‘Thank you so much,’ she told me. ‘You are most kind. We’re just going to feed the ducks but call me the next time you are here. We have a lot of history here. You will enjoy it.’
Título: OS MELHORES CONTOS DO PADRE BROWN Autor: G.K. Chesterton Selecção e apresentação: Peter Stilwell Tradução do inglês: Jorge Pereirinha Pires Colecção: Teofanias / Tema, classificação: Ficção / Policial Distribuição: 20 a 22 de Julho de 2010 Formato e acabamento: 14,5 x 20,5 cm, edição brochada / N.º de páginas: 240
"A escolha de um pequeno e apagado sacerdote católico para seu detective de eleição é talvez o aspecto mais intrigante da incursão de Chesterton no conto policial. A construção do Padre Brown, homem de Deus, simples, sábio e humano, é tanto mais curiosa quanto o primeiro conto de que é protagonista foi publicado há cem anos, em 1910, muito antes de o autor ter aderido ao catolicismo. Quando, em 1923, Gilbert Keith Chesterton (1874-1936), jornalista, biógrafo, filósofo e poeta, quis acolher se à Igreja Católica, já os seus contos circulavam em colectâneas como A Inocência do Padre Brown (1911), que obtiveram grande popularidade. Não por acaso, Chesterton foi eleito, em 1929, primeiro presidente do Detection Club, fundado por Anthony Berkeley.
Ao ler estes contos, o sacerdote desajeitado que Chesterton idealizou com o seu «grande e puído chapéu-de-chuva, que lhe estava sempre a cair ao chão», parece de início não sermais do que uma antecipação do profiler contemporâneo: um observador atento do comportamento humano, um analista de perfis psicológicos, que identifica o criminoso a partir do seu agir e da vítima que preferiu. Confrontado com essa hipótese em O Segredo do Padre Brown, o pequeno sacerdote reage, no entanto, com inesperada energia e explica que esse método, dito científico por muitos, o obrigaria a «situar-se fora do homem e a estudá-lo como se fosse um gigantesco insecto», sujeitando o eventual criminoso ao que o padre «chamaria uma luz morta e desumanizante». Pelo contrário, o seu método, se assim se podia chamar, partia do simples reconhecimento de que «estou dentro de um homem. Estou sempre dentro de um homem». É no interior da sua condição humana que, na verdade, aguarda «até saber que estou dentro de um assassino […]. Até ser mesmo um assassino»."
Título: O TEMPO DAS SUAVES RAPARIGAS E OUTROS POEMAS DE AMOR Autor: Ruy Belo Colecção: Gato Maltês / Tema, classificação: Poesia Distribuição: 20 a 22 de Julho de 2010 Formato e acabamento: 11,5 x 18,5 cm, edição brochada / N.º de páginas: 96
"Este precioso volume reúne alguns dos mais belos poemas de amor presentes na obra de Ruy Belo, um dos maiores poetas do século XX em Portugal.
ORLA MARÍTIMA
O tempo das suaves raparigas é junto ao mar ao longo da avenida ao sol dos solitários dias de dezembro Tudo ali pára como nas fotografias É a tarde de agosto o rio a música o teu rosto alegre e jovem hoje ainda quando tudo ia mudar És tu surges de branco pela rua antigamente noite iluminada noite de nuvens ó melhor mulher (E nos alpes o cansado humanista canta alegremente) «Mudança possui tudo»? Nada muda nem sequer o cultor dos sistemáticos cuidados levanta a dobra da tragédia nestas brancas horas Deus anda à beira de água calça arregaçada como um homem se deita como um homem se levanta Somos crianças feitas para grandes férias pássaros pedradas de calor atiradas ao frio em redor pássaros compêndios de vida e morte resumida agasalhada em asas Ali fica o retrato destes dias gestos e pensamentos tudo fixo Manhã dos outros não nossa manhã pagão solar de uma alegria calma De terra vem a água e da água a alma o tempo é a maré que leva e traz o mar às praias onde eternamente somos Sabemos agora em que medida merecemos a vida"
Título: O HIPOPÓTAMO DE DEUS E OUTROS TEXTOS Autor: José Tolentino Mendonça Colecção: Alfinete / Tema, classificação: Ensaio Distribuição: 6 a 8 de Julho de 2010 Formato e acabamento: 11,5 x 18,5 cm, edição brochada / N.º de páginas: 144
"Neste livro reúnem-se textos de José Tolentino Mendonça que exploram a relação entre cristianismo e cultura, dos tempos bíblicos até aos mais recentes acontecimentos na sociedade portuguesa. Um livro notável para se ler de um fôlego, nestes tempos conturbados em que a sociedade vive a um ritmo alucinante, quase sempre sem disponibilidade para olhar além do seu lado materialista.
