A montanha mágica

Sexta-feira, Dezembro 31, 2010

Houve um tempo em que os livros de Teologia eram/são os poemas e os de teólogos, mas depois isso mudou, as teofanias vão chegando e alargando-se; e agora, também as edições-alfabeto, tenho aqui à minha frente Confissão, de Lev Tolstói, livro maior de 2010 editado em Portugal e assim.

Em momentos chave, em pelo menos dois ou três, da sua reflexão, o seguinte é só um desses, Tolstói diz "Naquele tempo, não reparei no... Não vi que... nem vi que... Não vi então o..." e isso ia-o fazendo chegar mais longe, "Não vi então o erro deste raciocínio e, graças a ele, tive a possibilidade de..." Graças ao erro, degrau mais degrau mais, ia tendo a possibilidade de destapar até.





Bom ano de 2011 e obrigado por continuarem a passar por cá.

(fotografias via telemóvel por LMD, Dezembro de 2010)

posted by luis Sexta-feira, Dezembro 31, 2010

Quarta-feira, Dezembro 29, 2010

.


pormenor de Cupid and Psyche, Antonio Canova, Itália, 1808
State Hermitage Museum

fotografia CPV, 2010

posted by luis Quarta-feira, Dezembro 29, 2010

Segunda-feira, Dezembro 27, 2010



Herberto Helder, A Faca não Corta o Fogo súmula & inédita, Assírio & Alvim, 2008.

fotografia via telemóvel por LMD, dezembro de 2010

posted by luis Segunda-feira, Dezembro 27, 2010

Domingo, Dezembro 26, 2010


posted by luis Domingo, Dezembro 26, 2010

Quinta-feira, Dezembro 23, 2010

Bom Natal



Lourdes Castro e Manuel Zimbro
Anjo de Berlim, 2010 (Atelier Berlin XII, 1978)
Impressão jacto de tinta HDR sobre papel 100% algodão
colado sobre "Dibond" 320x191cm

fotografia CPV


o relógio marcava para além de cansaços excessivos duas e tal da madrugada numa praça difícil mas viva depois da polícia ter perguntado por ali aquela hora mas sem sentir o perigo muitas pessoas de diferentes intenções pareciam o ar quente abafado e depois de arrancar de lá e de mais quinze minutos passados ao perguntar a um casal de namorados que se despediam ela em cima de uma vespa ele abraçado a ela de pés no chão que disseram que depois do campo novo era a segunda a direita eram só mais dez minutos e passado algum tempo a vespa de luz acesa voava até ao vidro e dizia segui-me que já digo onde é, acho que faltavam quase quinze minutos para as três da madrugada numa noite sufocante muitos e muitos km depois quase já


posted by luis Quinta-feira, Dezembro 23, 2010

Quarta-feira, Dezembro 22, 2010

caramba!


Quando ainda via televisão, agora só vejo Hill Street, e aqui e ali vou dar uma espreitadela aos ridículos reaccionários e parolos noticiários dos canais públicos de televisão, quando ainda via a certa altura apercebi-me que só os primeiros minutos dois ou três interessavam a quem fazia esta ou aquela entrevista esta ou aquela conversa esta ou aquela sei lá o quê, havia sempre pressa, há sempre muita pressa, desde que se inventou o relógio de pulso, e Jean-Luc Godard sobre a televisão também "-Usted ha desaparecido de los medios de comunicación. En los años ochenta era frecuente verlo en la televisión, hablando con la prensa.
-Sí, este tipo de cosas actualmente me disgustan. En esa época, yo creía en ello. No pensaba que pudiera cambiar nada pero sí que podía interesar a un público que quizá quería hacer las cosas de otra manera. Pero sólo les interesa durante tres minutos. Todavía hay cosas que me atraen de la televisión:".

Ainda não a li toda mas folhear já, só para dizer que a revista Coelacanto me impressionou muito, pela sua espessura, rara, dos poemas das conversas e dos textos naquelas folhas brancas. Branco. Preto. Vermelho.

