A montanha mágica

Terça-feira, Março 31, 2009

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"Nesse final dos anos 50 e início de 60, na obra de Lourdes Castro (1930), então a trabalhar em Paris, encontramos estes dois momentos: excesso e renúncia. Numa primeira fase, a acumulação e a sobreposição de objetos encontrados na rua, em casa, no lixo: resgatando-os numa colagem que lhes retorna a dignidade e unificando-os, ao cobri-los com uma mesma cor (alumínio/cinza-prata). A relação entre a arte e a vida quotidiana é aqui evidente. Depois deste excesso (e ainda desenvolvendo uma pesquisa sobre a acumulação), Lourdes encontra nas experiências serigráficas, a sombra: o mínimo de cada coisa. Uma redução, a procura do essencial, que a faz tirar as sombras da sombra. De tão próximas, diante dos nossos olhos, companhia constante, já não as vemos. E depois da sobreposição, trabalha no sentido da simplificação e individuação: dos amigos, dos gestos diários e comuns, o pentear do cabelo, o cigarro que se leva à boca, a leitura de um livro, o abraço, a refeição, os objetos diários – é ainda a relação arte-vida que aqui está em causa. E de tão comuns estas sombras tornam-se únicas, e de tão íntimas tornam-se universais. Estas sombras pintadas, no início, a acrílico sobre tela, são mais do que retratos-figurações, mesmo que acompanhadas do nome do retratado. Mais do que “alguém” identificável, elas são sinal da vida humana nua. Mais do que pormenores acessórios, fixam o necessário e exato. Uma imagem plana. Simplificada até ficar apenas o seu contorno. O mínimo da sombra.

Nesta pesquisa artística, Lourdes encontra posteriormente o material que lhe permite a desmaterialização desejada: o plexiglas. Com este material, só possível nesses anos 60, a sombra pode tornar-se transparente, luminosa, colorida. O plexiglas, pintado, serigrafado ou recortado, permite a distância da parede, projetar sombras das sombras, sobrepor cores em camadas. Mas a beleza e leveza imaterial destas sombras está marcada pela constatação ou consciência da sua passagem e fragilidade. Os amigos que lhe cederam a sombra morrerão. Os gestos, os objetos, os corpos já não são os mesmos. A parede onde as desenhou foi repintada. E aquelas sombras tornam-se lugar da sombra maior. Mas, “mais que a morte, teme-se a beleza” escreveu o poeta William Carlos William, porque a beleza dá um “beijo mortal” (12), transporta a morte, a finitude, porque mostra a fragilidade do fragmento diante do Todo. Ameaça a existência e lembra aos homens a caducidade do mundo. E a experiência da transitoriedade ficou definida nos Teatros de sombra que Lourdes apresentou na segunda metade dos anos 70.

Momentos resgatados ao fluxo de consumo da vida. Gestos diários projetados sobre um lençol, demorados, atentos. Fugacidade aparente que esconde uma permanência a encontrar. Também percebemos este impulso no Herbário de sombras, um catálogo meticuloso, científico quase, daquilo que vai deixar de ser, que passa. Como no constante regresso desenhado à sombra projetada das flores sempre novas nas jarras – desenho que começa no cuidado com que trata, apanha e arranja as flores e escolhe a jarra. Sempre em volta de um centro. Não tanto as sombras, quanto a artista. Estas obras são assim prolongamento ascético de uma vida ascética, centrada. Fruto de uma perceção atenta, de uma disponibilidade genuína (descentrada) – e sabemos como a arte do arranjo floral (Ikebana) é um caminho de sabedoria e espiritualidade, tão nobre como o tiro com arco ou a cerimónia do chá.

Segundo Plínio, a arte da pintura surgiu na Grécia, com o desenho do contorno da sombra projetada sobre o muro daquele que vai viajar, delineado por aquele que fica. A sombra é sinal, vestígio, presença de uma ausência que não se quer, ou não se pode, esquecer. Mas na obra singular de Lourdes Castro a morte não tem a última palavra, e a cor, a fluorescência, a transparência dão-nos a face da alegria. A brevidade da vida e o seu carácter transitório não encontram aqui a angústia, mas a compreensão. A sombra é sempre a tinta da luz, remete para ela e não para a obscuridade. Em Lourdes Castro, a sintonia com a vida – palavra tão próxima de Kandinsky - procura de todas as horas, revela-se numa demanda do essencial presente, aqui e agora: a flor, o fruto, a pedra, o gesto, o outro, a carta, a sombra da vida que se faz ou recebe. A procura da justiça e rigor, outros nomes para a verdade. Como o seu companheiro, Manuel Zimbro, escreveu: “Quando se escolhe atentamente não há escolha, há atenção” (13). Atenção que salva e sustenta o mundo. Na obra desta artista percebemos a exatidão das palavras de Michel Henry, comentando Kandinsky: a obra de arte é “a ressurreição da vida em nós”. (14)


(12) Paul Ricoeur, Do Texto à Acção, Porto, Rés, s.d., p.124 (13) Bruno Forte, A porta da beleza. Por uma estética teológica. Aparecida S.P.; Ideias e Letras, 2006, p.164

