A montanha mágica

quinta-feira, outubro 18, 2012


  1. O reality show Casa dos Segredos é uma boa imagem desconstrução daquilo que é hoje pelo menos a sociedade portuguesa e outras sociedades também, pois, claro, ora, ui.
    Quando se chamava Big Brother não havia uma voz (a Voz, esta é a Voz) dit
    atorial e autoritária. Que tem um plano. Que controla. Que prevê. Que castiga. Que escolhe. Que destaca. Que premeia. Que elimina. E por aí fora.

    No Big Brother eram os concorrentes + a sua acção + a escolha das imagens que os produtores faziam para passar na tv. Sempre houve, portanto, no entanto, um mediador. Muitos. Ora. 1984 de George Orwell.

    Agora com a Casa dos Segredos a brincadeira ainda tornou mais a sério a desconstrução do dia-a-dia, da vida real. Mas de uma vida real que é secreta, que se esconde, que não se assume, mas que põe e dispõe do bem público como se fosse dono dele.

    As associações secretas, como a voz, atraiem, dispõem e impõem o que muito bem lhes apetece. Missões secretas assim e assado.

    E o que mais impressiona é ver, num país que é uma república democrática parlamentar e de direito, a quantidade de missões secretas que pululam por aí: por t-o-d-o o l-a-d-o, e também ver como não há uma ou a felicidade radiosa no rosto daqueles que são os escolhidos mas antes um narcisismo serôdio e até mesmo, com o passar do tempo, o enfado. É obra. Em relação à falta de liberdade subjacente, que se _____.

    É por isso é que a Casa dos Segredos é impressionante: ver a disponibilidade. Nem os próximos mil anos chegam.

    Lembro-me das palavras de Christophe Lebreton, monge mártir do mosteiro de Tibhirine, Argélia: “«Como posso tornar-me intercessor, representante, suplicante, se não deixar de me preocupar comigo próprio? Na escuridão da cave, nesse dia 24 de dezembro, começaste a ensinar-me esta lição, quando eu pensava que os outros já estavam nas mãos dos visitantes [que mais tarde os matariam]».”

    o desenho é de Paul Klee, Two Men Meet, Each Believing the Other to Be of Higher Rank, 1903.




posted by Luís Miguel Dias quinta-feira, outubro 18, 2012

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São horas, Senhor. O Verão alongou-se muito.
Pousa sobre os relógios de sol as tuas sombras
E larga os ventos por sobre as campinas.


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