas están impregnados de sus historias y personajes, mezcla de drama y espiritualidad
MARIO VARGAS LLOSA 27/06/2010
Fíodor Dostoievski vivió en muchas casas y lugares -nunca más de tres años en una misma vivienda- y tuvo siempre la obsesión de que sus pisos estuvieran en una esquina, con ventanas a las dos calles y cerca de una iglesia de modo que pudiera oír las campanas, música que sosegaba su espíritu. La última casa en que vivió, y donde murió en 1881 meses antes de cumplir los 60 años, entre la Perspectiva Kuznechny y la antigua calle Yamskaya, ahora llamada Dostoievski, cumple con todos estos requisitos y, mientras el visitante la recorre, puede oír doblar a las campanas de la vecina iglesia ortodoxa de Vladímir, convocando a los fieles.
Esta zona de San Petersburgo, conocida como el "barrio de los mercados", está ahora llena de chechenos y otros forasteros pobres y, por esa razón, se la considera riesgosa para los turistas. Cuando yo visité esta casa por primera vez, hace 40 años, el lugar era más bien triste y solitario, muy distinto de lo que es ahora, bullicioso, popular, promiscuo, muy vital. No existía aún el Museo donde se han reconstruido los seis cuartos a los que Fíodor Dostoievski y Anna Grigorievna, con sus hijos Liubov y Fíodor, se mudaron en octubre de 1878 huyendo del apartamento donde había muerto el pequeño Alexei, una de las tragedias que más hizo sufrir al atormentado autor de Los demonios.
Es una casa modesta, aunque menos ascética que las anteriores, e incluso hasta con algunos lujos, como el juego de tazas de té de porcelana que luce una de las alacenas y el confortable inglés del escritorio donde Dostoievski podía echarse a descansar un rato en medio de las interminables y afiebradas sesiones nocturnas en que escribía, en estado de trance casi siempre, Los hermanos Karamazov, una de sus obras maestras. Alcanzó a verla publicada exactamente un mes antes de morir. Estaba ya muy enfermo. La casa se halla en el segundo piso y, cada vez que subía, el ilustre inquilino tenía que pararse un rato, en el descanso de la escalera, para recuperar el aliento. El médico le había prohibido fumar, pero él sólo respetaba la prohibición durante el día; en la noche fumaba sin descanso mientras escribía y ahí está todavía, sobre su mesa de trabajo, la cajita de cigarrillos que liaba con sus manos nerviosas mientras iba releyendo las cuartillas recién escritas.
A fines de enero de 1881 tuvo la primera hemorragia de garganta. Pidió a su mujer que le leyera uno de sus pasajes preferidos en el ejemplar de la Biblia que llevaba siempre consigo desde que se lo regalaron las mujeres de los "decembristas", 31 años atrás, en la estación de Tobolsk, cuando pasó por allí, como convicto, rumbo a su exilio de cuatro años en Siberia. Anna era su segunda esposa, 25 años menor que él. Llevaban 11 años de casados y ella, con su energía, devoción y talento, había puesto algo de orden en la vida siempre atolondrada y al borde de la catástrofe de Fíodor. Gracias a esa mujer joven y luchadora, sus finanzas andaban mejor, ella ganaba algo de dinero distribuyendo libros y él ya no tenía que inmolarse escribiendo como un forzado. Se había quitado el vicio del juego que le causó tantos infortunios. Poco después de ese primer desfallecimiento, le sobrevinieron otras dos hemorragias. La segunda puso fin a su vida. Su propia viuda o alguna visita atinó a detener el reloj del escritorio en el mismo instante de su muerte: las 8.38 de la noche. Ahí está todavía ese reloj, 130 años después, marcando la hora siniestra.
Lo enterraron en el cementerio Tikhvinskoe, del monasterio de Alexander Nevsky, en las afueras de San Petersburgo. Es un hermoso lugar, y la tumba de Dostoievski, rodeada de árboles y de flores, con una hermosa estatua que refleja fielmente sus rasgos adustos y su mirada profunda y afiebrada, colinda con las de otros exponentes del genio creativo ruso: Rimski Kórsakov, Alexander Borodin, Modest Mussorgski, Ilich Tchaikovski, Glimka. La mañana que pasé a ver la tumba llovía y algunos visitantes reverentes depositaban en ella manojos de flores. Yo le llevé media docena de rosas rojas.
