Porque o diabo aparece quando se espera, Não te finjas surpreendido. Menos subliminar do que aquilo que era, Não te faças desentendido.
[...]
Porque o diabo aparece quando se espera, Não te faças surpreendido. Menos subliminar, mais zen e Nova Era, Não finjas que foste iludido.
excerto de O Diabo in NEM LHE TOCAVA, de Samuel Úria
Klein a atirar-se pela janela afora, atirar-se à vida, viver, testar, apostar, viver, morrer, arriscar, viver, morrer.
A linha é imaginária mas não deixa de existir, é mesmo?, queremos lá saber dela para alguma coisa, podíamos imaginar uma para nós... consumição? e depois tudo engatado e tal, pareceríamos/parecemos Um homem na sua concha, de Tchékhov.
Como se fosse um limite, um histórico, estilo currículo oculto mas social, mediático.
Ora, Rui Tavares, chegado a estrela, tornou-se, também, será inevitável?, um músico e um vendedor da banha da cobra. Nas últimas semanas tem cinicamente ironicamente ideologicamente tentado dizer tátá a Vasco Pulido Valente e tátá a Pacheco Pereira, estamos à espera que a vez de Manuel António Pina chegue. Já vimos isto por aqui, blogs, mas antes já tinha passado no National Geographic.
Por aquilo que se vai lendo pela net, blogs e outras páginas, dá para perceber que Rui Tavares está numa zona política da esquerda próxima de Louçã e também do grupo de amigos políticos e pessoais do primeiro ministro da república de Portugal, que, enfim, é o que é, e que parece que não se podem ver uns aos outros, com exepções. Diga-se que alguns desses amigos escrevem o que escrevem em blogs como o jugular, para mim, uma lixeira a céu cibernético aberto. Adiante.
Estava a juntar uma série de recortes de observações e notícias e comentários e assim para fazer mais um If you ever go to Houston mas de hoje não consigo passar sem dizer nada. Tem a ver com a crónica de Tavares hoje, 29/9/2010, no jornal Público intitulada O diabo está, nos detalhes onde o autor diz que já "há muito tempo que não tinha oportunidade de defender o primeiro ministro". Voilá. E vem defender o quê? O seu inglês numa universidade de Nova Iorque, e dizer mais uma vez a Pacheco Pereira e a Vasco Pulido Valente, supõe-se, que se vão embora, que nos deixe isto entregue a nós os iluminados dos iluminados, os irrepreensíveis, os imaculados. Vejamos agora a maluquice: Tavares para defender o inglês do primeiro ministro da república de Portugal fala em: Ottavio di Camilo e Tristan Tzara e Picasso. Digam lá comigo, foda-se! Com todas as letras. Nem sei o que escrever a seguir. Uma pessoa fica, naturalmente, sem palavras.
Salazar aparecia metido no corpo de D. Afonso Henriques e assim mas...
Acho que a estrela Rui Tavares perdeu o chão, a linha imaginária e do salto de Klein regressou cheio de mazelas e adesivos. Mas não se preocupe, tudo voltará a ser como antes. Foi, apenas, um dia com momentos infelizes.
Você, por acaso, fez-me lembrar outra pessoa que escreve no jornal Público mas na secção de desporto, mais concretamente sobre futebol, que é uma das páginas mais engraçadas vs nojo do jornal; aquela gente, gentinha, tem ainda menos vergonha na cara do que algumas das suas crónicas: diz ele, Bruno Prata, que o grande beneficiado da má/péssima arbitragem no Vitória de Guimarães-S.L. Benfica foi o Guimarães. Ehehehehehe. Melhor do que o inimigo público, não é? Eheheheheh. E anda por aí a comentar jogos/lances de futebol na RTP e na TSF. E está no sítio certo, mais na sport tv. Ehehehehehehe. É a desvergonha quase total.
