Quarta-feira, Março 31, 2010
Colossal Pedro
Letters from Fontainhas: Three Films by Pedro Costa
posted by luis Quarta-feira, Março 31, 2010
Colossal Pedro
(para ler e ver melhor clicar em cima)
posted by luis Quarta-feira, Março 31, 2010
Colossal Pedro
posted by luis Quarta-feira, Março 31, 2010
Terça-feira, Março 30, 2010
1. Passa a ser obrigatório, a partir deste momento, vá, começou, rirmo-nos de tudo o que o primeiro ministro de Portugal disser, quando ele começar a falar zás, catrapás, zás, riso, gargalhada. Passou a ser um imperativo moral, nacional.
2. O debate entre Francisco Louçã vs José Sócrates e a tareia que Louçã lhe deu mas os críticos e cronistas não viram isso, voltaram-se contra o estilo Louçã; parecia um ignorante a ouvir um académico e a perguntar-se o que é que eu andei a fazer até aaagora e mais realisticamente a olhar para ele e a dizer-lhe em silêncio tu é que és o professor doutor e eu o engenheiro de exames ou provas ao domingo e primeiro ministro e tu nunca ministro provavelmente.
No fim do debate, depois de todos aqueles silêncios ignorantes espantados e amarelos e tendo noção que estava a ser passado a ferro ficou muito tempo a responder aos jornalistas, já fora do estúdio, a tentar conter os estragos quando... maravilha das maravilhas os spins vieram ou começaram a dizer que tinha sido empate, não, melhor, tinha ganho de uma forma quase avassaladora porque... porque não tinha dito nada e Louça como lhe tinha dado uma tareia ia ser cilindrado por... lhe ter dado essa mesma tareia, assim, sem mais nem menos, o que é que querem, isto é Portugal. Todos os dias.
3. O caso do bullying anda na boca de toda a gente, uma pessoa que se matou atirando-se abaixo da 25 de abril, http://www.publico.pt/Educação/professor-vitima-de-bullying-preferiu-morrer-a-voltar-ao-9º-b_1426720 11/3/2009. Tão triste e tão irónico tudo isto. Mas começar por dizer que sou dos que acham que ao contrário do que se passa noutros países quando alguém entrar numa escola de caçadeira em punho em Portugal e disparar não sei quantos cartuxos esse alguém não será muito provavelmente um aluno mas sim um professor, ou outro adulto qualquer, já exangue e louco de tudo aquilo que é obrigado a ouvir, ver, passar.
Quem não entra numa escola há muito tempo devia lá ir. Só para poder comprovar que a instituição escola pública está à beira leia-se muito perto da demência, de estar psicopatada. Exagero, não é? Vão lá e vejam.
O que me faz muita impressão, mesmo muita, é a diferença entre aquilo que se tolera numa escola pública e numa escola privada. O ambiente, sabem?
O que é que faz uma mãe ou um pai aceitarem determinadas regras de conduta, um regulamento interno, na escola privada e não o aceitarem numa escola pública?
4. Assim como em Kafka é a família ou que sofre a metamorfose também em Balzac, Ilusões Perdidas, não é Lucien quem perde se perde. Isso é o que vocês queriam. Era, não era? Queriam, mas não, vão mas é dar banho ao cão.
Ontem e hoje tive de arrumar uns papéis e dei de caras com umas fotocópias, já amarelecidas, de uma revista sobre livros e autores e críticos e crónicas e enfins onde uma das mais recentes coqueluches cá da bloga que assina uma crónica intitulada faca de seda, chamado Filipe Nunes Vicente, diz, como remate final do seu escrito do mês 11 de 2008 que "resta dizer que se os pais não tiverem hábitos de leitura, ou não existirem livros em casa, nada disto funciona [o de incutir hábitos de leitura ao longo do tempo, desde que se nasce até que se morre]. Nesse caso ganham os computadores, a televisão e os jogos de consola (ou a rua e a solidão). São hábitos, senhor, são hábitos."
Achei, na altura, lembro-me agora, este texto repelente, e assim como imagens em slow motion achei, também, que talvez não se pudesse esperar outra coisa de quem manuseia esta faca, um destes dias um dos críticos de serviço 3 estrelas e meia que é para se ver como é que é.
E depois, também de repente, lembrei-me do Real Colégio dos Nobres, dos seus objectivos, mas achei que devia parar. E do carro da Gulbenkien, da sua biblioteca itinerante, ao sábado parado no parque junto ao café.
Mas ontem trouxe comigo, grátis nas prateleiras da fnac, a mini biblioteca essencial fnac casa da leitura, bonito, e dei com os olhos, no separador verde, com Manuel António Pina, nove livros e mais um.
E começa assim: "Em casa dos meus pais não havia livros. Ou melhor, havia apenas um ou outro (dois acho eu) de literatura cor-de-rosa, ou lá que cor é, de Delly, uma Vida Sexual de Egas Moniz (...) Um dia, meu pai trouxe-nos, a mim e a meu irmão, um exemplar do Cavaleiro Andante, o n.º 4 (lembro-me perfeitamente desse n.º4, tanta emoção me deu a inesperada prenda: tinha na capa um forte da Legião Estrangeira, ilustração daquela que, em breve, se tornaria uma das minhas aventuras preferidas da revista "Beau Geste"). E foi tal a emoção que meu pai, depois de muitas hesitações, concedeu em onerar o magro salário de funcionário com uma assinatura. Encomendou os números anteriores, o 1, o 2 e o 3 e, a partir desse dia, eu e meu irmão passávamos a semana à espera que chegasse sábado e corríamos, ao fim da tarde, para o largo da vila (vivíamos então na Sertã), aguardando a camioneta de Lisboa que trazia o Cavaleiro Andante. A ansiedade era tal entre nós que, para evitar disputas, meu pai teve que fixar-nos uma regra: os números pares, lia-os eu primeiro; os impares, meu irmão. (...) Depois, aos poucos, chegaram os livros, quase todos através da Biblioteca Itinerante da Gulbenkian que, de 15 em 15 dias, estacionava em frente do edifício sa Câmara, em Oliveira do Bairro..."
Manuel António Pina, sempre:.
5. "En las manos de aquel escritor ruso, ex soviético, al que yo conocí en un congreso de literatura en Portugal, estaba escrita de manera indeleble una biografía de hospitales psiquiátricos y campos de castigo. Era un coloquio internacional del que tampoco recuerdo nada, salvo las manos de aquel escritor, salvo el dedo índice que por un momento se apartó del humo del cigarrillo para señalar en dirección de los colegas occidentales que compartíamos con él una mesa redonda, y que le habíamos escuchado en silencio mientras contaba su historia de persecución. "Qué poco tenemos que agradecerles a ustedes", nos dijo, el dedo amarillo de nicotina tan fijo como la mirada de los ojos muy claros. "Ustedes, los escritores europeos, que disfrutaban de la libertad, qué poca solidaridad tuvieron con nosotros, qué poca ayuda nos dieron".
Algunos bajaban la cabeza o miraban hacia otro lado para no ver aquel chato dedo acusatorio. Ésa ha sido la actitud de una parte de la intelectualidad occidental hacia los sufrimientos de las víctimas de los regímenes comunistas. Mirar para otro lado, callar por miedo a que lo acusen incómodamente a uno de cómplice de la reacción. Al fin y al cabo hay causas mucho más seguras que garantizan sin riesgo la vanidad de sentirse solidario, el certificado irrefutable de progresismo que le permite a uno la impunidad moral, aparte de un cierto número de beneficios prácticos que tampoco son desdeñables. Ya se sabe el peligro que se corre cuando se atreve uno a no marcar el paso de la ortodoxia, tan querida entre quienes al parecer tienen por oficio la libertad de la imaginación y la rebeldía del pensamiento."
http://www.elpais.com/articulo/portada/costumbre/infamia/elpepuculbab/20100313elpbabpor_4/Tes
O texto de Molina desagua, num tempo curto, numa questão mais importante e mais urgente, mas no tempo longo a importância e a urgência será mais ou menos a mesma.
Aproveito as palavras de Molina para à boleia e com alguns alguns meses de atraso e de vontade, pelo menos desde o dia em que ouvi Luís Miguel Cintra, na casa da Achada, rodeado de novos artistas portugueses, perguntar-lhes o que estavam dispostos prontos a fazer, para tomar posição, para atirar um pedra à montra?
Desde esse dia que estou para abrir ali a antologia do Tempo e do Modo, que a Gulbenkian editou, para tentar sustentar e mostrar aquilo que tenho vontade de dizer sobre o papel, estatuto e pouca vontade dos nossos artistas de cá, do mundo, quando está em causa uma tomada de posição quase oracular.