Aunque Dostoievski no nació en San Petersburgo, sino en Moscú, esta ciudad es la que más lo marcó. Aquí se formó como escritor y en ella se hizo conocido, luego famoso, y fue aquí donde, luego de los 10 años del silencio literario que padeció por haber pertenecido al círculo revolucionario de los "decembristas", debió reinventarse como escritor. En San Petersburgo fue donde más tiempo vivió. De otro lado, no hay ciudad que parezca más impregnada de sus historias, personajes y la mezcla de truculencia, drama, espiritualidad, desgarro intelectual y misterio de su obra que ésta, sobre todo cuando uno camina por las destartaladas callecitas del barrio de Sennaya, a orillas del Canal de Griboedova, donde ocurren los principales episodios de Crimen y castigo, novela que Dostoievski terminó de escribir no muy lejos de aquí, en una casa de la calle Kaznacheiskaya de este barrio, que también puede visitarse.
Es la más "realista" de sus historias, al menos en el sentido de que los lugares que ella describe están casi todos identificados y algunos de ellos con placas que lo recuerdan. La casa donde Raskólnikov asesina a la anciana Alíona Ivánovna, en el número 104 del Canal de Griboedova, se conserva tal cual la narró, con sus baldosas desiguales, sus paredes descoloridas y sus rejas herrumbrosas, así como sus gentes melancólicas y derrotadas. Hasta la mañana grisácea, lluviosa e impregnada de premoniciones sombrías, parece dostoievskiana. Pero todavía más impresionantes son los lugares asociados a la vida de Raskólnikov, que parecen recién salidos de las páginas de la novela, como la sofocante taberna donde éste confiesa su crimen a Zamíotov o la casa donde el asesino vivió. Hace esquina también y un busto de un Dostoievski calvo y giboso adorna su fachada. El mal tiempo ha borrado la pintura y todo el edificio -en verdad, todo el barrio pobretón y sórdido- parece a punto de descalabrarse. El largo vestíbulo de piedras tiene un techo combado donde el eco repite los ruidos y el patiecillo interior, en torno al cual se aglomeran los apartamentos, es estrecho y tan desangelado como la empinada escalerilla que conduce a las habitaciones. Harta de los visitantes, una vecina que arrastra pesadamente su gordura y su odio a la vida, nos echa de imprecaciones. Un gato maúlla en alguna parte. Es imposible no tener la sensación de que algún asesino devorado por inquietudes metafísicas anda suelto por los alrededores.
La casa museo de Dostoievski insiste en que, contrariamente a la leyenda, el autor de El doble estaba lejos de ser una persona sombría y amargada. Le gustaba jugar con los niños y les inventaba y les leía historias. Y les mostraba su colección de fotografías de escritores y artistas famosos, que, ahora, se exhiben en el cuarto donde Anna almacenaba los libros que vendía. La mayoría de las fotos son de escritores rusos. Entre los europeos, figuran un Quijote eslavizado, unos libros de Charles Fourier y de Hoffman y unas efigies de Victor Hugo joven y de George Sand, escritora que, por un sorprendente malentendido, llegó a ser inmensamente popular entre los jóvenes liberales rusos de la generación de Dostoievski, no tanto como escritora de novelas, sino como ideóloga progresista y luchadora social. Aquí se pueden ver, por fragmentos de la correspondencia, las opiniones que merecieron al dueño de casa algunas ciudades de la Europa occidental durante los viajes que hizo por ellas. La más inesperada: que París era una ciudad aburridísima donde no había nada que hacer.
Después de esta peregrinación dostoievskiana es poco menos que obligatorio que termine el día en el Teatro Mariinsky, viendo una ópera adaptada de El jugador, con libreto y música de Sergei Prokofiev. Aunque la historia y los personajes son los mismos, lo que ocurre en el escenario tiene poco que ver con la novela de Dostoievski, por lo menos lo que de ella recuerdo, pues abundan las situaciones farsescas, los enredos y las caricaturas y el drama se disuelve entre sonrisas. Pero la música es espléndida, las voces magníficas, la orquesta de primera y el vertiginoso barroquismo del local calza como un guante con el espectáculo. Lo único dostoievskiano de la noche es el conductor de la orquesta, Valeri Gergiev, con sus ojos enloquecidos y su gesticulación que pasa de lo templado a lo convulso, de la delicadeza a la brutalidad, del sobresalto al éxtasis, sin transición, dando protagonismo a todos los instrumentos y manteniendo a espectadores, músicos, cantantes (y hasta acomodadores) en un estado de pasmo e inseguridad frenética. La última vez que vi a Gergiev, en Salzburgo, llevaba unos pelos largos y una barba de varios días; ahora, tiene los ralos cabellos bien cortados y se rasura, pero sigue siendo, a la hora de dirigir la orquesta, un poseído, que va siempre más allá de la partitura, un ser ctónico, conectado con las profundidades inquietantes del abismo humano, capaz de convertir un concierto o una ópera en una ceremonia genial y aterradora. Alguien que lo conoce me aseguró que el resto del día es un ser normalísimo, que le gusta empujarse, en los dos restaurantes que posee en San Petersburgo, unos salmones blancos de chuparse los dedos.
