faz hoje oito dias tive a oportunidade de ir ouvir e ver Vítor Silva Tavares, Casa da Achada, Centro Mário Dionísio, onde me receberam muitíssimo bem, obrigado mais uma vez e parabéns
mais uma vez, foi um privilégio muito grande poder ver ouvir e gravar uma das pessoas que mais avidamente procuro ler e ouvir sempre que tal é possível, nos jornais e assim. muito obrigado também pela simpatia disponibilidade inteligência provocação
e assim aqui ficam as palavras de Vítor Silva Tavares que no âmbito dos livros das nossas vidas falou, deliciosamente, de Patricia Highsmith
posted by Luís Miguel Dias sexta-feira, agosto 12, 2011
quarta-feira, agosto 10, 2011
11/11
11. Vai e Vem, 2002
no dvd, sobre a obra de JCM, o testemunho de Vítor Silva Tavares
excerto de O Maior Sonho, João Nicolau
excerto de O Belo que Dói, João Mário Grilo
excerto de Um Dado Trágico (João César Monteiro), Victor Erice
5. Recordações da Casa Amarela, 1989 + Conserva Acabada
excerto do testemunho de Gérard Castello-Lopes: "eu acho que ele tinha uma ética, e que essa ética só transpareceu a partir de uma determinada altura e que é a altura é essa grande cesura, para mim, na vida do César, que é as Recordações da Casa Amarela.
[...]
Se eu me considero um anarquista já pode imaginar que a vida para mim não tem sentido, o nascer não tem sentido, o crescer não tem sentido, o amar in limine não tem sentido, e o morrer ainda menos. Portanto, tentando ser coerente comigo próprio a minha ideia de sublime, aquilo que dá, fugazmente e artificialmente, um sentido à minha vida é por exemplo ver A Comédia de Deus. Isso dá um sentido à minha vida. Há a percepção de uma realidade e a percepção da incomensurabilidade dessa realidade, voilá."
excerto do testemunho de Fernando Lopes: "Em 70 e tal, 77, volto à televisão como director do segundo canal, e como director do segundo canal tinha a possibilidade de encomendar obras a pessoas, e que sabendo eu que o César era um grande admirador do Carlos de Oliveira, que era também meu grande amigo, entretanto já tinha feito A Abelha na Chuva, juntavamo-nos muitas vezes no Toni dos Bifes e o Carlos de Oliveira insistia muito por que é que nós não fazíamos alguns dos contos tradicionais portugueses, que ele próprio tinha compilado e coligido com o José Gomes Ferreira. Eu nunca peguei na ideia mas percebi logo que aquilo era uma ideia que dava bem para o João César. E quando eu fui para o segundo canal encomendei três filmes de meia hora cada um. Há um deles que eu acho que é uma obra-prima, que é O Amor das Três Romãs, e que por sua vez, o conjunto dos três filmes veio, implicitamente, fazer com que ele chegasse ao Silvestre, que é um dos primeiros filmes do César em que a gente começa a ver alguma coisa do César que mais tarde veio a revelar-se em todo o seu esplendor nas Recordações da Casa Amarela.
Acho que ele é um caso absolutamente singular na história do cinema, não é do cinema português, é do cinema e que tão cedo não vamos ter, outro assim...
[...]
Há uma coisa absolutamente singular no cinema do João que é facto do João ser ele próprio não o actor do filme mas ele dá-se em pelno dentro do filme, o que obviamente lhe deve ter criado alguns problemas ao longo dos filmes, fortes problemas. Depois, eu não queria utilizar a palavra actor para o João porque acho que ele não merece essa palavra actor para ele porque ele merece mais do que isso. É quase que... como se ele fosse uma mistura de Tati e de Buster Keaton simultaneamente mas em... a gente está sempre a ver quando e que ele vai levantar voo, ou quando é que ele vai desaparecer..."
excerto de César Monteiro: Depois de Deus, João Bénard da Costa:
+ curta-metragem: Conserva Acabada
excerto de A Arte Mágica, Fernando Cabral Martins:
excerto da "Entrevista com João Cesar Monteiro por Adelino Tavares da Silva":
o testemunho de Margarida Gil é notável, na sua inteireza, concisão e abrangência e também no que prefere não dizer.
excerto do testemunho de Teresa Villaverde: "percebi que, quer dizer, que dentro da dureza que é às vezes fazer um filme tem que ser também um prazer e tem que ser e há momentos em que os autores têm que sentir que as imagens são sagradas, as que estão ali a fazer, e por exemplo, o João César, era, realmente, pronto, toda a gente está com certeza de acordo, um autor, quer dizer, o que ele fez mais niguém poderia ter feito nem mais ninguém fará nada parecido. E, portanto, e eu acho que isso é muito importante ver e para uma pessoa muito nova como eu era na altura, quer dizer, era, acho que foi um privilégio ver isso, ver uma pessoa que faz aquilo que quer fazer e que acha na altura que é importante fazer e que é importante fazer daquela maneira. E, quer dizer, acho que o João César nunca seria capaz de fazer uma coisa banal, uma coisa que não, pronto, que não fosse aquela coisa que ele queria fazer, e depois pronto, como era uma pessoa riquíssima interiormente e inteligentíssima claro que se for fazer uma coisa que ele quer fazer pois só pode ser uma coisa riquíssima e inteligentíssima e fascinante, isso, pois, nem toda a gente pode ter nem o talento nem a inteligência do João César Monteiro, não é? Mas pronto tivemos sorte de, pronto, ele ter e fazer as coisas...
Grande liberdade, enorme inteligência e uma força descomunal, é o que eu retenho, e ao memso tempo, no meio desta força, desta liberdade, e às vezes uma certa loucura, uma coisa que eu espero que as pessoas nunca esqueçam: uma enorme delicadeza e momentos de uma poesia pura."
excerto do texto Os Filmes da Água, João Bénard da Costa:
excerto do testemunho de Maria Velho da Costa: "O João nunca era muito, como é que eu hei-de dizer, não havia grandes discursos sobre esta matéria, mas uma espécie de crença na pureza original do povo profundo, na riqueza das raízes populares e da relação das raízes populares da cultura com uma certa indiferenciação entre alta cultura e cultura rural autêntica.
São todos contos de fada arcaicos, também tem muito por dentro a noção do mal, e até do mal inexplicavel, do mal gratuito, puro mal. E muita violência. Inocente nesse sentido, em que é uma visão do mundo muito bruta, não é, como a das crianças é."
excerto do testemunho de Acácio de Almeida: "Eu julgo que o João César, à medida que ia fazendo os seus filmes, ia-se tornando cada vez mais austero, no quadro, na luz, com o mínimo possível ou artifício ou... gostava de tudo muito simples.
Escrevia muito bem, falava muito bem, mas que gostava de fazer durante a filmagem grandes dissertações sobre as coisas, não, gostava mesmo de um silêncio grande, de uma certa religiosidade e uma certa intimidade, cúmplice, que se escutasse, que estivéssemos todos com ele, e isso foi conseguido, nalguns filmes..."
excerto da "Entrevista com João Cesar Monteiro por Adelino Tavares da Silva":