A minha opinião é muito má e também de muitas dúvidas, como se deve fazer ou se já se faz mas só daqui a uns anos quando as obras isto e aquilo... quando mostrar? quando dizer? quando gritar? Não é preciso? É.
Por exemplo, quantos escritores, intelectuais, poetas, professores universitários apareceram no anterior consulado ma ministra da educação a dizer e a mostrarem-se contrário? Quantos? Quantos vieram defender a escola pública para o meio dos professores do ensino básico e do ensino secundário? Quantos?
Quantos jornalistas pais e mães vieram? Quantos defenderam a qualidade e a independência da escola pública? Andam agora admirados com o quê? Ainda há-de ser pior. Há dois e 3 anos já se faziam contas se olhava e se pensava que daqui a uns anos seriam precisos, por mês, mais 150, 200, 250 euros para os cidadãos deste país poder pagar a escola dos seus filhos.
Ai não se pensa assim? Ai é assim?
6. Vou ali dar banho ao cão.
7. Um sindicato convoca uma greve geral da função pública e o seu secretário geral aceita ir de viagem com esse governo numa viagem de estado nas datas abrangidas pela greve. Uma pessoa fica sem saber o que há-de dizer.
8. Se não fosse para lá de muito trágico seria caso para nos fazermos de parvos e perguntar àqueles que na política nacional ainda continuam a dizer o presidente da república tem o poder de usar a bomba atómica. Bomba atómica? Olhem para o espelho? Faz sentido? Simplesmente ridículo. Cada vez que a ouço vomito.
9. A semana passada, quinta-feira, jogo de futebol entre Marselha e Benfica, uma pessoa senta-se e pensa que vai ver um jogo da segunda divisão europeia e fica-se pasmado com a arbitragem, pior que as da regional de cá, e fica-se com a sensação que não nos podemos virar para lado algum nenhum pois caso contrário seremos logo roubados sugados agredidos no passado domingo a mesma coisa, como é possível aquele árbitro poder vir a arbitrar outra vez? Se tivesse um bocado, bocadinho pronto, de vergonha na cara nem sequer saía de casa.
É muito mau mas.
posted by luis Terça-feira, Março 30, 2010
Segunda-feira, Março 29, 2010
"«O pai», conta Miguel, «gostava de rezar as suas orações, mas de facto interessavam-no mais as formas exteriores do culto do que o conteúdo íntimo da religião. Na igreja, ficava de pé desde o princípio até ao fim do serviço religioso, e em casa desempenhava o papel de sacerdote. Costumava vestir-se de padre e zangou-se com a mulher, que ficara algum tempo em Taganrog, após a fuga do marido por causa dos credores, por ela lhe ter vendido a casula para comprar alimentos. Mas em tudo o mais era tão descrente como qualquer de nós e estava sempre preocupado com assuntos mundanos... Durante muitos anos tomou parte activa nas eleições locais, e nunca perdeu um só banquete público ou qualquer celebração».
Era este culto formalista da religião que levantava atritos entre Pavel e o padre Pokrovski, o prior da catedral de Taganrog, onde ele habitualmente cantava no coro. Não hesitava em espicaçar Pokrovski, durante a celebração do ofício religioso, sempre que achava que não estava a conduzi-lo estritamente de acordo com o ritual eclesiástico. Pokrovski, homem de bela aparência, com uma sonora voz de barítono (estudara para cantor de ópera na juventude), ofendia-se com a interferência de Pavel. Acabou por detestá-lo a tal ponto que nem sequer os filhos dele podia ver.
Pavel casou com Ifigénia Iakovlevna Morozov a 28 de Outubro de 1854."
David Magarshack (trad. João Gaspar Simões), Tchekov, Editorial Aster, Lisboa, 1960.
posted by luis Segunda-feira, Março 29, 2010
Quinta-feira, Março 25, 2010
Hoje faz sete anos que este blogue foi criado
7y Dylan desistió de cantarla y empezó a declamarla como si fuera un discurso. Desde el punto de vista musical fue algo poco memorable, pero la actuación misma es uno de los tres grandes sucesos en la historia de la música popular moderna tras la tercera aparición de Elvis Presley en el show de Ed Sullivan en 1957 (dondo sólo se permitió verlo de cintura para arriba) y el debut de los Beatles en ese mismo programa en 1964. Like a rolling stone
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Quarta-feira, Março 24, 2010
1847
24 DE MARZO. He cambiado mucho; sin embargo, todavía no he alcanzado el nivel de perfección (en mis ocupaciones) que me gustaría alcanzar. No hago lo que me prescribo; lo que hago, no lo hago bien, no ejercito la memoria. Por lo tanto anoto aquí algunas reglas que, creo, me ayudarán mucho si las hago. 1) Lo que hayas decidido hacer, hazlo cueste lo que cueste. 2) Lo que hagas, hazlo bien. 3) Nunca busques en un libro si has olvidado algo, intenta recordarlo por ti mismo. 4) Obliga constantemente a tu inteligencia a trabajar con todo el vigor posible. 5) Lee y piensa siempre en voz alta. 6) No te avergüences de decirle a la gente que te está molestando; primero haz que lo sientan, pero si no entienden, discúlpate y díselo...
25 DE MARZO. No basta con apartar a la gente del mal, es necesario estimularla hacia el bien.
... Hablando a grandes rasgos sobre las Instrucciones de la emperatriz Catalina se puede decir lo siguiente. En ellas... encontramos constantemente dos principios opuestos: el espíritu revolucionario, bajo cuya influencia se encontraba entonces toda Europa, y el espíritu del despotismo, al que su vanidad le impidió renunciar. A pesar de que ella era consciente de la superioridad del primero, es el último el que predominaba en las Instrucciones. Utilizó las ideas republicanas, que tomó prestadas en su mayoría de Montesquieu (como Meyer señala con toda razón), como um medio para justificar el despotismo, pero la mayor parte de las veces lo hizo sin éxito. Por eso en sus Instrucciones encontramos con frecuencia algunas ideas que necesitarían demostraciones y no las tienen, algunas ideas republicanas al lado de las más despóticas y, finalmente, con frecuencia, deducciones completamente opuestas a la lógica.
A primera vista nos percatamos de que estas Instrucciones son el fruto de la inteligencia de una mujer que, a pesar de su gran intelecto, de sus sentimientos elevados, de su amor por la verdad, no pudo reprimir la mezquina vanidad que oscurece sus extraordinarios méritos. En general, en esta obra encontramos mas mezquindad que solidez, más ingenio que inteligencia, más vanidad que amor por la verdad y, finalmente, más amor propio que amor por el pueblo. Para concluir, diré que estas Instrucciones le trajeron mayor gloria a Catalina que provecho a Rusia."
Lev Tolstói (trad. Selma Ancira), Diarios (1847-1894), Acantilado, 2002.
posted by luis Quarta-feira, Março 24, 2010
posted by luis Quarta-feira, Março 24, 2010
Terça-feira, Março 23, 2010
Parece que os republicanos votaram todos contra, andam sempre com o God Bless America pronto a disparar.
Parabéns, Mr. President. Yes we did.![]()
posted by luis Terça-feira, Março 23, 2010
Segunda-feira, Março 22, 2010
posted by luis Segunda-feira, Março 22, 2010
Entra-se no site do elpais e depois é como uma torrente, os golos de Messi (em Portugal só a figura ridícula do árbitro do jogo de ontem, Jorge Sousa, do caceteiro-mor Bruno Alves e do ontem maldoso Meireles; Aimar, David Luiz, Aimar, Ramires, Aimar, Di Maria, Aimar; e os jornalistas de futebol do público: ridículos também), lê-se e vê-se uma conversa com Tim Burton e guarda-se e publica-se um capítulo de 'Like a rolling stone', el ensayo de Greil Marcus sobre el inspirado Bob Dylan de 1965; e Johan Cruyff. É a vida. É a vida também porque parece que o tour europeu de Dylan não passará por cá.Like a rolling stone
CAPÍTULO 8
TRES ESCENARIOS
El acontecimiento se expandió por todo el país, tanto el país real, tal como era en el ruidoso, sanguinario e idílico verano de 1965, como el país imaginado, tal como Dylan lo pintaría en Highway 61 Revisited, que salió a la venta el 30 de agosto, justo a tiempo para que todo el mundo volviese a la vida real.
