A montanha mágica

Segunda-feira, Outubro 31, 2011

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LMD, sem título, 2011

posted by luis Segunda-feira, Outubro 31, 2011


Da Democracia (9)

Nestes dias metuendos, como escreveu Gonçalo M. Tavares, já se imagina o quem ganhou o debate, quem ganhou? O que interessa é saber quem ganhou; não fosse a História e já não aguentaríamos com a pressão das perguntas.

E tanto que dizem as três intervenções, para cada uma aula e meia, a correr.

Com a vitória de Dario, Otanes “que desejava instaurar a isonomia entre os Persas, disse ainda, na presença de todos, estas palavras: (…) mas eu cá não vou disputar convosco o poder, pois nem desejo governar nem ser governado. Renuncio ao poder, com uma condição: não vir a ser governado por nenhum de vós, nem eu próprio, nem jamais nenhum dos que de mim descenderem.”

Os outros concordaram com estas condições.

E entre eles decidiram o seguinte, atentemos, brilhante, delicioso, lindo: “determinaram que entraria no palácio, sem ser anunciado, qualquer um dos sete que assim o desejasse, desde que não se desse o caso de o rei estar a dormir com uma mulher; decidiram ainda que não seria permitido ao rei casar com nenhuma mulher que não fosse da estirpe dos desconjurados. Acerca do poder real, deliberaram que aquele cujo cavalo primeiro relinchasse ao nascer do sol, quando todos eles estivessem montados, nos arredores da cidade, esse deteria nas suas mãos o poder real.”

Lindo: “cujo cavalo primeiro relinchasse ao nascer do sol”; e ainda mais o que virá.

O próximo ponto é sobre o palafreneiro de Dario, um homem muito sabedor, chamado Ebares.

posted by luis Segunda-feira, Outubro 31, 2011

Sábado, Outubro 29, 2011


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Sexta-feira, Outubro 28, 2011


Da Democracia (8)


Pergunta dos investigadores: “Não há provas de que a inscrição de Behistun tenha sido traduzida para grego, será que Heródoto leu ou teve conhecimento de uma cópia grega da inscrição de Dario, em Halicarnasso, Samos ou algures na Jónia? Será que apenas ouviu falar da cópia (possivelmente, escrita em aramaico) que o rei enviou para Sardes?”

E concluem mais à frente: “a maior parte dos comentadores admite que Heródoto se baseou predominantemente em fontes orais e na observação pessoal, mais do que em tratados gregos, textos epigráficos aqueménidas ou outras fontes escritas. Como era natural no seu tempo, Heródoto fez várias apresentações públicas do seu trabalho, semelhantes àquelas em que ele próprio, como ouvinte, deve ter recolhido elementos para a sua obra.”

E dizem: “não obstante as coincidências, existem também algumas divergências entre o relato de Heródoto e o monumento de Behistun”: datas, nomes, políticas, iniciativa, local da morte, a ascensão de Dario.

Fundamental, a pergunta: “mas será que a inscrição, por ser um documento oficial, serve de garante de historicidade?”

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Quinta-feira, Outubro 27, 2011

mais dois ou três exemplos deste nosso tempo, por aí a voar


soraia chaves sentada em cima de uma secretária de mamas ao léu a fazer de docente


o spot publicitário do jumbo, pessoas de diferentes idades a dizer que nem a namorada, nem a escola, nem o marido, nem os filhos, nada, apenas aí 100 mil euros é que os fazem felizes


e josé rodrigues dos santos que a cada palavra que diz torna e se torna ainda mais ridículo:

afirma o jornalista que "o cidadão comum nunca ouviu ninguém dizer que Cristo não era cristão, que há indícios no Novo Testamento que questionam seriamente a virgindade de Maria e que existem textos fraudulentos na Bíblia"

e parece que na frente do livro diz que tudo o que por lá se pode ler é verdade, com piscadela de olho, ou não?


o jornalista também se enganou, parece-me, na editora. há editoras que fazem o trabalho muito bem feito, de promoção e de venda de livros, como parece ser o caso da quetzal e da porto editora. muitas recensões aos seus livros nos principais suplementos literários dos jornais, e muito espalhafato em muitos blogues; um sinal do tempo e da utilização dos recursos que o mesmo vai disponibilizando

um exemplo, um exemplo que teve as tais quatro estrelinhas no suplemento actual do semanário expresso: o último livro de francisco josé viegas, publicado pela porto editora, o jornalista que escreveu uma recensão publicou no seu blog o seguinte:



o aqui liga diretamente com











(PrtSc`s realizados quarta-feira, dia 26 de outubro, entre as 14h30m e as 15 horas)



devo-me estar a babar de inveja















e assim vai o estado da arte

posted by luis Quinta-feira, Outubro 27, 2011


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Quarta-feira, Outubro 26, 2011


Da Democracia (7)

Delicioso, não é? E quando menos estamos à espera, ou quando esperamos tanto tempo e depois se vê.

Perguntam os investigadores: “Qual a validade histórica deste debate? Terá ele ocorrido? Se ocorreu, versou realmente sobre as instituições políticas? Sobre se versou este tema, envolveu os conceitos e as expressões que Heródoto apresenta? Procura o historiador reproduzir nesta cena algo que realmente aconteceu, embora filtrado pela perspectiva de um grego? Ou pretende apenas aproveitar um ensejo para exprimir teorias filosóficas e políticas próprias?

Esta discussão sobre as formas de governo é a primeira, na literatura grega, com a tripartição monarquia/oligarquia/democracia. Heródoto parece acreditar que tal debate se realizou e que Otanes defendeu a democracia na Pérsia.”

Mas… mas depois há mais dados:

i) J.A.S. Evans em Notes on debate of the Persian Grandees in Herodotus, “sublinha que as categorias são gregas e os argumentos também”
ii) J.Wells em Hedodotus and Athens “admitiu a hipótese de ter sido um persa helenizado quem narrou este episódio ao historiador” mas há quem discorde;
P.T. Brannan “a segunda hipótese para explicar as ideias gregas contidas nos discursos é pensar que se trata de um exemplo da Escola Sofista, talvez de Protágoras;
Para Enoch Powell “Heródoto deve ter-se inspirado numa fonte grega, porque são gregas as ideias que os discursos reflectem”.
iii) “supor que o historiador pretendeu recontar um episódio, que suscitava algum cepticismo”.

Mas, sim, “parece inverosímil aliar o espírito oriental à democracia, nessa época, mas poderá haver alguma verdade histórica neste facto: a política de Cambises retirou aos nobres muitos privilégios que tinham sob Ciro, o que causou revolta depois da morte de Pseudo-Esmérdis.”

Tudo o que aqui se escreve é retirado e baseado nos diferentes volumes de Histórias e do trabalho dos seus investigadores.

posted by luis Quarta-feira, Outubro 26, 2011

Terça-feira, Outubro 25, 2011

é mais do mesmo, do que somos, do que mostramos e, se calhar, mais importante: do que não mostramos mas que se vê, que se torna muito visível

aqui há umas semanas, mais ou menos um mês, creio, foi posto à venda o quarto e último volume da História da Vida Privada em Portugal, direcção de José Mattoso

nesse volume há a reprodução de uma fotografia de Agnés Varda (duas vezes) Maria do Alívio, Póvoa de Varzim ,1953, bela fotografia





ora, na semana seguinte o caderno actual do expresso reproduziu essa mesma fotografia sem dizer de onde vinha, assim de chofre, assumindo o “Nem me falta na vida honesto estudo, / Com longa experiência misturado” como epígrafe semanal; isto também somos nós, a miséria miserabilista que é o semanário expresso no seu todo e que é um excelente medidor e mantenedor da mediocridade instalada, que sobreviverá por longos anos, é a vidinha, o que é que eu ganho com isso?




