© Derechos mundiales de prensa en todas las lenguas reservados a Ediciones EL PAÍS, SL, 2010. © Mario Vargas Llosa, 2010.
posted by Luís Miguel Dias domingo, julho 18, 2010
quarta-feira, julho 14, 2010
posted by Luís Miguel Dias quarta-feira, julho 14, 2010
terça-feira, julho 13, 2010
levou a mão ao bolso e tirou o ramo em forquilha com
a fisga para caçar esquilos
pormenor de The Sacrifice of Isaac by Rembrandt, fotografia LMD, 2010.
Desde há uns anos que na aldeia se ouve, muitas pessoas, dizer que a geração dos netos foi dando cabo das empresas têxteis que foram herdando, que ao longo de muitos anos empregaram muitos milhares de homens e mulheres crianças e adolescentes que dali recebiam o seu ordenado para poderem viver.
Enriqueceram os patrões.
Os trabalhadores com os ordenados mínimos, quase pouco mais, conseguiram verdadeiros feitos.
Os filhos e, principalmente, os netos chegados a administradores e a gestores principais já não passavam sem os mercedes de última geração ferraris e casas na Foz e cavalos e outros que tais. Para mandar lá dentro nas fábricas contrataram engenheiros e doutores.
Thomas Mann, n`Os Buddenbrook, conta magistralmente esta história, por dentro, ontologicamente por dentro, na passagem de um século para outro, do XIX para o XX, do que passou a ser diferente, do que se perdeu, da mudança, é que de 1815 a 1914, diz-se, escreve-se, foram 100 anos de paz, mas depois... o final de A montanha mágica...
Claro que Visconti é excelente, e agora o Eu sou o amor, também é um sinal de agora, mas gostei. Mas salta à vista que.
Queria era chegar a Bolaño. Não compreendo como é que um escritor diz aos seus familiares e aos seus amigos e que depois ambos os dois dizem aos jornalistas e ao mundo editorial que o 2666 devia ser publicado numa primeira fase em cinco livros, um por ano, e depois de morrer as pessoas responsáveis pela obra dele não fazem o que ele disse porque (o Direito permite quase tudo, a Filosofia justifica quase tudo, a História vasculha tudo, a Sociologia arranja organização em tudo...). Não percebo nada do mundo editorial mas a sério que não compreendo.
Veja-se que, na versão portuguesa, até a nota dos herdeiros do autor aparece primeiro do que a epígrafe de Baudelaire, o que, bem vistas as coisas, até faz sentido: "Um oásis de horror no meio de um deserto de aborrecimento."
Atente-se ao segundo período da mesma nota: "Depois da sua morte e após a leitura, estudo da obra e do material de trabalho deixado por Roberto (...) surge outra consideração de ordem menos prática: o respeito ao valor literário da obra, que faz com que, de forma conjunta [Ignacio Echevarría] com Jorge Herralde, tenhamos alterado a decisão de Roberto..."
Uma pessoa fica sem palavras, hilariante, não é?, e lamento imenso que em vez de cinco se tenha feito um, mas, tentando olhar para um canto do mundo, ironicamente, está tudo certo.
Agora, literatura comparada, 2666: "Por vezes, quando Abraham Ansky se reunia com os seus amigos, costumava gracejar a esse respeito e dizia, falando da forma como o seu filho era um miúdo mimado, que às vezes pensava que deveria tê-lo sacrificado quando ainda era pequeno. Os ortodoxos da aldeia escandalizavam-se ou fingiam que se escandalizavam e outros riam-se abertamente quando Abraham Ansky concluía: mas em vez de o sacrificar a ele sacrifiquei uma galinha! Uma galinha!, uma galinha! não um cordeiro nm o meu primogénito, mas sim uma galinha!, a galinha dos ovos de ouro!"
Sherwood Anderson, Winesburg, Ohio: "Em silêncio, Jesse e David continuaram rodando estrada fora até atingirem o lugar onde Jesse uma vez clamara por Deus e deixara o neto assustado. A manhã estivera luminosa e alegre, mas agora começara a soprar um vento frio e as nuvens esconderam o sol. Quando David viu o sítio onde estavam começou a tremer de medo, e quando se detiveram junto à ponte onde o riacho descia por entre as árvores, teve vontade de saltar da charrete e fugir dali.