«Um dos passos mais intrigantes da Bíblia tem a ver com um hipopótamo. E não é propriamente um divertimento teológico, pois surge numa obra que explora muito seriamente os limites da responsabilidade humana perante a experiência devastadora do Mal. Falo do Livro de Job, claro. O que primeiro nos surge ali é o protesto de Job contra o Mal que se abate inexplicavelmente sobre a sua história, protesto que se estende até Deus, já que, afinal, Ele não isenta os justos das tribulações. Mas depois vem o momento em que Deus se propõe interrogá-lo. E nesse diálogo assombroso, desenvolve-se um raciocínio que não pode ser mais desconcertante. Job só consegue pensar nas suas aflições, nas razões e desrazões com as quais, inutilmente, esgrime.Deus, porém, desafia-o a olhar de frente para... um hipopótamo. “Vê o hipopótamo que criei como a ti... Ele levanta a sua cauda como um cedro; os tendões das suas coxas estão entrelaçados. Os seus ossos são como tubos de bronze, a sua estrutura é semelhante a pranchas de ferro. É a obra-prima de Deus..., ninguém se atreve a provocá-lo.”[…]»"
Título: A NOITE ABRE MEUS OLHOS [poesia reunida] — 2.ª edição Autor: José Tolentino Mendonça Colecção: Documenta Poetica / Tema, classificação: Poesia Distribuição: 6 a 8 de Julho de 2010 Formato e acabamento: 12 x 17 cm, edição encadernada N.º de páginas: 256
"A Noite Abre Meus Olhos reúne toda a poesia publicada por José Tolentino Mendonça. Esta segunda edição, que agora se apresenta, foi actualizada com todos os poemas que o autor publicou até à data e surge agora em versão encadernada, mantendo contudo o preço anterior. Sobre a poesia aqui reunida, fala-nos Silvina Rodrigues Lopes:
«Tudo o que a poesia de A noite abre meus olhos traz para a luz ou escuridão do sentir e do pensar, o traz no seu distanciar-se, movimento que não se compadece com os hábitos da domesticação ou simplesmente da racionalidade que para se erguer ignora o que não seja dado em método, substância ou ideia. Não ignorando aquilo de que não se pode dispor, os poemas deste livro fazem sua a condição de prosseguir nomeando o possível, respondendo ao impossível, assim fazendo ressoar a dualidade no âmago do mundo, assim inscrevendo nele os seus trajectos sem regresso. Ao fazê-lo assinalam por vezes como fé ou acompanhamento de Deus, potência alterante, o impulso de partida que se gera e se prova no ritmo mais íntimo e mais próprio da vida, do poema […]. Uma leitura deste livro não podendo remeter a fé que aí se assume para a categoria de acessório, não é por isso necessariamente conduzida à discussão de uma questão religiosa, ou sequer de uma questão de Deus. Construindo-se como escuta e reflexão, a disponibilidade para o que altera torna-se-lhe intrínseca, e também ela tem uma única forma de acompanhar o que lê.»"
Título: AS NOVAS MIL E UMA NOITES — I Volume Autor: Robert Louis Stevenson Tradução do inglês: José Domingos Morais Colecção: O Imaginário / Tema, classificação: Ficção Distribuição: 20 a 22 de Julho de 2010 Formato e acabamento: 13,5 x 21 cm, edição brochada / N.º de páginas: 240
"As Novas Mil e Uma Noites é um livro de histórias. Nem outra coisa poderia ser, já que tal título—New Arabian Nights, no original inglês—nos remete directa e imediatamente para a fabulosa e famosíssima colectânea das Mil e Uma Noites.