um destes dias, quinze, creio, Vasco Pulido Valente deu como exemplo a Inglaterra para dizer há países onde não há décimo terceiro mês nem subsídio de férias, naquele sítio, onde dizia isto, parei, voltei atrás, parei, voltei atrás

inglaterra

os in-gue-le-ses

Vasco Pulido Valente comparou portugal com inglaterra, comparou os trabalhadores ingleses com os trabalhadores portgueses, comparou a classe média portuguesa com a inglesa

inexplicável, inexplicavelmente

volto a uma conversa do verão acabado de findar: conversavamos sobre na frança e em portugal, que lá em frança não se pagava subsídio de natal nem subsídio de férias, que aqui por que é que ainda se pagava? perguntei quanto é ganhava: 1200 euros, trabalhadora textil ou semelhante, ao fim de 35 anos de trabalho. 1200 euros? quanto é que acha que hanha x? Não sei, respondeu. O salário mínimo, 480 euros. Ao fim de 40anos de trabalho.
Silêncio. Voltando disse: nos anos 80, do século XX, François Miterrand tornou constitucional que as nossas empresas teriam que distribuir mensalmente uma percentagem dos lucros obtidos. Isso fez com que nós trabalássemos mais, nos sentíssemos mais responsáveis e mais bem remunerados, mais justamente remunerados.

pois, aqui não há esa distribuição e por isso parece-me mais do que justo que haja o subsídio de férias e o décimo terceiro mês. E o que mais me deixa a pensar, agora, que fiquei a saber isso que Miterrand fez, é que portugal país sempre com a boca cheia de frança fez orelhas moucas, no café de la paix se calhar falava-se disso a chamar comunistas filhos da puta a quem conseguiu tanta justiça junta

voltando a Vasco Pulido Valente, dizer outra vez que não percebo a sua comparação e duvido que em portugal... bom... dos que nos têm governado e dos que nos governam têm todos nenhuma vergonha na cara, se pensassem assim um minuto no país que são... um minuto só.... assim de norte a sul... que pensassem... que parassem... foda-se... olhem lá para fora.... o que vêem? de onde é que vocês sairam? de onde vêm? um minuto só...

passados uns dias Vasco Pulido Valente intitulou outro artigo de Realejo, sobre os políticos que nos governam "que os poderíamos com vantagem substituir por um realejo" mas de quem me lembrei de imediato foi de João César Monteiro, que, ao realejo, no Vai e Vem, nos conta uma linda história






depois uma nota sobre o que escreveu José Pacheco Pereira sobre a ideia de “criminalizar” os políticos responsáveis pela situação e desaguar na falta de cultura democrática.

creio que quando se diz que o mundo mudou no dia 11 de setembro de 2001, esta foi uma das mudanças fundamentais: toda a gente, mais tarde ou mais cedo, cada vez mais em cima dos acontecimentos, tem acesso a muita informação, veiculada pela net, tvs etc etc o que vai aumentar a exigência e escrutínio.

aliás, acho que o tempo que estamos a viver já não existe, estamos na transição de algo que não conhecemos ainda, as estuturas de um novo mundo estão a ser cimentadas já; claro que existe, há fome, há doenças, há miséria, há pessoas a ter de viver com um euro por dia...

à criminalização dos políticos só se chega por tal fartar e de vaidade pornográfica também por esse mundo fora; e parece-me que só será aplicável naquilo que será facilmente explicado por negligência grave e persistente; alguém que se rodeie dos melhores assessores e técnicos e conselheiros (qual é o presidente que não os pode ter? e o primeiro ministro que não os pode ter? e de vários quadrantes que não os seus; sim, sim, Maquiavel) não conseguirá cometer erros da monstruosidade actual. O que esteve o Banco de Portugal a fazer nos últimos anos? e a Presidência da República? Existiu? Serviu para o quê? É preciso parar, refletir. Portugal é o quê?

também tento perceber a argumentação de Pacheco Pereira enquanto cidadão e enquanto político, mas discordo dela e não acho que neste momento se possa apelidar mais de democrata do que, há que sair da esfera, da dimensão, pôr-se em causa



é que, quando é que algumas pessoas vão deixar de achar que aquilo que nós estamos a ver não é aquilo que nós estamos a ver? como no futebol, por exemplo, que é para milhões e milhões de pessoas e mesmo assim dizem a todos esse milhões e milhões que o que estão a ver não é o que estão a ver, caso do chelsea-barcelona de há três anos atrás e em quase todos os jogos da liga portuguesa. O que se passará quando ninguém está a ver? ninguém, agora? nestes e nos anos futuros?

é preciso responder? com e sem ponto de interrogação

posted by luis Terça-feira, Outubro 25, 2011

Segunda-feira, Outubro 24, 2011



LMD, sem título, 2011

posted by luis Segunda-feira, Outubro 24, 2011


Da Democracia (6)


Vamos então ao debate, a um resumo:

1) Otanes, o primeiro a falar, entre mais disse: “a mim, parece-me bem que só um homem deixe de ser o senhor absoluto de todos nós, pois isso nem é agradável, nem bom (…) Como é que alguma vez poderia a monarquia ser uma instituição bem organizada, se lhe é permitido fazer o que quiser, sem prestar contas? E penso que porventura até o melhor dos homens, com todo esse poder, ficaria fora dos limites do seu juízo habitual. Gera-se um excesso de orgulho pelos bens de que se dispõe e cresce a inveja, própria da natureza do homem desde que ele existe. Tendo estas duas características, o rei possui todas as más qualidades que pode haver: farta-se de praticar actos insensatos, uns por já ter cometido excessos até à saciedade, outros por inveja. De facto, um homem dado à tirania não devia conhecer a inveja, uma vez que tem todos os bens; mas é precisamente o contrário que grassa nas suas relações com os cidadãos – inveja os melhores enquanto vivem e estão à sua beira, e regozija-se com os piores, sempre pronto a dar ouvidos às calúnias. Uma das suas atitudes é o que há de mais absurdo: se se é comedido na admiração que se lhe manifesta, ele fica zangado por não ser lisonjeado com mais entusiasmo; se se lisonjeia com mais entusiasmo, fica zangado por se julgar adulado. E falta ainda o aspecto mais importante, que vou agora referir: ele não só adultera os costumes dos antepassados, como também violenta as mulheres e até condena à morte sem prévio julgamento. Ora, quando o povo governa, esse poder tem, antes de mais, o mais belo de todos os nomes – isonomia; em segundo lugar, de todas as coisas que um monarca faz, nenhuma existe em isonomia: é por sorteio que se recebe cargos públicos, exerce-se o poder prestando contas, todas as deliberações são expostas à comunidade. Exponho-vos, pois, a opinião de que, recusando a monarquia, é o povo que devemos exaltar, porque é em comum, na unidade de todos, que tudo deve estar.”

2) Megabizo, o segundo a falar, entre mais disse: “nada há de mais insensato do que uma multidão inútil, nada há de mais insolente. E decerto fugirem os cidadãos à insolência de um tirano, para virem cair na insolência de um povo descomedido, isso não é, de modo algum tolerável (…) como é que poderia, aliás, saber agir quem nunca foi ensinado, nem viu nada de bom em sua posse e faz precipitar as situações, caindo nelas sem qualquer ponderação, tal qual um rio de caudal engrossado pelas chuvas do inverno? Que usem, pois, as capacidades governativas do povo todos aqueles que desejam mal aos Persas, e só esses; nós cá, pelo nosso lado, elejamos uma assembleia escolhida entre os homens mais notáveis, e confiemos-lhe o poder. Entre eles, de certo, nós próprios nos encontramos também, e é apanágio dos melhores homens tomarem as melhores e mais sensatas deliberações."