El primer paso fue la actuación de Dylan en el Newport Folk Festival, donde en los dos años anteriores (rodeado por creadores de éxitos como Joan Baez y Peter, Paul & Mary, nombres legendarios forjados en los discos fundacionales de blues y country de los años 20 y 30 —entre ellos Son House, Mother Maybelle Carter, Skip James, Roscoe Holcomb, Clarence Ashley, Mississippi John Hurt y Dock Boggs— y guardianes de la tradición como el cantante y banjista Peter Seeger o el folclorista Alan Lomax) se había convertido en la mayor atracción y la presencia más carismática. El amigo de Dylan Paul Nelson escribía entonces en el Little Sandy Review de Minneapolis y en Sing Out!, el órgano oficial del movimiento folk. Como él mismo diría en 1975 (posando como un detective de la Watchtower Detective Agency que estaba investigando la biografía de Dylan para eventuales clientes que «busquen promocionar a un héroe»), «a mediados de los sesenta el talento de Dylan provocaba un grado tan intenso de participación personal por parte de sus admiradores y detractores que él no podía permitirse ni un solo acto espontáneo. Hambrientos de símbolos, el mundo lo seguía a la espera de que tirase una colilla, y cuando lo hacía se abalanzaban en busca de un significado. Da miedo pensar en lo que podían hallar».
En Newport estaba aquel año la Paul Butterfield Blues Band, cuya aparición como banda eléctrica de blues liderada por un blanco condujo a una lucha entre Albert Grossman, que era el mánager del grupo (y también de Dylan y Peter, Paul & Mary), y Alan Lomax, que había presentado al grupo de Butterfield en su propio escenario como una ridícula farsa. «Yo estaba encantado con la disputa, y gritaba “¡dale una buena paliza, Albert!”», escribió Michael Bloomfield en 1977. Dylan pidió a Bloomfield que le buscase una banda, y con Al Kooper reclutó al batería Sam Lay y al bajista Kerome Arnold de la banda de Butterfield, además del pianista Barry Goldberg. Ensayaron hasta la madrugada, y la noche siguiente, el 25 de julio, subieron al escenario. «Yo llevaba unos Levis, una camisa y una chaqueta —dijo Bloomfield—. Los chicos negros de la Butterfield Band llevaban zapatos dorados y el pelo liso. Dylan iba vestido de roquero, con una chaqueta negra de cuero, una camisa amarilla y sin corbata. Tenía una Fender Stratocaster. Parecía recién salido de West Side Story.»
«La audiencia lo abucheaba y gritaba “tira esa guitarra eléctrica”», contó Nelson en aquel entonces. Hubo silbidos, chillidos, aullidos y vítores. La banda tocó un fiero «Maggie’s Farm», con Bloomfield de guía, y un estrepitoso «Phantom Engineer», una canción que reaparecería bajo otro título y de forma completamente distinta en Highway 61 Revisited; y en medio tocaron «Like a Rolling Stone» (por entonces ya en todas las radios), que se les fue de las manos. No pudieron encontrar la canción; se tambaleaba y gemía hasta retroceder finalmente a sus comienzos como si fuera un vals, y Dylan desistió de cantarla y empezó a declamarla como si fuera un discurso. Desde el punto de vista musical fue algo poco memorable, pero la actuación misma es uno de los tres grandes sucesos en la historia de la música popular moderna tras la tercera aparición de Elvis Presley en el show de Ed Sullivan en 1957 (dondo sólo se permitió verlo de cintura para arriba) y el debut de los Beatles en ese mismo programa en 1964.
De manera un tanto extraña, desde entonces se ha convertido en algo aceptable pretender que no hubo abucheos, o bien, si se admite que el público emitió algunos ruidos desagradables durante y entre las canciones, que en ello no hubo condena alguna de la música de Dylan. El volumen del sonido estaba demasiado alto, dicen algunos, y la gente (especialmente los miembros de la élite del movimiento folk, sentados en primera fila, quienes estarían inexplicablemente familiarizados con los detalles técnicos de la música amplificada) simplemente estaba pidiendo una mezcla mejor. O bien el sonido no estaba lo bastante alto. O las personas del fondo, sin comprender la crítica constructiva que ofrecían los de delante, y no queriendo parecer ignorantes, imitaron lo que de modo equivocado tomaron por abucheos y ahogaron lo que eran en realidad útiles sugerencias. O bien la gente protestó porque Dylan sólo tocó tres canciones, lo cual es posible pero no explica por qué había gente gritando antes de que la banda terminase y saliese del escenario. O, como Geoff Muldaur ha argumentado recientemente, la gente del movimiento folk protestaba no porque le disgustase el rocanrol, sino porque era capaz de distinguir el rock bueno del malo, y lo que Dylan estaba tocando era pésimo. O bien, como David Hadju dio a entender en 2001 en su hagiografía de Richard Fariña (el novelista de los sesenta, mujeriego e imitador de Dylan), todo el asunto fue un fraude urdido a posteriori con fines publicitarios por Dylan y sus aduladores.
No hubo controversia alguna en ese momento sobre si la multitud abucheó o no a Bob Dylan. La única disputa se produjo con relación a la música, y no sobre si era buen o mal rocanrol. La música era una colilla, y la gente decidió cuál era su significado allí mismo.
Fue la primera vez que el cantante conocido por su guitarra y armónica de vagabundo tocaba con una banda de rocanrol desde que había dejado la escuela secundaria. Una de sus primeras canciones originales, escrita en Hibbing en 1958, fue «Hey Little Richard», que puede escucharse en el documental televisivo de James March Tales of Rock & Roll: Highway 61 Revisited (1993), donde una grabación casera suena sobre una imagen exterior de lo que en 1958 era la habitación de Dylan en el segundo piso de la casa de los Zimmerman, de manera que la canción parece provenir de la ventana. Little Richard, ooooooo, Little Richard, grita Dylan, aporreando un piano, Little Richard gonna find out, Little Richard. Pero Little Richard no era Woody Guthrie, el primer héroe folk de Dylan, el trovador de los desposeídos, el poeta de la Gran Depresión, el espíritu de la carretera norteamericana, un hombre azotado por el viento y hecho de polvo. Little Richard, aunque por un tiempo fue alguien a quien millones de personas querían realmente escuchar, no era un hijo del pueblo: era un bicho raro vestido de púrpura, cubierto de brillantina y con un kilo de maquillaje. Little Richard era rocanrol, y ya fuera en 1961 (cuando Dylan ofrecía en los clubes folk del Village parodias burlescas de gorgoritos y lamentos adoslescentes; «voy a matar a mis padres —borboteaba en “Acne”, con Ramblin’ Jack Elliot haciendo los coros— porque no me entienden»), en 1964 (cuando durante su concierto de Halloween en el Philharmonic Hall Dylan fingió no saber que «Leader of the Pack» era de las Shangri-Las y no de las Marvelettes, porque era obvio que los éxitos de los Top 40 eran intercambiables) o en 1965 (para algunos de los que estaban entre la multitud de Newport), el rocanrol era como prostituirse para el populacho, degradar todo lo que había de bueno en uno mismo para venderse al mejor postor y ponerse un anuncio a la espalda si eso era lo que tocaba. «Para la comunidad folk —dijo Bloomfield, que había pertenecido a ella— elrocanrol era brillantina, cabezas y cuerpos danzantes, gente que se emborrachaba y movía el esqueleto. Lightnin’ Hopkins llevaba doce años grabando discos eléctricos, pero no sacó a su banda eléctrica de Texas, no señor: llegó a Newport como si lo acabaran de sacar a rastras de los campos de cultivo.»
Con la promesa de una guitarra acústica y nada ni nadie más, Peter Yarrow (de Peter, Paul & Mary) consiguió que la audiencia pidiera el regreso de Dylan al escenario. Cantó «Mr. Tambourine Man» e «It’s All Over Now, Baby Blue», «una canción —escribió Nelson— que yo entendí como su adiós a Newport», y de hecho Bob Dylan no volvería a aparecer por allí en treinta y siete años.15
«¡Como penitencia, como penitencia!, Dylan sacó su vieja guitarra Martin y se puso a tocar —dijo Bloomfield en 1977 con el mismo disgusto que doce años antes— cuando lo que debía haber hecho es mandarlos a la mierda.»
Cinco días más tarde, el 29 de julio, Dylan volvió al estudio. Con Russ Savakus y el amigo de Al Kooper Harvey Goldstein lue-
15. «Lo que más me impresionó fue lo fantasmal de aquello —me escribió el historiador Sean Wilentz a propósito del festival de 2002— porque todos los que eran una inspiración para los jóvenes artistas folk en 1965 o antes están muertos: Mississippi John Hurt, Son House... Había un buen número de fantasmas dando vueltas. Al mismo tiempo se producía un paso muy consciente de esa tradición hacia algo nuevo, en lo que respecta a los cantantes folk más veteranos. Dylan lo dejo ver muy claramente con las canciones que cantaba en 1965, con canciones que recordaban esa tradición.