Xerazade, tal como o ignorado árabe que escreveu as histórias que ela contou, era senhora dos recônditos segredos dessa arte por tantos praticada e por tão poucos conseguida.Também assim aconteceu com Robert Louis Stevenson, que, após a conclusão de cada uma das histórias que coligiu sob os títulos de O Clube dos Suicidas e O Diamante do Rajá, nos faz saber que delas teve conhecimento por intermédio de um suposto manuscrito redigido por ummisterioso autor árabe. Com estas discretas alusões, Stevenson não nos revela apenas a sua admiração pelas histórias das Mil e Uma Noites. Diz-nos também que o seu objectivo, ao escrever umas Novas Mil e Uma Noites, era idêntico ao de Xerazade; ou seja, o Escocês das Arábias— chamemos-lhe assim—pretende apenas que quem o leia possa passar o tempo sem se dar conta de que o tempo voa, tal como aconteceu como príncipe árabe, aquele que julgava ser o dono e o senhor de Xerazade.
Robert Louis Stevenson nasceu em Edimburgo a 13 deNovembro de 1850. Cursou Direito sem que alguma vez tenha chegado a advogar — e, pouco depois, apaixona-se por Fanny Osbourne com quem, apesar das diversas atribulações por que passaram, se viria casar.
Anos mais tarde contrai tuberculose e muda-se com a mulher e o enteado para a Suíça, onde vive durante umano. Regressa à Escócia mas o clima só prejudica ainda mais a sua saúde, obrigando-o amudar-se novamente, desta vez para o Sul de França. Os anos seguintes foram passados à procura de um clima que não agravasse a sua doença, até que finalmente, em 1892, se fixou com a família em Samoa. Foi aí que morreu no dia 3 de Dezembro de 1894, vítima de uma hemorragia cerebral. Foi autor, entre outros, de O Estranho Caso do Dr. Jekyll e do Sr. Hyde, e de A Ilha do Tesouro, que o imortalizaram."
Taganrog, Anton Tchékhov: 150 anos 150 posts(12/150)
LMD, fotografia de telemóvel do livro citado, Maio, 2010
"Apenas uma vez a família (à excepção do pai, que ficou a tomar conta da loja de Taganrog, coisa que pela primeira vez lhe acontecia) abalou de Taganrog, em excursão pelo campo, de visita ao pai de Pavel, administrador das propriedades do Conde Platov, filho de um dos famosos generais cossacos das guerras napoleónicas. Esta excursão descreveu-a, Miguel, com grande cópia de pormenores, e graças a ela pode ver-se que, aos treze anos (a idade que tinha então), Tchekov era uma criança muito feliz, travessa e cheia de graça.
Tchekov voltou a visitar o avô depois de a família partir para Moscovo, onde fixou residência. Descrevendo uma destas suas visitas, em carta a Suvorine de 29 de Agosto de 1888, escreveu ele: «Quando era rapaz, e estava em casa de meu avô, nas propriedades do Conde Platov, costumava sentar-me, do nascer ao pôr do sol, ao lado da máquina debulhadora a escriturar os quilos e as toneladas de trigo debulhado; os assobios, os silvos e os zumbidos da máquina debulhadora a todo o vapor, o chiar dos eixos dos carros de bois, os movimentos vagarosos dos animais, as nuvens de poeira, as caras cobertas de suor dos trabalhadores --tudo me ficou gravado na memória tão claramente como o Pai-Nosso... A debulhadora a trabalhar parecia viva; tinha uma expressão manhosa e travessa; os homens e os bois, esses, é que pareciam máquinas.
No conto As belezas, publicado nos Novos Tempos, o jornal de Suvorine, em Setembro de 1888, Tchekov refere outras circunstâncias que ocorreram por ocasião da sua estadia em casa do avô. Tchekov e o avô, conta ele nessa história, foram de visita a uma aldeia arménia, onde Tchekov pela primeira vez na sua vida viu uma rapariga de tão impressionante beleza que imediatamente se sentiu apaixonada por ela."
David Magarshack (trad. João Gaspar Simões), Tchekov, Editorial Aster, Lisboa, 1960.