3) Dario, o terceiro a falar, entre mais disse: “Das três alternativas que se nos deparam, democracia, oligarquia e monarquia, cada uma delas pode ser teoricamente defendida como a melhor. Mas eu sustento que a última em muito supera as demais. Nada poderá parecer melhor do que um só homem a governar, desde que ele seja o melhor: com efeito, servindo-se do seu bom senso, tão excelente quanto ele próprio, poderá porventura governar o povo sem merecer censura, e melhor poderão assim ser silenciadas as decisões tomadas contra os opositores. Na oligarquia, entre os vários homens que trabalham com empenho para o bem comum, é costume gerarem-se violentos ódios pessoais: pois, por querer cada um ocupar o primeiro lugar e fazer prevalecer as suas opiniões, criam-se grandes inimizades entre eles, a partir das quais se geram divergências políticas, donde surge, por sua vez, o homicídio, graças ao qual se chega à monarquia. Fica, neste quadro, evidente até que ponto a monarquia é a melhor das alternativas. Ora, na hipótese inversa, quando é o povo quem governa, é impossível não haver iniquidades; e quando a iniquidade realmente nasce numa sociedade, não são inimizades que nascem entre os maus, mas sim profundas e temíveis amizades, pois os que agem mal contra o Estado fazem-no pela conspiração. E isso vai acontecendo até que alguém se ponha à frente do povo para o defender e os faça parar. A partir de então, esse homem é admirado pelo povo e, graças a essa admiração, torna-se monarca –o que evidencia também que a monarquia é a melhor alternativa.”

O "mais antigo texto conhecido de teoria política".

posted by luis Segunda-feira, Outubro 24, 2011

Sexta-feira, Outubro 21, 2011



dar os parabéns aos Artistas Unidos que na passada quarta-feira abriram a sua nova casa, que bom, muito bom, que luxo é poder ter os Artistas Unidos, e têm consigo as esculturas de Ângelo de Sousa


do catálogo Angelo de Sousa y Escultura, Centro de Arte Moderna F.C.Gulbenkian, 2006, um excerto do texto O Objecto da multiplicidade qualquer, de José Gil

"É este talvez o paradoxo maior das esculturas de Ângelo: perfeitamente autosuficientes na sua exterioridade visível, proliferam num espaço que, não se vendo nem se tocando, goza também de uma presença exterior. É o grande mistério sem mistério do espaço destas esculturas: o espaço invisível, virtual, goza de uma exterioridade presente. Todo o espaço, virtual e actual, é um exterior sem interior. O interior não passa de uma dimensão fractal, actualizável, do exterior virtual presente. Se é verdade que, segundo Rosalind Krauss, a história da escultura moderna retraça a conquista progressiva de diferentes tipos e exterioridade, Ângelo descobre um novo tipo, nunca antes trabalhado (nem por Morris, Serra ou Sol LeWitt): a exterioridade do espaço virtual proliferante. Nas suas esculturas ´vê-se`o movimento do espaço invisível que continua os ritmos dos objectos."

posted by luis Sexta-feira, Outubro 21, 2011


Da Democracia (5)

Inscrição de Beshistun

Rochedo de Behistun: "situado a cerca de trinta quilómetros da actual região de Kermanshch, no Curdistão. Escrita em alfabeto cuneiforme, em persa antigo, neo-babilónico e elamita, data provavelmente de 519-518 a.C. (…) monumento heróico, glorifica o estatuto do rei Dario e a sua relação com o deus nacional dos Persas. Apresenta-se como um texto histórico, que relata os acontecimentos entre 522 e 520 a.C., desde os motivos que levaram à ascensão de Dario ao trono, até ao fim do primeiro ano do seu reinado.”



Two of the most important events in the advancement of historical knowledge have been the discovery of the key to the Egyptian hieroglyphics on the Rosetta Stone and the deciphering of the cuneiform inscriptions on the Rock of Behistun. The former opened the door to the Wonderland of Egyptian history, and the latter brought daylight into the dark places of antiquity in the Middle East, revealing to the modern world the vanished civilizations of Mesopotamia in all the truth of contemporary record.



In 1835 Henry Rawlinson, a young English soldier, twenty-five years old, was sent as Assistant to the Governor of Kermanshah. His attention was turned to the cuneiform inscriptions at Elwend near Ecbatana, and, as a soldier whose scholarly side ill brooked long periods of boredom, he set himself to decipher the strange unknown tongue in which they were written. In his "Memoir" he says that he was aware that a German professor, Grotefend, about the beginning of the century, had deciphered some of the names of the early sovereigns of the house of Achaemenes, but in his isolated position at Kermanshah he could neither obtain a copy of the German's alphabet, nor discover which were the inscriptions that he (Page 764) had used. Actually Grotefend had made out the names of Hystaspes, Darius, and Xerxes from two short inscriptions...

Citações em inglês in http://members.ozemail.com.au/~ancientpersia/srce_frm.html [11/10/11] by Dr Campbell Thompson (1937) who investigated the Rock of Behistun on behalf of the British Museum.

posted by luis Sexta-feira, Outubro 21, 2011

Quinta-feira, Outubro 20, 2011



LMD, sem título, 2011

posted by luis Quinta-feira, Outubro 20, 2011


Da Democracia (4)

Heródoto sublinha e a nota de rodapé número 210 também “que três discursos foram realmente proferidos na assembleia dos sete persas, embora pareçam inacreditáveis”.

Inacreditáveis por várias razões e também porque vinham, para os gregos, do lado bárbaro.

E a mesma nota de rodapé continua: “o famoso debate sobre qual a melhor forma de governo poderá sugerir-nos uma questão: serão realmente ideias persas, as que são postas na boca dos três oradores, acerca da monarquia, da oligarquia e da democracia?”

Da democracia.

Vamos já a um resumo do debate, antes continuemos com a preciosa nota de rodapé número duzentos e dez:
- “a abundância de formas áticas e poéticas consolidou a hipótese de os três discursos pertencerem a uma obra da sofística ática (de Protágoras, Hípias, Antifonte ou Pródigo) que Heródoto teria adaptado neste passo da sua obra”;
- “outros estudos sublinham a possível historicidade do episódio, apoiando-se na coincidência das considerações de Dario, com a propaganda política da inscrição de Behistun”;
- “tratando-se obviamente de discursos modelados pelo historiador, não se pode contudo excluir a hipótese de serem o reflexo de ideias que grassavam no seio da nobreza persa (…) Heródoto parece querer sublinhar que o germe da democracia já existia no mundo bárbaro.”

Embora pareça inacreditável.

posted by luis Quinta-feira, Outubro 20, 2011

Quarta-feira, Outubro 19, 2011




acho que os inspetores da Scotland Yard que Woody Allen retrata como retrata não são mais do que o estado a que chegou o governo Blair e as principais instituições inglesas e europeias, a diminuição drástica da exigência e a vontade aflitiva em aparecer num gigante ecrã exterior numa qualquer grande praça europeia, dos estados unidos ou em alguns sítios da ásia

logo, vi todo o match point, e os filmes europeus que tem feito, como das maiores sátiras ao estado a que a europa, velho continente, e os estado unidos chegaram (europa subserviente); localizando no tempo e em acontecimentos concretos: o comportamento e ações que líderes de diferentes países assumiram aquando da guerra do iraque

tenho observado com alguma admiração que pessoas de diferentes profissões e de diferentes escalas/grupos sociais, muitos diferentes, leem os mesmos autores, josés rodrigues dos santos, nicholas sparks migueis sousas tavares etc, etc

e também achei as últimas críticas crónicas sobre o Meia-Noite em Paris de Woody Allen muito fraquinhas, exemplo:

- dizem que é sobre os anos 20 em Paris, vão ver, vão ver, se gostam daqueles artistas, corram, ai os anos 20 em Paris, ai, ai;

já li isto de pessoas que escolhem os autores, quer chorem muito ou não, que devem editar e premiar ao fim de dois ou três anos; o que interessa é ser o presidente da junta

que não se veja o filme, entre outras coisas, como uma crítica rasgada à nossa inação e às nossas prioridades, a lavandaria actual naquele local mítico; que não se veja que aquilo que queremos construir depende do esforço que quisermos/estivermos dispostos a fazer, há quem diga que os livros de poesia tendem a acabar; que não se veja que certa espécie de elite está cega e apenas interessada em comprar móveis nada especiais em antiquários pagando facilmente cem mil euros, e viver em luxos desmedidos andando e ouvindo muito raramente as pessoas que andam na rua, o caso da crónica de miguel sousa tavares do dia 15/10/11 no semanário expresso é paradigmático e boçal

woody allen, ainda assim, concedeu dois segundos a Djuna Barnes, bravo.

posted by luis Quarta-feira, Outubro 19, 2011


Da Democracia (3)


Objectivo: e segundo Maria Helena Rocha Pereira, chegar “ao mais antigo texto conhecido de teoria política”; e depois logo se verá.

