Terça-feira, Junho 30, 2009
de lágrimas nos olhos
Marta Wengorovius [ #8 ] Desenho, 2008
Instruções de uso: (de um gesto de Pina B): pousa a mão direita visualmente no início da linha, a mão no espaço continua o percurso lentamente, sobe circulando as curvas, chega ao fim e pára muito muito lentamente.
posted by luis Terça-feira, Junho 30, 2009
Sexta-feira, Junho 26, 2009
Há muitos anos a ouvir falar da biblioteca António Lobo Antunes ela aí esta, gosto muito das capas dos livros, excepto dos dizeres
Biblioteca
António
Lobo
Antunes, no sítio onde aparecem.
Trouxe Ilusões Perdidas, que ainda não li, e sobre as obras escolhidas é pena que Lobo Antunes não escreva mais sobre elas, não é preciso muito mais mas mais um pouco, é uma boa oportunidade, que pode servir para isso também. E olhe que é duvidoso aquilo que diz sobre o conhecimento e reconhecimento dos livros de Joseph Conrad.![]()
posted by luis Sexta-feira, Junho 26, 2009
Quinta-feira, Junho 25, 2009
If you ever go to Houston (1)
Tim Burton's Alice in Wonderland -
a first look through the looking glass
O Voz do Deserto, que acompanho desde os primeiros posts, um destes dias feriu-me as vistas, apelava e publicitava Tiago Cavaco mais uma daquelas deliciosas conversas na Igeja Baptista de S. Domingos de Benfica, só que desta vez convidou, enfim, alguém, Henrique Raposo, que só pode mesmo escrever para e no jornal expresso e em blogues, parece que foi falar sobre "Os Cristãos e o Dinheiro", e deve ter sido de fugir e de nem sequer olhar para trás, run, run.
Hoje, terça à noite, volto a ouvir e parece que a ver o mesmo homem mas desta feita na sic notícias, numa mesa redonda política, e fugi. Cruzes.
Fugi e não foi para melhor, pois ao ir parar à 2 dou de caras com o programa bairro alto e o seu apresentador a falar com Siri Hustvedt e ela a dizer-lhe que gostou muito de Tristram Shandy e ele nada e ela à espera uma fracção de segundo no seu olhar e ele a fazer-lhe uma pergunta sobre sexo por que parece que ela no último livro que escreveu ou que cá foi publicado é um ele e diz que fala de sexo com elas e ele a querer saber, e lá se foi o Tristram Shandy e eu pernas para que vos quero, foge, a sete pés.
E vou dar à rtpn e durante dez segundos ouço o director do novo jornal chamado i com pose já de director de jornal, e se é diferente senhores, e lembro-me que nas primeiras edições do jornal, que comprei mas já não compro, talvez um por semana, vá, e lembro-me, dizia, que na ficha técnica ou na apresentação do pessoal do jornal falava de um Luís Januário, e pensei, ora, ora, aqui está um que sabe ver a diferença, e fiquei contente por alguém o convidar, pensei e estava pensar no Luís Januário do blog A natureza do mal, que não conheço de lado nenhum a não ser de o ler aqui na blogosfera. E comprei mais uns números a ver se era ou não era ele, e nada, nada.
Os canais de televisão de hoje parecem aquelas gravações que fazíamos há uns 20 anos atrás de momentos passados entre amigos e família, as festas da comunhão solene e da primeira comunhão e do crisma e de aniversário ou de ida ao rally de Portugal ou da festa na escola ou do casamento de uma tia ou do irmão ou da irmã ou da passagem de ano, mas hoje é mesmo isso que dá e a sério e para muitas muitas pessoas, que depois são comentadadas por directores de jornais como por exemplo do diário de notícias ou do expresso entre outros.
Dá dó.
posted by luis Quinta-feira, Junho 25, 2009
Quarta-feira, Junho 24, 2009
"Há também uma história, muitas vezes citada --Anne Pontégnie também a refere no seu texto do catálogo--, que o artista a quem é dedicada a exposição actual não se cansa de repetir:
´Um imperador pediu a uma equipa de artistas gregos e a uma equipa de artistas chineses que pintassem, cada uma delas, uma parede. As duas paredes estavam separadas por uma vedação para que nenhuma das equipas pudesse ver a obra da outra. Quando os chineses acabaram, o seu fresco foi posto a descoberto. Algumas semanas mais tarde, os gregos tinham, também eles, terminado o trabalho, e o imperador pôde vir admirar o resultado. Tinham polido a parede para que nela se reflectisse a pintura dos chineses`."
excerto retirado do texto de Óscar Faria no último ipsílon acerca da inauguração da exposição antológica de Daan van Golden na Culturgest.
posted by luis Quarta-feira, Junho 24, 2009
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"De manhã voltei à Acrópole sozinha. Escrevi Sophia, Setembro de 1963, numa parede do Parténon, na frontaria, à direita, numa reentrância. Coisa bárbara e selvagem mas que tive de fazer."
"As imagens eram próximas / Como coladas sobre os olhos / O que nos dava um rosto justo e liso / Os gestos circulavam sem choque nem ruído / As estrelas eram maduras como frutos / E os homens eram bons sem dar por isso.
Foi escrito na Granja, a 31 de Agosto de 1943
Ainda na praia D. Ana, Sophia um dia disse: "Telefonou-me um senhor a dizer que quer fazer um filme sobre mim e vai aparecer para a semana." Isto foi, lembra Maria, no Verão de 1968. "Passada uma semana, estávamos na praia e o Miguel vem a correr e diz: 'Venham ver um homem muito magro que diz que vem fazer um filme sobre a mãe!' E fomos todos a correr porque era uma coisa extraordinária, como quando se dizia: 'Venham ver os robertos!' E então, era o João César Monteiro, todo vestido, com um chapéu de palha, uma cigarrilha na boca, água até aos joelhos. Foi nesse dia que a minha mãe o conheceu, e gostaram imenso um do outro. A minha mãe disse: 'Vamos alugar um barquinho e ver as grutas da Ponta da Piedade.'"
É destas grutas que Sophia fala no Livro Sexto (As anémonas rodeiam a grande sala de água onde os meus dedos tocam a areia rosada do fundo. E abro bem os olhos no silêncio líquido e verde onde rápidos, rápidos, fogem de mim os peixes.)
No filme, ela desliza no barco com os filhos. O que não se vê é isto: "O César Monteiro ia num barco ao lado a filmar", conta Miguel. "Ele estava todo vestido, com um panamá, e para nos fazer rir atirou-se à água. E o nosso barqueiro, o José Afonso, disse: 'Ele está-se a afogar!' E realmente, o César esqueceu-se que não sabia nadar e o José Afonso teve de o ir buscar. A minha mãe achou engraçadíssimo."
Mas João César Monteiro não ficou por aí. "Na outra filmagem, em Lisboa, apareceu o Jorge Silva Melo", conta Maria. "O João César combinou com a minha irmã Sofia ela pôr uma 'rockada' alta e a minha mãe deu um pulo. Ela não se deixava filmar, sempre que se virava para a câmara ficava hirta, e o João César andava desesperado para ver se ela se desmanchava." Nem por isso. "Ele resignou-se a ter esse silêncio e fez disso uma coisa poética. Filmou a luta, corpo-a-corpo, essa recusa."
"Nunca lhe contei? Uma tarde na ilha da Madeira, tinha eu a idade maravilhosa que já não sei, descobri numa livraria o seu Poesia. E foi um dos mais belos encontros da minha vida. Não há aqui literatura. Tudo isto é verdadeiro. Seu muito admirador. Herberto Helder."