No espírito de David cruzavam-se dezenas de planos de fuga, mas quando Jesse deteve o cavalo e saltou a cerca para entrar na floresta ele seguiu-o. "É absurdo estar com medo. Não vai acontecer nada", disse para si próprio enquanto seguia com o cordeiro nos braços. Havia alguma coisa no ar indefeso do pequeno animal apertado nos seus braços que lhe deu coragem. Sentia os batimentos rápidos do coração do bicho e isso fez com que o seu próprio coração batesse menos rapidamente. Enquanto seguia apressado atrás do avô, desatou a corda que segurava as quatro patas do cordeiro. "Se acontecer alguma coisa fugimos os dois", pensou ele.
No bosque, depois de se terem afastado bastante da estrada, Jesse parou num espaço aberto entre as árvores onde havia uma clareira coberta de pequenos arbustos que descia até ao riacho. Continuava calado mas começou de imediato a erguer um monte de ramos secos a que depois lançou fogo. O rapaz estava sentado no chão com o cordeiro nos braços. A sua imaginação começou a atribuir significado a cada movimento do velho e ele a ficar cada vez mais assustado. "Tenho de borrifar a cabeça do rapaz com o sangue do cordeiro", murmurou Jesse quando a lenha começou a arder em chamas impetuosas, e tirando uma faca comprida do bolso voltou-se e atravessou a clareira num passo rápido em direcção a David.
O terror apoderou-se da alma do rapaz. Fê-lo sentir náuseas. Por instantes deixou-se ficar sentado perfeitamente imóvel e depois de corpo inteiriçado levantou-se de um salto. A cara ficou brancA como a lã do cordeiro, que vendo-se agora subitamente liberto, corria encosta abaixo. David correu também. O medo fazia com que os pés voassem. Saltava freneticamente por cima dos arbustos e dos troncos caídos. Enquanto corria levou a mão ao bolso e tirou o ramo em forquilha com a fisga para caçar esquilos. Quando chegou ao riacho que estava baixo e espadanava entre as pedras , enfiou-se na água e olhou para trás quando viu o avô que continuava a correr atrás dele empunhando aquela faca comprida não hesitou, baixou-se, escolheu uma pedra e pô-la na fisga. Com toda a força que tinha esticou as fortes tiras de borracha e a pedra silvou pelos ares. Acertou em Jesse, que esquecera por completo o rapaz e agora persguia o cordeiro, em cheio na cabeça. Com um gemido, mergulhou para diante e caiu quase aos pés do rapaz. Quando David o viu imóvel e aparentemente morto, o seu terror aumentou desmedidamente. Transformou-se em pânico enlouquecido."
E os caminhos de Deus são certamente insondáveis.
posted by Luís Miguel Dias terça-feira, julho 13, 2010
segunda-feira, julho 12, 2010
Enquanto crianças e adolescentes contando-nos dava duas equipas de futebol, lá pelos caminhos da aldeia, no campo velho na feira no campo grande e no ringue, a fazer lembrar Oliveira mas também Kiarostami.
No meio de nós havia dois irmãos que pegavam na bola numa ponta do campo e fintavam tudo o que lhes aparecesse pela frente, e para ser mais equilibrado, dizíamos, tinha de jogar um numa equipa e o outro noutra, mesmo que assim as regras não fossem cumpridas, muitas vezes distribuídos pelos lugares onde morávamos. Muda aos cinco e acaba aos dez.
Às vezes chegavam ao outro lado do campo a rir, e outras vezes os próprios colegas de equipa não lhes passavam a bola porque se não também não jogavam. Era para eles um jogo quase solitário, mas não. Hoje as vedetas planetárias parece que pensam assim. Erro.
Muito mais tarde, já de equipamento e chuteiras e gravações a cal no pelado e lugares distribuídos e cartões amarelos e vermelhos vi como um deles era um mago da bola, depois de recuperarmos o esférico e de o endereçar como que carta registada tantas eram as linhas, como agora se diz, e as clareiras.