Então o Rui não percebe por que é que as pessoas falam do inglês do primeiro ministro? Não? Claro que não acreditamos. Não se arme em revisionista nem em sábio, ainda não tem idade para isso. As pessoas merecem ser bem tratadas, que andem com elas ao colo, que não gozem nem se aproveitem delas. Vocês, os dos gabinetes, já há muito que fundiram, como as lâmpadas. Olhe, já agora, Rui: maçonarias e essas merdas não combinam com a Democracia. Passe bem.
Taganrog, Anton Tchékhov: 150 anos 150 posts(15/150)
clicar em cima para ler maior excerto fotografado via telemóvel de Tchekov, de David Magarshack, Editorial Aster, 1960. separadores a partir de uma fotografia do pdf do programa da peça em cena no Teatro Nacional São João, Porto
Por falar na reedição do AVES DE PORTUGAL — Ornitologia do território continental, um destes dias numa livraria de que gostei muito deste Birdscapes:
AVES DE PORTUGAL — Ornitologia do território continental Autores: Paulo Catry, Helder Costa, Gonçalo Elias e Rafael Matias Colecção: Deméter 9 / Tema, classificação: Natureza Data de Edição: Setembro de 2010 / Distribuição: 6 de Outubro de 2010 Formato e acabamento: 17 x 24 cm, edição encadernada / 944 páginas ISBN: 978-972-37-1494-4 Preço sem IVA: 35,85 € / P.V.P.: 38 €
"Aves de Portugal—Ornitologia do território continental pretende constituir-se como uma referência incontornável na ornitologia portuguesa. Este trabalho, que é simultaneamente o mais abrangente e o mais exaustivo alguma vez feito sobre a avifauna de Portugal Continental, é o resultado de décadas de experiência de campo dos autores e de uma pesquisa dirigida demais de 10 anos. Essa pesquisa permitiu recolher informação sobre a ocorrência de mais de 450 espécies de aves. A situação passada e presente de cada uma delas é descrita em pormenor ao longo das 943 páginas que compõem a obra, que é suportada por mais de 1500 referências bibliográficas. O livro contém ainda uma descrição dos principais habitats do país, bem como uma resenha histórica da ornitologia nacional que apresenta grande quantidade de dados inéditos e que constitui a primeira abordagem global a este assunto alguma vez escrita. Disponibiliza também a primeira compilação exaustiva de aves anilhadas recapturadas em Portugal, com um total de mais de 9000 registos. Para ilustrar a obra foram elaboradas 50 ilustrações, na sua maioria inéditas, de grande qualidade estética. Foram incluídas também 154 imagens da autoria de diversos fotógrafos portugueses, tendo ainda sido elaborados vários gráficos que permitem sintetizar informação relevante sobre algumas espécies."
novidades Assírio & Alvim - distribuição: 6 de Outubro de 2010
«_____________ a primeira imagem do Diário não é, para mim, o repouso na vida quotidiana, mas uma constelação de imagens, caminhando todas as constelações umas sobre as outras. Qualquer aprendiz imagético, quando sobe ao meu quarto e atravessa o meu escritório, tem o sentimento de que “um belo lixo de imagens se criou aqui”. Se for menos inocente dirá: “que belo luxo de imagens”. Eu diria: aqui está a raiz de qualquer livro.»