Mais uma vez, obrigado, Alexandra Lucas Coelho.
posted by luis Quarta-feira, Junho 24, 2009
Terça-feira, Junho 23, 2009
Luís Miguel Cintra lê a Carta de S. Paulo a Filémon
O actor e encenador Luís Miguel Cintra lê a Carta a Filémon.
Braga, Auditório Vita, 19 de Maio de 2009
posted by luis Terça-feira, Junho 23, 2009
Quarta-feira, Junho 17, 2009
"Àquela hora o trânsito complicava-se. As lojas, os escritórios, algumas oficinas, atiravam para a rua centenas de pessoas. E as ruas, as praças, as paragens dos eléctricos, que tinham sido planeadas quando não havia nas lojas, nos escritórios e nas oficinas tanta gente, ficavam repletas dum momento para o outro. Nos largos passeios das grandes praças havia encontrões. As pessoas de aprumo tinham de fechar os olhos àquele desacato e não viam remédio senão receber e dar encontrões também e praguejar algumas vezes. Os eléctricos apinhavam-se na linha à frente uns dos outros. Seguiam morosamente, carregados até aos estribos e por fora dos estribos, atrás, no salva-vidas, com as tais centenas de pessoas que saltavam àquela hora apressadamente das lojas, dos escritórios, das oficinas. Além disso, nos dias bonitos como aquele, as ruas da Baixa enchiam-se de elegantes que iam dar a sua volta, às cinco horas, pelas lojas de novidades e pelas casas de chá, para matar o tempo de qualquer maneira, ver caras conhecidas, cumprimentar e ser cumprimentadas, e só voltavam a casa à hora de jantar.A multidão propunha uma confraternização à força. Era preciso pedir desculpa ao marçano que se acabava de pisar, implorar às pessoas penduradas no eléctrico que se apertassem um pouco mais para se poder arrumar um pé, nada mais que um pé, num cantinho do estribo, muitas vezes sorrir para gente que nunca se tinha visto antes e apetecia insultar. Os elegantes e as elegantes achavam naturalmente tudo isto muito aborrecido. Sobretudo a necessidade absoluta de seguir naquelas plataformas repletas em que não viajavam só cavalheiros, mas muitos homenzinhos pouco correctos e onde esses mesmos homenzinhos e mulheres vulgares deitavam um cheiro insuportável. Que fazer, no entanto, senão atirar-se uma pessoa também para aquele mar de gente que empurrava, furava, pisava e barafustava até chegar ao carro? Que fazer senão empurrar, furar, pisar e barafustar também?
O carro seguia morosamente e repleto como os outros. Felizmente, ainda havia alguns homens correctos na cidade e algumas mulherzinhas que conheciam o seu lugar. Só graças a isso as senhoras que tinham arriscado os seus sapatos e os seus chapéus naquela refrega e alguns cavalheiros respeitáveis conseguiam sentar-se.
Nos primeiros momentos de viagem, as pessoas voltavam-se nos bancos, preocupadas, tentando ver se o marido, uma amiga, um filho, não teriam ficado em terra. Os que seguiam de pé ousavam dar um passo no interior do carro, a ver se teria ficado algum lugar vago por acaso. Havia logo protestos na plataforma. Depois as pessoas acomodavam-se o melhor que podiam, punham os braços no ar para livrar os embrulhos do aperto, fechavam bem os casacos e as malas onde levavam o dinheiro, o condutor puxava energicamente o cordão da campainha muitas vezes, lotação completa, e o carro arrastava-se em silêncio.
Os senhores respeitáveis, com compreensível e muda zanga dos companheiros do lado, começavam a desdobrar os jornais da tarde e a ler as notícias por alto. As senhoras, visivelmente mal dispostas, compunham os chapéus e as golas dos casacos. Tiravam os espelhinhos da mala e passavam tudo em revista: o chapéu, os cabelos, os olhos, os lábios. Era incrível. Uma tinha ficado com o chapéu completamente de banda, outra perdera uma luva na confusão. Depois guardavam os espelhos, acomodavam-se melhor, percorriam com os dedos os anéis duma mão e da outra, para ver se estavam no lugar, se estavam todos. Olhavam umas para as outras, muito sérias, como quem não repara em nada. Recuperavam pouco a pouco a dignidade que aquele despropósito da subida para o carro evaporara.
Nas curvas, as rodas chiavam nas calhas, debaixo do grande peso. Silêncio enfim --embora de vez em quando cortado pela campainha, quando alguém tinha a triste ideia de querer descer, pelo desdobrar dos jornais, pela voz dos populares, encaixados na plataforma da frente.
Tudo voltara à normalidade. A marcha do carro, a cobrança dos bilhetes, a separação entre as pessoas, que rigorosamente não conseguiam separar-se umas das outras um centímetro que fosse. E, assim, morosamente, por curvas e rectas, por ruas e praças, aquele carro cumpria o seu destino de acarretar gente e ser insultado, numa das várias linhas que ligavam o centro da cidade aos bairros relativamente novos, onde a separação entre a chamada classe média e as camadas mais baixas da população não fora ainda convenientemente estabelecida.
Em dada altura, porém, na plataforma de trás levantou-se burburinho. Protestos. Indignação. Cabeças voltaram-se no interior do carro. E viu-se um homenzinho a empurrar toda a gente e a dizer que havia lugares à frente, que o deixassem passar. Em vão lhe asseguravam que não havia lugar nenhum, que não podia passar, que não fosse bruto. O homem empurrava e teimava que havia lugares à frente. Tanto empurrou que furou. Tanto furou que conseguiu entrar no interior do eléctrico, avançou e foi sentar-se num lugar de lado que estava efectivamente vago lá à frente, ao lado duma senhora por sinal opulenta.
Foi um espanto geral e silencioso. Ninguém tinha reparado no lugar. E menos que ninguém, como é fácil de compreender, a própria senhora opulenta. Todos os atrevidos têm sorte.
O homem, que usava um chapéu coçado e um sobretudo castanho bastante lustroso nas bandas, não se sentou propriamente. Enterrou-se no lugar, com as mãos enfiadas pelas algibeiras dentro. Que sujeito! Devia ser mais novo do que parecia por causa do cabelo grisalho e da barba por fazer. A senhora opulenta franziu a testa e remexeu-se no lugar, se assim se pode dizer, como quem procura ocupar menos espaço. Na verdade, apenas se instalou melhor. A sua intenção era fazer o homenzinho reparar na inconveniência da atitude que tomara. Mas ele não viu nada disso ou fingiu que não viu. Olhou vagamente as pessoas que tinha na frente, estendeu os lábios e começou a assobiar. A assobiar muito à vontade no interior do carro!
Primeiro, foi um assobio baixinho, pouco seguro, imperceptível quase. Depois, a pouco e pouco, o sujeitinho entusiasmou-se. E o assobio aumentou de intensidade. Ouvia-se já em todo o eléctrico. Os passageiros, que tinham recuperado com tanto custo a sua dignidade, fingiam que não davam pelo homem nem pelo assobio. E sossegaram quando o condutor se dirigiu ao recém-vindo. Ia aconselhá-lo a calar-se, com certeza. Mas qual! Com o maço dos bilhetes na mão e de alicate espetado, limitou-se a dizer: «O senhor?» O passageiro tirou a mão da algibeira e, sem deixar de assobiar, estendeu-a com a palma voltada para cima. Esperou que lhe levassem a moeda, recebeu o bilhete e tornou a enfiar a mão pela algibeira dentro. Toda a gente seguia a cena, interessada. Mas, quando o homem olhou as pessoas, ao acaso, voltaram todas os olhos como se ele afinal não existisse.