Xavi não finta dessa forma porque já quase ninguém finta, Messi quando se lembra e mais ninguém, e não precisa, Xavi gosta muito de matraquilhos e eu acredito que mesmo nos varões de matraquilhos e ele crie essas clareiras e linhas, e que a bola estará sempre nos varões do meio e três quartos da equipa dele, tanto lirismo é preciso.
posted by Luís Miguel Dias segunda-feira, julho 12, 2010
domingo, julho 11, 2010
No mundial de España, España, España (vozes guardadas nos meus ouvidos) descobri o futebol (brasil, bailado, brasil, bailado), e depois no México 86 vi os jogos todos, a minha mãe preocupada com as molas do sofá e a querer que fizesse isto e aquilo, que ajudasse, e aquele tempo longo tão longo... Xavi, quem és tu?
Aliás, e inexplicavelvente, as vezes que pude mirar os jogadores espanhóis ainda fora do relvado, nas entrevistas e assim, inexplicavelmente, dizia, não lhes notei aquele brilho e esgar de vaidade e do somos muito bons; mas antes, mesmo sabendo isso, temos de fazer o nosso trabalho, sabemos que é bom mas temos de o fazer, e temos de o fazer como equipa e em equipa e somos bons também por isso. Bons até a olhar para os holofotes, Hola!
O Pedro que é do Barcelona, no jogo contra a Alemanha, quase sentiu, quase de barato, algo de parecido com aquilo que Raskolnikov sentiu enquanto caminhava mais apressado ou mais devagar junto do canal Griboedova, notava-se isso, faltou só ajoelhar-se e pedir de imediato desculpas.
Del Bosque, que tem no mínimo quase toda a Espanha de olhos esbugalhados e de coração a ir pelas cordas vocais acima, viu e disse-lhe anda cá meu melro, tu, como é que tu podes pensar em ti, agora, quando todos juntos somos poucos? Tu, jovem, ambicioso, mais ou menos vaidoso, como é que tu tiveste dúvidas e chegaste mesmo a não passar a bola a Torres?
Um paradoxo este Pedro. O Xavi é de longe o melhor jogador do mundo.
Del Bosque o maestro da contensão e da contenção da fiesta antes do tempo no coração daqueles homens.
São 17h30m.
posted by Luís Miguel Dias domingo, julho 11, 2010
sexta-feira, julho 09, 2010
posted by Luís Miguel Dias sexta-feira, julho 09, 2010
quinta-feira, julho 08, 2010
No jornal da tarde da rtp 1 as imagens da Espanha, em festa, a derrotar a Alemanha na África do Sul só passaram às 13h50m, e acho que duraram segundos. O ressabiamento é fodido.
O dr. Soares anda a dizer há um ror de dias que se fosse ele agora no governo o seu conselho de ministros juntar-se-ia muitas vezes com o conselho de ministros espanhol, fundamental diz ele. Há uns anos teria dito se alguém lhe dissesse, e se calhar disseram, olhe sr. dr. é melhor olharmos para a Espanha e... Ele de certeza que responderia, oh, meu senhor, ou, oh, minha senhora, Espanha? quem quer saber de Espanha? e teria logo ali alguém naquele momento a rir-se e a trocar olhares e a tirar fotografias e a filmar para depois mostrar a todos como ele é fixe, tipo aquela dentro do autocarro a dizer ao gnr que estava a cumprir a sua função para se ir embora que ali não precisavam de gnr nenhum, e o homem, encavado, envergonhado, banzado, lá olhou e não percebeu o adn do animal político que tinha pela frente.
Se a vida é, também, uma luta, ou sem o também, entre aqueles que vá-se lá saber têm muito mais do que todos os outros e aqueles que nada ou pouco têm, a Espanha que em 1975 aparece em todos os índices económicos atrás de Portugal fez/faz tem feito essa distribuição muito melhor do que os portugueses que governam a república democrática portuguesa desde há 36 anos, e que andam por aí afora divertidos e cheios de cagança a derramar discursos e outras palermices.
O ressabiamento dos 50 minutos depois é mesmo fodido.
A selecção alemã disputou há quatro anos as meias finais do mundial de futebol que organizou. Portugal também jogou essas meias finais, mas havemos de perder sempre com a França e depois no terceiro e quarto lugar levamos 4 dos alemães. O ponto de vista é que enquanto os alemães já tinham o actual seleccionador/treinador também lá no banco, renovaram a equipa tornando-a mais cosmopolita e melhor tecnicamente sem revolução e sem deitar a experiência adquirida quase toda fora, Portugal fez tudo ao contrário: mudou de treinador que quando entrou disse que era preciso mudar muita muita coisa, vínhamos de um segundo lugar europeu e um quarto lugar mundial, escolheu uma selecção de jogadores ridícula para levar à África do Sul e depois o mais grave de tudo, parece-me, não soube criar/dar as condições necessárias para aqueles jogadores, mais jovens menos jovens, mais vaidosos menos vaidosos, mais ambiciosos menos ambiciosos, etc, e depois aparecem alguns a dizerem que o capitão tem de, e tem de e tem de, etc, fazendo lembrar o seleccinador António Oliveira na Coreia do Sul. Somos bastante fracos, mas o pior é não querer aprender nada ou quase nada com quem sabe mais e deitar fora aquilo que se andou a fazer ao longo de tanto tempo, no ministério da educação, das finanças, da saúde, da economia etc, etc. A lufada de ar fresco passa e passou e olhar para aquele banco e para o ar daquelas pessoas parecia estar a olhar para os funcionários das finanças de um qualquer bairro fiscal.