UM ARCO SINGULAR — Livro de Horas II Autor: Maria Gabriela Llansol Selecção, Transcrição, Introdução e Notas: João Barrento e Maria Etelvina Santos Colecção: Arrábido 8 / Tema, classificação: Literatura Portuguesa Data de Edição: Setembro de 2010 / Distribuição: 6 de Outubro de 2010 Formato e acabamento: 14,5 x 20,5 cm, edição brochada / 288 páginas ISBN: 978-972-37-1544-6 Preço sem IVA: 16,98 € / P.V.P.: 18 €
«[…] Uma palavra ainda sobre o título encontrado para este segundo volume: o “arco singular” que nele se traça (sugerido pela leitura de Rilke) é múltiplo, e será decisivo para o resto da vida e da escrita de Maria Gabriela Llansol. Esse arco vai do entusiasmo inicial da experiência cooperativa de trabalho e ensino à desilusão final dessa vivência, tão típica de uma época de ideais alternativos e de contradições. É o arco da tensão crescente entre as imposições da sobrevivência e a “sobrevida” que só a escrita de mais dois livros pode trazer, os que ocupam grande parte destes cadernos e deste período (A Restante Vida e Na Casa de Julho e Agosto). É o arco que vai da matéria medieval, e fascinante, do universo de beguinas, cátaros, gnósticos e alquimistas à descoberta da escrita e da existência de outras mulheres, escritoras do mesmo século XX, e grandes revelações, como Virginia Woolf e Katherine Mansfield. É, em termos de quotidiano estrito, o arco que vai da saída de Lovaina e do seu mundo mais cosmopolita à aparente felicidade da vida mais tranquila na casa de Jodoigne (que evoca vagamente a da infância, e por isso é objecto de tanta atenção) e ao anúncio da saída para o isolamento ainda maior de Herbais, que proporcionará finalmente uma existência quase exclusivamente preenchida pela escrita. O “arco singular” que este livro dá a ver é, enfim, o de uma linha parabólica sempre bidireccional e tensa, com um vórtice em cima e outro em baixo, entre os quais se desenrola o percurso de um ser de escrita que, como dirão mais tarde as últimas palavras de O Senhor de Herbais, sendo como poucos singular, nunca seria “uma singularidade vã”.»
João Barrento eMaria Etelvina Santos, na «Introdução»
«Não passa por nós um sopro daquele ar que envolveu os que vieram antes de nós? Não é a voz a que damos ouvidos um eco de outras já silenciadas? As mulheres que cortejamos não têm irmãs que já não conheceram? A ser assim, então existe um acordo secreto entre as gerações passadas e a nossa. Então, fomos esperados sobre esta Terra. Então, foi-nos dada, como a todas as gerações que nos antecederam, uma ténue força messiânica a que o passado tem direito. Não se pode rejeitar de ânimo leve esse direito. E o materialista histórico sabe disso.»
O ANJO DA HISTÓRIA Autor: Walter Benjamin Edição e Tradução: João Barrento Colecção: Obras de Walter Benjamin 4 / Tema, classificação: Ensaio Data de Edição: Setembro de 2010 / Distribuição: 6 de Outubro de 2010 Formato e acabamento: 14,5 x 21 cm, edição brochada / 224 páginas ISBN: 978-972-37-1361-9 Preço sem IVA: 16,04 € / P.V.P.: 17 €
«[…] Há um quadro de Klee intitulado Angelus Novus. Representa um anjo que parece preparar-se para se afastar de qualquer coisa que olha fixamente. Temos olhos esbugalhados, a boca escancarada e as asas abertas. Oanjo da história deve ter este aspecto. Voltou o rosto para o passado. A cadeia de factos que aparece diante dos nossos olhos é para ele uma catástrofe sem fim, que incessantemente acumula ruínas sobre ruínas e lhas lança aos pés. Ele gostaria de parar para acordar os mortos e reconstituir, a partir dos seus fragmentos, aquilo que foi destruído. Mas do paraíso sopra um vendaval que se enrodilha nas suas asas, e que é tão forte que o anjo já as não consegue fechar. Este vendaval arrasta-o imparavelmente para o futuro, a que ele volta costas, enquanto o monte de ruínas à sua frente cresce até ao céu. Aquilo a que chamamos o progresso é este vendaval.»