desde 1986 que somos sempre por ti, oxalá ganhes o mundial, e teres dito a um para voltar para o museu e a outro julga que é melhor do que os outros foi lindo
O entrevistador fica engasgado com a resposta a felicidade ou isso serve para quê?, e depois no tijolo de jaspe de Bolaño "A encarregada chamava-se Yolanda Palacio e era uma mulher com cerca de trinta anos, de pele clara e cabelo castanho, formal, embora se vislumbrasse por trás da sua formalidade o desejo de ser feliz, o desejo de festa permanente. Mas o que é a festa permanente?, interrogou-se Sérgio González. Talvez o que diferencia alguns de nós, que vivemos na tristeza quotidiana. Vontade de viver, vontade de ir à luta, como dizia o seu pai, mas ir à luta contra o quê, o inevitável? Lutar contra quem? E para conseguir o quê? Mais tempo, uma certeza, o vislumbre de algo essencial? Como se houvesse algo essencial nesta merda de país, pensou, como se o houvesse nesta merda de planeta chupador da sua própria verga." e "que aquela cólera ou aquela raiva devia ter-se instalado antes e não ser impelida, não sei se é esta a palavra, não ser propiciada por uma amizade particular, embora essa amizade particular sem dúvida excedesse o próprio conceito de amizade particular, mas sim por muitas outras coisas que eu vira desde que tiha uso da razão, mas nada disso, nada disso, nada disso, é assim a merda desta vida, disse para mim a chorar e a ranger os dentes", em diversos momentos, atónito, espantado, esgazeado, desvairado, pela nossa falta de lucidez, 2666. A crónica de Veríssimo no actual do jornal espesso, expresso, digo, da semana passada, é hoje.
No jornal público dois ou três momentos na reportagem sobre a exposição Caravaggio em Roma (público 2 de 8 de Junho) e também dois ou três embora vá destacar apenas um de uma das reportagens de Alexandra Lucas Coelho na África do Sul, intimamente ligados, ora.
Caravaggio, na peça dá-se voz a um conselheiro cultural português em Roma --atenção: conselheiro cultural da Embaixada Portuguesa junto do Palácio Quirinal, repetição?-- no filme As invasões bárbaras um dos amigos de Remy que se vem despedir dele é um adido assim também em Roma, diz na roda de amigos que o seu cargo/função/tacho está muito bem escondido no ministério dos negócios estrangeiros e que por isso não corre o perigo de ser recambiado para Toronto, por aqui fecham-se escolas mas continua tudo bem, diz o sr. conselheiro, atenção, atenção: gravitas, "Paulo Cunha e Silva refere-se também ao recurso que tanto Caravaggio como o pintor britânico [Bacon] do século XX fazem a modelos da marginalidade social para "essa promoção da carne". "Este convívio com a marginalidade que os dois praticavam à saciedade levou-os a transformar o vulgar num novo ser, numa nova entidade", acrescenta o conselheiro cultural e ex-presidente do Instituto das Artes". Repito? Sim: "Este convívio com a marginalidade que os dois praticavam à saciedade levou-os a transformar o vulgar num novo ser, numa nova entidade". Meu deus, jasus.
Logo ali diz, a certa altura, na página 11 do púbico 2 do dia 5 de Junho, África do Sul: "na cabina de vídeo, Megan Pillay faz uma pausa. É um adolescente negro de perfil tão achatado como se lhe tivessem esmagado a cara. Uma cara de gangster com 18anos, com um gorro enterrado até aos olhos. E depois começa a falar, e fala de poemas. - Escrevo poemas para fazer as pessoas sentirem-se melhor, mas às vezes gostava de eu próprio seguir o meu conselho."
Num destes dias vi um belo filme, chama-se Noite e Dia.
Dostoiévski a dado passo, "Olhe, por que não nos tratamos todos como se tratam entre si os irmãos? Por que é que as pessoas, por melhores que sejam, parecem esconder sempre alguma coisa dos outros? Por que não se pode dizer no momento, frontalmente, o que nos vai no coração, quando temos a certeza de que não o diremos em vão? Cada qual assume o ar de ser mais severo do que realmente é, como se tivesse medo de ultrajar os seus sentimentos ao exprimi-los cedo de mais..."