Vamos então também mais ao lado, mesmo no tempo de vida de Clístenes.

Sigamos, deliciados, alguns dos episódios das Histórias de Heródoto.

Setembro de 522 a.C, sete conjurados persas decidem atacar e matar o mago que fazendo-se passar por Esmérdis, filho de Ciro, reinava sobre a Pérsia.

Os sete heróis da revolta são: Dario, Intáfrenes, Otanes, Góbrias, Hidarnes, Megabizo e Ardumanis. Da nota de rodapé número 203 do volume…

Enquanto discutiam qual o melhor plano “apareceram sete pares de falcões, que perseguiam dois pares de abutres, arrancando-lhes as penas e ferindo-os. Perante esta visão, os sete por unanimidade aprovaram o parecer de Dario e avançaram de seguida para o palácio, encorajados pelas aves que haviam visto.”

Já lá: “depois de matarem os magos e de lhes cortarem a cabeça, os sete resolveram deixar ali os conjurados feridos, não só por se encontrarem incapacitados para prosseguir, mas também para ficarem de guarda ao palácio. Os restantes cinco, com as cabeças dos magos na mão, correram lá para fora, a gritar e a fazer grande alarido.”

Ora, “quando a confusão amainou, decorridos mais de cinco dias, os que se tinham revoltado contra os magos reuniram-se, para deliberarem acerca de tudo o que havia a fazer, e foram então proferidos discursos, inacreditáveis para alguns dos Gregos, mas que foram realmente proferidos.”

Voilà: “e foram então proferidos discursos, inacreditáveis para alguns dos Gregos, mas que foram realmente proferidos.” Chegamos.

posted by luis Quarta-feira, Outubro 19, 2011

Terça-feira, Outubro 18, 2011

Cruzaram-se nas minhas leituras destes dias o excelente Deus e Caravaggio, Carlos Vidal 2011, Edições Vendaval e Carlos Vidal, e o excelente Vós aqui, Sr. Brunetto?, de Paulo Pires do Vale, texto do catálogo da exposição de Rui Chafes INFERNO (a minha fraqueza é muito forte), galeria arte moderna e contemporânea João Esteves de Oliveira.

E como lhes segui algumas ligações vou ver se as consigo organizar, afinal anda tudo ligado.

I

1) No capítulo segundo, O desenho sem desenho, Carlos Vidal escreve: “intentam alguns destes autores – sobretudo Venturi, Friedlander ou Wittkower – sublinhar o carácter anticlássico e mesmo revolucionário da pintura de Caravaggio (uma pintura sempre atacada sem desenho, e realmente não se conhece nenhum desenho de Caravaggio, uma pintura que é um pensamento exterior ao desenho, onde o contraste luz-sombra nunca admite gradações nem valores intermédios atmosféricos…), um corte radical na história por vezes matizado por outros autores, como Wittkower que não opta pela total oposição Carraci-Caravaggio; na perspectiva do corte revolucionário com o classicismo (mas não apenas, como veremos), pode pensar-se em Caravaggio como o criador de uma sequência evenemental (utilizando os termos da reflexão filosófica de Badiou a propósito do conceito de «acontecimento», ou emergência do inédito sem precedentes e sem leitura explicativa), na qual o claro-escuro tenebrista, ou o tenebroso, se desreferencializa inclusive do habitual e característico da pintura lombarda contemporânea do artista (um tema a desenvolver, este, o da pintura do norte de Itália), tenebroso que, por exemplo, Giulio Mancini (que nas Considerazioni sulla pintura, de 1617-21, reconhece Caravaggio como protagonista de uma experiência pictórica nova) e Bellori vêem como atentatório dos cânones de beleza de Rafael, de Ticiano ou Correggio, mas também posso acrescentar dos preceitos de cor-luz-sombra e volumetria ensinados por Leonardo; tenebroso caravaggesco que consiste numa sobreexposição lumínica das formas-corpos, sempre alicerçado numa funda e absoluta obscuridade (pois todo o claro-escuro tenebrista é dialéctico, dirão Michael Fried e John Rupert Martin); tenebroso que abre, para Michael Fried, o campo da pintura até ao mundo infinito exterior, interior e exterior confundidos e sem atmosfera.”

E um pouco logo mais à frente: “O que, juntamente com as suas invenções luministas, sem precedentes nem descendência óbvia nos leva a verificarmos estar perante um autor que pensa a pintura nela própria, ou seja, no médium. Ao contrário de Poussin, Caravaggio faz da pintura o palco da sua própria gestação, porque outro não há (e, em Poussin, seja da pintura seja da escultura esse palco é o desenho, ou melhor, o desenho-encenação).”

E depois: “o «homem pintor sem hesitações» ganha forma, pois não apenas não temos desenhos preparatórios como são escassas as emendas realizadas ao longo dos trabalhos.”

E: “ou seja, o momento caravaggesco sobrepõe-se à ideia –a esse instante gravado na pintura chama Fried de «momento Caravaggio»; eu chamaria de «acontecimento Caravaggio» (a que acrescento a invenção do que denominarei uma «luz sem nome»). Recorro aqui ao termo «acontecimento» tal como proposto e definido na filosofia de Alain Badiou.”

2) No ponto quatro Repetição e Excesso, Paulo do Vale escreve: “Neste Desenho a repetição encontra-se também na cor. A ´ordem` da linha é ´sobressaltada´ pela mancha encarnada. Se já a linha era inquietante, a mancha introduz algo de caos. Sobre a perfeição, derrama-se a ameaça e o desastre. O terror que estava entre os órgãos. Testemunhamos um confronto na página, entre a precisão do traço e o inesperado, incontrolável da mancha. O efeito mais evidente é a repulsa, mesmo o nojo. Esse vermelho que pinga, como ferida aberta num corpo e deixa a marca da sua passagem, é sinal: é revelação de um interior vivo. Mas agora, já não em movimento interior, remete para violência do sangue derramado. Retomo (e adapto) a pergunta de Newman: Who`s afraid of red?
Há uma materialidade nestas manchas, que a linha não tem. Colocam o acento na matéria, desviando-nos da ideia. Contrariam e inquietam, no seu carácter excessivo. Sujam o que parecia ideal. Mas não é a história da impureza do sangue que é convocada, mas a do seu carácter salvífico. A do sacrifício redentor. Uma acção que se ultrapassa. Excedente.”

E mais à frente: "Este Desenho é, neste sentido, blakeano, infernal: o caminho do excesso, que antes apontámos como intensificação. Um perigo, mas o artista sabe que é seu dever aceitá-lo: onde maior o perigo, ´também a salvação é pródiga (Hölderlin). É falta de prudência, dirão alguns: o tema, os fragmentos, as referências, a morte, o sangue… A prudência é uma velha companheira da impotência, responderia ele.”