»Hubo una fase de vuelta a las raíces, pero comparada con el inmenso interés por la música del pasado, había muy poco de ella. La mayoría de las canciones eran historias personales, de manera que con el 0 Brother, Where Art Thou?, de Alison Krauss, el festival parecía desmarcarse de la música folk de hoy. Era más que nada una muestra refinada de angustia adolescente y auto-indulgente, a lo Shawn Colvin.
»Dylan salió a escena con tirabuzones judíos, con coleta y una barba postiza. Parecía un tipo que se hubiera perdido intentando llegar en autobús a Crown Heights [el barrio hasídico de Brooklyn]. Visto desde otra perspectiva, sin tener en cuenta la barba, podría parecer una de las Shangri-Las. Luego se pareció más a Jesucristo. Estaba montando un show, y llevaba un disfraz porque era un juglar: un juglar judío, un juglar americano.
»Luego llegó un momento en que podría haber dicho algo [sobre lo sucedido en 1965] (cuando estaba presentando a la banda; en ese momento le presté especial atención), pero sólo sonrió, hizo un gesto rápido y luego acometió la última canción, “Leopard skin Pill-box Hat”. Y luego una versión estupenda de “Not Fade Away” de Buddy Holly, De nuevo los fantasmas. Él era toda la jodida tradición, él solo un festival.»
go conocido como Harvey Brooks) remplazando a Joe Macho Jr. al bajo, y con Bob Johnston como productor, Dylan grabó en los siguientes días el resto de Highway 61 Revisited, incluido el corte de once minutos «Desolation Row» (que Johnston interpretó como la respuesta de Dylan a sus enemigos de Newport) y su siguiente single, «Positively 4th Street», tema que casi todo el mundo interpretó como una respuesta a sus enemigos de Newport (especialmente a los aduladores e hipócritas de Greenwich Village, de quienes el cantante afirmó compasivamente que «siempre quieren estar en el lado del ganador»), aunque la gente de Minnesota siempre ha creído que su tema era la calle 4 de Minneapolis.
Newport forzó a la gente a tomar partido, o les permitió la ilusión de hacerlo. Lo que se oye de la multitud en el siguiente show de Dylan, en el Forest Hills Tennis Stadium de Long Island (el primer estreno a gran escala de su nueva música) es que todos se han reunido allí para librar una guerra cultural.
Dylan había creado una nueva banda; además de Goldstein al bajo y Al Looper al piano eléctrico, estaban Robbie Robertson a la guitarra y Levon Helm a la batería, estos últimos de Levon and the Hawks, el arrollador grupo de Toronto. El grupo acompañaría a Dylan una vez más, en el Hollywood Bowl el 3 de septiembre. Después de eso, el resto de los Hawks (el pianista Richard Manuel, el organista Garth Hudson y el bajista Rick Danko) se unieron a Robertson y Helm, y con ellos a su lado Dylan cruzó el país. En otoño Helm abandonó desesperado ante el rencor con que la banda era recibida por gentes enfurecidas: el cantante folk cuyas palabras podían entender había dado un giro en busca de un sonido tan grande que exigía sacrificar un significado para llegar a otro. Nuevos baterías (el último y más notable de ellos, Mickey Jones) ocuparon su lugar hasta que el grupo se disolvió cuando la larga gira, que los llevó por todo Estados Unidos, Australia, Escandinavia, Irlanda, Inglaterra y Escocia, terminó en Londres a finales de la primavera de 1966. Después Dylan sufrió su famoso accidente de motocicleta y dejó la carretera. En Woodstock se hizo el muerto y comenzó la búsqueda de una nueva música. Durante los años siguientes aparecería ocasionalmente con los Hawks, que en 1968 se convirtieron en The Band, y con Helm de nuevo formando parte del grupo. Dylan no volvió a hacer una gira durante ocho años.
El show de Dylan en Forest Hills se presentó con el formato que tendría durante ocho meses: primero una actuación acústica en solitario, luego un descanso, y a continuación con el grupo. Estaban presentes los nuevos fans de los éxitos que Dylan tenía en el Top 40, y había pinchadiscos de los Top 40 para presentar ambas partes. Dylan no podría haber sido más provocador si hubiese aparecido en la segunda parte del show montando en un Eldorado de oro puro o, lo que es lo mismo, en un becerro de oro, y la gente estaba dispuesta a ser provocada. La multitud estaba totalmente con Bob Dylan durante la mitad acústica del show, cogiendo sobre la marcha el ritmo y el estribillo de la aún inédita y nunca antes tocada «Desolation Row», riéndose de los embaucadores de la canción cuando Cenicienta se convierte en Bette Davis y Einstein intercambia la ropa con Robin Hood. No había ni una canción protesta formal (nada de The Freewheelin’ Bob Dylan o The Times They Are A-Changin’, ni «With God on Our Side» ni «A Hard Rain’s A-Gonna Fall»), pero allí estaba el verdadero trovador y la gente aplaudía. 16
Cuando Dylan volvía con el grupo para tocar «Maggie’s Farm», una versión eléctrica de «It Ain’t Me Babe» (del disco acústico de 1964 Another Side of Bob Dylan) y más canciones que aparecerían en Highway 61 Revisited, una y otra vez la furia recorría la multitud como una serpiente; es difícil creer hasta dónde llegaban las protestas y el odio. Escuchándolo ahora se puede sentir una masa de gente protes
16. Incluso en 1974, cuando Dylan y The Band volvieron una vez más a hacer giras por el país, la parte del show que hacía Dylan en solitario, acompañado sólo por su guitarra acústica y su armónica, casi siempre provocaba la respuesta más entusiasta, con muchos gritando y aplaudiendo con un fervor que ponía de manifiesto el rechazo que sentían por todo lo demás.
tando, muchos de ellos tan unidos en sus gritos como lo podían estar las adolescentes fanáticas de los Beatles («muy bien, cuando levante la mano todas gritamos ¡paul!», salvo que en Forest Hills la consigna habría sido «muy bien, ahora todos juntos: ¡hijo de puta!»). La actuación era un escandalo, con los músicos dejándose la piel en las canciones. «Like a Rolling Stone» era la última. Aún cuando los aplausos se imponían a los abucheos (que eran para muchos la razón de su presencia en el concierto) se puede oír que tanto Dylan como el grupo se distancian de la canción, de su dificultad, de su forma esquiva, del desafío que a fin de cuentas ésta representaba no sólo para quien la escuchaba sino también para quien pensaba que podía tocarla. Hacia el final, cuando todo indicaba que que sólo Kooper con su piano eléctrico estaba dispuesto a hacerse cargo del monstruo, la canción parecía reducirse a una insistente nota metálica.
Seis días más tarde, en Hollywood, hubo muchas menos protestas (aunque la única persona por mí conocida que reconoce haber abucheado a Dylan en 1965, y quizás la única persona viva dispuesta a admitirlo, lo hizo en el Hollywood Bowl), pero el grupo había evolucionado hasta sonar como lo que había entonces en la radio, y «Like a Rolling Stone» era aún una historia poco creíble. Shirley Poston, que escribía para The Beat (una gaceta sobre emisoras de radio que, a pesar de sus meteduras de pata —incluso en 1965, la mayoría de los oyentes de los Top 40 probablemente sabían que Eric Burdon de los Animals no era «el mejor cantante de blues del mundo»—, era en ese momento una revista de música pop tan buena como cualquier otra), es quien mejor cuenta la historia:
Ése era el momento que la mayoría del público había estado esperando. Dylan en carne y hueso, cantando la canción número uno que lo había convertido en un ídolo no de miles sino de millones. Era también probablemente el momento que él había estado esperando.
Él y su público se conocían la canción al dedillo. Lamentablemente, el grupo no. Y la famosa «Like a Rolling Stone» se quedó sin el poderoso acompañamiento que Dylan había compuesto y que había ayudado a lanzar el tema y al cantante a la fama internacional.
Pero Dylan se las arregló. No habían tenido tiempo para que el grupo se aprendiese el complicado arreglo, así que el grupo tocó más o menos como pudo.