Do editorial: "O primeiro número da revista é subordinado ao tema ´Culto`, entendido este, como forma de em círculos restritos e quase ´clandestinos`, obras e autores das várias áreas de criação (da poesia ao cinema, das artes plásticas ao ensaio e à prosa de ficção), tomarem um espaço central na sua fruição vivencial."

Enquanto ia lendo o que já li também foi chegando o Estilo "Bem, não aguentamos a desordem estuporada da vida".

Obrigado, caramba!


posted by luis Quarta-feira, Dezembro 22, 2010

Terça-feira, Dezembro 21, 2010



posted by luis Terça-feira, Dezembro 21, 2010

Segunda-feira, Dezembro 20, 2010



LMD, há muitos, muitos anos, Dezembro, 2010

posted by luis Segunda-feira, Dezembro 20, 2010

Sexta-feira, Dezembro 17, 2010

.


posted by luis Sexta-feira, Dezembro 17, 2010

Quarta-feira, Dezembro 15, 2010

num destes dias, não conhecendo ainda, fui dar a ManyBooks.netfree; advanced search







CERTAIN NOBLE PLAYS OF JAPAN:

FROM THE MANUSCRIPTS OF ERNEST FENOLLOSA,

CHOSEN AND FINISHED BY EZRA POUND,

WITH AN INTRODUCTION BY WILLIAM BUTLER YEATS


.


posted by luis Quarta-feira, Dezembro 15, 2010

Terça-feira, Dezembro 14, 2010

.



para ler, melhor, vai ter de clicar duas
vezes sobre a imagem, primeiro uma vez, e respira, e
depois uma segunda vez, inspira


posted by luis Terça-feira, Dezembro 14, 2010

Segunda-feira, Dezembro 13, 2010


posted by luis Segunda-feira, Dezembro 13, 2010

Quinta-feira, Dezembro 09, 2010

How to Look at Mondrian

James Elkins






"Our eyes are far too good for us. They show us so much that we can't take it all in, so we shut out most of the world, and try to look at things as briskly and efficiently as possible.

What happens if we stop, and take the time to look more carefully? Then the world unfolds like a flower, full of colors and shapes that we had never suspected.

What I have in mind is a series of lessons about how to use your eyes more concertedly, with more patience, than you might ordinarily do. It's about stopping, and taking the time to simply look, and keep looking, until the details of the world slowly reveal themselves. I especially love the strange feeling I get when I am staring at something, and suddenly I understand: the object has structure, it speaks to me. What was once a shimmer on the horizon becomes a specific kind of mirage, and it tells me about the shape of the air I am walking through. What was once a meaningless pattern on a moth's wing becomes a code, and it tells me how that moth looks to other moths. And paintings show me more each time I look; there is apparently no limit to what they can mean.

My opening example is Mondrian." ...


posted by luis Quinta-feira, Dezembro 09, 2010

Quarta-feira, Dezembro 08, 2010

das imagens mais fortes que podemos destacar do tempo que estamos a viver é sermos confrontados com uma imagem e até em repetição e alguém a dizer que o que nós estamos a ver não é o que estamos a ver mas antes sim sim outra coisa, repetidamente, é poderoso


Abstract Painting, 1963, Ad Reinhardt (American, 1913-1967)


Uma vez que sou cidadão português, dizer que não mereço o dom e a qualidade de ter Gonçalo M. Tavares a escrever em língua portuguesa, e a partilhar o mesmo tempo.
Sou dos que não merecem. O meu Jerusalém é uma sétima edição, lida há apenas meio ano e da sua obra apenas li ainda Uma Viagem à Índia e Matteo Perdeu o Emprego, que devorei. Aprender a rezar na Era da Técnica está ali, quase quase. Não mereço, outra vez, portanto. Sem lirismo. É mesmo assim.