II

1)Voltemos a Deus e Caravaggio: “Mas é também muito pertinente o modo como Stendhal descreve as obras dedicadas a S. Mateus na Capela Contarelli de S. Luís dos Franceses: aí fala-nos Stendhal da presença de camponeses grosseiros mas plenos de energia, algo que poderia alargar-se a outras obras de Caravaggio.
Ora, esta «grosseria» cruzada com «energia», enquanto qualidade figural, não fora obviamente partilhada por Jacob Burckhardt (…) Acusava o pintor de transformar a sublimidade num lugar-comum. Radicalizando as suas considerações, dizia ainda Burkhardt que o escudo com amedusa, dos Uffizi, parecia um rosto com o ar de alguém a quem tinham extraído um dente. Portanto, enquanto Stendhal atribui carácter energético aos modelos proletarizados de Caravaggio, Burkhardt fala-nos de «vulgaridade». E aqui é Burkhardt que erra, por certo. Porque os modelos proletarizados e «sem correcção» de Caravaggio nada podem ter de transgressivo ou «vulgar» para um leitor de S. Filipe Neri, como Caravaggio o foi e outros estudiosos o confirmam (Maurizio Calvesi).

2) Voltemos também a Vós aqui, Sr. Brunetto? : Há um afã de excesso neste Desenho. Um excesso mais devedor do pórtico do gótico que da teatralidade barroca. Compor, montar, sobrepor imagens, acrescentar camadas, gordura, flores esmagadas, manchas de diferentes vermelho-sangue, emblemas-alegorias, símbolos, referências históricas, frases mais ou menos enigmáticas… Excessos de quem parece seguir como conselhos alguns dos Provérbios do Inferno de Blake:

´O caminho do excesso leva ao palácio da sabedoria`.

´A Prudência é uma velha solteirona rica e feia, cortejada pela Impotência.´

´O orgulho do pavão é a glória de Deus.`

´A Exuberância é a Beleza`.

Também pelo excesso, a simpatia de Blake é para com o Demónio: que está ao lado das ´forças da revolução`, da manifestação da Energia da vida –contra a Lei, a escravatura, o bom senso, a mediania e os poderes estabelecidos. Nisso Blake é um companheiro das descidas perigosas de Dante e das escaladas montanhosas de Nietzsche.”


III

1) Da nota de rodapé 104, um excerto: "Paulo [S. Paulo], como Lenine, são modelos revolucionários para Alain Badiou, na medida do seu específico «materialismo»: Lenine através de uma nova sociedade que não pré-existe à revolução, Paulo através do ensinamento de que o sujeito cristão não pré-existe ao que ele próprio, sujeito, declara e prescreve. Deste modo: «1 / O sujeito cristão não pré-existe ao acontecimento que ele próprio declara (Ressurreição de Cristo).”

2) Da nota de rodapé 101: “Kierkegaard, La reprise, p.166 – Constantius, Kierkegaard, que de si dizia que pertencia à ideia, e que quando a ideia o chamava, abandonava tudo, escreveu: ´viva a descolagem do pensamento, viva o perigo de morte ao serviço da ideia, viva o perigo do combate, viva a jubilação solene da vitória, viva a dança no turbilhão do infinito (…)”


IV

Li primeiro A Divina Comédia e só depois A Montanha Mágica e sublinhei nos dois o nome Brunneto Lattini, mas só em Mann li que ele escreveu “um livro sobre as virtudes e os vícios” e que “fora ele o primeiro a esmerilar a cultura dos florentinos e a ensinar-lhes a oratória bem como a arte de dirigir a sua República conforme as regras da política.”

Hans Castorp e o primo Joachim ouviam, num dos seus primeiros excursos, Settembrini: “havia dois princípios que disputavam a posse do mundo: a Força e o Direito, a Tirania e a Liberdade, a Superstição e a Ciência, o princípio da conservação e o do movimento: o Progresso. Podia chamar-se a um o princípio asiático e ao outro o europeu, visto ser a Europa a terra da rebelião, da crítica e da actividade transformadora, ao passo que o continente oriental encarnava a imobilidade, o repouso.”

E mais à frente: “E também deveriam ter ouvido Carducci a interpretar Dante: celebrara-o como cidadão de uma metrópole que defendia contra a ascese e a negação do mundo a força activa que revoluciona e melhora o mundo. Porque, não era a sombra enfermiça e mística de Beatriz que o poeta honrava sob o nome de «donna gentile e pietosa»; pelo contrário, designava assim a sua esposa que no poema representava o princípio do conhecimento das coisas deste Mundo e da actividade da Vida… (…) Porque a Literatura não era outra coisa senão isso: a associação de humanismo e da política, associação que se realizava tanto mais facilmente quanto o próprio Humanismo era política e a política significa humanismo (…) – Aí está! –E passou a falar do «verbo», do culto do verbo, da eloquência, que qualificou de triunfo da Humanidade. Porque a palavra era a honra dos homens, e só ela tornava digna a vida do Homem. Não somente o humanismo mas também a Humanidade em geral, toda a dignidade humana, todo o respeito pelos homens e toda a estima do homem por si mesmo, tudo isso era inseparável da palavra, estava ligado à Literatura.”


V

Por que é que os textos são excelentes?

posted by luis Terça-feira, Outubro 18, 2011


Da Democracia (2)


As Histórias de Heródoto foram compostas e divulgadas durante a Guerra do Peloponeso (431-404 a.C), como nos diz a nota de rodapé número 219 do volume ___.

As Histórias de Heródoto são um monumento fascinante, um dos momentos da mais alta criação do Homem.

Quando nas aulas tenho de estudar com os alunos o século V a.C. ateniense, e, em particular, a Democracia, nunca o fiz indo muito mais atrás no tempo, ao ainda antes de Clístenes, ou indo mesmo mais ao lado, geograficamente falando. Olhamos, sim, através de e para um friso cronológico onde situamos no tempo o tempo da Monarquia e da Tirania. Mas não costumava ir mais ao lado.

Aliás, quando se chega à Democracia ateniense, ao apogeu ateniense do século V a.C., e se pede aos alunos que reflitam sobre as suas caraterísticas o mais normal, ainda que alertados para isso, é olharem para lá, para as limitações, com os olhos que temos hoje. Os manuais assim os induzem também. É por isso que é preciso dizer para lá escreverem um a ou duas notas. Colar umas páginas manuscritas entre aquelas também não é má ideia. Rasgar, poesia.

E a nota principal, gostei de ler a crónica de Pacheco Pereira aqui há uns dias, que procuro transmitir é a seguinte: no seguimento dos estudos que eles estão a fazer qual foi o sistema político que estudaram antes da democracia ateniense? Como se caraterizava? Então, quando falamos em limitações...

E depois, refrescando, quantos anos passaram do século V a.C. até ao século XX?

posted by luis Terça-feira, Outubro 18, 2011

Segunda-feira, Outubro 17, 2011




"Dear Tom Waits Fan,

You are invited to be one of the first people to listen to the new Tom Waits record, Bad As Me. Go to BadAsMe.com and enter the following unique code, you will only be able to preview the record until this Friday.

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Bad As Me will be available for sale everywhere beginning Monday, October 24th.

Thank you from ANTI-"

posted by luis Segunda-feira, Outubro 17, 2011

Sábado, Outubro 15, 2011

as medidas que o primeiro ministro da república de portugalinho anunciou ao país são de uma pouca vergonha indescritível e de uma violência avassaladora

não disse por exemplo que as empresas vão ter de passar a dividir com os trabalhadores uma percentagem do lucro que obtêm, como em França, por exemplo

não, não disse; disse que vão ter de trabalhar mais meia hora por dia

e disse também que 1000 euros não dão o direito e o dever de sair de casa nas férias nem a inspirar e a expirar melhor duas vezes por ano

não sei como é que se pode continuar a ser político (e a gravitar em torno de) hoje em portugalinho, não sei como insistem em continuar a aparecer e a falar enquanto tais, que pouca vergonha, mas que porca miséria

o "o que é que eu ganho com isso", o "força, força, que o que é preciso é fazer alguma coisa" + a parolice genética do "eu é que sou o presidente da junta" dá nisto; ora, é preciso deixar de fazer festa à volta disto

mas pelo que se vê, estamos mal; os interesseiros estão à frente de quase todos os setores ou à porta, vê-se a transpiração; e um país que tolera associações secretas, como a democracia de portugalinho, está à espera do quê?

ouçamos um Mestre, José Mattoso:




pois, não conseguimos ouvir mais, só hoje e agora dei por isso, mais uma vez este vídeo tem problemas, de uma das vezes assaltaram-me o canal de vídeos e apagaram-me este e tantos outros, hoje dou por ela que este vídeo é interrompido, sem explicações, aos 38 segundos num total de 5 minutos e quarenta e seis segundos. E ainda faltava dizer tanto muito.