Muy pronto, en Texas, Dylan perseguiría la canción con los Hawks. Durante los meses siguientes su música creció en poder y ambición. Parecía que nada se hallaba fuera de su alcance, pero «Like a Rolling Stone» se les seguía escapando. De alguna manera, el país que recorrían les daba menos que el país que Dylan ya había explorado en Highway 61 Revisited.
posted by luis Segunda-feira, Março 22, 2010
Domingo, Março 21, 2010
posted by luis Domingo, Março 21, 2010
Do sociólogo Immanuel Wallerstein só li The Modern World-System I: Capitalist Agriculture and the Origins of the European World-Economy in the Sixteenth Century, há uns anos, e mais uns textos aqui e ali, avulsos. De vez em quando uma crónica, como é o caso da que deixo aqui hoje, passou-me pelos olhos para aí há quinze dias três semanas.Commentary No. 276, Mar. 1, 2010
Immanuel Wallerstein
"Greek Mess, Euromess, Western Nations Mess, World Mess?"
Everyone is discussing what Fortune magazine is calling the "Greek maelstrom" and everyone is pointing the finger at someone else. Whose fault is it? The Greek government is accused of cheating and allowing Greeks to live beyond their means. The European Union is accused of having created an impossible structure for the euro.
Or is the fault with Goldman Sachs? It is accused of having enabled the Greek government to falsify its accounts when it sought to join the euro monetary system. It is accused today of engaging in "credit-default swaps" that make the situation of the Greek government even more vulnerable, but to the bank's profits. The head of credit strategy at UniCredit in Munich says this is like "buying insurance on your neighbor's house - you create an incentive to burn down the house." Chancellor Angela Merkel of Germany calls Goldman Sachs' actions in 2002 "scandalous" and Christine Lagarde, France's Finance Minister, calls now for greater regulation of credit-default swaps.
Niall Ferguson says that "A Greek crisis is coming to America." He calls this "a fiscal crisis of the Western world." Ferguson is preaching the evils of public debt and of the concept of a "Keynesian free lunch," which in the end is a "drag on growth." Paul Krugman says it's a "Euromess" because Europe should not have adopted a single currency before it was ready to have political union. But now the euro can't be allowed to break up since it would trigger a worldwide financial collapse.
Meanwhile, it seems everyone is pressuring the Greek government to reduce its budget deficit as a percentage of GDP from over 12% to say 4% in say four years. Can it do this? Should it do this? The Greek government says it will do something. This "something" has been enough to bring about massive strikes of farmers, hospital workers, air traffic controllers, customs officials, and all those who are being asked to reduce their income in the middle of an economic crisis and increased unemployment.
Should Germany do something? The Germans don't want to for two principal reasons. The first is the prospective demand of other states in economic difficulty (Spain, Italy, Portugal, Ireland) for the same thing. The second is the internal pressures of their citizens who see any help to Greece as money that is being taken away from them, when they too are feeling an economic squeeze.
On the other hand, if Greece (and other countries) squeeze their citizens to pay down the debt, it means reduced purchasing power for imports - first of all, from Germany. And this means in turn a downturn for the German economy. Josef Joffe, the editor of Germany's Die Zeit, groans: "Europe has become a huge welfare state for everybody, for states as well as individuals."
Meanwhile, the euro is slumping and the dollar is once again, for a moment, a "safe haven." Ferguson warns us that "US government debt is a safe haven the way Pearl Harbor was a safe haven in 1941."
When an analyst in the Financial Times suggested that Germany was going after all to bail out Greece, a German reader commented: "So what you're saying is give them your money to spend in your shop." But isn't that just what the Chinese do when they buy U.S. Treasury bonds?
What these multiple cross-cutting analyses of short-term blame and short-term gain miss is that the problem is worldwide and structural. Banks exist to make money. The games Goldman Sachs has been playing (and other banks as well) has not only been with Greece, but with many, many countries - even with Germany, France, and the United Kingdom, even with the United States.
This is because governments wish to survive. To do this, they need to spend enough money to prevent a "maelstrom" and civil uprising. And if they don't take in enough taxes to do this (both because they don't want to raise taxes further and because a weaker economy means less overall tax income), they must "massage" their accounts by borrowing. And covert borrowing (from banks, for example) is better than overt borrowing, since it enables governments to avoid criticism, until the day when the secret gets revealed, and there's a "run on the bank."
Greece's problems are indeed Germany's problems. Germany's problems are indeed the United States' problems. And the United States' problems are indeed the world's problems. Analyzing who did what in the last ten years is far less useful than discussing what, if anything, can be done in the next ten years. What is going on is a world-wide game of chicken. Everyone seems to be waiting for who will flinch first. Someone is going to make a mistake. And then we'll have what Barry Eichengreen has called "the mother of all financial crises." Even China will be affected by that one.
by Immanuel Wallerstein
http://fbc.binghamton.edu/commentr.htm
posted by luis Domingo, Março 21, 2010
Sábado, Março 20, 2010
posted by luis Sábado, Março 20, 2010
caro visitante, sortudo, felizardo, leitor, deixe-me assim olhos nos olhos dizer-lhe que deve seguir rapidamente paraTony Judt
If it is to be taken seriously again, the left must find its voice. There is much to be angry about: growing inequalities of wealth and opportunity; injustices of class and caste; economic exploitation at home and abroad; corruption and money and privilege occluding the arteries of democracy. But it will no longer suffice to identify the shortcomings of "the system" and then retreat, Pilate-like, indifferent to consequences. It is incumbent on us to reconceive the role of government. If we do not, others will.
If we had to identify just one general consequence of the intellectual shift that marked the last third of the 20th century, it would surely be the worship of the private sector and, in particular, the cult of privatisation. With the advent of the modern state (notably over the course of the past century), transport, hospitals, schools, postal systems, armies, prisons, police forces and affordable access to culture – essential services not well served by the workings of the profit motive – were taken under public regulation or control. They are now being handed back to private entrepreneurs.
Any society, Edmund Burke wrote in Reflections on the Revolution in France, which destroys the fabric of its state must soon be "disconnected into the dust and powder of individuality". By eviscerating public services and reducing them to a network of farmed-out private providers, we have begun to dismantle the fabric of the state. As for the dust and powder of individuality: it resembles nothing so much as Hobbes's war of all against all, in which life for many people has once again become solitary, poor and more than a little nasty.
In post-religious societies such as our own, where most people find meaning and satisfaction in secular objectives, it is only by indulging what Adam Smith called our "benevolent instincts" and reversing our selfish desires that we can "produce among mankind that harmony of sentiments and passions in which consists their whole race and propriety". We should be paying greater attention to the things states can do. The success of the mixed economies of the past half century has led a younger generation to take stability for granted and demand the elimination of the "impediment" of the taxing, regulating and generally interfering state. This discounting of the public sector has become the default political language in much of the developed world.
We need to learn to think the state again. How, in the face of a powerful, negative myth, are we to describe its proper role? We should begin by acknowledging, more than the left has been disposed to concede, the real harm that was done and could still be done by over-mighty sovereigns. There are two legitimate concerns.
Coercion is the first.
The second objection to activist states is that they can get things wrong.
George Orwell once noted that the "thing that attracts ordinary men to Socialism and makes them willing to risk their skins for it, the 'mystique' of Socialism, is the idea of equality." This is still the case. It is the growing inequality in and between societies that generates so many social pathologies. Grotesquely unequal societies are also unstable societies. They generate internal division and, sooner or later, internal strife – usually with undemocratic outcomes. As citizens of a free society, we have a duty to look critically at our world. But that is not enough. If we think we know what is wrong, we must act on that knowledge. Philosophers, it was famously observed, have hitherto only interpreted the world in various ways; the point is to change it.
posted by luis Sábado, Março 20, 2010
Sexta-feira, Março 19, 2010
If you ever go to Houston (30)1. o genial Ricardo
"Intervenção de Ricardo Araújo Pereira na mesa-redonda «Deus: questão para Crentes e não-Crentes»", x 3.
2. o genial Guillul
3. Esta semana, Miguel Esteves Cardoso e Ricardo Araújo Pereira fizeram-me chorar.
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Quinta-feira, Março 18, 2010
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Quarta-feira, Março 17, 2010
1847
18 DE MARZO. He estado leyendo las Instrucciones de Catalina (1) y he decidido que cada vez que lea un trabajo serio meditaré sobre él y anotaré las ideas más brillantes...
19 DE MARZO. Comienza a despertarse en mí la pasión por las ciencias; pero a pesar de que todas las pasiones del hombre esta as la más noble, no me abandonaré a ella de forma unilateral, es decir, destruyendo el sentimiento, desinteresándome de las aplicaciones y tendiendo únicamente a la formación del espíritu y al enriquecimiento de la memoria. La unilateralidad es la causa principal de la infelicidad humana. ...