Walter Benjamin
FURTIVOS LÍRIOS
Contemplava a própria vida na sorte desses instantes que tanto se assemelham a furtivos lírios à chegada da noite mas dizia: um coração é sempre um pássaro evadido à censura da penumbra
nenhum sofrimento conseguia desfazer as muitas exaltações que mantinha e mesmo à beira do abismo exibia uma facilidade talvez sem razão
quando a arte das chamas se tornou nas cidades uma ciência ameaçada percebemos que há muito nos falava do interior das florestas
BALDIOS Autor: José Tolentino Mendonça Colecção: Poesia Inédita Portuguesa 57 / Tema, classificação: Poesia Data de Reedição: Maio de 2010 / Distribuição: 6 de Outubro de 2010 Formato e acabamento: 14,5 x 20,5 cm, edição brochada / 80 páginas ISBN: 978-972-37-0542-3 Preço sem IVA: 8,96 € / P.V.P.: 9,50 €
A exposição que vai inaugurar na Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva apresenta trabalhos realizados entre 2005 e 2009, onde pesquisa e experimentação surgem a par e se revelam num singular núcleo de objectos que têm por base a fotografia mas que são na realidade pintura, desenho, outra coisa; e um primoroso álbum de desenho, disciplinadamente construído ao longo de um ano, sem outra obrigação senão a cumplicidade entre amigos artistas. A exposição contrói-se em torno de dois conjuntos de trabalhos que cruzam diferentes aspectos da linguagem visual de Lemos: uma colecção de desenhos, intitulada Isto é Isto e uma série de fotografia intitulada Ex- Fotos. Isto é Isto é um conjunto de 154 desenhos realizados num caderno de apontamentos de capa dura, de pequeno formato (A5). Os desenhos, a lápis e caneta, foram criados a um ritmo quase diário entre 2007 e 2008, e são, na maioria, legendados com frases que lhes conferem uma carga irónica e humorística. O caderno original é exposto desmontado e disposto em vitrinas verticais transparentes, onde são visíveis os dois lados da folha. Ex-Fotos é uma série de 20 fotografias feitas a partir de provas fotográficas rejeitadas, imagens de amadores que, no original, seriam banais fotografias de família que ficaram mal iluminadas, mal focadas, mal enquadradas. As provas foram trabalhadas por Fernando Lemos riscando, rasgando e pintando sobre o original e em seguida refotografadas digitalmente e impressas no formato 70x100 cm. Esta pesquisa foi iniciada pelo autor em2005 e tem vindo a crescer como uma experiência de resgate visual do que é rejeitado, num processo que cria novas imagens e procura vestígios de estranheza na relação que se cria entre os restos da imagem original e a nova imagem. A exposição inaugura no dia 30 de Setembro e decorrerá até ao dia 23 de Janeiro de 2011.
ISTO É ISTO e EX-FOTOS (2 volumes) Autor: Fernando Lemos Colecção: Arte e Produção / Tema, classificação: Arte Contemporânea Data de Edição: Setembro de 2010 / Distribuição: 6 de Outubro de 2010 Formato e acabamento: 2 volumes unidos por uma cinta especial: Isto é Isto: 21x15, edição brochada / 64 pp. com fotos a cores Ex-Fotos: 15x21, edição encadernada / 128 pp. com desenhos a cores ISBN: 978-972-37-1552-1 Preço sem IVA: 18,87 € / P.V.P.: 20 €
"No entanto, temos de lembrar que uma das principais obras sobre o pensamento de Mounier continua a ser “Emmanuel Mounier” de João Bénard da Costa (Morais, 1960), que é muito mais do que uma antologia, como o autor a apresentou no momento em que foi lançada. Na Europa, o livro de João Bénard é uma referência indiscutível, que agora ressurge, perante a obra de Guy Coq e o reconhecimento da actualidade do pensamento de Mounier.