Mas como transcrevi um excerto do que foi dito, por o considerar muito importante, aqui ficam as palavras, sublinhados meus:


“O conceito de fraternidade proposto pelos revolucionários de 89 inspirava-se, de facto, consciente ou inconscientemente, no modelo monástico e religioso da Idade Média Ocidental. A sua origem é, portanto, profundamente cristã. Não apela para a fraternidade de irmãos de sangue mas entre irmãos de crença.

Mas a vida monástica não é, evidentemente, uma solução para a organização da sociedade, mas apenas um sinal, um símbolo que promete transfiguração da fraternidade humana em fraternidade divina.

Todavia, ao contrário do que acontecia na vida monástica e religiosa, e muito menos nas confrarias, seria impensável considerar a fraternidade revolucionária como um ideal que processe a diminuição do indivíduo na comunidade. As regras monásticas criaram práticas tendentes a suprimir a vontade própria e a sacrificá-la ao Bem Comum.

A evolução da cultura ocidental depois da Idade Média, todavia, não foi nesse sentido. Pelo contrário, valorizou cada vez mais a autonomia individual na criação intelectual e artística, no desenvolvimento da personalidade, na responsabilidade pessoal, na iniciativa da acção.

A fraternidade revolucionária é temperada pela liberdade. Concebe a formação e o desenvolvimento da sociedade como resultado da associação harmónica de esforços voluntários individuais.

Aparentemente esta ____ já não espelha de uma maneira tão evidente a origem cristã. Em si mesma, porém, não só não contradiz mas constitui uma forma mais perfeita da realização. Uma vez que Jesus Cristo aceita entre os seus discípulos não só homens mas também mulheres, não só adultos mas também crianças, não só pessoas sãs mas também cegos, estropiados e leprosos, não só judeus vulgares mas também levitas e sacerdotes do templo, não só fariseus e cumpridores da lei também mas também publicanos e soldados romanos, e se entre os seus discípulos havia temperamentos tão diferentes como os de Pedro e de João deve-se concluir: que a imitação de Cristo exige a edificação do Bem Comum, exige a conciliação da edificação do Bem Comum com a realização pessoal.

A realização pessoal implica a liberdade para com todas as leis do mundo. Por isso diz S. Paulo aos Gálatas, que foi para a liberdade que Cristo nos libertou.
Se o ideal monástico medieval não põe em evidência o indivíduo mas a comunidade, é em Jesus Cristo que tem de se procurar a valorização na convivência fraterna, como apoio e estímulo à realização pessoal.

[…]

Contudo, a fraternidade em que falam os liberais pode ter uma inspiração diferente e ao mesmo tempo muito mais precisa. Na mente dos seus ideólogos tinha sem dúvida como modelo oculto a fraternidade maçónica. Para alguns dos seus principais fautores significada a ajuda mútua na prossecução de um modelo de sociedade organizada em função da implantação do progresso universal, como era concebido nesse período.

Este objectivo devia ser alcançado com o concurso e sob a orientação de uma elite esclarecida. A sua eficácia baseava-se na coordenação de esforços de indivíduos escolhidos a dedo, no compromisso da ajuda mútua, tanto para garantir o sucesso pessoal de cada um deles como para suprimir os obstáculos à realização da humanidade por meio do progresso.

Se teoricamente não existe contradição entre fraternidade maçónica e fraternidade cristã, também não se pode negar em muitos casos concretos que o que prevalece é a oposição. Assim acontece nas lojas que continuam o ateísmo e cujos membros se associam para beneficiar da troca de favores pessoais.

O carácter secreto da fraternidade maçónica, em si mesma, também não é incompatível com o ideal cristão, mas a ocultação das pessoas e dos meios de acção favorece a ambição pessoal e a conquista do poder económico e político por meio de processos ilícitos.

A sabedoria cristã não acusa a fraternidade maçónica como tal mas também não pode deixar de apontar os riscos, a perda dos critérios morais quando o objectivo é favorecer um grupo secreto e excluir os seus concorrentes.
"


NOVO (acrescentado horas mais tarde): aqui fica, então o vídeo:


posted by luis Sábado, Outubro 15, 2011

Sexta-feira, Outubro 14, 2011


Da Democracia (1)

Nos últimos dias de agosto deste ano no sítio onde estava e de janelas abertas, estirado no sofá, vi em poucos minutos o dia ganhar duas cores diferentes. Era ao fim da tarde, de um lado um arco-íris e do outro a cor que esta fotografia mostra. Não uso o photoshop, a fotografia saiu assim da formatação em automático.
Foi em Terrence Malick que pensei, é a ele que é dedicada.
É esta fotografia que vai aparecer nos próximos dias nos posts intitulados da democracia.

E como este é o primeiro, quero começar com a referência a uma cena do filme Young Mr. Lincoln, John Ford, 1939, vendido por esses quiosques fora a 1 euro, e a 1,95 euros, avancemos então.

A cena é aquela em que Abraham Lincoln participa em algumas das actividades organizadas para festejar o 4 de julho: Concurso de tartes, onde entre a maça e a pêra tenta escolher a melhor, sem o conseguir, Concurso de Rachar Tronco, e o Campeonato de puxar a corda. Ora, neste jogo o grupo que Lincoln integra está quase a perder e a estatelar-se na lama, mas ele, astuto, estando na ponta da corda viu mesmo ao seu lado uma carroça de cavalos e não hesitando um segundo prendeu lá a corda e estimulou os cavalos a avançarem, dando-lhes assim a vitória.

Ninguém protestou, quase todos bateram palmas e quase todos entenderam e respeitaram a graça de Lincoln, que ajudou a sua equipa os, Speed County Demons, a derrotar os até ali imbatíveis Hog Wallow Boys.

Durante a contenda, quase todos os que assistiam gritavam: Enterrem os tacões! Enterrem os tacões!

posted by luis Sexta-feira, Outubro 14, 2011

Quinta-feira, Outubro 13, 2011

Quem olhos tem, veja o que a salta à vista


A mediocridade que influencia o espaço público e que acaba por o definir e caracterizar está e estará garantido por muitos e muitos anos, por aqueles que agora já são medíocres mas que ainda e já acusam outros de o serem

É incrível a falta de alguma visão e ainda mais incrível a falta de visão para eleger escolher selecionar garantir um conjunto de setores que independentemente deste ou daquele aspeto seja respeitado e mantido e claro criticado, a longo prazo; já se vai perceber, em dois ou três exemplos apenas

Comecemos por um editorial do jornal público de um destes dias: a respeito de possíveis alterações ou mudanças na organização do poder autárquico, finaliza assim o público: "Só quem não conhece o país real pode ficar descansado com este incentivo à propensão de muitos autarcas para o caciquismo, o nepotismo e para o aprisionamento da vida comunitária". É tudo verdade, direi mesmo: é mesmo assim que já se passa. Só quem não conhece é que não escreve assim também para e sobre outros setores, e são tantos.