O assobio, umas vezes, era baixo, mal se ouvia, outras vezes, alto, muito alto, com trinados ridículos e irritantes. Ninguém sabia o que ele assobiava. E o homem também não. Qualquer coisa que lhe apetecia que fosse assim mesmo. Às vezes repetia os sons como um estribilho. Outras vezes, porém, a maior parte das vezes, passava a novas combinações, ora brandas, ora violentas, sem querer saber para nada das que ficavam para trás.
As pessoas começavam a olhar umas para as outras à socapa. Já se tinha visto coisa assim? Um ou outro cavalheiro levantava os olhos do jornal, franzia a testa, fitava com dureza o homem do chapéu coçado e sobretudo castanho, na esperança de que ele, envergonhado, parasse com aquilo. A senhora opulenta, no auge do espanto, nem se atrevia a olhar para lado nenhum, vexadíssima porque, sem ter culpa nenhuma, se encontrava em plena zona do escândalo. A que uma pessoa está sujeita!
E, no silêncio do carro, o assobio aumentava de volume. Talvez, no fundo, aquele gorjeio ridículo não fosse desagradável de todo. Simplesmente, um eléctrico não é o local mais próprio para exibições daquelas. Porque não interferiria o condutor? O condutor era a autoridade do carro. Porque não interferiria? Estava-se a ver. Era tão bom como ele. A verdade, porém, é que não se conhecia nenhum regulamento que impedisse os passageiros de assobiar. Colados aos vidros do eléctrico, havia papéis que proibiam fumar, cuspir no carro. Era proibido abrir as janelas durante os meses de Inverno. Mas nem uma palavra a respeito de assobios.De repente, uma criança que ia sentada junto duma janela e já se sentia enfastiada de olhar para a rua interessou-se pelo homem. Achava-lhe tanta graça, com o seu chapéu coçado, o seu sobretudo castanho, o seu assobio... Era uma criança muito pálida, de cabelos louros e encaracolados, vestida de azul. Interessou-se tanto pelo homem que começou a bater palmas. Mas uma senhora nova e bonita, que ia ao lado dela, segurou-lhe as mãos com gentileza e afastou-lhas. Devia ir calada e quietinha. Era muito feio fazer barulho no eléctrico. Uma menina bonita não fazia barulho. «Que disse eu à minha filha?» No entanto, a senhora nova e bonita não antipatizava com o homem. Olhava os embrulhos de papel vistoso que trazia nos joelhos e pensava: se não pudesse mais e começasse também a assobiar? No fundo, admirava a sem-cerimónia do homem do chapéu coçado. Não seria adorável ela própria, uma senhora casada e mãe de uma garota de cinco anos, começar a assobiar num eléctrico se lhe apetecesse? Quando era da idade da filha, a senhora bonita ia muitas vezes ao campo vestida com coisas velhas para poder atirar-se para a relva à vontade. Tinha uma voz muito suave e muito fresca, gostava de fazer precisamente aquilo que uma menina bonita não deve fazer. Os amigos do pai pegavam-lhe ao colo, atiravam-na ao ar. E ela ria, ria, ria até ficar sufocada. A mãe dizia «Pronto, pronto, vamos a ter juízo, não se ri assim dessa maneira». E, quanto mais lho diziam, mais lhe apetecia rir, rir, rir.
De vez em quando, um passageiro saía. A plataforma do carro ia-se esvaziando. E, pouco a pouco, os que ficavam foram-se habituando àquele estúpido assobio. Os cavalheiros tinham esquecido os jornais Algumas senhoras sorriam. Já se vira um disparate assim? Principalmente a senhora opulenta não podia mais. Apertava os lábios. Sentada num banco de lado, encontrava os olhos de toda a gente. Era irresistível. E a senhora bonita pensava em ar livre e nos tempos da infância. Na escola aprendera a assobiar e a lançar o pião. Havia vozes que tinham ficado dentro dela. «Uma menina a assobiar, Nini?»
Em dada altura, o homem, sem deixar de assobiar, levantou-se e puxou o cordão da campainha. Era um homenzinho insignificante, ainda novo e já de cabelos grisalhos, chapéu coçado, sobretudo castanho muito lustroso nas bandas. Mas havia nele uma indiferença soberana pelo eléctrico inteiro. Toda a gente o olhava. Com desprezo? Com ironia? Com inveja? Abriu a porta, fechou-a e saltou com o carro ainda em andamento.
As pessoas voltaram-se então umas para as outras, não resistiram mais e riram mesmo. Que homenzinho patusco! Desculpavam-se, explicavam-se sem palavras. Entendiam-se. Um minuto de simplicidade e simpatia iluminou-as. A criança que batera palmas limpou com a mão o vidro embaciado da janela à procura do estranho passageiro. Viu-o atravessar a rua, seguir pelo passeio agarrado às casas, desaparecer.
Só então a senhora nova e bonita, que era a mãe da criança, abriu os olhos. Ninguém hoje lhe chamava Nini. Nini era a filha. Ela agora é que dizia à filha «Uma menina a assobiar, Nini! Uma menina bonita não faz barulho.»
Ficara nos lábios e nos olhos de todos um sorriso de bondosa ingenuidade. Depois esse sorriso foi-se apagando. Morreu. As pessoas tomaram consciência da sua momentânea quebra de compostura. Lembraram-se dos seus embrulhos, dos seus anéis, dos seus jornais. Que patetice! Não havia outra palavra para aquilo. Que patetice! Os cavalheiros recomeçaram a ler os títulos das notícias. As senhoras deram um toque nas golas dos casacos. A criança tornou a olhar para a rua.
Tudo voltou, pesadamente, a encher-se de silêncio e dignidade."
Mário Dionísio, Assobiando à vontade in "O Dia Cinzento e Outros Contos", Publicações Europa-América, 1967, pp. 37-47.
posted by luis Quarta-feira, Junho 17, 2009
Terça-feira, Junho 16, 2009
rascunho de 8/6/2009 actualizado e aumentado
The Melancholy Death of Oyster Boy and Other Stories, 1982É incrível como um partido político como o Partido Socialista Português que tem a história que tem se verga a alguém como se não houvesse mais ninguém, e quando esse alguém: vê pouco, vê mal e é como se vê. A sério: quem é que do 1º ano do primeiro ciclo (primeira classe) ao último ano de estudos ou de curso puderam ou tiveram de fazer um exame académico de avaliação a um domingo?
O Partido Socialista Português, ou outro qualquer, como é natural, se tivesse juízo ou se tentasse perceber um pouco melhor o tempo em que vive, e o que está para vir, era isso que fazia. Não há aparelho que resista. Obama diz-lhes alguma coisa? Ou é só Obama, Obama, Obama? Não é só marketing como alguns gostam de sorrir e dizer. Não se pode, nos tempos de hoje, nos tempos que correm, ignorar ninguém nem dar pouca importância ou sequer tratar mal. Se não vemos isto não vemos nada.