1. Ainda sonho com o dia em que, é uma maneira de dizer, não sonho com isso, ainda, felizmente, em que Marcelo Rebelo de Sousa, só porque o ouvi vai fazer agora um ano a dizer que lá esteve entrou assistiu, como teria sido a sua cerimónia de iniciação?, e também porque tem missa semanal há uns anos nas tvs portuguesas, em que Marcelo Rebelo de Sousa começa a sua palestra a dizer que em Portugal, Vasco Pulido Valente disse sobre ele quando o mesmo se perfilava a subir a número um do PSD que não se sabia o que ele pensava sobre que não se definia bem, que às vezes parecia determinada personagem de Woody Allen acrescento, que se desfocava, a sua palestra a dizer que Portugal vive amordaçado, sim senhora, assim mesmo, esta tem direitos de autor, como quase tudo aliás, vive amordaçado por associações secretas, que em democracia não deviam existir e que controlam uma grande percentagem do que se passa nos diferentes sectores do país, que essas associações são/foram historicamente em primeiro lugar as lojas maçónicas e depois a Opus Dei, que recrutam para as suas fileiras pessoas de todas as profissões e feitios e que se reunem secretamente para delinear e que conseguem colocar nos sítios de decisão mais importantes, desde juízes, não digam que isto é um disparate que num dos últimos congressos de juízes se tentou plasmar nos estatutos a proibição de pertencer a qualquer associação secreta, mas senhores se é secreto como é que se vai saber?, é certo que se pode chegar a saber mas parece uma redundância, advogados, médicos, professores, intelectuais, jornalistas, cronistas e por aí afora, assim explicado às nove da noite em directo, agora, na tvi às pessoas que se se usa o termo ou há moral ou comem todos, isso é que era, para as pessoas ficarem a saber porque é que levamos com cada cromo que aparece de lá sabemos onde a defender o que defendem que logo se vê que o que está em causa não é o bem da res publica mas sim de oportunistas sem vergonha na cara, que em pegando num livro de história de Portugal se vê que sempre fomos aos magotes.
2. José Mourinho quando foi trabalhar para Inglaterra disse que ia contratar um professor/a para aprender inglês, foi trabalhar para Itália e aprendeu italiano, vai para Espanha e vai aprender espanhol.
O primeiro ministro da república portuguesa fala o quê e onde quando passa além Vilar Formoso? Mas que puta de figurinha.
3. Hoje, dia 1 de Junho, tenho ali numa janela o diário económico aberto, a parte gratuita. Diz numa caixa de texto da primeira página, do jornal impresso, estes dizeres: "Vítor Constâncio propõe supervisão mais dura no último dia no Banco de Portugal".
Há meses um dos promissores, dizem, politólogos do regime maçónico e Opus Dei em curso nesta república portuguesa disse num programa de informação apresentado por Mário Crespo, na Sic notícias, que Vítor Constâncio havia feito o que havia a fazer no Banco de Portugal, disse assim, sem vergonha, com as letras todas.
Imagina-se o que diria hoje se Mário Crespo o convidasse para falar sobre o mesmo.
Este tipo de gente e talvez pessoa a que podemos chegar é perigosa por vários motivos, calha de ir passear o cão e alguém diz para este se deitar quem acaba deitado é... e uma pessoa fica a olhar.
Pode ser que o convívio com um sociólogo e com um historiador lhe possa..., mas se calhar não vai resultar, o deita-te dito de uma forma soberana é... soberano... e, também, reconfortante.
4. Do jornal que há uns dias atrás colocou na primeira página em destaque os carrinhos do tempo de Sócrates criança, tanto riso não é possível
Guillul está de parabéns também pela coragem do seu God Save The Queen, num país de pancadinhas nas costas, de poucas muralhas derrubadas, canção para o dr. Soares de Tiago é... estás maluco, ou quê? grande. Até os xutos tiveram receio/medo do seu sr. engenheiro. Amen, Amen, Amen.
7. Do blogue da mais recente coqueluche da blogosfera:
Acredito não o conhecendo na excelência do seu trabalho mas essa ideia pálida sobre se os jovens isto ou aquilo normalmente vem e vai atrelada a algum afastamento desses mesmos jovens, é jargão bater neles de qualquer forma feitio fácil desconsiderando-os quase, sem sabermos tantas coisas.
E se os mais jovens não sabem ou não podem ou não conseguem localizar a origem crescimento desenvolvimento vida desse grupo/classe ou de mais sabe-se lá o quê (há muita gente a falar, sempre, com muita vontade, de classes sociais antes da revolução francesa, o que é mau) chamado operariado a responsabilidade, na maior parte dos casos, não é deles, certeza, certezinha. É de outros, que já deviam ser/estar mais lúcidos ou, pelo menos, tentar ser estar.
Um exemplo, numa das instituições de referência portuguesa: Museu Nacional de Arte Antiga: a exposição: Encompassing the Globe. Portugal e o Mundo nos séculos XVI e XVII: é possível uma exposição como esta ter apresentado e mostrado erros científicos e erros e gralhas de pontuação nos textos expostos nas salas onde as peças estavam expostas?