Por exemplo, o actual ministro da educação não percebe, desconhece mesmo, o estado mental do país (um pesadelo bem pesado), de como se exerce o poder nas instituições que tutela, e por isso mesmo fala em mais autonomia para as escolas (desde concursos e assim) e para câmaras municipais um poder de organização e de seleção de prioridades no ambito da educação. "Só quem não conhece o país real pode ficar descansado com este incentivo à propensão de muitos autarcas para o caciquismo, o nepotismo e para o aprisionamento da vida comunitária".

E por exemplo, o parolo do Secretário de Estado da Cultura veio um destes dias dizer que ele e o governo de que faz parte vão valorizar os resultados das bilheteiras nos cinemas e nos teatros. E viram e leram assim muitas bocas a estas palermices? Não, pois não, claro que não. Calados que nem ratos, quando é preciso encontrar um homem, o silêncio é aterrador, escreve Musset.
Passados três meses de ter chegado à blogosfera este agora secretário de estado da cultura já dizia e definia quem era quem e já fazia a lista dos clássicos.
Por que é que não se ouviram críticas contundentes sobre o que ele disse acerca dos resultados das bilheteiras nos jornais diários e semanários?
Porque o número de parolos por km2 que há cá é mais do que muito; a pergunta clássica é: "e o que é que eu ganho com isso?" Badamerda.

Outro exemplo do jornal público, de um dos seus cronistas, Rui Tavares, que até há bem pouco tempo assinava como historiador: depois de passar quase os últimos seis anos, que para a população portuguesa foram a cavar ainda mais o buraco onde já estávamos, a escrever muito pouco, muito pouco sobre o executivo governamental anterior este cronista reparou agora, desde há algumas semanas, que era preciso estar mais atento e vigilante: repare-se: crónica de dia 26/9: "É tempo de os jornais, rádios e televisões fazerem o seu papel de informar a população, representar a sociedade civil e responsabilizar os governantes".

Palmas + palmas (agora de pé) + palmas

É tempo? Não, Rui Tavares, não. É sempre tempo e foi sempre tempo e será ainda sempre tempo. Ganhe um pouco de vergonha na cara, que lhe fará e dará muito jeito. Mas ca puta de lata.

Mais mediocridade que assegurará o que já somos e que ainda mais tempo seremos:

- Vasco Pulido Valente, numa das suas últimas crónicas, numa sexta-feira, elogiou Medina Carreira: a capacidade análise e de conseguir ver antes, de estar atento e vigilante. Ora, Medina Carreira tem sido alvo das mais variadas patetices por parte de cronistas portugueses (claro que podem, claro que podem) inclusivé por ser uma pessoas mais lúcida do que as outras e de vir dizê-lo publicamente; um cronista houve (Pedro Mexia) que há uns meses disse no jornal público que Medina Carreira era uma das piores coisas que havia no país por aqueles dias, no auge do socratismo e amigos. Hoje é cronista do semanário expresso, onde aproveita para escrever muitas coisas medonhas;

- ainda no semanário expresso (aquilo é um circo, que se fosse de categoria B seria excelente) temos o cronista Henrique Raposo (fiquem atentos que um dia ele mudará a História de Portugal e arredores e hoje já detem muita influência sobre aquilo que as pessoas e os indivíduos pensam e refletem em geral, por favor acompanhem-no de perto) que, enfim, na última edição decidiu escrever sobre o filme Gran Torino: "Como existe gente distraída (e herege), não irei contar o final (...) Ser um clássico é isso mesmo: contar uma história sem formalismos ocos. Caríssimos cinéfilos distraídos, aproveitem a deixa do Expresso e vejam o filme, por favor. E tenham lenços à mão";

- no mesmo saco mas na Revista Única, página 39 à guisa de Raposo, Mexia (assim sem vergonha nenhuma também na cara, chamou um destes dias crítico feroz a João Pedro George), Tavares e outros tantos: "Na banheira: foram necessários 45 minutos e um tapete antiderrapante para obter o retrato ideal. São José Lapa aguentou com profissionalismo dentro de água, apesar de sentir calor e ter de ser borrifada várias vezes";

- ainda no mesmo saco e também na mesma revista, página 10: a crónica vitalícia de Clara Ferreira Alves: Para acabar de vez com a cultura: sem palavras, dá dó;

- sobre o zé coordenador do espaço livros do mesmo semanário, é o que não pode deixar de ser, é assim;

Portanto, é muito mau (segundo eles é tudo inveja, como não podia deixar de ser), não é? sim, sobre os dias metuendos

Gonçalo Tavares: "Em suma, exclamar, por exemplo:
- Estamos a passar uns dias metuendos! --não melhora os dias, mas torna mais requintada a nossa frase sobre os dias. E a elegância, mesmo em tempos metuendos, é qualidade que não deve ser ignorada."

posted by luis Quinta-feira, Outubro 13, 2011

Quarta-feira, Outubro 12, 2011



LMD, para Terrence Malick pensei, e sem photoshop, agosto de 2011

posted by luis Quarta-feira, Outubro 12, 2011

Terça-feira, Outubro 11, 2011

Pablo Aimar riu-se e sorriu muito durante o último jogo de futebol entre a equipa mais representativa da cidade do Porto e o SL Benfica

e não podia deixar de o fazer

poder podia mas acabava expulso e assim ao menos riu-se para o árbitro e do árbitro

Aimar é o futebol no seu lado melhor (em Portugal só há futebol no seu lado pior, uma merda, portanto, nem se sabe como é possível, assim a céu aberto)

e ainda bem que se riu, foi bonito de ver, teve muitos motivos para isso

a arbitragem e os revisionistas em directo mais quem filma o jogo e assim são, na verdade, anedotas ambulantes

muito pior do que o cada tiro cada melro, como é que aquela gente conseguirá dormir?

o árbitro e ajudantes fizeram uma péssima arbitragem, já se sabe que não houve casos gritantes, eheheh, isso já não existe, só há quando é contra o baixa da banheira

foi de morrer a rir

acho que nem o barcelona consegue fazer só 9 faltas, eheheheh, num jogo de futebol e ainda mais num clássico, pareceu mesmo a época em que Bruno Alves só viu cartões amarelos nas últimas duas ou três jornadas ou naquela época em que o Benfica teve o melhor ataque e a melhor defesa até à última jornada e acabou a vinte ou mais pontos dos da cidade do Porto

Aimar é futebol, mas não é do tempo deste sítio

posted by luis Terça-feira, Outubro 11, 2011

Segunda-feira, Outubro 10, 2011

na sexta-feira 9 de setembro tive a oportunidade de assistir, no Teatro da Cornucópia, à apresentação, pela editora Presente, das gravações onde Luís Miguel Cintra lê textos de Camões, do Padre António Vieira e do apóstolo São João

ao ler e ao ficar a sber no p2 desse dia que podia ir tive muita sorte

gravei alguns momentos, fica aqui uma parte da introdução e o vídeo onde José Tolentino Mendonça diz




posted by luis Segunda-feira, Outubro 10, 2011

Domingo, Outubro 09, 2011

"«Ma vie.» Quand je pense à ces mots, je vois devant moi un rayon de lumière. Et, à y regarder de plus près, je remarque que cette lumière a la forme d`une comète et que celle-ci est pourvue d`une tête et d`une queue."

Começa assim Les Souvenirs m`observent, de Tomas Tranströmer, original de 1993 e traduzido para o francês, Le Castor Astral, em 2004. É um belo título, tal como Ce que nous voyons, Ce qui nous regarde (1992)(Dafne: O que nós vemos, O que nos olha, 2011) de Georges Didi-Huberman.

Escreve no posfácio Jacques Outin, responsável também pela tradução: "Les Souvenirs m`obserbent s`achève à la parution des premiers poèmes dans le journal du collège de Söder en 1948, avec une évocation hâtive du recueil 17 poèmes, qui sera édité en 1954.

[...]

Le manuscrit des Souvenirs m´observent, rédigé durant les années 1980, était á l`origine dédié aux deux filles de l`auteur.

[...]