O EXEMPLO DE MOUNIER
Emmanuel Mounier, cujos sessenta anos da morte (22.3.1950) se assinalaram este ano, foi um dos autores que mais profundamente pensou o tema da democracia. E o livro de Guy Coq conduz-nos sabiamente à reflexão sobre a essência da democracia. Nos «Cahiers de l’UNESCO», em Abril de 1949, o filósofo escreveu «Réflexions sur la démocratie», onde abordava o problema da tendência totalitária das democracias ditas populares, nas quais «o ideal é a anulação de toda a distância, da distância entre governos e governados, ente o Estado e a nação, todos se tornando governantes (inquisidor, polícia, disciplinador do seu próximo), da distância entre governados pela generalização do conformismo e da solidariedade no terror político». A partir desse texto, pensador político Jacques Le Goff salientou, em Janeiro de 1983, na revista «Esprit», sob o título “Totalidade e distância”, a importância dessa questão. «É aí que reside a falha, o ponto de fractura, o lugar da falta que põe a tónica nas referências muito sólidas duma crítica radical do totalitarismo, hoje marcado pelos trabalhos de Claude Lefort e Marcel Gauchet, que aprofundaram esta reflexão sobre a anulação da distância como matriz do totalitarismo».
O PERIGO DA ANULAÇÃO DA DISTÂNCIA
A sociedade onde a distância aparece anulada é a que podemos designar como a de «nós outros», que se esgota e se confunde na ausência de fronteiras entre o próprio e o alheio, entre nós e os outros, levando à promiscuidade pública – que nos recorda a anti-utopia de Yevegeny Zamyatin (1884-1937) intitulada, exactamente, «Nós» (e que deve ser lida com «Mil Novecentos e Oitenta e Quatro» de George Orwell). Em segundo lugar, depois dessa sociedade sem distância, encontramos a «sociedade vital», cujo elo é constituído pela vida em comum e por haver um fluxo vital, biológico e humano, orientado para o viver melhor. Aí ainda não há a relação de pessoa a pessoa – «cada um fica no plano de uma vaga representação do todo», faltando a ligação entre os valores e cada «vocação pessoal». Já não temos a sociedade de nós outros, mas estamos ainda perante uma sociedade fechada, caracterizada pelos seus interesses e o seu utilitarismo imediato. «Se ela não for animada do interior por uma verdadeira comunidade espiritual, tende a fechar-se sobre uma vida cada vez mais mesquinha e sobre uma afirmação cada vez mais agressiva». Em terceiro lugar, para além da sociedade da anulação da distância e das sociedades vitais, Mounier fala da «sociedade razoável». Esta procura compreender que a ciência, a razão objectiva e o direito são mediadores fundamentais, ainda que insuficientes para assegurar a existência de uma comunidade pessoal criativa e de responsabilidades partilhadas. A sociedade de «nós outros» supera a insociabilidade do indivíduo isolado, as sociedades vitais preocupam-se com a sobrevivência colectiva, enquanto a sociedade razoável procura ir mais além, aceitando a imperfeição e propondo a articulação entre as diferenças, considerando a comunidade como uma «pessoa de pessoas». «Quantas famílias mais não são do que falsas Pessoas colectivas fundadas no desprezo ou na segurança, no hábito ou no dá-me dá-me»? E, segundo Emmanuel Mounier, a maneira de chegar ao compromisso leva-nos à «distância unitiva». E assim a verdadeira comunidade deve ser a «pessoa de pessoas», na qual o lugar de cada um é insubstituível e essencialmente desejado pela ordem do todo. Deve haver distância, mas também capacidade de agir em prol do bem comum."
Taganrog, Anton Tchékhov: 150 anos 150 posts(14/150)
"Tchékhov tinha um amigo que era pintor, Lévitan. Um dia, na Primavera de 1892, quando estavam no campo, foram os dois à caça. Lévitan feriu, quase involuntariamente, uma ave que veio cair aos seus pés. “Um bico longo, grandes olhos pretos e uma admirável plumagem… Ela olhava‑nos com surpresa”, escreve Tchékhov. O que fazer? Lévitan faz um esgar, fecha os olhos e suplica com uma voz trémula: — Acaba com ela, meu amigo. — Não sou capaz, responde Tchékhov. A ave continuava a olhar em frente “com surpresa”. Por fim, Tchékhov matou‑a: “Outra criatura adorável a menos no mundo, e dois imbecis voltaram para casa e sentaram‑se à mesa”. •
Irène Némirovsky
In La Vie de Tchekhov. Paris: Albin Michel, 1989."