O actual seleccionador veio depois dizer que não admitia que pusessem em causa a sua palavra e coisas assim, uns dias antes perguntaram-lhe se o trabalho que Fábio Coentrão estava a mostrar era surpreendente? Ele disse que não, que nos treinos e que já tinha dito que ele era assim bom naquele lugar, sem nunca referir a grande época que o lateral esquerdo fez no Benfica, é que para o dizer se calhar teria de engolir em seco o porquê de não ter levado mais jogadores com aquela capacidade de trabalho físico e técnico, e havia pelo menos mais três. Também no Uruguai (loco, loco), o lateral direito fazia aquele corredor vezes sem conta. Mas nunca foi capaz de o dizer, custa-lhe, é parolo e diz para não duvidarem das suas opções e da sua palavra.
E os do clube de futebol mais representativo da cidade do Porto parece que gostam dele.
No último mundial também ganhamos à selecção holandesa de futebol. É a vida.
posted by Luís Miguel Dias quinta-feira, julho 08, 2010
quarta-feira, julho 07, 2010
posted by Luís Miguel Dias quarta-feira, julho 07, 2010
terça-feira, julho 06, 2010
posted by Luís Miguel Dias terça-feira, julho 06, 2010
segunda-feira, julho 05, 2010
S. Miguel, Museu Carlos Machado: Ana Vieira, Muros de Abrigo
comissário Paulo Pires do Vale
foto, a partir do catálogo, LMD
Escreve, a abrir o belo catálogo da exposição, a Directora do ICAM Isabel Carlos que "a parceria entre o Museu Carlos Machado e o CAM -Fundação Calouste Gulbenkian, vem, desta forma, homenagear Ana Vieira, no ano do seu 70º aniversário. Intitulada «Muros de Abrigo», esta exposição refere-se a uma memória de infância da artista, que recorda como, na quinta dos seus pais, perto de Ponta Delgada, diariamente se dirigia para os «muros de abrigo» no fundo da propriedade, percorrendo-os e abrindo as suas portas, sendo que a última abria para o mar."
Ainda: "A presente exposição propõe uma releitura da obra de Ana Vieira e do seu lugar singular na arte portuguesa contemporânea."
E que "o catálogo surge como um complemento da exposição, que inclui uma importante recolha de ensaios publicados sobre a artista ao longo da sua carreira e a reprodução de um número significativo de obras de Ana Vieira..."
Depois de 12 de Setembro, a exposição virá para Lisboa.
A seguir, um excerto do texto de Paulo Pires do Vale.
foto, a partir do catálogo, LMD
Dois vídeos de obras de Ana Vieira: o primeiro foi filmado, é como quem diz, em Janeiro de 2010, na exposição Anos 70 Atravessar Fronteiras, Gulbenkian, e o outro em Novembro de 2009 no Museu de Serralves.
posted by Luís Miguel Dias segunda-feira, julho 05, 2010
domingo, julho 04, 2010
posted by Luís Miguel Dias domingo, julho 04, 2010
sexta-feira, julho 02, 2010
1. Enquanto que por cá se continua com a medição dos pirilaus
2. Rui Ramos, com lucidez, escreve no expresso de 26 de Junho uma crónica sobre o norte de Portugal. O norte, como é natural, tem muitos defeitos, como todos os outros sítos do mundo. Mas, claro, mas como tem sido mal tratado por uma Lisboa que não conhece nem quer conhecer o país, acha que a ideia disto ou daquilo é boa sem saber que é fundamental, apenas gabinetes e intriga, e também porque muita da ambição/sonho dos administrativos do norte é ir para Lisboa, para qualquer lugar. Nunca percebi, cada vez menos, as dificuldades de afirmação de uma região de 2 milhões e tal de habitantes, sem incluir a Galiza espanhola, não ter quase jornais próprios, canais de tv próprios e mais importante não ter sede de ir a correr para Lisboa, cidade bela.