Ce n´est qu`après de nombreuses hésitations que Tranströmer accepta que soit publié cet unique ouvrage en prose, qui représent pour le lecteur un véritable sésame de l´oeuvre poétique. Édité en 1993, il fut jusqu`à ce jour traduit en une dizaine de langues européennes.

[...]

Sa poésie trouva peu à peu une source d´inspiration dans des situations concrètes, voire quotidiennes. Et, comme il le constata lui même, bien des années plus tard: «En fait, je n`invente jamais rien. Et je ne mens jamais à propos de l`invironnement du poème.»"


Fica aqui o capítulo Bibliothèques, bom domingo; para ler, clica em cima.










posted by luis Domingo, Outubro 09, 2011

Sábado, Outubro 08, 2011


posted by luis Sábado, Outubro 08, 2011

Sexta-feira, Outubro 07, 2011

duas ou três notas sobre o que li nestes dias dos maravilhosos Artistas Unidos


1. Musset - Carl Theodor Dreyer (Hjalmar Söderberg)


Alfred de Musset, Não se brinca com o amor


PERDICAN Somos muitas vezes traídos no amor, muitas vezes magoados e muitas vezes infelizes; mas amamos, e quando chegamos à beira da cova, voltamo-nos para olhar para trás, e pensamos: Sofri muitas vezes, enganei-me algumas vezes, mas amei.



Carl Dreyer, Gertrud

Look at me a little.
Am I beautiful?
No.
But I have loved.

Look at me a little.
Am I young?
No.
But I have loved.

Look at me a little.
Am I alive?
No.
But I have loved.






2. no site dos artistas unidos, sobre HERODIADES de Giovanni Testori:

"Testori, o autor das novelas que deram origem ao Rocco de Visconti"

i)quando há uns tempos atrás li José e seus irmãos de Thomas Mann e pouco depois vi Rocco e os seus irmãos de Visconti e que coincidiu com a edição do belo catálogo Visconti violência e paixão (Porto, 2001) onde tive a oportunidade de ler alguns textos

ii) nesses e noutros textos li quase sempre sobre a proximidade de Visconti a Mann, e não falo do óbvio A Morte em Veneza

p.168 do catálogo citado: "Noutra fase da vida, e noutras entrevistas, citou outros nomes. Em 1971, disse ao Il Mondo: ´Eu próprio pertenço ao tempo de Thomas Mann, de Proust e de Mahler. Nasci em 1906 e o mundo que me cercava --artístico, literário e musical-- era esse mundo."

Mais abaixo na mesma página, e estamos a ler João Bénard da Costa: "De Thomas Mann adaptou para bailado Mario und der Zauberer e para o cinema A Morte em Veneza. Joseph und sein Brüder foi uma das matrizes de Rocco e até ao fim da vida sonhou a daptar A Montanha Mágica."

E na página anterior: "Como, depois de Senso, não lhe pareceu contraditório fundir Verga e Thomas Mann, Dostoiévski e Rocco Scotellaro em Rocco e suoi fratelli, talvez a mais lancinante e desesperada tentativa de conciliar um fresco à glória do proletariado com as referências culturais mais sofisticadas."

Página: 167: "No mesmo ano de 1960 --o ano de Rocco-- Visconti protagonizou o escândalo da sua encenação de L`Arialda de Testori (proibida por obscenidade..."

Na página 156, Lino Micciché: "Dos restantes doze filmes, há que distinguir aqueles que envolvem mais de um texto literário e aqueles que envolvem um único texto. Os primeiros, sempre por ordem cronológica, são: Rocco e os Seus Irmãos (Testori, Dostoiévski, Mann, Miller)..."

Na página 173, Carlos de Ponte Leça: "Em parte sob a influência da estética realista de Do alto da ponte de Arthur Miller, que entretanto encenara com grande êxito, Visconti realiza em 1960 Rocco e os seus irmãos, com base num romance de Giovanni Testori. Conforme afirmou o realizador, trata-se de uma espécie de segundo episódio de A terra treme: uma obra igualmente empenhada na problemática social italiana contemporânea, e também matizada por uma visão tributária do materialismo dialéctico.
Desta vez, através da história de uma família emigrada da Lucânia para Milão, Visconti debruça-se sobre a contraposição entre a sociedade agrária subdesenvolvida do Sul e a sociedade industrial corrompida do Norte, sobre o problema da emigração interna e da exploração da força do trabalho do homem, sobre a destruição do mito da grande cidade."

Na página 197, Manuel Cintra Ferreira: Para Rocco e suoi fratelli, Visconti parte Il ponte della ghisolfa uma recolha de contos de G Testori, mas é de novo Dostoievski que parece marcar o percurso do filme com o personagem Rocco evocando, como já foi apontado, o príncipe Mouschkine, personagem central de O Idiota, com a mesma tendência sublime para o sacrifício. Mas representa também a influência que Gramsci exerceu sobre Visconti. Foi o próprio realizador que esclareceu."

Da página 79, Lino Micciché: "Ao mesmo tempo, o denso entrecruzar de figuras, personagens, histórias, psicologias (e são particularmente cuidadas as de Rocco, Simone, Nadia e a da mãe; mais superciais, e às vezes pouco mais que esquemáticas, as de Vincenzo, Ciro, Ginetta e, obviamente, do pequeno Luca) põe em evidência --mesmo do ponto de vista estrutural-- ambições romanescas, mais atentas à solidez do modelo de Mann (José e os irmãos) que ao ritmo da prosa de Testori sobre os bairros populares de Milão (Il ponte della Ghisolfa)."





3. Em The Cambridge Companion to Thomas Mann, edited by Ritchie Robertson, no ensaio Religion and culture: Joseph and his Brothers, Wolf-Daniel Hartwich escreve, excerto: "While this monumental work was emerging, the Weimer Republic collapsed, the Nazis came to power, and Mann wento to exile and emigrated to the USA, where he struggled to find a political attitude towards Germany (...) Only very recently have schollars sought to treat Mann´s Egypt as a reflection of his own historical experiences. The themes drawn from the history of religion now appear as a response to the political and intelectuall situation that was defined by the growth of Germann fascism."

Quase mesmo a terminar, Anatol Rosenfeld em Thomas Mann, editora perspectiva, 1994, escreve, excerto: Depois de ter abandonado em 1933 a Alemanha, passou cinco anos na Suiça, radicando-se por fim nos Estados Unidos (1938-1952), onde se naturalizou e colaborou intensamente no combate aos fascismo, muito solicitado por círculos exponenciais e estreitamente ligado a Roosevelt, a cujo New Deal ergueu um monumento no último volume de José e seus irmaõs (José, o Provedor)."


4. Donde, os artistas unidos são maravilhosamente lúcidos.

posted by luis Sexta-feira, Outubro 07, 2011

Quarta-feira, Outubro 05, 2011


posted by luis Quarta-feira, Outubro 05, 2011

Domingo, Outubro 02, 2011


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Destaques: Tomas Tranströmer e de Kooning
e Brancusi-Serra e Tom Waits e Ruy Belo e
Andrei Tarkovski e What Heaven Looks Like: Part 1
e What Heaven Looks Like: Part 2
e Enda Walsh e Jean Genet e Frank Gehry's first skyscraper e Radiohead and Massive Attack play at Occupy London Christmas party - video e What Heaven Looks Like: Part 3 e
And I love Life and fear not Death—Because I’ve lived—But never as now—these days! Good Night—I’m with you. e
What Heaven Looks Like: Part 4 e Krapp's Last Tape (2006) A rare chance to see the sell out performance of Samuel Beckett's critically acclaimed play, starring Nobel Laureate Harold Pinter via entrada como last tapes outrora dias felizes e agora MALONE meurt________

São horas, Senhor. O Verão alongou-se muito.
Pousa sobre os relógios de sol as tuas sombras
E larga os ventos por sobre as campinas.


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