(13) Manuel Zimbro, “Base de Mundo” in Lourdes Castro, Sombras à volta de um centro, Lisboa, Assírio & Alvim, 2003, p.52

(14) Michel Henry, Phenomenologie de la vie, p.301


Paulo Pires do Vale, Comunicação na Semana de Estudos de Teologia, UCP, Lisboa, 2007.
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posted by luis Terça-feira, Março 31, 2009

Segunda-feira, Março 30, 2009

O

PRIMEIRO

MINISTRO

DA REPÚBLICA PORTUGUESA

FAZ

MUITAS MAIS VEZES (cada tiro cada melro)

FIGURAS

RIDÍCULAS

DO QUE A MÉDIA DAS PESSOAS. PARE HOMEM, O QUE É QUE VOCÊ QUER? E DEPOIS? O QUE É QUE TEM NA CABEÇA?

A TSF METE NOJO. (impressiona-me, cada vez mais, as pessoas aceitarem e tentarem justificar e justificar e explicar e explicar, com aquele sorriso amarelo no rosto, o inaceitável, uma pessoa só pensa: como é possível, como é possível, como foi possível)

posted by luis Segunda-feira, Março 30, 2009

Quarta-feira, Março 25, 2009

6 anos de http://amontanhamagica.blogspot.com


Half a Person


Call me morbid, call me pale
I've spent six years on your trail
Six long years
On your trail

Call me morbid, call me pale
I've spent six years on your trail
Six full years of my life on your trail


And if you have five seconds to spare
Then I'll tell you the story of my life :
Sixteen, clumsy and shy
I went to London and I
I booked myself in at the Y ... W.C.A.
I said : "I like it here - can I stay ?
I like it here - can I stay ?
Do you have a vacancy
For a Back-scrubber?"


She was left behind, and sour
And she wrote to me, equally dour
She said : "In the days when you were
Hopelessly poor
I just liked you more..."


And if you have five seconds to spare
Then I'll tell you the story of my life :
Sixteen, clumsy and shy
I went to London and I
I booked myself in at the Y ... W.C.A.
I said : "I like it here - can I stay ?
I like it here - can I stay ?
And do you have a vacancy
For a Back-scrubber ?"


Call me morbid, call me pale
I've spent too long on your trail
Far too long
Chasing your tail
Oh ...


And if you have five seconds to spare
Then I'll tell you the story of my life :
Sixteen, clumsy and shy
That's the story of my life
Sixteen, clumsy and shy
The story of my life
That's the story of my life
That's the story of my life
That's the story of my life
The story of my life
That's the story of my life
That's the story of my life
That's the story of my life
That's the story of my life
That's the story of my life
That's the story ...

The Smiths

posted by luis Quarta-feira, Março 25, 2009

Terça-feira, Março 24, 2009

O tema do falso inspector foi-lhe dado por Púchkin






Novidade deste mês na Assírio & Alvim:


"Título: O INSPECTOR — Comédia em Cinco Actos
Autor: Nikolai Gógol
Tradução do Russo: Nina Guerra e Filipe Guerra
Colecção: Imaginário
Ano de edição: 2009 / Tema, classificação: Teatro
Formato e acabamento: 13,5 x 21 cm, edição brochada
N.º de páginas: 208



Apresentação:

A publicação de O Inspector em português é a nossa homenagem a Gógol na passagem do bicentenário (1 de Abril de 1809) do seu nascimento. O Inspector foi estreado em 19 de Abril de 1836 no Teatro Aleksandrínski de Petersburgo, na presença do imperador e da alta sociedade. Foi um êxito e um escândalo: a farsa foi aplaudida pelos liberais e atacada pelos conservadores. A partir de então, como era habitual no instável Gógol – um fervoroso conservador –, instalou-se um grave mal-entendido entre a peça e o seu autor, e este passou a justificar-se, a arranjar, a reescrever a sua comédia durante mais de 10 anos. Mas era uma comédia que já não lhe pertencia e seguia o seu caminho com independência e fereza.
«O Inspector é o ponto culminante do riso na obra de Gógol, a sua criação mais cómica, mais irremissivelmente cómica», diz Andrei Siniávski, o grande especialista russo da obra de Gógol. No entanto, a natureza ambivalente do homem e do artista Gógol – os elementos antinómicos de pesadelo de um lado e os do riso desenfreado do outro – traçam juntos as linhas definidoras desta comédia que revolucionou o teatro russo. O tema do falso inspector foi-lhe dado por Púchkin («dê-me um tema, divertido ou não, mas que seja um episódio verdadeiramente russo»—assim escreveu o autor ao seu poeta protector), e deve sublinhar-se este verdadeiramente russo.

Nikolai Gógol nasceu a 20 de Março de 1809 na província de Poltava (Ucrânia), no seio de uma família de médios proprietários rurais (1200 hectares e 200 servos da gleba). Partiu jovem para Petersburgo, a fim de fazer carreira. Passou grande parte da sua vida em viagens pelo estrangeiro e pela Rússia. Depois de uma lenta agonia, morreu a 4 deMarço de 1852, num estado de ascese e em grande sofrimento.