[nota introduzida hoje dia 15/6/2009: Vasco Pulido Valente é um caso paradigmático: ainda não percebeu, porque não quis, diga-se, que o paradigma político e social e cultural já mudou, tanto ou mais que o económico, e continua naquela capelinha de ironia de escárnio e mal dizer e a contentar-se em dizer este é dr. e aquele também é dr. e eu sou Professor Doutor. Pode continuar mas vai mal, a si também ninguém lhe liga. Ninguém disse ninguém previu ninguém esperava ninguém anteviu diz o Professor sempre e sempre. Ainda se ao menos não fosse convencional...]
Por cá pela blogosfera é mato isto de ignorar e de assobiar para o lado, se não se pertencer a uma capelinha nada feito, e tão feias as capelas que por cá há, tão visíveis e com tão pouca vergonha na cara, mas criticam que se fartam têm opinião que se fartam e fazem pior do que aqueles que criticam em maior escala.
Sobre eleições e sondagens para estas eleições escrevi (momento destruir depois de ler) o que pensava para aí há três meses e sugeri uma reflexão a um dos peritos [nota introduzida hoje 16/6/2009: ontem escreveu um artigo e foi buscar exemplos lá fora] que por cá anda partindo das eleições que no Porto deram a vitória a Rui Rio quando este derrotou Fernando Gomes. Nada, nada. Nem um parágrafo, nem um não tenho tempo, nada. Quem és tu? Parecia descabido? Não despreze as pessoas, como dizia um amigo meu um destes dias, o verdadeiro aristocrata sobe ao povo.
Que o Partido Socialista ia levar uma vassourada e que ia conseguir ter aí vinte e poucos por cento. Isto de viver, conviver e observar os outros à nossa volta é muito chato. Ou, melhor ainda: atenção aí vai a pirueta: de não pertencer a capelinha nenhuma. Mas é eficaz. Ouçam: não é umbiguismo, nada disso, é mesmo simples, basta andar atento. A humildade em excesso, escreveu Shakespeare, a certa altura passa a ser vaidade.
Agora mesmo enquanto escrevo esta nota Alberto Martins na sic-notícias vitimiza-se argumentando e falando que para a escola pública isto e aquilo que afrontou os interesses instalados e que por isso pagou caro... Olhe lá, ouça: mas ouça homem: vocês deram cabo, acabaram, destruíram a escola pública em Portugal, acabaram com ela. Vocês não percebem nada de nada, na pessoa da Ministra da Educação: nada: nem de disciplina nas escolas, nem de conteúdos, nem de currículos, nem de escolaridade obrigatória, nem de avaliação de professores, nem de gestão.... nada, nada. Destruiram o que havia de bom num sistema público de educação. Aquilo que criaram foi a escola privada massificada.
Havia que mudar, melhorar? Claro, ser mais exigente, ter mais qualidade mas fazer isso em meia dúzia de anos. Gradualmente. A ignorância é assim.
Acerca de ignorância: leia-se: Público 2, Sábado, Frases de ontem, página 3: "Vivemos num país provinciano, de gente tacanha, que não sabe usar a liberdade que tem e que vive numa cultura de servilismo lamentável. José Eduardo Moniz, Correio da Manhã."
Percebe-se o alcance mas... Este homem é director de uma televisão que diariamente durante a manhã dá Goucha e uma rapariga aos gritos; de tarde as tardes da Júlia Pinheiro; à noite, depois do nacional, telenovelas até passar da meia noite. Gente tacanha? Provinciano? O senhor acha que tem alguma responsabilidade nisso ou não? Não? E depois o povo é isto e aquilo e aqueloutro.
Para terminar, ontem a sic ainda teve o desplante de apresentar mais uma sondagem, para as legislativas, que foram arrasadas por António Barreto em cinco segundos, a Ana Lourenço até parecia estar a sentir-se mal, naquele papel.
[nota introduzida hoje 16/6/2009: a sic, sempre pronta e tão atarefada e tão solícita, vai entrevistar, amanhã, o primeiro ministro de Portugal... sem palavras. Sic: o que quer dizer Sic?
A tsf todo o dia e a antena 1 de manhã, pelo menos, aquele jornalinho cego surdo e mudo e arrogante e vaidoso e parolo. Enfim. Vergonhoso.
Mesmo mesmo para terminar, não fico com a consciência tranquila se não pedir desculpa ao sr. governador do Banco de Portugal: desculpe. O sr. doutor tem todo o direito de se mostrar como mostrou na assembleia, assim indignado, chateado, zangado, enervado, por ter de responder a perguntas e considerações daquelas. O país não o merece, é o que é.
Ganhe vergonha, homem, ganhe vergonha na cara.]
posted by luis Terça-feira, Junho 16, 2009
Segunda-feira, Junho 15, 2009
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posted by luis Segunda-feira, Junho 15, 2009
Segunda-feira, Junho 08, 2009
antigonizar
Steve McQueen, British Pavilion, 2009 Photo:
© The British Council, Photography by Prudence
Cuming Associates
Há dias assim: atrás de uma revista vem outra já sabemos que o consultório do dentista é o que é mas desta outra vez ou vez segunda uma deste mês assim sem mais nem menos, Paulo Pires do Vale na L+arte:Do justo desvio:
a arte e os lugares reticentes.
“Porque não haverá paz para aquele que ama.
Seu ofício é incendiar povoações, roubar
e matar
e alegrar o mundo, e aterrorizar,
e queimar os lugares reticentes deste mundo.
Deve apagar todas as luzes da terra e, no meio
da noite aparecente,
votar a vida à interna fonte dos povos.”
Herberto Helder, Lugar
Os Atomistas (1) propunham como explicação para a existência do mundo (ou mais correctamente, dos mundos) o desvio de um átomo na sua queda vertical no vazio. Clinamen (2), o desvio, seria a causa de um mundo existir. A obliquidade desviante de um átomo no seu movimento perpétuo era quanto bastava para criar o choque de partículas, a sua agregação, o confronto, a novidade. No âmbito deste texto, interessa-me menos a exactidão científica da física atomista, quanto uma proposta de reflexão que nos oferece: pensar a arte como o aprofundar do deslocamento que a própria vida já é. Um justo desvio. Ou um crime, como veremos. Uma espécie de revolta que re-dispõe o mundo.
Há nas obras (e nos artistas) que me interessam – e perdoem-me agora o carácter de testemunho - naquelas que me conduziram a refigurar o horizonte de possibilidades em que me movo, há nelas, dizia, algo de Antígona: essa “que jamais aprendeu a ceder aos golpes do destino” (3). Proibida por um édito de sepultar um dos seus dois irmãos, mortos um pelo outro, Antígona revolta-se contra a lei imposta pelo novo rei, o seu tio Creonte, e realiza sozinha o interdito – sepulta e honra o traidor Polinices, seguindo a superior lei dos deuses, consciente do castigo que sobre si recairá. Creonte, perante a desobediência, manda emparedá-la por ameaçar destruir a lei e abanar as fundações do Estado que queria construir. Ela é uma monstruosa individualidade livre que, por amor, se revolta, realizando o gesto justo – porque deixar um corpo apodrecer a céu aberto era, para os gregos, a maior desonra: para o próprio e para os deuses. Ao contrário de Édipo, seu pai, Antígona não é conduzida pelo destino, por uma força exterior inexorável e secreta, mas pela sua consciência e vontade livre. É esse o crime, o movimento desviante, que sabe necessário. E nessa liberdade experimenta também o permanente conflito – porque não haverá paz para aquele que ama - e o isolamento - a solidão da autoconsciência justa: nem sua irmã Ismena a ajudará.