"A panoramic vision of Bob Dylan, his music, his shifting place in American culture, from multiple angles. In fact, reading Sean Wilentz’ Bob Dylan in America is as thrilling and surprising as listening to a great Dylan song." —Martin Scorsese
"All the American connections that Wilentz draws to explain the appearance of Dylan’s music are fascinating, particularly at the outset the connection to Aaron Copland. The writing is strong, the thinking is strong – the book is dense and strong everywhere you look." —Philip Roth
ALEX ROSS: I was fascinated by your decision to begin your book with a chapter on Aaron Copland. What led you to start there?
SEAN WILENTZ: I wanted to explore Dylan’s roots in the musical world of the Popular Front, but didn’t want to retell the stories about Woody Guthrie and Pete Seeger. I’d written an essay on Copland for a wholly different occasion, and started coming to grips with Copland’s Popular Front affiliations, which had helped spur his elevation of American folk music. I had a hunch that, somewhere, there must be links between Copland and Dylan.
My second book, Listen To This, will be published by Farrar, Straus and Giroux on Sept. 28th, 2010, with a UK edition by Fourth Estate following in November. It offers a panoramic view of the musical scene, taking in Bach, Mozart, Schubert, Verdi, Brahms, Marian Anderson, Frank Sinatra, Cecil Taylor, Led Zeppelin, Björk, Radiohead, Mitsuko Uchida, Esa-Pekka Salonen, John Luther Adams, Lorraine Hunt Lieberson, Bob Dylan, and the Malcolm X Shabazz High School Marching Band. In the Preface, I say that the aim is to "approach music not as a self-sufficient sphere but as a way of knowing the world." I treat pop music as serious art and classical music as part of the wider culture. The book includes material already published in The New Yorker as well as pieces written or heavily revised for the occasion. The first chapter, from which the title comes, appeared in the magazine in 2004. The second chapter, "Chacona, Lamento, Walking Blues," is entirely new—a rapid-moving history of music told through bass lines. The third chapter, "Infernal Machines," weaves together various thoughts on music and technology. And it goes from there. At the back of the book is a 4000-word survey of recommended recordings.
Un día acabó sentado junto a un vagabundo, ambos se arrimaron el uno al otro y compartieron una botella de vino peleón. Cuando un policía lo amenazó con detenerlo, Cheever le lanzó una mirada legañosa cargada de aristocrática indignación: «Me llamo John Cheever», farfulló, «y usted se ha vuelto loco».
«El triunfo de Cheever es el de un hombre en la sesentena», dijo Bernard Malamud con respecto a la milagrosa resurrección de su colega. «Lo estaba pasando fatal… pero se mantuvo en su sitio. Y a fuerza de voluntad y de la gracia que confiere la literatura, se salvó a sí mismo». "
Taganrog, Anton Tchékhov: 150 anos 150 posts(13/150)
LMD, fotografia via telemóvel do livro citado, 2010
"«Vi», conta Tchekov, «os traços de um dos mais belos rostos que ainda vira em toda a minha vida. Uma verdadeira beleza estava diante de mim e eu logo dei por isso e o compreendi ao primeiro golpe de vista, como se vê e compreende um raio de luz».
Esta arménia, provàvelmente, era a mesma de que Tchekov, muitos anos depois, falaria a Suvorine, dizendo-lhe que imediatamente se apaixonara por ela. Segundo conta Suvorine, Tchekov estivera muito tempo a olhar para a sua imagem reflectida nas águas de uma fonte. Esta contemplação narcísica (Tchekov era, realmente, um bonito rapaz) fora interrompido pelo súbito aparecimento de uma rapariga dos seus quinze anos que vinha buscar água. Tchekov tão enfeitiçado ficou pela sua beleza que a estreitou nos braços e pôs-se a beijá-la. Depois ficaram ambos por muito tempo silenciosamente a contemplar-se nas águas da fonte. Ele não queria sair dali e ela parecia ter esquecido por completo o balde da água que viera encher..."