Certo? Por exemplo, sobre a apanha da azeitona na Islândia?
8. Peguemos à maneira de Godard e depois de Pedro Costa, na entrevista que a actual, a outra também é que ia ser bonito, ministra da educação deu na rtp1 durante o fim de semana passado. Sobre o fecho de escolas públicas com menos de não sei quantos alunos, quantos institutos já fecharam? Peguemos, fotograma a fotograma, olhemos com atenção, volta atrás, vê, repara, olha. Se escreveres o que ela está a dizer quando chegares ao fim verás que nada disse, repetiu algo vazio, só eco, só sons, nada, sons de vuvuzelas.
É ridículo e vergonhoso Portugal ter uma ministra da educação assim.
Fecho de escolas, concurso e avaliação de professores mais do que injustos, salto de alunos de uns anos para outros sem se perceber nem se explicar, escolaridade obrigatória até ao décimo ano e assim cereja em cima do bolo acabar com a escola pública sim sim não é o contrário não não, olha, olha.
E os novos complexos educativos? O nome faz-lhe justiça, isto anda tudo tão ligado que é enfim.
Um exemplo: as duas fotografias imediatamente a seguir são de duas escolas sossegadas que podiam e deviam continuar em funções nos próximos anos, se fossem preciso tomadas eléctricas e quadros interactivos e aquecimentos se calhar não era preciso deitá-las abaixo. Estudariam aí 100 alunos do 1º ciclo do sistema público de ensino português. Mas não é isso que vai acontecer, seria pactuar com um Portugal velho, o que é preciso é modernizar, estruturas novas é o que é.
fotografias LMD, sem título, Junho 2010
Que é o que está a acontecer aqui no local onde as fotografias imediatamente a seguir mostram. O que é que se vê? Um moderno complexo educativo, onde se vão juntar todas as crianças do primeiro ciclo de ensino de uma freguesia , quiçá do ano antes também, aí 400 a 500 crianças, num mesmo espaço em que pela sua convivência se vão tornar ainda mais aptas através de uma socialização riquíssima extraordinária de modo a serem os novos cérebros por esse mundo fora. E os seus professores e auxiliares de educação serão também eles os novos heróis mais escravos, ainda não se perdeu a esperança, diga-se, de um programa de tv em directo dentro de uma estrutura destas, não se perdeu.
9. Juro que é verdade, no domingo à noite passei a correr pela rtp2, só para ver qual era o tema do câmara clara, e levei com uma das convidadas a dizer que o conhecia de lá da univerdidade sul africana, dos mesmos espaços físicos que quem por lá trabalha frequenta, e ele também, e de ver as namoradas chegar e a entrar, no gabinete. A sério que mais coisa menos coisa aquela mulher disse isto. E a apresentadora naqueles dois minutos disse, retorquindo, duas vezes que Coetzee tinha mesmo mau humor, era um mal humorado.
Taganrog, Anton Tchékhov: 150 anos 150 posts(11/150)
LMD, fotografia de telemóvel do livro citado, Maio, 2010
"Tchekov foi admitido na classe preparatória da escola secundária de Taganrog em 1868, e a 2 de Outubro de 1869 passava para a segunda classe. Os estudos clássicos estavam na moda nesse tempo e ele teve de estudar latim e grego. A escola russa obrigava a uma frequência de oito anos, mas o escritor esteve dez anos nessa escola, tendo perdido o ano na terceira e quinta classes. Desventuradamente, desde muito pequeno mostrara excepcional habilidade para manejar o instrumento de cálculo, o que, para o pai, era razão suficiente para o conservar na loja até altas horas da noite, em prejuízo, evidentemente dos seus estudos. «Perdes muito tempo», costumava dizer Pavel para Tchekov, segundo Alexandre. «Farias melhor se fosses para a loja e olhasses ali pelas coisas. Aprende a comerciar!» E Alexandre acrescenta: «Anton chorava por ter de abandonar o que era próprio e, na verdade, necessário a uma criança da sua idade para trocá-lo pela loja, que detestava. Ali procurava, por todas as maneiras, fazer os seus trabalhos de casa e nas noites de Inverno mais frias gelava ao fazê-los».