A adequação do gesto de Antígona, esse desvio-da-norma que procura a justiça, é uma resposta singular a uma situação singular. Definição que, no domínio estético, podemos também identificar como característica da relação do artista com a situação e a obra que realiza: “capacidade de responder singularmente à singularidade da questão” (4). A obra nasceria, assim, da procura da relação justa com o mundo – o que quer que ele seja: uma montanha, uma emoção, um rosto, um espaço, uma ideia... Como uma dívida por pagar – onde a urgência não é imposição exterior, mas liberdade de fazer o devido. Com a diferença essencial e dificuldade acrescida de, no campo estético, não se poder indicar uma “lei dos deuses” ou aceder à “regra”.
À luz de Antígona, a obra será a resposta adequada à situação, uma afirmação pessoal mas não meramente privada ou servindo apenas o artista. A personagem de Sófocles é um arquétipo da subjectivação (5), e, no entanto, o gesto proibido que ela cumpre é demanda de justiça perante outros: nela a subjectividade encontra-se com a construção mais plena da comunidade – apesar do conflito que instaura.
Também na obra de arte a resposta justa tende para a universalidade: uma singularidade capaz de ser partilhada, comunicável. E impertinente. Do mesmo modo que Antígona é acusada de impertinência -“a filha intratável de um pai intratável” (6)-, também essa deve ser a acusação dirigida à obra de arte. A obra executa no mundo o trabalho da metáfora no discurso (P.Ricoeur). Uma fractura, um desvio. A sua impertinência liberta um sentido novo, que a função meramente instrumental da comunicação ou o utilitarismo da relação habitual e interessada com o mundo deixam escondido. Assim, a experiência estética liberta do quotidiano, introduz a distância, para possibilitar uma reavaliação e retorno a ele. Uma saída que só se cumpre no regresso – se assim não for, a obra é entretenimento inofensivo, insignificante e sem poder algum sobre o mundo: uma espécie de parêntesis na vida.
Nesta leitura alegórica da tragédia de Sófocles como aproximação à obra de arte - um evidente abuso, a que me permito porque afinal também Antígona é uma criação artística – não poderia deixar de pensar isso a que a obra rende justiça. Polinices, o corpo putrefacto do irmão deixado a céu aberto fora dos muros da cidade: é esse o que a arte tem que resgatar. O corpo morto esquecido. O que seria mais fácil deixar de fora: aquilo que trai a ordem estabelecida, o que corrompe, o que o poder (seja pessoal, seja institucional) quer longe da vista, o fantasma, o perdido em nós (e que pode ser a necessária festa e celebração da alegria); isso a arte não pode esquecer. Pelo menos aquela que se queira inscrever na mesma genealogia de Antígona, filha de Édipo. A arte é também este trabalho de luto. Um ritual fúnebre que permitirá “a ressurreição da vida em nós” (M.Henry). Não abandona no descampado o propriamente humano – que pode ser o que se julga desumano - e ergue-lhe orgulhosamente, em silêncio, um memorial. Como Antígona, a arte dirige-se ao morto (7). Não o penso, porém, no sentido e na formulação de Jean Genet, como “oferenda ao inúmero povo dos mortos”, mas na potência daquilo que, subterrâneo, quer revelar-se: a obscuridade que é o fundamento sem fundo da nossa existência. A noite aparecente. O silêncio-fonte.
Antígona – tal como Prometeu, o previdente – não grita, nem tenta argumentar ou fugir quando a prendem: em silêncio recebe o seu castigo. Silêncio intencional, como intencional foi o crime. Silêncio tremendo que assusta e incomoda todos os que a olham e não escutam. Ou melhor, quando percebem que o que escutam não está a ser dito. Escutam-se. É esse silêncio denso e desafiante que também a obra de arte impõe. Mesmo que seja ruidosa ou musical. Lança-nos fogo, queima estes lugares reticentes que somos. Ela ameaça, destrói e recria um horizonte novo. Altera a nossa mundividência.
“Fare Mondi. Making Worlds” é precisamente o título da Bienal de Veneza que este mês inaugura, comissariada por Daniel Birnbaum. E fazer mundos será o grau máximo da criação – ainda que o curador fuja (e não por acaso) à utilização da palavra “criar”, onde ecoa o vocabulário mítico das cosmogonias e vestígios Românticos da genialidade do artista-deus. “Fazer” é menos problemático, mais neutro, até porque este fazer é sempre um refazer (N.Goodman). Ao longo deste texto fui aproximando-me da definição disso que a obra abre à nossa frente: um mundo, como um horizonte de possibilidades onde nos podemos mover, pensar, sentir, esperar, padecer, agir... Os mundos que as obras transportam não são apenas uma pluralidade exterior, como universos paralelos. Eles cruzam-se e confrontam o nosso. E nesse encontro-desvio pode dar-se a reconstituição e o alargamento do nosso horizonte do possível.
Com estas notas breves e incompletas não pretendi esteticizar o gesto ético-político de Antígona – tentação tão contemporânea. Pelo contrário, procurei antigonizar o gesto estético. Investigar se poderemos perceber a obra de arte, com a sua fragilidade e ambiguidade, como resultado de um combate pelo gesto justo, no seu campo próprio. Pode-se legitimamente recusar tudo isto e aceitar a domesticação e mercantilização da obra de arte, negando o seu poder refigurante do mundo, assumindo que não tem outra finalidade que não a de legitimar modos de vida, instituições e decorar o quotidiano. Mas ao escrever esta frase, volto a lembrar-me de Antígona e das justas palavras de Montaigne: “prefiro forjar a minha alma a mobilá-la” (8).
(1) Entre os mais conhecidos contam-se Leucipo de Mileto, Demócrito de Abdera e Epicuro. Sobre o seu sistema filosófico cfr G.S.Kirk e J.E.Raven, Os filósofos pré-socráticos. Lisboa: FCG, 1982, pp.415ss. Curiosa a descrição da “formação dos mundos” no meio do redemoinho onde os átomos se juntam no vazio (p.425). Uma dúvida permanece, se é necessidade ou acaso.
(2)Palavra de origem latina que traduz o termo grego que designa, no sistema de Epicuro, o desvio espontâneo que produz o encontro e aglomeração dos átomos no vazio onde caem. Sobre o desvio que se fez do desvio Atomista por pensadores do sec.XX, cfr, por exemplo, a teoria literária de Harold Bloom, The anxiety of influence. Oxford: Oxford University Press, 1973. (trad. port. A angústia da influência, Cotovia) e a análise filosófica de Alain Badiou, Theorie du sujet. Paris: Seuil. 1982, p.76ss.
(3)Sophocle, Antígone in Tragédies. Paris: Les Belles Lettres. 1964, p.94.
(4)Paul Ricoeur, A crítica e a convicção. Lisboa: Ed.70; 1997.p.242. Segundo Ricoeur, a grandeza do artista está em fazer nesse momento o gesto que todo o homem deveria fazer. O artista estaria ali em nome de todos, mesmo sem o querer ou saber. A sua singularidade é a nossa, e por isso universal, exemplar e adequada: e nesta adequação, Ricoeur aproxima o artista do herói e do santo. Também eles, ainda que em âmbitos bem distintos, realizam o gesto necessário, a resposta justa à situação. Tornam-se exemplos: a comunicabilidade do seu gesto resgata-os da singularidade individual. Sobre esta relação cfr I.Kant, Crítica da Faculdade do Juízo. Lisboa: INCM. 1992, p.184.
