sábado, outubro 30, 2004
o grande poeta de cuja fama o tempo nunca triunfará
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Camões, Júlio Pomar
"A História da província, além de ser obra pioneira da nossa historiografia, é também um dos exemplares mais preciosos da bibliografia camoniana. Nela estão os últimos poemas de Luís de Camões publicados em vida do poeta, os tercetos e o soneto que dedicam o livro a D. Leonis Pereira. O autor do recém-publicado Os Lusíadas ainda não contava com a unanimidade dos seus contemporâneos, e Gândavo, ao lado de Garcia de Orta, foi um dos únicos a incluir poemas de Camões nas páginas preliminares de um livro e, também, a reconhecer o seu valor ao inclui-lo na lista dos grandes autores da sua época, no Diálogo em defesa da língua portuguesa. Naquele momento, Gândavo fazia duas apostas em matérias então pouco valorizadas. Acreditava que Camões seria «o grande poeta de cuja fama o tempo nunca triunfará» e apostava numa terra «pouco sabida» em detrimento da então rendosa Índia. Como observou o historiador Jorge Couto, Gândavo «teve a lucidez de acentuar que o futuro de Portugal se situava no Atlântico, e não no Oriente»."
Sheila Moura Hue in Introdução d`A Primeira História do Brasil de Pero de Magalhães de Gândavo, Assírio & Alvim, 2004.
posted by Luís Miguel Dias sábado, outubro 30, 2004