David Magarshack (trad. João Gaspar Simões), Tchekov, Editorial Aster, Lisboa, 1960.
"as vítimas eram eram violentamente espancadas, electrocutadas ou sufocadas com sacos de plástico enfiados na cabeça. Eram despidas e as partes genitais submetidas a choques eléctricos", "por detrás de todos estes crimes, por detrás de todas estas torturas este homem controlava inteiramente e conscientemente a máquina criminosa da S-21 (nome pelo qual era conhecida a prisão)", "em geral, cortávamos a garganta aos presos. Degolávamo-los como frangos", "o editorialista do jornal Le Monde de 27/7 escreve ´aqueles que queriam saber, sabiam, através de algumas notícias transmitidas sobretudo por religiosos. Mas poucos quiseram olhar a verdade de frente e o Le Monde teve a sua quota-parte nessa cegueira`".
excertos retirados da crónica No inferno dos Khmer vermelhos, de Esther Mucznick, jornal público, 12 de Agosto de 2010.
2. Jornal Público, 20 de Agosto de 2010, com Christopher Hitchens:
"Sente-se insultado quando as pessoas dizem que rezam por si? Não, não, aceito-o desde que o façam para a minha recuperação. Mesmo que isso não mude nada.
Posso dizer [Jeffrey Goldberg, num blog da Atlantic] que ele não se importa, seja de que maneira for, com o que vocês pensam ou rezam, mas naquilo que me diz respeito e a toda a equipa da Atlantic deixem-me dizer-vos: vão-se foder. Acredito que Deus me vai desculpar por esta [dirigindo-se às pessoas que lhe enviaram e-mails a dizer que as suas preces não eram para desejar a recuperação de Hitchens]."
3. 13 e 14 de Agosto de 2010:
Obama: Muslims have right to build mosque near 9/11 site
Muslims have the right to practice their religion" just like anyone else. "That includes the right to build a place of worship and a community center on private property in lower Manhattan, in accordance with local laws and ordinances," Obama said at an Iftar dinner at the White House honoring the Muslim holiday of Ramadan. "This is America."
Obama said he understands the emotions aroused by the issue, including the objections of 9/11 victims' families who want the Islamic center to be built elsewhere in the city. But he said that the terrorists who attacked the World Trade Center do not represent Islam, but are killers distorting a great religion.
"That's who we are fighting against," he said. "And the reason that we will win this fight is not simply the strength of our arms, it is the strength of our values."
4. Depois de em Itália, para aí há 4 anos atrás, o governo de Romano Prodi ter começado a dar ouvidos a vozes que pediam a expulsão de todos os romenos por um deles ter assassinado um cidadão romano, o Repubblica chegou mesmo a fazer capa de expulsão; Berlusconi; agora Agosto de 2010:
A evacuação dos acampamentos é, por isso, para continuar, como é para continuar a expulsão dos que ali viviam. Besson revelou que desde 28 de Julho – data em que Sarkozy prometeu mão dura contra o crime – já foram repatriados 979 cidadãos romenos e búlgaros, dos quais 828 de “forma voluntária”.
Mas agora Paris quer alargar as situações em que um estrangeiro pode ser “conduzido à fronteira” – a forma mais coerciva de expulsão – para incluir nelas o roubo e a “mendicidade agressiva”. Uma interpretação radical da directiva europeia de livre circulação que permite aos estados expulsar cidadãos comunitários, mas apenas quando estejam em causa “razões graves” de ordem, segurança ou saúde pública."
5. O excerto que a seguir se segue encontra-se no jornal público de sábado, dia 4 de Setembro de 2010, na página 16, e até lá chegarmos não vimos nenhuma chamada na capa e para quem como eu lê o jornal do fim para o princípio nem no editorial se lê nada. Anote-se, e sublinhe-se. Só apetece dizer foda-se, foda-se, foda-se.