Um exemplo: o ar enfadado daquele secretário de estado no programa que muda Portugal todas as segundas-feiras, aquele ar enfadado; ele está certo, todos os outros são parvos, não entendem, e aquele sistema de pagamentos de portagens é digno de... sei lá um office inglês, estão a imaginar Gervais a explica-lo? Triste sina. Será ele um predestinado? Predestinado a quê?
Ao norte, todo: o lema, a máxima de Unamuno: "primeiro a verdade depois a paz".
Que país é este?
3. Não simpatizo com ele, mas isso não interessa para aqui. Caderno principal do semanário expresso, dia 19/6/2010, página 32, texto de Ricardo Costa, último parágrafo:
"Sócrates, sem pensar e sem ninguém que o aconselhe, exige um pedido de desculpas! É bom que alguém lhe lembre que as escutas serão públicas em Outubro. E já agora, que se recorde como meia dúzia de jornalistas e políticos o puseram a ridículo em Junho do ano passado e levaram ao fim de um negócio escandaloso sem recorrerem a escutas. Bastou a verdade."
Fixemo-nos unicamente no que Ricardo Costa escreve, sem querer saber de mais nada, publica no semanário que tem atravessado os regimes e é director de informação da sic e mais não sei o quê, diz o que diz e ninguém diz nada. As palavras já têm pouco valor. Aquele segundo ponto do parágrafo... e o terceiro? Alguém se dá conta?
O genérico do aportuguesado Dartacão... mas em vez disso adapte-se pirilaus, pirilaus da burguesia portuguesa, pirilaus, pirilaus.
Já não via o expresso da meia noite, na sic-notícias, há milhões de anos mas a sexta-feira passada, 18/6, vi. E o que vi? Vi duas pessoas querer ir mais longe, mais insatisfeitos, Pedro Lomba e Eduardo Dâmaso e uma nova tia do regime, António Costa Pinto, lamentável. Quanto aos primeiros não me interessa/interessou a capelinha, barricada ou que quer que seja, só como se mostraram, e pareceu-me bem.
4. O mandatário para a juventude da campanha de Manuel Alegre é Jacinto lucas Pires, que há uns meses, num dos momentos mais quentes dos protestos e da contestação às políticas de Maria de Lurdes Rodrigues, Ministério da Educação, que começou com o princípio do fim da educação pública na república de Portugal, citou, fixe-se, o colunista e director do semanário Expresso Fernando Madrinha. Citou-o e pôs-se do lado dele, acho que o título do post era Feliz Beiriz, ou assim.
É a vida. Mulholand Drive? Brinca brincando.
Esta semana a ex-ministra da educação parola volta à capa do mesmo semanário que se colocou ao lado dela e surpresa das surpresas diz atenção atenção: "professores preferem ser todos iguais". É um regabofe, o ridículo em acção e ao vivo. Vai lançar um livro intitulado: "A Escola Pública Pode Fazer a Diferença". Atiramo-nos para o chão já ou mais daqui a um bocado?
Ganhe vergonha na cara.
5. Custa-me a entender que uma grande parte de cristãos católicos mais velhos sem hábitos de leitura, mais novos sem hábitos de leitura, cujos principais orientadores das suas vidas são muitas vezes as organizações católicas das suas freguesias, vilas ou cidades, tenha a opinião, negativa que tem sobre José Saramago e a sua obra literária.
E custa-me a entender, será mais uma das razões por que se diz que a instituição igreja é muito conservadora em relação a, quando depois em alguns momentos, muito tristes como este, a morte, depois se ouve em programas e debates membros da mesma que diz o que diz o que disse o observador romano do vaticano sobre Saramago e a sua obra e o que dizem outras pessoas da igreja quando lhes é solicitado que opine sobre o mesmo.
O que me leva foi porque ouvi o padre Carreira das Neves dizer o que disse na tv e depois saber/ver/ouvir leigos católicos cuja tolerância é menor em relação ao escritor e à sua obra, que ficam assim pró atónitos sem saberem o que dizer, e encavados, envergonhados.
Naturalmente que a responsabilidade também é da igreja, mas a esta é feita de Homens, e os Homens têm muitos defeitos, e muitas qualidades, mas..., sim há um mas, mais trabalho precisa-se, e não se colocar naquele sítio de quando ouvimos alguém criticar/dizer qualquer coisa e nós sabemos que não é assim mas que naquele momento nos interessa que seja nos calamos, oh, sim, sim.