Recebi um destes dias, na caixa do correio, umas fotocópias amarelecidas duma entrevista que Gonçalo Tavares deu à revista chamada, exageradamente, Ler. As perguntas do jornalista/conversador são naturalmente, e mais uma vez, más e dá para passar por cima delas, lendo só as respostas. Foi o que fiz numa segunda leitura.

Mas antes de lá ir fiquemos antes por aqui:

Sexta-feira, 26 de Novembro, Ípsilon, página 36, título da recensão A tabela periódica, autor Pedro Mexia:

"E cada texto nomeia, a bold, o protagonista do texto seguinte, incluindo um, chamado Nedermeyer, que nem chega a aparecer."

No livro, página 151: "A seu lado, por exemplo, Matteo tem um homem, Nedermeyer, que está a vender fotografias antigas da família.
Matteo disse que não tinha dinheiro, mas que se ele próprio fizesse negócio depois lhe compraria as fotografias.
- Há uma hora vi um atleta a ser atropelado --disse o homem, Nedermeyer. - Está a ser um dia muito longo. (Nedermeyer entretanto nada dissera -- ou por delicadeza ou por já não ter forças para protestar -- mas era evidente o mau cheiro que vinha do embrulho que estava aos pés de Matteo.)

[...]

Agora página 11: "No 3º andar, Nedermeyer vê tudo da janela do apartamento que acabara de esvaziar por completo, na véspera, de móveis e objectos. De costas para a janela, de joelhos, está uma prostituta que há muito baixara as calças do Sr. Nedermeyer. Este, no entanto, mesmo naquela situação, não deixou de ver tudo o que aconteceu na rua. E passado uma hora estará na feira a vender velhas fotografias do seu casamento, que levará num envelope."


Mexia, enfim; nem literal nem sem ser literal. É mau. É a vida. Mais vale cair em graça, com letra pequena.

Mas, depois, acho, piora ainda mais: Mexia, ibidem: "Que o ´não` de Kashine mostra que a verdade é aleatória, e que a insubmissão verbal pode ter consequências desvastadoras. Tavares está decerto consciente de que essa sua ´interpretação autêntica` é contestável, mas na verdade essa interpretação é apenas mais uma ligação."

Na página 166 "não que introduz o caos, de certa maneira, a maldade (...) bastando acrescentar o não, onde antes estava o sim, para dar início ao inferno, ao desassossego."; na página 192: "Pois o que vemos na história de Kashine é precisamente esta exactidão que explode, que provoca múltiplos efeitos, um não que perturba, que põe em causa, um não que não domina os seus efeitos.

Voltando lá: as entrevistas deste entrevistador, quer para a rádio, que agora às vezes sou obrigado a ouvir, pelo menos um ou dois minutos, quer as apenas escritas, são más por várias razões, são as perguntas e o tom das perguntas, o não encadeamento nas ideias e reflexões dos convidados, parece que há perguntas playlist ou perguntas teleponto e que fugir delas é o trapézio sem rede, fica-se exposto ao dizer não sei, nunca pensei, nunca reflecti, explique-me, não conheço, nunca vi, nunca me apercebi ou percebi, mas o que parece certo é que a falta de trapézio é muito pior. E depois é o que se vê e lê.

As páginas que aparecem numeradas com o número 36 e 37 são bem prova do que acabei de dizer, mas em pior ainda, porque revelam também a ausência, muitas conversas e entrevistas depois, de reflexão sobre aquilo que vê, lê e ouve. Então as perguntas que começam "«O Reino» talvez não explicite nomes de autores..." e "Se esse jogo intertextual e metaliterário for muito..." são ruinosas e o tralho é grande mas mostram, por outro lado, um Gonçalo M. Tavares de excelência.