(1) Las Instrucciones para la Comisión para la Composición de un proyecto para un nuevo código de leyes, de Catalina II, conocido simplemente como Instrucciones, fue publicado en 1766. Contenía muchas ideas que Montesquieu había formulado en su De l´esprit des lois (1748), y el profesor de derecho civil D. Meyer había encargado a Tolstói que hiciera una comparación entre el libro de Catalina la Grande y el de Montesquieu.
Lev Tolstói (trad. Selma Ancira), Diarios (1847-1894), Acantilado, 2002.
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Terça-feira, Março 16, 2010
"Pobre Anton», escreveu Alexandre, «que em rapazinho, de peito atrofiado, voz fraquinha e fraco ouvido musical, passou maus bocados por causa disso. Muitas vezes chorava amargamente durante os ensaios, que se prolongavam até altas horas e o privavam do sono que tão necessário lhe era à saúde.
«O pai era meticulosamente pontual, estrito e exacto em tudo o que dizia respeito ao serviço religioso. Se o coro tivesse de cantar na missa da manhã em dias de festa, acordava os filhos às duas ou três horas da madrugada e abalava com eles para a igreja, sem querer saber se chovia ou ventava. Os filhos eram obrigados a trabalhar duramente aos domingos e dias santos, tal qual como nos dias de semana... O pai era tão duro como áspero, e seria pràticamente inútil querer que ele mudasse de ideias. Além disso, era apaixonado de música de igreja e não podia viver sem ela». Numa carta para Alexandre, de Fevereiro de 1883, Tchekov emprega as mesmas expressões relativamente ao pai. «Era como um velho beato», escrevia ele, «tão duro como áspero, e seria inútil tentar demovê-lo dos seus propósitos uma polegada que fosse».
Mas em adição às cerimónias de igreja, Pavel organizava em casa outros serviços religiosos. «Aos sábados», escrevia Alexandre, «toda a família era obrigada a assistir à missa de noite, e, no regresso da igreja, tinha de cantar, durante horas, música sacra. O incenso ardia nos incensários, o pai ou um dos filhos lia a oração, e em seguida todos nós cantávamos em coro uma espécie de motete ou de antífona. De manhã, íamos à missa da alvorada, depois do que, de novo cantoria em casa». "
David Magarshack (trad. João Gaspar Simões), Tchekov, Editorial Aster, Lisboa, 1960.
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Segunda-feira, Março 15, 2010
Em Espanha parece que também não sabem mas, pelo menos, têm mais 752 páginas John Ford nas prateleiras. É a vida.
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Sábado, Março 13, 2010
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Quinta-feira, Março 11, 2010
1. Jornal Público, terça-feira, 2 de Março de 2010. A large negrito na primeira página: Escolas públicas perdem cada vez mais alunos para o ensino privado. A normal negrito: Estabelecimentos geridos pelo Estado perderam 98 mil estudantes em dez anos. Quota do ensino particular subiu de 15 para 18 por cento do total.
Página 38, do editorial: a large negrito: um dos títulos: Um desafio para a escola pública. A large: A escola pública tem de responder à concorrência da escola privada, para atenuar as desigualdades.
2. A dado passo da conversa decidiu interrompê-lo, a verborreia que aquele homem pela boca olhos barriga vomitava, os professores isto, os professores aquilo, são todos isto e mais aqueloutro, aquilo e tal e assim, estava descontrolado, vermelho, cor-de-rosa.
- Olha, olha, pára lá se faz favor e ouve um bocado:
- Já sei o que vais dizer...
- Ouve, se faz favor: em que trabalhas?
- Diz?
- Em que trabalhas, de onde te vem o dinheiro?
- Trabalho na construção civil.
- E a tua mulher?
- Numa fábrica.
- A tua filha em que ano está?
- 12º
- Que curso quer tirar na universidade?
- Medicina, médica.
- Tem tido notas para isso?
- Tem tido, mas os exames e...
- Escola pública ou privada?
- (risos) Pública.
- Ok.
- Mas esta ministra e este governo...
- Deita o cartão fora. Rasga.
- Estás muito enganado.
3. Anthony O`Hear, Os Grandes Livros: "Contudo, pouco depois da morte de Ésquilo, Atenas envolveu-se num prolongado e terrível conflito com Esparta (que acabou por perder), no decurso do qual, mais precisamente em 416 a.C., os atenienses --muitos dos quais tinham, sem dúvida nenhuma, assistido às peças de Ésquilo-- perpetraram um crime tão tremendo e tão indesculpável como o que tinham perpetrado em Tróia, tão bárbaro como qualquer crime que os persas tivessem praticado na juventude de Ésquilo. Como os habitantes de Melos insistissem em manter a neutralidade na guerra que opunha Atenas a Esparta, os homens dessa ilha foram todos chacinados, as mulheres e as crianças reduzidas à escravatura e a ilha entregue a colonos atenienses. Embora este acto possa ser considerado um rotundo fracasso das instituições que Ésquilo tanto elogia no final de As Euménides, dado que o massacre dos habitantes de Melos foi decidido por votação na assembleia de Atenas, o dramaturgo poderia replicar que o máximo que este acto demonstra é que não basta ter boas instituições. Se estas são indubitavelmente um progresso relativamente à aplicação privada da lei e da justiça, o seu êxito depende do facto de serem aplicadas por homens de boa vontade, coisa que não aconteceu em Atenas, no ano 416 a.C.
No famoso «Diálogo dos Mélios», inserido no Livro V da História da Guerra do Peloponeso, Tucídides põe na boca dos atenienses, como justificação para o massacre, o argumento de que na relações entre Estados, a lei necessária da natureza é governar sempre que se consegue. Enquanto potência mais fraca, os mélios têm o dever de se submeter à mais forte. Em tais circunstâncias, não é vergonha nenhuma ceder à mais importante cidade da Grécia, em especial quando esta propõe condições favoráveis. Os mélios recusaram-se a aceitar essas condições, com as consequências que foram referidas. Nunca saberemos ao certo o que teria o autor de Os Persas e da Oresteia achado do «Diálogo dos Mélios». Mas é razoável especular que, nas suas peças, Ésquilo nos apresenta material que permite contrariar, em palavras e obras, a decisão que os seus compatriotas tomaram. "
4. Na edição do passado sábado, dia 6 de Março, do jornal Público muitos textos mas para já apenas sobre dois deles: Uma ideia para Portugal, José Mattoso, e educação Rankings e avaliações, Eduardo Marçal Grilo.
Textos que podiam e deviam ser complementares e até um wip de não sei quantas páginas mas... não são e estão muito longe de o ser, ou, esperem... até podem ser mas é se tornarmos o segundo no contrário do que ele diz. Complicado? Simples.
José Mattoso, avé, termina o seu texto a falar do lugar dos justos, cidadania plena, bem comum, noção de serviço público, o sítio da civilização e da cultura, hoje e amanhã, porque conhecemos o ontem, Mattoso diz: "se algum historiador ousa falar do que está para vir, só pode fazê-lo em nome da sabedoria que lhe vem de conhecer o passado".
Outra vez: Mattoso diz, na página 4 do P2: "se algum historiador ousa falar do que está para vir, só pode fazê-lo em nome da sabedoria que lhe vem de conhcer o passado", mas Marçal Grilo, na página 58, não ouve nada, nada, devia, mas não, ou porque não quer, o mais credível e o mais certo, ou porque não sabe, muito remoto. Um professor doutor, gulbenkian, ministro, universidade... Será que muito do trabalho dos professores doutores deste mundo, associados e jubilados, é anotar quantas cagadelas de moscas é que o seu gabinete produz a partir da primavera? ou é estudar e investigar a melhor forma/caminho de chegarmos a ser civilização e cultura para o maior número de pessoas, também fora dos gabinetes?
Quem andou/anda atento às questões da educação sabe que o que Marçal Grilo disse e manifestou foi muito pior do que zero à esquerda. Tinha a obrigação, já que decidiu falar, de dizer com todas as letras e mais algumas se fosse necessário que a ex-ministra da educação se enganou/equivocou/não percebe nada do que está/esteve a fazer e que por isso se deve mudar de direcção. Absolutamente.
Outra coisa sr. professor doutor é a avaliação e rankings, isso é outra coisa; o que o anterior governo fez à escola pública foi/é dar início ao seu fim. Com todas as letras. Iniciar o seu fim. Princípio do fim. Por isso as parangonas e debates de jornais e worhshops valem quase nada. Ainda agora há quem ache que as escolas estão preparadas para a escolaridade obrigatória até ao 12º ano. Veja lá. Sou um tonto, não é? Dizer isto assim, com refluxo gástrico em níveis elevados.
