A montanha mágica

domingo, outubro 24, 2004

História da província Santa Cruz
a que vulgarmente chamamos
Brasil


Pero de Magalhães de Gândavo





"De como se descobriu esta província e a razão por que se deve chamar Santa Cruz e não Brasil

E tornando a Pedro Álvares, seu descobridor, passados alguns dias que ali esteve fazendo sua aguada e esperando por tempo que lhe servisse, antes de partir, e para deixar um nome àquela província por ele descoberta, mandou alçar uma cruz no mais alto lugar de uma árvore, onde foi arvorada com grande solenidade e bênçãos dos sacerdotes que o acompanhavam, dando à terra este nome de Santa Cruz; cuja festa a Santa Madre Igreja celebra naquele mesmo dia (três de Maio). O que não parece carecer de mistério, porque assim como nestes reinos de Portugal trazem a cruz no peito por insígnia da Ordem e Cavalaria de Cristo, assim prouve a Ele que esta terra se descobrisse a tempo para que o tal nome lhe pudesse ser dado neste santo dia, pois havia de ser posse dos portugueses e ficar por herança de património ao mestrado da mesma Ordem de Cristo. Por onde não parece razoável que lhe neguemos este nome, nem que nos esqueçamos dele tão indevidamente por outro que lhe deu o vulgo depois que o pau da tinta começou a vir para estes reinos. Ao qual chamaram brasil por ser vermelho e ter semelhança de brasa, e por isso ficou a terra com este nome de Brasil. Mas para que nisto magoemos ao demónio, que tanto trabalhou e trabalha para extinguir a memória da santa cruz (mediante a qual fomos redimidos e livrados do poder de sua tirania) e desterrá-la dos corações dos homens, restituámos-lhe seu nome e chamemos-lhe, como em princípio, província de Sanra Cruz (que assim o aconselha também aquele ilustre e famoso escritor João de Barros na sua primeira Década, tratando deste mesmo descobrimento). Porque na verdade mais é de estimar e melhor soa aos ouvidos da gente cristã o nome de um pau em que se obrou o mistério de nossa redenção que o de outro que não serve mais que para tingir panos ou coisas semelhantes."




Acaba de ser publicada, numa bela e preciosa edição, pela Assírio & Alvim A Primeira História do Brasil de Pero de Magalhães de Gândavo. A modernização do texto (com base na primeira edição de 1576) e notas [excelentes, por Hue] Sheila Moura Hue [e] Ronaldo Menegaz. A introdução, excelente, é da mesma.

O fac-símile pode ser lido e apreciado aqui.

posted by Luís Miguel Dias domingo, outubro 24, 2004

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