A montanha mágica

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Ouvi esta madrugada adentro, antes, em primeiro lugar bravo! bravo! professor José Gil, está de parabéns, por ter dito esta madrugada aquilo que os telejornais e os jornais e as revistas e cada uma das aulas deste país deviam começar por dizer hoje e reflectir durante semanas: na excelência e na exactidão da sua linguagem, que não consigo reproduzir disse e mostrou o importantíssimo e crucial desfasamento entre o discurso e a realidade em que vivemos, nomeando mesmo o primeiro ministro da república portuguesa como um dos principais responsáveis, e ao dizer desse desfasamento nomeou o paradoxo da nossa instalação bem no meio dessa crise que não nos querem deixar ver mas sim infantilizar, e que depois o contacto com a realidade/o quebrar do espelho (do psiquiatra Amaral Dias, também interveniente na conversa) vai-nos ainda pôr mais nus, caso fosse preciso, ou tornar ainda mais esquizofrénicos (viram ontem o mesmo primeiro ministro a fazer aquela figura em cima dum tapete rolante com aquele esgar sorridente? Soares, Santos Sócrates? É de ir às lágrimas)

Na mesma conversa não atingindo o ponto nem querendo estar em silêncio para o tentar perceber o frade e cronista de domingo do jornal público quer é que as televisões, jornais e revistas mostrem coisas boas das diferentes dimensões da sociedade e não mostrem apenas o telejornal da desgraça (que puxem por Portugal, "eu estou aqui é para puxar por Portugal", fugindo à realidade, dizia o primeiro ministro português ao entrar no carro no fim das cerimónias do 5 de Outubro passado).
Não compreendeu José Gil como também já o mostrou algumas vezes nas suas intrepretações das sagradas escrituras, sendo a que mais me chocou, sim, é a palavra, foi a última que escreveu no jornal sobre o regresso do filho pródigo.

Ora, houve naquela conversa os diferentes portugais que vamos vendo,lendo e reflectindo. Já voltamos outra vez William Wordsworth.

Herberto Helder e também Tomas Tranströmer como geniais poetas falam da necessidade de uma linguagem nova, que buscam e da qual fizeram as suas vidas. Foi isso que vi em José Gil ontem. Por isso os bravos e por isso os parabéns por nos desnudar para depois nos vestirmos outra vez.

De Tranströmer, daqui,

"EM MARÇO DE 79

Farto de todos aqueles que com palavras fazem palavras,

mas onde não há uma linguagem,
dirigi-me para a ilha coberta de neve.
A veação não conhece palavras.
As páginas em branco dispersam-se em todas as direcções.

Eu dei com vestígios de cascos de corça na neve.
Linguagem, mas nenhuma palavra."


Para finalizar, se calhar mais do que quebrar o espelho talvez seja urgente quebrar a etiqueta, foi isso, e parece-me que foi isso que o professor José Gil também fez, uma vez que os cronistas da praça parecem quase todos ter pouca liberdade.

















in William Wordsworth (trad. Maria de Lourdes Guimarães), O Prelúdio, Relógio D`Água, 2010.


era repelido com o maior cuidado

posted by Luís Miguel Dias quinta-feira, fevereiro 24, 2011

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São horas, Senhor. O Verão alongou-se muito.
Pousa sobre os relógios de sol as tuas sombras
E larga os ventos por sobre as campinas.


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