(5)Sem confundir o sujeito no âmbito do pensamento grego com a subjectividade que nascerá da filosofia moderna, ou mesmo antes com a reflexão sobre a pessoa na filosofia cristã medieval, mas isso não cabe aqui...
(6)Sophocle, Antígone, p.94.
(7)Diz Antígona a sua irmã Ismena: “está tranquila, tu vives, mas minha vida há muito tempo acabou, para assistir os que morreram”. Sobre este tema da relação com a morte e em particular sobre o silêncio de Antígona cfr Marta Várzeas, Silêncios no Teatro de Sófocles. Lisboa: Ed. Cosmos, 2001.
(8)Montaigne, Ensaios. Lisboa: Relógio d´Água, 1998, p.210.
Paulo Pires do Vale
posted by luis Segunda-feira, Junho 08, 2009
Sábado, Junho 06, 2009
elogio à liberdade (1)
“que liberdade é que buscámos e vivemos?”
“para que serve, para que tem servido a nossa liberdade?”
daqui
Ontem passei o dia na V Jornada da Pastoral da Cultura realizada em Fátima e mais à frente escreverei algumas palavras sobre a excelência a lucidez a inteligência a tolerância e a boa disposição do que lá ouvi destacando desde já e sem querer ser injusto o brilhantismo e a sabedoria de D. Manuel Clemente, mais: em Portugal hoje outro intelectual assim... Notável. Do novo livro 1810-1910-2010 Datas e Desafios, assírio & alvim, apenas um fragmento, 4 parágrafos: 5:"A modernidade passou da descoberta física do mundo à sua assunção como realidade consistente e quase auto-suficiente. Dos fenómenos naturais tal compreensão transbordou para a fenomenologia humana: sociedade, política ou cultura, tudo se foi auto-regulando, dispensando a tutela religiosa-confessional. Através da secularização, a legitimação da autoridade passou da Igreja para o mundo, como aconteceu com diversos âmbitos da vida social, que foram subtraídos à influência religiosa, num percurso mais rápido institucional do que mentalmente (1).
Sem esquecermos que uma sociedade institucionalmente confessional não é, só por isso, absolutamente religiosa, podendo até acontecer que tal conotação a distraia duma autêntica conversão. Secularização, por seu lado, não será sempre sinónimo de descristianização. Paul Valadier entende mesmo que falar de sociedade secularizada pressupõe que ela foi antes intrinsecamente religiosa e é veincular um juízo errado sobre a história, que desvaloriza o presente em comparação com um passado hipotético, que teria sido cristã e totalmente integrado (2).
As críticas modernas à religião incidiram frequentemente sobre uma noção de Deus que concorria com o homem e abafava o mundo. Neste ponto, secularização pôde coincidir com cristianização, pois o Deus de Jesus Cristo não faz uma coisa nem outra, antes potencia os dois. Outra coisa é o secularismo, que postula a auto-suficiência do temporal, não abrindo a qualquer ultimação ou transcendência da vida (3).
Algumas «negações»de Deus, são-no afinal das suas imagens demasiado infantis ou infantilizantes, podendo ter uma positividade transitória, que Daniélou já caracterizou como a passagem da infância à adolescência da humanidade. Passagem que, no entanto, não se há-de ficar pelas negações adolescentes, mas atingir um nível superior, onde se reequilibrem os valores religiosos fundamentais.
A própria vida exige opções que necessitam de fundamentação. E, se uma ética puramente secular e humanista é uma possibilidade --mais teórica do que factual?--, o certo é que as vivências concretas buscam sempre mais do que o que deduzem racionalisticamente. Por outro lado, a religião cristã, sendo relação com Cristo, encontra na sua vida e nas suas palavras e parábolas um irrecusável estímulo ético e moral (4).
(1) Cf. González-Carvajal Santabárbara, L., Ideas y creencias del hombre actual, Santander, Editorial Sal Terrae, 1992, pp. 45-48.
(2) Cf. Valadier, P., Catolicismo e sociedade moderna, São Paulo, Edições Loyola, 1991, pp.29-30.
(3) Cf. González-Carvajal, Ideas, pp. 50-51.
(4) Cf.Daniélou, J., A oração, problema político, Lisboa, União Gráfica, 1968, P.35"
Programa
5 de junho de 2009
9h45
Inscrições e acolhimento
Casa de Nossa Senhora das Dores, Fátima
10h30
Conferência e debate
O Estado da Liberdade, um Olhar ao Portugal de Hoje
José Manuel Fernandes (Director do «Público»)
Moderação: Filipe d’Avillez (Jornalista da Rádio Renascença)
11h45
Intervalo
12h00
Variações Sobre a Liberdade
Joana Carneiro (Maestrina)
12h30
Missa
13h15
Almoço
14h45
Mesa redonda
Que Havemos de Fazer Com a Liberdade?
D. Manuel Clemente (Presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais)
Marcelo Rebelo de Sousa (Professor universitário)
Moderação: Paulo Rocha (Director da Agência Ecclesia)
16h15
Intervalo
16h30
Acto de Entrega da edição de 2009 do «Prémio de Cultura Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes»
Prof. Adriano Moreira
Apontamento musical
Ensemble em Sol
posted by luis Sábado, Junho 06, 2009
Quinta-feira, Junho 04, 2009
posted by luis Quinta-feira, Junho 04, 2009
Quarta-feira, Junho 03, 2009
Um dia destes sentei-me num sofá algures para um café e ao meu alcance estava uma mesinha com algumas revistas em cima e ao folhear uma ao melhor estilo no consultório do dentista dou de caras cheio de surpresa com "A sombra", de José Tolentino Mendonça.
Aqui fica.
"A sombra
«Quando a forma se desloca, não nasce uma forma
(nova) mas uma sombra»
-“Le vrai classique du vide parfait “, Lieu Tseu
Por volta das 15h40, do dia 25 de Fevereiro, foi contactado o posto policial de Vieira do Minho, alertando para o desaparecimento de uma cliente na Pousada de São Bento, que encima a Barragem da Caniçada, em pleno parque do Gerês. Dois agentes deslocaram-se ao local para inteirar-se da ocorrência. O responsável da Pousada, evidentemente perturbado pela situação, conduziu-os ao quarto que fora ocupado pela desaparecida. Os agentes policiais tomaram a iniciativa de selar o armário onde estava uma mala e alguma roupa, e inventariaram outros pertences dispersos: na mesa de cabeceira - um despertador, um caderno de capa amarela, um estojo com medicamentos; dispostos na escrivaninha - dois livros de botânica, uma antologia de escritos místicos medievais e o “Livro taoísta das transformações”; sobre o leito, um sobrescrito fechado, no exterior do qual estava escrito: “a mon seul désir”.
Já no gabinete do responsável, os agentes informaram-se, com o detalhe possível, da identidade da desaparecida. O seu nome, L.Z.. Profissão, escritora. Teria uns 60, 62 anos de idade. Não era a primeira vez que se hospedava naquela Pousada. Interessava-se muito pelos arbustos e flores do jardim. As suas conversas com o pessoal de serviço versavam inevitavelmente esse motivo. Causava espanto, para não dizer inquietação, o conhecimento que manifestava. Era capaz de listar, de memória, os vários canteiros do jardim, feito em socalcos para aproveitar o deslize suave da ravina, que dá para o Cávado: Alpínia, Andríala, Agrião da Rocha, Liana Aurora, Planta da seda, Brunfélsia, Piracanto… Passava horas nesse jardim e na mata das traseiras. Estava hospedada há quinze dias. O pessoal habituara-se à sua presença, de modo que ela era menos notada. Só às refeições voltava como que a ganhar nitidez. Mas desde a véspera que ninguém se recorda dela. E as versões diferem quanto ao último momento em que teria sido vista. Sensivelmente à mesma hora, a cozinheira garante que a viu esgueirar-se para a mata; o recepcionista pensa tê-la visto parada, junto da grande lareira, a olhar fixamente a tapaçaria e um hóspede afirma que a viu na esplanada, diante do jardim, quando o último sol se reflectia, estranhamente calmo, no verde violáceo, quase negro da albufeira.