Olhe, ainda bem que não foi meu professor, o sr. professor doutor também é um dos responsáveis pelo fim da escola pública portuguesa. É. Sim. Verdade. Um dos responsáveis.
Devia e podia ter falado nas horas certas, ainda foram algumas. Pena. É a vida. A velocidade das suas pernas quando cruzadas vai aumentar. Deixe. É normal. Nas farmácias também há pantoprazol e omeprazol e assim.
5. Maria de Fátima Sousa e Silva, Introdução a Aristófanes: "Porque antes de mais `política´, a produção de Aristófanes tem de ser avaliada dentro do contexto histórico e social a que pertence. Os anos que acompanharam a vida teatral do poeta são, na Grécia, os da Guerra do Peloponeso, com todas as suas marcas de agitação externa e interna no dia-a-dia de Atenas. O século V a.C. foi na sua maior extensão, um tempo de conflitos armados. nas duas primeiras décadas, as guerras pérsicas empenharam toda a Grécia na defesa perante um unimigo comum --o grande império persa--, em nome da liberdade do território helénico, antes de mais, mas também do de toda a Europa, para onde a ambição de Dario e Xerxes prolongava um olhar voraz. Maratona, Termópilas, Salamina ou Plateias ficaram na memória colectiva dos Gregos como referências de uma vitória ganha com determinação e coragem, a que os deuses não terão deixado de acrescentar o seu contributo milagroso; uma pátria pobre, dividida e de fronteiras limitadas, lograva impor-se aos recursos e ao poder de uma potência e, em nome de um ideal de independência e de patriotismo, afastar a iminência da ocupação bárbara. Atenas colheu do sucesso helénico uma coroa maior pelo papel determinante que teve na estratégia da resistência, que produziu o desmantelamento e a retirada do invasor. Por isso lhe coube presidir à liga de Delos, uma confederação de cidades gregas, tributárias para um fundo comum com objectivos de defesa e prevenção contra futuras arremetidas do inimigo. Mas da própria prosperidade, Atenas fazia germinar desde logo o embrião da decadência, é assim, em linha curva, que a história desenha o destino das sociedades humanas. Tentada pela prerrogativa que lhe dava a presidência da liga de Delos, a cidade de Atena entendeu usar, em proveito próprio, fundos comunitários, agravar as contribuições dos seus parceiros, manifestando às cidades gregas, perplexas, propósitos que melhor convinham a uma potência que pretendia encabeçar um império do que à simples coordenadora de uma política comum."
6. A dada altura uma tontura e um snapshot: se as pessoas, mais parecendo indivíduos do que outra coisa, que estão à frente do ministério da educação são o que são e tomam as decisões que tomam será que nos outros ministérios/organizações/associações/grupos é igual? E vai-se, assim, alegremente?
É que olhando vê-se, repara-se, que esses indivíduos percebem pouco do que falam e decidem, e os que escrevem e falam para justificar e redimir os seus chefes ou amiguinhos de capelinhas percebem menos uns e percebem mais outros, o que, note-se, só lhes vai aumentar a velocidade da perna esquerda ou da perna direita enquanto sentados com elas cruzadas.
É, foi, impressionante ver como muitas pessoas emitiram/emitem opiniões acaloradas sobre algo que não sabem; dizem que ser assim é que é ser homem/mulher de estado ou do mundo; ou seja: nada perceber, dizer meia dúzia de balelas e foder=acabar com sistemas de que dependem muitas pessoas e indivíduos; até lhes dão pancadinhas nas costas, e umas medalhas ao peito.
Estava à vista de quem quisesse ver, e a responsabilidade é maior naqueles que sabiam o que estavam a ver/ler. Os outros são circo, destruir depois de ler.
7. Fazer zapping é quase sempre perigoso, tanto na televisão como no rádio. Um destes dias, num desses momentos, fiquei a ouvir um parágrafo até ao fim de uma autora portuguesa com um locutor de rádio português, que já morreu mas ainda não sabe. Dizia a autora que, muitas dezenas de livros para crianças depois, quando ia a uma escola era sempre muito bem recebida, que até os alunos mais problemáticos com quem convivia diziam que gostavam muito dela, ela é que era, e que sentia que ajudava muito estar por ali, pelas escolas. Acrescentou que nunca passava mais do que dois dias numa escola mas que percebia muito bem todos estes alunos e o modo de funcionamento das escolas.
Continuemos todos a fazer de conta.
posted by luis Quinta-feira, Março 11, 2010
Quarta-feira, Março 10, 2010
posted by luis Quarta-feira, Março 10, 2010
Terça-feira, Março 09, 2010
Taganrog, Anton Tchékhov: 150 anos 150 posts (3/150)LMD
"Numa carta para Alexandre, datada de 13 de Outubro de 1888, escrevia Tchekov: «O pai costumava sorrir para os fregueses ainda mesmo quando o queijo suiço na loja lhe dava a volta ao estômago». Era mau educador e louco. «Medíocre, homem de poucos méritos», como Tchekov o descreve numa carta a Suvorine. Mas compensava isso com um extraordinário egoísmo e uma vaidade que raiava pela megalomania. Gostava de se ouvir falar a si próprio, e proferia frases tão profundas como, por exemplo, esta: «Por que estará nevando aqui e não ali?» ou «Por que crescem aqui as árvores e não acolá?»
Gostava de ler em voz alta, e apreciava particularmente histórias de amor de magazine. Raramente entendia, porém, o que estava a ler e muitas vezes tinha de interromper a leitura para perguntar à mulher o que queria dizer a história. Era muio presumido no vestir, e nunca saía à rua sem chapéu alto e a camisa impecàvelmente engomada. Mas o que num homem menos egoísta e mais inteligente teria sido benéfico para os filhos, por exemplo, os seus indubitáveis talentos artísticos, nele tornava-se uma maneira adicional de lhes impor a sua vontade e de os fazer mais infelizes.
Era músico entusiasta, especialmente devotado à música de igreja. Aprendia violino sòzinho e imaginava-se um óptimo regente coral. Também aprendeu a pintar sòzinho (um ícone pintado por ele está agora no Museu Tchekov de Ialta). «Cantar e tocar violino», conta Miguel, o filho mais novo, «era para ele, a sua grande vocação na vida». Para satisfazer esta paixão organizou um grupo coral formado pelos filhos e por gente da cidade, e dava concertos em casa e em público, esquecendo-se muitas vezes de olhar pelos negócios. Foi isso, ao que parece, a causa da sua ruína financeira.
Este grupo coral, segundo Alexandre, foi uma maldição para os filhos, e especialmente para Tchekov."
David Magarshack (trad. João Gaspar Simões), Tchekov, Editorial Aster, Lisboa, 1960.
posted by luis Terça-feira, Março 09, 2010
Segunda-feira, Março 08, 2010
LMD
Conforme prometido --no próximo post com o título Lev Tolstói, Yásnaia Poliana, 1828 - Astapovo, 1910 a primeira e a última entrada destes diários-- elas aqui ficam:
1847
17 de Marzo. Kazán.(1) Hace seis días que ingresé en la clínica, y durante estos seis días casi me he sentido satisfecho de mí mismo. Les petites causes produisent de grands effets. Pesqué una gonorrea por el motivo, ya se entiende, por el que se pesca; y esta circunstancia trivial me dio el impulso para subir el escalón en el que había puesto un pie hace mucho tiempo, pero adonde no había llevado todo mi cuerpo (probablemente porque puse de forma equivocada el pie izquierdo en vez del derecho). Aquí estoy absolutamente solo, nadie me molesta, no tengo sirvientes, nadie me ayuda y, por lo tanto, nada ajeno ejerce ninguna influencia sobre mi razón o mi memoria, y mi trabajo debe necesariamente avanzar. Pero la mayor ventaja es que he podido darme cuenta con toda claridad de que la vida desordenada, que la mayor parte de la gente intrepreta como una consecuencia de la juventud, no estro cosa que la consecuencia de una precoz corrupción del alma.
La soledad es tan buena para un hombre que vive en sociedad como la vida lo es para uno que no vive en ella. Si un hombre se aparta de la sociedad, si se retrae en sí mismo, su razón no tardará en quitarle los lentes que le hacían ver las cosas de una manera deformada, y su visión se aclarará hasyta tal punto que le resultará difícil entender cómo no había visto todo eso antes. Deja que la razón actúe, ella te mostrará tu destino y te dará las reglas con las que podes entrar sin temor en la sociedad. Lo que está en concordancia con la facultad primordial del hombre --la razón-- estará en concordancia con todo lo existente; la razón de un ser humano aislado es una parte de todo lo que existe, y la parte no puede perturbar el orden del todo. Pero el todo puede destruir la parte. Por eso educa tu razón de manera que esté en concordancia con el todo, con la fuente del todo, y no sólo con una parte, con la sociedad humana; entonces tu razón se fundirá en la unidad de este todo, y por lo tanto la sociedad, como parte, no tendrá ninguna influencia en ti.