"É um tema que nehum político alemão gosta de abordar: o impacto da imigração no tecido social e económico do país. Sarrazin escreveu que a integração de comunidades muçulmanas, e a sua elevada taxa de fertilidade, levará ao declínio económico da Alemanha e à erosão do seu ´coeficiente de inteligência` colectiva - o país estaria a ficar ´mais burro ` em resultado da ´imigração descontrolada`, alegou (...) nomeadamente quando Sarrazin se refere às ´predeterminações genéticas` dos judeus que os diferenciam de outros grupos étnicos."
6. Jornal Público, Sábado, 14 de Agosto, 2010, P2:
“Este cenário não nasceu ontem, mas o homicídio do dono de um rancho no fim de Março, atribuído a um imigrante ilegal, combinado com o facto de 2010 ser um ano de eleições para o Congresso, levou um punhado de republicanos do Arizona – incluindo o senador John McCain e a governadora Jan Brewer – a exigir maior protecção da fronteira (um eufemismo que, na verdade, quer dizer: encerramento da fronteira). E abriu caminho para uma nova lei em que o Arizona reclamava o direito de questionar qualquer ´suspeito ` sobre o seu estatuto de cidadania ou residência.”
7. Aqui há três, quatro anos Nuno Melo, na Assembleia da República, enchia o peito, que à lapela tem as insígnias, emblema, símbolo, de um partido que se diz democrata cristão, e exalou do mesmo fedor: os indigentes que por aí andam isto e aquilo, e mais assim e mais assado.
8. No telejornal, RTP1, do dia 21/8 José Alberto de Carvalho, cada vez mais repugnante, abre o programa que apresenta a dizer que no conflito no Rio de Janeiro há uma linha e ele diz "se me é permitido, aqui na zona [apontando num mapa no computador] nesta zona, entre o bem e o mal"... uma zona entre o bem e o mal, foi o que ele disse. Assim. Sem mais. Ponto. "Se me é permitido... entre o bem e o mal". Jasus. Quando é que editará um livro?
9. A certa altura do mês de Agosto uma palermice intitulada, chamada de polémica Bolaño, que ele isto e que ele aquilo, que os livros dele, este e aquele, assim e assado, diziam leitores que não tinham conseguido passar da página tal e outros arrependiam-se de ter comprado o livro que aquele dinheiro tinha sido desperdiçado e que agora não sabiam o que mais fazer da vida, outros que não percebiam, que não aguentavam que lhes contassem sonhos, outros queriam uma frase, uma só frase que lhes mostrasse um qualquer eldorado e não a conseguiram encontrar, outros que outros se aproveitaram, a maior parte a dizer merda pela boca fora... bláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábl bláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblá bláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblá blábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblá bláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblá bláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblá bláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblá blábláblá Embora não simpatizando com quem edita Bolaño por cá e também com o muito mau gosto das sessões de lançamento e algumas capas, agradeço-lhes quase todos os dias e estou sempre à espera de encontrar outro nas livrarias. Às vezes não estamos preparados para certos livros e assim, é a vida; a não ser que se queira mais visitas nas páginas de blogues, esperem pela vez e quando ela vier, se chegar, façam, ainda assim, uma festa. Melquiades Estrada teve três enterros.
posted by luis Terça-feira, Setembro 07, 2010
Segunda-feira, Setembro 06, 2010
A certa altura dei conta que as últimas entradas no moleskine estavam organizadas como em Diário de um Mau Ano, de Coetzee, ou à William Faulkner; e é uma organização eficaz, proveitosa e elástica, funcional e atrevida.
De volta, vou ali alinhavar umas notas para o If you ever go to Houston, número 40, e agora mesmo gostava de me lembrar de uma frase de George Steiner que não me consigo lembrar, sobre a Europa, sobre nós, sobre todos.