Os agentes pediram para telefonar ao Comandante, que lhes sugeriu duas coisas: chamassem os bombeiros de Póvoa do Lanhoso e dirigissem, eles próprios, no local, as operações de busca, e se preparassem para passar o caso à Judiciária de Braga, que ele imediatamente contactaria.
Chegaram, de facto, não muito depois, os bombeiros. Desceram em cordas pela encosta até ao rio, e tornaram a subir, muito lentamente. Durante horas, ouviu-se o ladrar diligente dos cães. O jardim foi revirado. Os maciços de malva-rosa, brancos e rosados, as sebes de heliótropos, os altos goivos que bordejam o caminho... A mata foi perscrutada à minúcia. Abriram-se os quartos vazios da Pousada. Vistoriou-se o sótão, as garagens e chegou-se mesmo a verificar dependências praticamente abandonadas, como um subterrâneo que termina, abrupto, contra uma aguda parede de terra. Depois acenderam-se luzes. Os camponeses das povoações em redor juntaram-se ao pessoal de serviço. Andaram com archotes, gritando o nome da desaparecida, pela noite fora, mesmo a muitos kms da Pousada. Quando despontou a manhã, a equipa principal de busca foi rendida. E repetiram-se, mais uma vez, todos os passos. Isto até ao anoitecer. E ainda no dia seguinte. Em lugar nenhum dessa exaustiva perseguição, encontraram de L.Z. o mínimo sinal. É como se toda a sua história tivesse sido inventada pela gente da Pousada de S.Bento. Os bombeiros partiam quebrados pelo esforço e cabisbaixos. Os cães, depois do alvoroço inicial, dir-se-ia terem emudecido. Os camponeses já não saíam à sua procura. E, se primeiro se inquietaram muito, não é que agora não continuassem nesse sobressalto, mas cada vez mais brandamente.
A judicária depositou grande esperança no sobrescrito deixado (intencionalmente?) sobre o leito, mas desistia agora da ideia que, com ele, L.Z. tivesse pretendido deixar uma pista, uma chave… É verdade que aquela epígrafe, “a mon seul désir”, fazia supor alguma coisa de relevante. Mas o quê? As páginas manuscritas foram lidas e relidas e apenas o desconcerto aumentava.
«Talvez os primeiros herbários se devam procurar nos capitéis dos edifícios egípcios ou na sua arte funerária, nos motivos vegetais que decoravam santuários caldeus irremediavelmente perdidos, em baixos relevos da Antiga Assíria, como aquele de Koyoundjik, que representa a passagem de deuses caçadores por um variegado bosque ou, da mesma proveniência, o que representa um leão e uma leoa aos pés de uma palmeira e de uma vinha, e que hoje se pode ver no Museu Britânico.
Talvez juntando as referências das cosmogonias primordiais se pudesse folhear um herbário poderoso: a planta imortal roubada a Gilgamesh, a verdura suscitada por Marduk, os cedros em cuja sombra Shamash, o deus-sol habitava, o roseiral que Bel plantou sobre a terra, as plantas de raízes de cristal que, num mito babilónico, se podem encontrar no centro da terra. Ou das imagens da poesia bíblica se pudesse compor um mesmo herbário fantástico, um jardim-fechado onde os nomes, os perfumes e as formas vegetais assinalam não apenas os seus itinerários, mas também os da nossa alma, porque «todos os mortais são como a erva/ e toda a sua beleza como a flor do campo» (Isaías 40,6).
Um dos mais antigos é o de Plínio, o velho (23-79 d.c.), e não é exactamente um herbário, mas alguns livros que ele dedica à botânica na sua obra Naturalis historia (livros 14-17 e 19-25), uma espécie de enciclopédia prodigiosa, que serviria, segundo ele, para ‘guiar o homem, necessitado de conselho e de ajuda na imensidão da natureza’. Plínio foi oficial de cavalaria na Germânia e desempenhou várias funções civis ao serviço da família imperial, mas viveu sobretudo numa febre ansiosa por conhecer, experimentar, recolher. Das plantas, não só reuniu conhecimentos populares e notícias eruditas: ele próprio, escrupulosamente, verificava esses saberes no jardim de um seu contemporâneo, um herborista notável de nome Castor.
Plínio conheceu outros herbários realizados já no seu tempo, normalmente ligados à prática da medicina. Esses herbários descreviam a utilidade ou o perigo que certas plantas constituíam. Num interessante estudo sobre ‘os nomes das plantas na Roma antiga’, Jacques André recorda que «às plantas inúteis não era dado um nome». Mas o conceito de ‘utilidade’ amplia-se imensamente (ou imensamente se esconde) se pensarmos no cuidado com que Plínio descreve as suas plantas mágicas.
Uma mudança na arte dos herbários ocorreu quando, para contornar falhas de conhecimento, alguns começaram a reproduzir em imagem colorida os particulares das plantas. Plínio reagiu assim a tal inovação: «Cratévas, Denys e Metródoro utilizaram um método muito sedutor, mas que só salienta a dificuldade do argumento: eles reproduziram a planta, em cor, e escreveram por baixo as suas propriedades. Mas a própria pintura é enganadora, porque as cores são numerosas, sobretudo quando se quer rivalizar com a natureza, e elas são muito alteradas pelos infortúnios da cópia. Além disso, não basta pintar a planta num único período da sua vida, pois elas mudam de aspecto com as quatro estações do ano» (Naturalis historia, 25,8)».
Passou, então, uma semana, duas… Passaram anos. Tantos que, quando me hospedei na Pousada de S.Bento, a inconcludente história policial de L.Z. tinha sido, para sossego de todos, praticamente esquecida. Devo dizer que cheguei a ela sem que tivesse bem consciência. Avizinhei-me da solução, como na maior parte dos casos acontece, de modo completamente desprevenido. A verdade tornara-se, para mim, insinuante, mas inaudível, como se aquela precisa verdade tivesse a natureza da sombra. Só o leitor poderá restituir uma unidade aos fragmentos que a história transmite. Não será sempre assim?
Resta-me, por fim, contar-vos o que sei. Percebi, certo dia, que na mesa a meu lado, jantava sozinho um professor reformado, que me tinham dito ser um medievalista ilustre. Tentei acompanhar o seu ritmo e terminar a refeição ao mesmo tempo do que ele. Quando nos levantamos, praticamente a par, inclinei a cabeça, sorrindo, em saudação. Começamos, então, a caminhar devagar até à lareira apagada, e ele parou diante da tapeçaria – uma cópia do célebre tapete, “A dama do unicórnio”, que já por um verão inteiro me fascinara, na maravilhosa sala redonda do Museu de Cluny, em Paris.
- «Vê esta reprodução? É muito curiosa… Confesso-lhe que tenho me interessado muito por ela».