Para terminar, na página 125 de A Literatura Nazi nas Américas, Roberto Bolaño, sobre Max Mirebalais, ou Max Kasimir, Max von Hauptmann, Max Le Guele, Jacques Artibonito:

"O êxito de Von Hauptmann foi imediato. Assim, enquanto Mirebalais passava os dias a tentar matar o aborrecimento que o seu trabalho na embaixada lhe causava ou se submetia a revisões médicas intermináveis, nalguns círculos literários parisienses começava a ser conhecido como o Pessoa bizarro das Caraíbas. Claro que ninguém se apercebeu (nem sequer os poetas plagiados, pois não será ilícito pressupor que algum deles terá lido os curiosos textos de Von Hauptmann) do engano."

O Pessoa bizarro das Caraíbas, esta nota apareceu em alguma das recensões que entretanto já foram publicadas em Portugal? Dá dó.

"and everything else is everything else.”


posted by luis Quarta-feira, Dezembro 08, 2010

Terça-feira, Dezembro 07, 2010

Aprender, transmitir


José Tolentino Mendonça
in Dnotícias.pt
05.12.10


"Comecei a visita ao Japão pelo chamado «Passeio dos Filósofos». É um longo caminho silencioso junto de um dos braços do rio, onde duas pessoas podem caminhar não apenas durante uma hora, mas durante uma vida. Em vez de "Passeio dos Filósofos" seria, talvez, mais correto designá-lo por caminho «dos Mestres», ou «do discípulo e do Mestre», se pensarmos que a cultura japonesa nunca enveredou pelos modelos especulativos da filosofia ocidental, mas se fixou na procura de uma sabedoria que é, antes de tudo, uma arte de ser e de viver.

Olhando deste caminho, que há centenas de anos pertence ao património da cidade de Quioto, para o nosso paradigma europeu, percebemos que as diferenças são tantas e todas dão que pensar. Nós fomos relegando as formas de aprendizagem para escolaridades várias (desde a pré-primária às pós-graduações) e rodeamos de um implacável silêncio a formação para a sabedoria. O nosso sistema hipervaloriza os aspetos técnicos e extingue as humanidades: é uma complexa máquina de transmitir saberes que se demitiu de ajudar cada um na tarefa de encontrar unidade, sentido e sabedoria. Aprendemos a olhar com grandes lentes os confins do universo, mas, não raro, perdemos a capacidade de olhar e compreender o que nos está mais próximo.

A pensar nisso, deixei-me, esta manhã, percorrer o «Passeio dos Filósofos», recordando duas histórias de mestres e discípulos, talvez ocorridas por aqui. A primeira: «Um jovem atravessou o Japão em busca da escola de um famoso praticante de artes marciais.

- O que pretendes de mim? - perguntou-lhe o mestre.

- Quero ser teu discípulo e tornar-me o melhor do país inteiro. Quanto tempo preciso de estudar?

- Dez anos, pelo menos.

- Dez anos é muito tempo, respondeu o rapaz. E se eu praticasse com o dobro da intensidade dos outros estudantes?

- Vinte anos.

- Vinte anos! E se eu praticar noite e dia, dedicando a isso todo o meu esforço?

- Trinta anos.

- Mas, se te digo que vou dedicar-me o dobro, respondes-me sempre que a duração será ainda maior?

- A resposta é simples. Quando um dos teus olhos está completamente fixo num ponto, só te resta um para olhares todas as outras coisas».

E a história seguinte era esta: «Um discípulo foi ter com o seu professor de meditação, cheio de tristeza, quase a desistir, e disse: "A minha prática de meditação é um fracasso! Ou me distraio completamente, ou as pernas me doem muito, ou me entrego ao sono".

"Isso passará" - disse o mestre suavemente.

Uma semana depois, o mesmo estudante voltou à presença do mestre, mas agora eufórico:

"A minha prática de meditação tornou-se maravilhosa! Sinto-me tão vigilante e tão pacificado. É simplesmente extraordinário.

"O mestre respondeu-lhe com a mesma tranquilidade: "Isso também passará."».