No entanto, se Tchekov pouco tempo tinha para si durante os períodos de aulas, não lhe faltava tempo para se distrair durante as férias de Verão, que habitualmente duravam três meses. Durante as férias os rapazes andavam quase descalços e dormiam em «choupanas» no jardim. Quando andava no quinto ano, Tchekov costumava dormir debaixo de uma trepadeira que ele próprio plantara, dizendo, então, sentir-se como «Job debaixo da figueira». Tinha um pombal seu e pombos próprios, coisa de que era profundo conhecedor. Os rapazes levantavam-se de manhã muito cedo, e Tchekov adorava ir à praça fazer compras para a mãe. Ali passava muito tempo em volta das gaiolas dos pássaros, como se previsse o tempo em que, obrigado a ganhar a vida em Taganrog, já nos últimos anos do curso, apanharia pintassilgos e os iria vender ao mercado. Um dia, lembra Miguel, Tchekov comprou um pato e no caminho para casa passou o tempo a puxar-lhe pelas penas para o fazer grasnar. «Quero que toda a gente saiba», dizia ele para Ivan e Miguel, «que temos hoje pato para jantar!».
Todos os dias os rapazes iam tomar banho ao mar. Tchekov tinha dois cães pretos que habitualmente levava consigo. Banhavam-se num grande banco de areia, que tinham de percorrer a pé numa extensão de quase um quilómetro antes de chegarem à água profunda do mar de Azov, mar sem marés. Pela tarde iam pescar para outro lado da praia, perto do ancoradouro, onde o leito do mar era salpicado de rochas agudas.
Um dia, Tchekov atirou-se à água do alto do molhe e abriu a cabeça um pouco acima da testa. Tão fundo foi o golpe que ficou com uma cicatriz mais tarde anotada no seu passaporte como «sinal particular»."
David Magarshack (trad. João Gaspar Simões), Tchekov, Editorial Aster, Lisboa, 1960.
"Ernesto do Canto, quando o conheci em 1928, parecia ser um Senhor vindo das táboas de Nuno Gonçalves, e sempre na vida o vi assim. Havia nele aquela fé profunda na missão do escultor. E assim ele representou esses Homens, grandes e sérios, não como conquistadores de terras e de homens mas como Homens feitos para descobrir as forças e os mistérios do MAR."
Maria Helena Vieira da Silva
fotografia LMD Canto da Maia Bendito seja o fruto do teu ventre Maio, 2010
Lev Tolstói, Yásnaia Poliana, 1828 - Astapovo, 1910(11/100)
LMD, fotografia do livro citado, telemóvel, Junho 2010
"1852
27 DE JUNIO. ... Leí a Hume, escribí Infancia y leí a Rousseau. Tuve buenas ideas, pero todas se esfumaron.
15 DE JULIO. ... Estoy leyendo a Rousseau y siento que en educación y talento está muy por encima de mí, pero en respeto por sí mismo, firmeza y juicio está por debajo de mí. ...
1890
6 DE SEPTIEMBRE. YÁSNAIA POLIANA. ... Ayer leí el Émile de Rousseau. Sí, he llevado muy mal mi vida familiar. Y este pecado pesa sobre mí y a mi alrededor. ...
1903
14 DE ABRIL. Hace mucho tiempo que no escribo. He estado espiritualmente débil. Y hace tres días que estoy enfermo: catarro, tos. Y hoy, débil como estoy, leí a Thoreau (9): me reanimó espiritualmente. ... Voy a copiar aquí lo que tengo anotado hasta el 2 de abril. I) Por lo común, la gente mide el progreso de la humanidad de acuerdo con sus éxitos técnicos y científicos, porque supone que la civilización conduce al bienestar. Es incorrecto. También Rousseau y los entusiastas del estado salvaje, patriarcal, aciertan y se se equivocan igual que aquellos a los que la civilización entusiasma. El bienestar de los seres humanos que viven y disfrutan de la civilización, de la más sublime y refinada cultura, y el de la gente más primitiva, la más salvaje, son perfectamente idénticos. Aumentar el bienestar de los hombres por medio de la ciencia, por medio de la civilización, de la cultura, es tan imposible como hacer que sobre una superficie acuática el agia sea más alta en un lugar que en los otros. El aumento del bienestar de los hombres se produce únicamente cuando se produce un aumento del amor, que por sus propiedades hace iguales a todos los seres humanos. En lo que se refiere a los éxitos científicos y técnicos, todo es cuestión de crecimiento, y los hombres civilizados aventajan tan poco en felicidad a los no-civilizados como un adulto aventaja en felicidad a un joven. El bienestar proviene únicamente del incremento del amor. ...
