Desta vez os jornalistas acertaram, e nem foi preciso irem a correr para a fronteira esperar o frio polar, chegou mesmo, e por lá ficar à espreita.
Por volta das nove horas e quarenta e sete minutos, olhei para o relógio, quando estava a pôr um ponto final em a unidade da crença eis que "está a nevar", movimentos, sorrisos, janela, pouco, apenas uns flocos, mas frios, está a nevar, sorrisos, intervalo.
Quinze minutos em que pararam e depois de mais quinze minutos passados aí sim muitos flocos, muitos, chuva de neve, durante três horas e tal quase quatro e ainda mais, alguns centímetros de altura, gritos, sorrisos, um ilusionista, fotografias, a vida mais leve, cada vez com mais intensidade, a câmara fotográfica do telemóvel continua a não ser a ideal, pudera, enfim, Fellini, estranhos como cúmplices, por toda a cidade.
Não sei mas... por aqui parece a Finlândia, a sério. Levanto os olhos de A revelação do mundo, Le Clézio, de Alexandra Lucas Coelho, olho lá para fora ainda tudo branco o ar não passa dos zero menos um um grau de temperatura.
"Tenho uma
admiração enorme por Buster
Keaton. Quando está ao pé de uma
mulher não faz nada, mas sinto
que está apaixonado: quando está
triste não faz nada, mas sinto que
está triste. É um mistério. Sou
eu, espectador, que interpreto no
lugar dele. Isso é que é formidável."