Es más fácil escribir diez volúmenes de filosofía que llevar a la prática una sola regla, no importa cuál.
(1) Durante el otoño de 1841 los niños Tolstói se mudaron de Yásnaia Poliana a Kazán, en donde vivía su tutora P. I, Yushkova. En marzo de 1847 Tolstói estaba en el segundo curso de la facultad de Leyes de la Universidad de Kazán.
Lev Tolstói (trad. Selma Ancira), Diarios (1847-1894), Acantilado, 2002.
1910
[29 de Octubre) Llegó Serguéienko. Todo sigue igual; aun peor. Lo único que pido es no pecar. Y que no haya maldad en mí. En este momento no la hay.
Lev Tolstói (trad. Selma Ancira), Diarios (1895-1910), Acantilado, 2003.
posted by luis Segunda-feira, Março 08, 2010
Sexta-feira, Março 05, 2010
If you ever go to Houston (28)
"Nos finais do Verão de 1822, o reverendo James Dickey regressava a casa, nas imediações de Paris, de uma excursão que fizera com a família pelo condado de Barren, no Kentucky. Através da erva da pradaria, chegou-lhes o som alegre de violinos e os Dickey presumiram estar prestes a encontrar uma qualquer parada ou "feira militar" festiva. Em vez disso, depararam-se com uma procissão composta por cerca de quarenta homens e mulheres negros acorrentados, "o casal da frente tinha violinos" e um outro era obrigado a erguer, com os punhos algemados, a Bandeira das Estrelas e das Listas, que ondulava acima das suas cabeças encurvadas --era um júbilo demente. O pastor veio a saber que aquela provação pública era um castigo colectivo aplicado a todos os escravos por um deles --uma mulher-- ter resistido fisicamente a que a enviassem para outro lado (afastando-a, quase de certeza, do marido e dos filhos) e ter tido a temeridade de levantar a mão ao seu comprador. A propósito dessa situação, Dickey escreve: "A minha alma ficou doente com aquele espectáculo. Como homem, sentia compaixão pelo sofrimento da Humanidade. Como cristão, lamentava as transgressões da Terra Sagrada de Deus e, como republicano, sentia-me indignado por ver a bandeira do meu país insultada daquela forma. Não consegui deixar de me dirigir ao condutor: ´Os Céus amaldiçoarão o homem que se dedica a tal tráfico`".
Temos conhecimento do confronto de Dickey com aquela grotesca procissão, perto de Paris, no Kentucky, porque este foi incluído na livro que aqueceu os ânimos por todo o território dos Estados Unidos: a obra de John Rankin Letters on Slavery. Embora já menos lida, essa foi uma das obras abolicionistas pioneiras."
Este excerto, apenas e só, justificaria a leitura do livro.
Li, em meados de Fevereiro, que Schama iria estar no fim desse mês em Portugal, para apresentar o livro O Futuro da América A História dos EUA dos Fundadores a Barack Obama. Não li, nem vi, nem ouvi, mais nada em relação a essa presença ou não por cá. Mas de certeza que a falha é minha, foi.
Nas primeiras 10 entradas do google (Simon Schama em Portugal): 0/zero informações.
Nas primeiras 20 entradas do google (Simon Schama em Portugal): 0/zero informações.
Alteremos a entrada: Simon Schama: O futuro da américa: primeiras 10: publicidade à edição do livro no Brasil e
primeiras 20:
Adiantando, citar Godard, Elogio do Amor: quando diz que chamar a um país o nome de um continente inteiro... com história milenar... enquanto o país tem pouco mais do que duzentos e poucos anos...
Vi e gostei dos documentários O Poder da Arte; mas o livro é melhor. Um programa que a rtp n apresentou sobre escritores e livros (apenas vi, enquanto fazia zapping, cinco minutos daquele com Günter Grass) tinha um genérico, diria, quase plagiado do destes documentários, enfim.
Schama não tem medo, desprende-se-lhe a língua e arrisca, dá opinião, estende-se ao comprido, diz que gosta de assim e assado, faz previsões, liga-se e implica-se e por aí fora. Tudo ao contrário do que uma certa forma académica de História, e de a fazer, gosta de cilindrar e assar.
Que mais? É um livro delicioso. Delicioso.
Até à página 250, primeira e segunda partes, Schama trata da guerra e da religião. E vai por aí fora, de Thomas Jefferson a West Point, Lincoln, de Montgomery Meigs a Alexander Hamilton, ao Drop Zone Cafe, San Antonio, Texas, 3 de Março de 2008, de Mark Twain a Theodore Roosevelt e... Pena Schama não entrar com Griffith e John Ford e/ou o Three Burials of Melquiades Estrada; até ao O Fervor da América: de Fannie Lou Hamer, de Raven a Providence, de George Washington aos Seixas, de Jefferson aos circuit riders, a Jarena Lee.
Pena é que Schama não tenha feito o mesmo que Alex Ross fez ao seu O resto é ruído, pois este livro merecia um site com os recursos que o estadounidense fez, faz. Disponibilizar os documentos e os discursos e os sermões e as imagens... online seria muito bom. Como Bill Moyers fez, a espaços, no seu Journal.
É certo que esta história dos EUA dos fundadores a Barack Obama deu dois programas de televisão mas...
(Pena que a capa portuguesa, da civilização editora, não tenha sido esta)
Excertos da conversa que podem ver e ouvir e ler entre Bill Moyers e Schama aqui:
BILL MOYERS: ... War, religion - what you call American fervor, I love that term, fervor - immigration, and abundance, or plenty. Tell me briefly why those four themes commanded your attention.
SIMON SCHAMA: The views that America's had historically about those seem to me to gather together into the exceptional American character. For example, it was really only in America that an intense debate was played out, about what the place of the military was going to be in American life.
If you ask me a prediction, Bill, I think ...
But what I wanted to say, Bill, was that this election is an astonishing moment in that respect because Americans were asked to vote on who they thought would be the more authentically, patriotically competent commander-in-chief between a decent, decorated, genuine American white hero and someone who looked and sounded like Barack Obama. You can't make the case that an African American somehow is incapable of embodying American values when every word that falls out of that man's mouth sounds as though he'd written the Constitution. I'm being a little too nice to Obama now.
But you asked, of course, the historical question. That is profound. America begins with an act - and you know, I'm deeply sentimental in my enthusiasm about the beginning of the American experiment. But it begins with an act of profound bad faith. Jefferson writes the Declaration of Independence in which liberty and equality are offered as the defining principles that make you American, while he is himself a slave owner. And then the Constitution is made at the moment in which African Americans are defined as three-fifths of a human in order to give the South enough clout to perpetuate slavery.
And, you know, Lincoln's conversion coming up to the Civil War and then during the Civil War, from someone who found it morally loathsome but pragmatically had to be kept that way, to someone who, for whatever reasons, to win the war or not, was responsible for the Emancipation Proclamation, was an enormous change.
Lincoln, simply in the end, found it unbearable to hold up his head as an American and keep that act of bad faith going. But then we had a hundred years of Jim Crow and we had the civil rights movement. So this moment, it does seem to me to finally wipe clean that original sin, that profoundly repellent act of bad faith at the very beginning.
SIMON SCHAMA: When Obama decided on March the 18th, I'm sure it was actually, to give that great speech, the greatest speech he gave in the entire campaign, in Philadelphia. And he said, "I want to explain to you the relationship between religion and being an African American in America. "I want to explain to you, however much you like or dislike it, the nature of black anger. And then you'll understand why Jeremiah spoke as extremely as he did."
BARACK OBAMA: For the men and women of Reverend Wright's generation, the memories of humiliation and doubt and fear have not gone away; nor has the anger and the bitterness of those years. That anger may not get expressed in public, in front of white co-workers or white friends. But it does find voice in the barbershop or the beauty shop or around the kitchen table.
And occasionally it finds voice in the church on Sunday morning,
SIMON SCHAMA: I thought, he has gone down in flames. I thought that day when I read it, I thought this is a noble speech which has destroyed his candidacy. He's decided to grasp two violently struggling snakes with his hands. And he's had it, really. But he will know when he loses the nomination, I thought, my power of clairvoyance deserting me, that he went down for a good cause. But, of course, it was that moment where actually engaging an issue of morality in American life only did him good. It only did him good.
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Querem Hobsbawm?
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