Não sei bem se a crise que hoje assola as escolas é uma crise que diga respeito só a elas. Em vez de crise de aprendizagem não deveríamos antes falar de crise de transmissão? Em vez de colocar o fardo do insucesso aos ombros da geração que principia, não deveríamos antes refletir sobre a qualidade e a validade daquilo que, como comunidade, nos dispomos a transmitir?"

posted by luis Terça-feira, Dezembro 07, 2010

Domingo, Dezembro 05, 2010



de dentro de Índio Branco, Le Clézio
LMD, sem título, Novembro de 2010,

posted by luis Domingo, Dezembro 05, 2010

Sexta-feira, Dezembro 03, 2010

Magistral



Jean-Luc Godard faz hoje 80 anos e o El Cultural também merece um abraço, e é tão bom quando chegamos idos das folhas de merda dos jornais portugueses a uma página assim sem contar quase sem procurar e. "-¡Al contrario, al contrario!"


"-Deberíamos darle las gracias a Grecia. Occidente es quien está en deuda con Grecia. La filosofía, la democracia, la tragedia... Siempre olvidamos las relaciones entre democracia y tragedia. Sin Sófocles, no hay Pericles. Y sin Pericles, no hay Sófocles. El mundo tecnológico en el que vivimos se lo debe todo a Grecia. ¿Quién inventó la lógica? Aristóteles. Si esto es así y si eso es asá, entonces aquello. Lógico. Este tipo de pensamiento es el que utilizan constantemente las fuerzas dominantes, asegurándose de que no haya ninguna contradicción, que todo quede siempre dentro de una misma lógica. Hannah Arendt tenía razón cuando dijo que la lógica conduce al totalitarismo. Así que todo el mundo le debe dinero a Grecia hoy en día. Podría reclamar millones de millones en concepto de derechos de autor al mundo contemporáneo y sería lógico dárselos. Sin dilación. También se acusa a los griegos de ser mentirosos... Esto me recuerda a un viejo silogismo que aprendí en la escuela: Epaminondas miente; ahora bien, todos los griegos mienten; así pues, Epaminondas es griego. No hemos avanzado mucho.



-¿Por qué prefiere utilizar imágenes de Varda para expresar la paz en Oriente Medio a rodar usted sus propias imágenes?
-Me pareció que la metáfora en la película de Agnès estaba muy bien.

-Pero ella no le dio ese significado...
-No, por supuesto. Soy yo quien lo construye recontextualizando esas imágenes. En ningún momento pensé en ser fiel a ese sentido original. Simplemente, esas imágenes me parecieron perfectas para lo que yo quería decir. Si los israelíes y los palestinos montaran un circo e hicieran un número de trapecio juntos, las cosas serían muy distintas en Oriente Medio. Estas imágenes muestran para mí un acuerdo perfecto, exactamente lo que yo quería expresar. Por tanto, cojo la imagen, ya que existe.


Yo creo que la película se debería haber beneficiado de la misma generosidad en la distribución que tuvo en la duración de su rodaje.

-¿Qué quiere decir exactamente?

-A mí me hubiera gustado que contratáramos a una pareja, a un chico y a una chica que estuvieran vinculados al cine, con ganas de mostrar cosas, el tipo de jóvenes que te encuentras en los pequeños festivales. Se las da un copia en DVD de la película y, luego, se les pide que asistan a un curso de paracaidismo. Entonces, señalamos al azar algunos puntos en el mapa de Francia y ellos se tiran en paracaídas a esos lugares. Su misión consistiría en proyectar la película en el lugar donde aterricen. En un café, en un hotel... tendrían que apañárselas como pudieran. El precio de la sesión podría ser 3 ó 4 euros, no más. Además, hubieran podido filmar su aventura y venderla después. Gracias a ellos, hubiéramos podido calibrar la reacción de la gente. Sólo después podríamos haber tomado la decisión de si valía la pena proyectar la película en salas normales. Pero no antes de haber llevado a cabo un estudio sobre la cuestión durante uno o dos años. Porque antes, el distribuidor no sabe qué es esta película ni a quién puede interesar.