1905
6 DE JUNIO. Yásnaia Poliana. Debo anotar.
(...)
8) Me comparan con Rousseau. Yo de debo mucho a Rousseau y lo amo, pero hay una gran diferencia. La diferencia consiste en que Rousseau niega toda la civilización y yo sólo niego la pseudocristiana. Lo que la gente llama civilización es el crecimiento de la humanidad. El crecimiento es necesario, no se puede decir que sea bueno o malo. Existe, en él está la vida. Como el crecimiento de un árbol. Pero las ramas, o las fuerzas vitales que crecen en las ramas, si absorben toda la fuerza del crecimiento son dañinas, son nocivas. Es el caso de nuestra pseudocivilización.
1907
Hoy es 22 DE MAYO, Yasnáia Poliana. ... (...) Más trabajo: escribir las biografías de Epicteto, Sócrates, Pascal y Rousseau, así como la de Buda y la de Confucio. Es dispersión senil. ...
1909
23 DE OCTUBRE. Dormí bien. Sigo con ganas de escribir. Fui a dar un paseo. Me siento débil. Tengo dolor de lumbago. Cuando volví, primero no tenía ganas pero luego escribí mi sueño sobre Henry George. No está del todo bien, pero tampoco está del todo mal (149). Anotar: I) Una de las principales causas de la mediocridad de la gente de nuestro medio intelectual es que siempre están a la caza de lo actual, siempre quieren conocer o por lo menos tener una noción de lo que se ha escrito recientemente. «No nos vayamos a perder alguna cosa.» Y se escribin montañas de libros sobre cada tema. Y todos son accesibles, para que puedan ser comprendidos con facilidad. Y no importa en torno a qué gire la conversación, la pregunta siempre es la misma: «ha leído usted a Chélpanov, a Kun, a Breding? Si no los ha leído, no opine». Y hay que darse prisa y leerlos. Y son cerros. Y esta prisa y esta forma de llenarse la cabeza con una actualidad vulgar, confusa, excluye cualquier posibilidad de un conocimiento serio, verdadero, necesario. Y, se podría pensar, qué obvio es el error. Tenemos los resultados del pensamiento de los más grandes pensadores, que durante milenios se han distinguido de millones y mullones de personas, y estos resultados del pensamiento de estos grandes hombres han pasado por la criba y el tamiz del tiempo. Se ha desechado todo lo mediocre, únicamente ha quedado lo que es original, profundo, necesario. Han quedado los Vedas, Zoroastro, Buda, Lao-tse, Confucio, Meng-tse, Cristo, Mahoma, Sócrates, Marco Aurelio, Epicteto, y los nuevos: Rousseau, Pascal, Kant, Schopenhauer y muchos otros. Y la gente que persigue la actualidad no conoce nada de eso, y se atiborra la cabeza con salvado y con residuos que pasarán por una criba y de los que no quedará nada. ...
30 DE NOVIEMBRE. Escribo mi diario únicamente para no descuidarlo. No tengo nada que anotar ni tengo ganas. Me levanté sintiéndome cansado. Vinieron solicitantes que han vendido sus cosas para pagar los impuestos. Trabajé un poco en el prólogo. Fui a Nóvaya Kolpna. Allí el copista me contó cómo se recaudan los impuestos. Estuvo aquí Andréi. No fui capaz de hablar amablemente con él. Tampoco en casa fui bueno, a pesar de que no hice nada malo. Comí sin Andréi. Leí L`Immolé. Sorprendente la descripción de un milagro operado por nuestra señora de Lourdes. Leí algo sobre Rousseau en el dicionario (173). Un profesor «lo examinó y lo condenó». La estupidez humana me aterra cada día más. ...
(9)Henry Thoreau, L filosofía de la vida natural, Moscú, 1903. (173)En la enciclopedia Brockhaus y Efrón. (149)Tolstói incluyó este sueño como última parte de su trilogía Tres días en la aldea. "
Lev Tolstói (trad. Selma Ancira), Diarios (1847-1894) e (1895-1910), Acantilado.
posted by Luís Miguel Dias quinta-feira, junho 03, 2010
terça-feira, junho 01, 2010
Do maravilhoso Dicionário de História de Portugal ilustrado