Eu olhei para a tapeçaria, surpreso, mas nada me retinha a atenção. Ele continuou:
- «Os painéis da rapariga do Unicórnio foram, como sabe, tecidos por volta de 1500, na Flandres, a grande pátria da tapeçaria medieval. O conjunto, composto por seis tapeçarias, foi descoberto em 1841, no Castelo de Boussac…»
Eu acompanhava-o em silêncio.
- «Foram tecidas com fios de lã e de seda… mais de cinco fios entrançados por centímetro… As primeiras tapeçarias, recordar-se-á, são alegorias aos sentidos, e estes fornecem-lhes um título: o gosto, o cheiro, o ouvido, o tacto e a vista. A sexta, a que temos aqui reproduzida, é a mais misteriosa…»
- Misteriosa, repeti para mim. Pela janela entreaberta, um fiozinho de vento nocturno.
- «Não há acordo acerca da sua significação. Uma chave, talvez esteja no facto da Dama ter colocado no porta-joías o colar que traz ao pescoço nas outras tapeçarias.
- Como é que isso desvenda o enigma? – interessei-me.
- «Representa, quem sabe, uma espécie de renúncia aos cinco sentidos que haviam sido enunciados e ao seu esplendor… Já alguma vez pensou na renúncia? É o mapa de alguns endereços sublimes!... Mas não é por aí que queria enveredar, não é por aí… Esta cópia portuguesa tem um elemento estranho».
- De que está a falar?
- «Na tapeçaria original, a dama não tem sombra. Aqui, repare, ela ganhou um inesperado halo… uma pontuação… um contorno…».
- Agora que ele dizia, eu podia ver. Havia ali, de facto, uma sombra. Estava instalada como um zumbido interior, ambíguo, que nos modifica os pensamentos… Olhei-a até se destacar, abstracta, da própria figura. Na minha percepção confusa, parecia uma bola de terra, uma convicção que se deve recear, uma ciência inalcançável! Olhava, mas nada compreendia... Foi, por isso, como se atalhasse caminho por entre labaredas e gelos, que lhe perguntei, no tom mais sereno e desprendido de que fui capaz: «Como é que disse que esta tapeçaria se chamava?».
- «Ainda não disse. Digo-lhe agora: “A mon seul désir”».
Acenando-me delicadamente, deixou-me. Os seus passos (seriam apenas os dele?) ressoaram pelo corredor de laje.
José Tolentino Mendonça"
posted by luis Quarta-feira, Junho 03, 2009
Terça-feira, Junho 02, 2009
The Way of Distortion
Christopher Benfey, The New Republic Published: Wednesday, June 03, 2009
Flannery O'Connor, 1962
posted by luis Terça-feira, Junho 02, 2009
Segunda-feira, Junho 01, 2009
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NE CHANGE RIEN (Pedro Costa, 2009)
Foi o filme de que mais gostei no festival.
Fotogramas (Espanha), Manu Yáñez
O seu filme não se parece com nenhum outro deste festival.
Libération (França), Philippe Azoury
Filmar a música é um desafio magnífico para um cineasta, é como filmar a vida.
O filme documenta uma batalha e a procura de uma liberdade.
Il Manifesto (Itália), Cristina Piccino
Um magnífico retrato da actriz-cantora, filmada no trabalho, a preto e branco.
Fluctua.net (França)
Cannes tem sido bastante bom até agora.
Costa elevou-o ao sublime, o seu é um belo e fantástico filme.
Light Sensitive (UK), Patrick Z. McGavin
Neste filme Costa joga com a ideia do cinema como música, ou vice-versa.
Ficamos transfigurados, hipnotizados, e finalmente saímos da projecção sentindo os nossos pés a deslizarem um pouco acima do chão.
Bangkok Post (Tailândia)
Um dos realizadores essenciais do cinema contemporâneo.
Página 12 (Argentina), Luciano Monteagudo
Uma subjugante e hipnótica aproximação às múltiplas facetas musicais da actriz Jeanne Balibar.
Um filme que se opõe a todas as convenções e lugares comuns do sub-género dos retratos de artistas. Otros Cines (Argentina), Diego Batlle
Costa acaba realizando aquele que é, sem dúvida e em todos os sentidos do termo, um dos mais belos filmes sobre música jamais realizados. Não é pouco.
Cinética (Brasil), Eduardo Valente
Um documentário sublime.
Artforum (UK), Melissa Anderson
Para já o mais belo momento deste festival.
Diário de Notícas (Portugal), João Lopes
posted by luis Segunda-feira, Junho 01, 2009
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de Marta Fernandes da Midas:"PEDRO COSTA, vai ter uma retrospectiva completa da sua obra no âmbito da Photoespaña em colaboração com a Filmoteca Española e uma instalação no Matadero, destacando desta forma aquele que é um dos mais importantes cineastas contemporâneos, cuja obra tem sido alvo de retrospectivas e presenças em festivais no mundo inteiro. Entre os dias 3 e 30 de Junho serão apresentados todos os seus filmes na sala da Filmoteca Espanola, o Cine Doré, e alguns filmes escolhidos pelo realizador.
O realizador dará também um workshop entre os dias 1 e 5 de Junho na Casa Encendida e a edição da revista Cahiers du Cinéma Espanha dedicou um número especial, com 36 páginas, à obra de Costa, com textos de Carlos F.Heredero (director da revista), Glòria Salvadó Corretger, Fran Benavente, Carlos Reviriego, José Manuel López, Santos Zunzunegui, Eulàlia Iglesias, Álvaro Arroba, Jara Yáñez, Gonzalo de Lucas, Lourdes Monterrubio,, Carlos Losilla, Ángel Quintana, Jaime Pena, Antoine Thirion, Andy Rector e Miguel Gomes.
No dia 3, dia em que inaugura a Photoespaña, começa também a retrospectiva dedicada a Pedro Costa com a exibição de O SANGUE (1990), filme que voltará a ser exibido a 19 de Junho. A 4 de Junho e 21 de Junho é apresentado CASA DE LAVA (1994) , a 5 e 23 de Junho OSSOS (1997), e a 6 e 24 de Junho NO QUARTO DA VANDA (2000). A 7 e 17 de Junho é exibido MEMORIES (2007) filme colectivo em que Pedro Costa participa com o segmento THE RABBIT HUNTERS.
A 9 e 28 de Junho, é a vez de JUVENTUDE EM MARCHA (2006) e a 10 e 25 de Junho, é apresentado o filme colectivo O ESTADO DO MUNDO (2006), em que Pedro Costa assina TARRAFAL. A 13 e 16 de Junho, é apresentado ONDE JAZ O TEU SORRISO?, o documentário sobre Jean-Marie Straub e Danièle Huillet, e a 13 e 16 de Junho 6 BAGATELAS, seguido do filme de Danièle Huillet e Jean-Marie Straub SICILIA!.
A 14 e 19 de Junho, é exibido o documentário de Aurélien Gerbault, TOUT REFLEURIT: PEDRO COSTA, CINÉASTE e a 18 de Junho é apresentado o filme TRÁS-OS-MONTES de António Reis e Margarida Cardoso.
A 26 e 30 de Junho, é exibido o último filme de Pedro Costa, NE CHANGE RIEN, estreado mundialmente na Quinzena dos Realizadores no Festival de Cannes, em que foi considerado um dos mais belos filmes do festival e que estreará em Portugal a 5 de Novembro."
posted by luis Segunda-feira, Junho 01, 2009
