Usted ha desaparecido de los medios de comunicación. En los años ochenta era frecuente verlo en la televisión, hablando con la prensa.

-Sí, este tipo de cosas actualmente me disgustan. En esa época, yo creía en ello. No pensaba que pudiera cambiar nada pero sí que podía interesar a un público que quizá quería hacer las cosas de otra manera. Pero sólo les interesa durante tres minutos. Todavía hay cosas que me atraen de la televisión: los programas de animales, los canales de Historia. También me gusta mucho Dr. House. Hay un herido, todo el mundo se arremolina en torno a él, los personajes se expresan con un vocabulario hipertécnico, me gusta. Pero me veo incapaz de ver dos capítulos seguidos.



-¿Por qué ha invitado a Patti Smith y al filósofo Alain Badiou a su película si después salen tan poco?

-Patti Smith estaba allí y la filmé. No veo por qué tendrían que salir más planos de ella que de, por ejemplo, una sirvienta.

-¿Y por qué le pidió que estuviera allí?

-Porque es una buena americana, alguien que encarna una cosa distinta al imperialismo.

-¿Y Alain Badiou?

-Quería citar un texto de la geometría de Husserl y quería que alguien elaborara algo propio a partir de allí. Y a Badiou esto le interesaba.


-¿Por qué lo filma en una sala vacía?

-Porque su conferencia no interesaba a los turistas del crucero. Anunciamos que habría una conferencia sobre Husserl y no apareció nadie. Cuando Badiou vio la sala vacía le gustó mucho. Dijo: “Finalmente voy a hablar ante Nadie”. Habría podido rodarlo de más de cerca y ocultar que la sala estaba vacía, pero era necesario mostrar que era una metáfora del desierto, que estamos en el desierto. Me hace pensar en la frase de Jean Genet: “Hay que ir a buscar las imágenes porque están en el desierto”. En mi cine no hay intenciones. No soy yo quien ha inventado esa sala vacía. Yo no quiero decir nada. Intento mostrar, o hacer sentir, o permitir que después se diga otra cosa.



-Cuando se escucha: “Los canallas hoy son sinceros, creen en Europa”, ¿qué le permite decir esto? ¿No se puede creer en Europa sin ser un canalla?

-Esta es una frase que se me ocurrió leyendo La náusea de Sartre. En aquellos tiempos, el canalla no era sincero. Un torturador sabía que no era honesto. Hoy el canalla es sincero. En cuanto a Europa, existe desde hace mucho tiempo, no había necesidad de construirla como lo hemos hecho. Me cuesta comprender, por ejemplo, cómo se puede ser un parlamentario de Europa como Danny (Cohn-Bendit). Es extraño, ¿no?"


posted by luis Sexta-feira, Dezembro 03, 2010

Quinta-feira, Dezembro 02, 2010

TENDAS NO DESERTO

Desenhos de João Jacinto





«Todos os títulos se dirigiram para este: Tendas no Deserto. Recolhi-o do livro de Levinas sobre Maurice Blanchot, numa passagem que une a arte e o rosto sob o signo do nomadismo: “A arte, segundo Blanchot, longe de iluminar o mundo, deixa perceber o subsolo desolado, fechado a toda a luz que o sustém e devolve à nossa estadia a sua essência de exílio e aos prodígios da nossa arquitectura a sua função de tendas (cabanes) no deserto” . E Levinas retoma esta expressão no início do parágrafo seguinte: “Tendas (cabanes) no deserto. Não se trata de voltar atrás. Mas para Blanchot, a literatura relembra a essência humana do nomadismo. O nomadismo não é a fonte de um sentido, aparecendo a uma luz que nenhuma mármore devolve, mas o rosto do homem” .
§
Cada auto-retrato é apenas um abrigo temporário, num êxodo de quem sabe não ter aqui morada permanente. Um si sem lugar, fora do lugar, deslocado, que se reconhece a si mesmo como o lugar de errância.»