6. Na segunda-feira passada quando cheguei a casa já depois da meia noite liguei a televisão e na rtp 1 mais uma vez decidia-se o futuro de Portugal naquele programa chamado prós e contras, agora era a vez do futebol português no mundial. Custou-me identificar António de Oliveira mas lá para o fim o homem lá disse que quando foi com ele decidiu que ia ser para cima dos adversário a todo o gás, assim é que era, e agora, por ele, devia ser assim. Comigo, disse ele, Comigo. Esqueceu-se de dizer, como muitas vezes nos esquecemos, que substitui o homem que estava a seu lado naquele programa quando este tinha feito um grande campeontao da Europa, na Holanda e Bélgica, e esqueceu-se, aí parecia o diabo a fugir da cruz, do segundo lugar no europeu realizado em Portugal edo quarto lugar no mundial realizado na Alemanha. Na Alemanha. Esqueceu-se de Scolari, naqueles minutos que vi, não ouvi o nome do brasileiro uma vez que fosse, vai ser como um fantasma, já é, e vai ser durante muito tempo. O nosso quinhão de mesquinhez mundial é das coisas mais parolas que temos oportunidade de dar ao mundo.
7. Os jogos de futebol e tudo o que os rodeia, ainda mais num mundial, são, também, um excelente exemplo para vermos como tudo tenta ser controlado e depois difundido: as análises logo a seguir aos jogos, mesmo durante o jogo, com os revisionistas em directo, a limpar ou a sujar, depois de um consenso difunda-se ou mata-se e esfola-se ou é muito bom.
Tal como nos debates na Assembleia da República, com membros do governo ou apenas deputados, digam o que disserem têm logo por debaixo da voz deles um corrector/revisonista a explicar o que foi dito minutos antes.
As pessoas acham que vêem e ouvem mas não, isto à vista de milhões de olhos. Imagine-se o que se passa nos gabinetes, cada vez mais pequenos e abafados, ai Kafka, Kafka.
8. Neste país começa a dar um jogo do mundial cujo comentador/relatador/revisionista em directo é um indivíduo que começou por falar cinco minutos na rádio num programa de merda que tentava incutir risos ao fim do dia de trabalho e que se limitava a ser uma espécie do homem que mordeu o cão programa de outro indivíduo que enfim mas que agora está ali a comentar/relatar jogos e o que interessa é isso mesmo ser assim ou em forma de assim, o`neill.
9. Casanova piou again cedo de mais, no seu texto da revista cujo papel devia era ser reciclado, as fotocópias que me entregam da mesma são, cedo de mais no seu texto sobre Don DeLillo. Escrever o que escreveste sobre Cosmópolis mostra que quem pode estar/andar enganado és tu e não DeLillo. Cedo, again.
Guillul canta, o profeta interpreta, esse é o seu dom.
Ricardo Quaresma é recebido com um estádio cheio de adeptos de futebol na Turquia, e fala com eles ao microfone; eles loucos.
A Teresa que está na África do Sul desde os doze anos diz que está sem palavras, que nem sabeo que dizer ou fazer e por aí assim porque alguns dos jogadores da selecção portuguesa de futebol lhe acenaram de dentro do autocarro à chegada deste ao estádio onde se ia realizar o jogo entre a selecção portuguesa e norte coreana.
Máximas? Frases curtas? Ditos? Aforismos? Porque é que precisamos de ti, e o que é que estás aqui a fazer? Queres te faça um desenho? Escusas de responder, aqui as perguntas são sempre retóricas.
10. Estou aqui e nem sei o que escrever sobre isto, como é possível? É mesmo sem palavras. Tão mau, tão mau, tão mau. Não é possível, pois não?
Que país é este?
posted by Luís Miguel Dias sexta-feira, julho 02, 2010
quinta-feira, julho 01, 2010
Sribd: http://www.scribd.com/mmontanha
foto LMDNo canto superior direito do blogue passou a estar o link directo/badge para o mesmo.
Um destes dias, andava ali a arrumar uns livros e mais umas folhas soltas quando destapei um jornal que escondia os três números que tenho do Hablar/Falar de POESIA, o número um de 1997, o número dois de 1999 e o número três de 2000.
A semana passada levado pela curiosidade fui dar ao scribd e achei que sim. A ver vamos. O objectivo é deixar lá um livro, fundamental, é, que já está ali mas tenho de ter tempo.
Para já, no http://www.scribd.com/mmontanha o primeiro número do jornal Hablar/Falar de POESIA. Os outros dois também lá chegarão.
posted by Luís Miguel Dias quinta-feira, julho 01, 2010