Paulo do Vale



«Nesta exposição, deixamos os desenhos nas paredes, sem moldura e sem protecção do vidro, para assim se poder experimentar de modo directo a matéria, o próprio cheiro da tinta de óleo, das cinzas; ver as falhas no papel rasgado, sentir a presença física, eminentemente física, destas obras. Não apenas de uma imagem, fantasmática, mas da sua carne—criada num combate corpo a corpo, que pressentimos, entre o artista e o papel.»

Paulo do Vale
Catálogo Assírio & Alvim, 2010


Curadoria Paulo Pires do Vale
Fundação Carmona e Costa, INAUGURAÇÃO 4 de Dezembro (Sábado) às 17h00
Exposição patente até 26 de Fevereiro '11 de Quarta a Sábado das 15h00 às 20h00


posted by luis Quinta-feira, Dezembro 02, 2010

Quarta-feira, Dezembro 01, 2010

caminhos de ferro





Chief, Franz Kline (American, 1910-1962), 1950.
Oil on canvas, 58 3/8" x 6' 1 1/2" (148.3 x 186.7 cm).
Gift of Mr. and Mrs. David M. Solinger.
© 2010 The Franz Kline Estate /
Artists Rights Society (ARS), New York



Nas últimas páginas do seu maravilhoso tratado/legado/endosso/também testamento, Um Tratado sobre os nossos actuais descontentamentos, Tony Judt escreve sobre o serviço público que é o comboio, que são os caminhos-de-ferro, e cita Marcel Proust "as estações ferroviárias... não constituem, por assim dizer, parte da cidade, mas contêm tanto a essência da sua personalidade, como o nome pintado no letreiro".

E diz, abram-se ò tímpanos, aquilo que nós/mundo precisamos de ouvir/reflectir/agir.

"Os comboios já eram o símbolo da vida moderna no decénio de 1840 --daí a atracção que exerciam nos pintores ´modernistas`, de Turner a Monet. Ainda desempenhavam esse papel na época dos grandes expressos que atravessaram o país na última década do século XX. Os comboios electrificados do metropolitano foram os ídolos dos poetas e artistas gráficos modernistas a partir de 1900; nada era mais ultramoderno que os novos supercomboios aerodinâmicos que adornavam os cartazes neo-expressinistas dos anos 30. O Shinkansen japonês e o TGV francês são hoje os ícones do sortilégio técnico e de grande conforto a 300 km/h.
Os comboios, ao que pareceria, são eternamente contemporâneos --mesmo que saiam de vista por um bocado; neste sentido, qualquer país sem uma rede ferroviária eficiente é, em aspectos fulcrais, ´atrasado`." (Tony Judt, Il fares the Land, 2010)


Quase como muitos milhões de pessoas também tive quem na infância mais primeira me falasse apaixonadamente de comboios, "um dia destes vamos fazer uma viagem até ao Porto de comboio", e depois vê-los nas páginas dos livros onde começamos a aprender a ler e a escrever, e depois de estar parado nas filas de trânsito imensas imensas que nos levavam até à Póvoa de Varzim, pouca-terra, pouca-terra, pouca-terra... tanta terra, tanta terra, tantos sonhos.

Franz Kline chamou-lhe Chief, decorou-lhe o nome e pintou-a, mas pintou não o que se vê "but the feelings aroused in me by that looking".

Antes de ler o texto que tinha ao lado, não me lembro do que achei que era quando a vi pela primeira vez, talvez uma avião, talvez um insecto, um trompeteiro nova-iorquino, talvez... metamorfose, talvez um fantasma, talvez uma nuvem negra, talvez um novo ser ou um dos mais antigos, em certos baralhos de cartas o ás de espadas, a entrada na mina, a auto-estrada quase diária para o Porto há uma dúzia de anos, o Homem numa trincheira, não sei, sou dependente de campo.
Mas lembro-me de achar que ele e Tony Judt estão, se não no mesmo comprimento de onda, muito perto.


posted by luis Quarta-feira, Dezembro 01, 2010

Powered by Blogger Site Meter

Blogue de Luís Miguel Dias
amontanhamagica@hotmail.com canal:youtube/amontanhamagica




vídeos cá do sítio publicados no site do NME

Ilusões Perdidas//A Divina Comédia

Btn_brn_30x30

Google Art Project

Assírio & Alvim
blog da Cotovia
Averno
Livros &etc
Relógio D`Água Editores
porta 33
A Phala
Papeles Perdidos
O Café dos Loucos

António Reis
Ainda não começámos a pensar
As Aranhas
Foco
Lumière
dias felizes
umblogsobrekleist
trama
there`s only 1 alice
menina limão
O Melhor Amigo
Homem em pé
Hospedaria Camões
Bartleby Bar
Rua das Pretas
The Heart is a Lonely Hunter
primeira hora da manhã
Ouriquense
contra mundum
Os Filmes da Minha Vida
Poesia Incompleta
Livraria Letra Livre
Kino Slang
sempre em marcha
Pedro Costa
Artistas Unidos
Teatro da Cornucópia


Abrupto
Manuel António Pina
portadaloja
Dragoscópio
Rui Tavares
31 da Armada

Discos com Sono
Voz do Deserto
Ainda não está escuro
Provas de Contacto
O Inventor
Ribeira das Naus
Vidro Azul
Sound + Vision
The Rest Is Noise
Unquiet Thoughts


Pastoral da Cultura
Espaço Llansol
Bragança de Miranda
Blogue do Centro Nacional de Cultura
Blogue Jornal de Letras
Atlântico-Sul
letra corrida
Letra de Forma
Revista Coelacanto


A Causa Foi Modificada
Almocreve das Petas
A natureza do mal
Arrastão
A Terceira Noite
Bomba Inteligente
O Senhor Comentador
Blogue dos Cafés
cinco dias
João Pereira Coutinho
jugular
Linha dos Nodos
Manchas
Life is Life
Mood Swing
Os homens da minha vida
O signo do dragão
O Vermelho e o Negro
Pastoral Portuguesa
Poesia & Lda.
Vidro Duplo
Quatro Caminhos
vontade indómita
.....
Arts & Letters Daily
Classica Digitalia
biblioteca nacional digital
Project Gutenberg
Believer
Colóquio/Letras
Cabinet
First Things
The Atlantic
El Paso Times
La Repubblica
BBC News
Telegraph.co.uk
Estadão
Folha de S. Paulo
Harper`s Magazine
The Independent
The Nation
The New Republic
The New York Review of Books
London Review of Books
Prospect
The Spectator
Transfuge
Salon
The Times Literary...
The New Criterion
The Paris Review
Vanity Fair
Cahiers du cinéma
UBUWEB::Sound
all music guide
Pitchfork
Wire
Flannery O'Connor
Bill Viola
Ficções

Destaques: Tomas Tranströmer e de Kooning
e Brancusi-Serra e Tom Waits e Ruy Belo e
Andrei Tarkovski e What Heaven Looks Like: Part 1
e What Heaven Looks Like: Part 2
e Enda Walsh e Jean Genet e Frank Gehry's first skyscraper e Radiohead and Massive Attack play at Occupy London Christmas party - video e What Heaven Looks Like: Part 3 e
And I love Life and fear not Death—Because I’ve lived—But never as now—these days! Good Night—I’m with you. e
What Heaven Looks Like: Part 4 e Krapp's Last Tape (2006) A rare chance to see the sell out performance of Samuel Beckett's critically acclaimed play, starring Nobel Laureate Harold Pinter via entrada como last tapes outrora dias felizes e agora MALONE meurt________

São horas, Senhor. O Verão alongou-se muito.
Pousa sobre os relógios de sol as tuas sombras
E larga os ventos por sobre as campinas.


Old Ideas

Past