P.V.P.: 15€ / ISBN: 978-972-37-1408-1"

posted by luis Terça-feira, Março 24, 2009

Sexta-feira, Março 20, 2009

pedra angular





De D. Manuel Clemente relembro sempre aquela entrevista dada a Judite de Sousa no tempo em que João Paulo II estava bastante doente e se falava até mais não na sua substituição ou não, quase imperativa nos média. Nessa entrevista a jornalista passou o tempo todo a querer respostas imediatas, rápidas, instantâneas, num tempo curtíssimo, e D. Manuel, assim sem nada para lhe dizer naquele registo, num tempo longo longo. A jornalista agonizava e não percebia o seu convidado, parecia que não percebia o outro lado da vida que não aquele, frenético e fabricador de notícias. Uns meses mais tarde disse, numa entrevista a si feita, que não sabia viver sem aquele mundo de pressão das notícias, do estar no ar... Adiante, adiante.

A nova editora portuguesa Pedra Angular acaba de editar o primeiro livro, de um dos mais brilhantes e estimulantes intelectuais portugueses da actualidade:

Manuel Clemente
Bispo do Porto
UM SÓ PROPÓSITO
Homilias e Escritos Pastorais


Dois excertos: um da mensagem de ano novo, 2009, e outro da atribuição do Prémio Árvore da Vida / Padre Manuel Antunes 2008, do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura a Maria Helena Rocha Pereira, Fátima, 20 de Junho de 2008.


"SANTA MARIA MÃE DE DEUS
Ano Novo, Vida Nova

2. É connosco agora, neste «ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo» de 2009, que por Ele o é decerto e por nós o tem de ser também. Assim o propõe, com a precisão do actual contexto, o Papa Bento XVI, na sua Mensagem para este Dia Mundial da Paz, sob o título mobilizador: «Combater a pobreza, construir a paz». Pela análise e indicações que traz, esta Mensagem deve ser cuidadosamente estudada e correspondida por todos os católicos e pessoas de boa vontade. A Santa Sé manifesta-se hoje qual observatório permanente do estado do Mundo, juntando a informação local com a internacional, o que lhe permite análises sobremaneira avalizadas. E, tendo o conhecimento e a experiência do conjunto, abre-nos aquele horizonte geral que hoje tende a ser o mais determinante da vida das pessoas. A globalização apresenta-se de facto como realidade iniludível e é no seu contexto que devemos analisar-nos como humanidade em devir. Mas, nesta análise, contando com a imprescindível colaboração de economistas e sociólogos, estaremos também como os pastores evocados no Evangelho de há pouco, os quais, no que viram em Belém, reconheceram aquele significado maior que anunciaram a todos. Com eles, devemos olhar agora a globalização também no seu «significado espiritual e moral» (Mensagem, 2): divisamos um projecto divino, que nos quer como única família humana, fraterna e corresponsável. Só assim a globalização interessa e corresponde à expectativa de todos e à vontade divina. É à mesma luz que encaramos a pobreza, fenómeno infelizmente bem concreto e quantitativamente mensurável, mas incluindo «fenómenos de marginalização, pobreza relacional, moral e espiritual» (Mensagem, 2), também presentes em meios abastados. De tudo isto sabemos e devemos saber; com tudo isto sofremos e devemos sofrer, e sempre com quem mais sofra. Mas juntando sentimento e conhecimento, para que o remédio seja adequado. Sigamos Bento XVI, ao considerar a pobreza mundial e as suas causas. Antes de mais no âmbito demográfico, que certos equívocos tem trazido, alegando-se que a pobreza está associada ao crescimento da população e tomando este como factor negativo e até «justificativo» de campanhas de redução da natalidade, onde não faltam atentados à dignidade da mulher, aos direitos dos pais e à vida dos nascituros. Muito pelo contrário, verifica-se que nas últimas três décadas saíram da pobreza algumas populações que registaram «um incremento demográfico notável» (Mensagem, 3), revelando- se o índice positivo da natalidade como potenciador de progresso. Outro âmbito de análise é o das pandemias que atingem algumas zonas do Mundo, pondo em causa os sectores produtivos e a vida em geral. O combate a tais pandemias passa certamente pela generalização de tratamentos e remédios; passa também pelos avanços da medicina e dos cuidados médicos, requerendo a disponibilidade de cientistas e produtores de fármacos; e não dispensa, em especial nalguns casos como a SIDA, a educação para uma sexualidade respeitadora da dignidade própria e alheia. Terceiro âmbito de análise é o da incidência infantil da pobreza. Dos cuidados maternos à educação, da vacinação aos recursos médicos e ambientais, tudo devemos às crianças. Sem esquecer a promoção e a estabilidade da família, pois «quando a família se debilita, os danos recaem inevitavelmente sobre as crianças» (Mensagem, 5). Em quarto lugar, o Papa insiste na relação existente entre desarmamento e progresso. Mas lamentamos com ele que, pelo contrário, se verifique o triste conluio da corrida aos armamentos com o subdesenvolvimento, desviando-se recursos que deveriam promover a vida e a economia de populações inteiras. Acrescente-se a actual crise alimentar, que não se deve tanto à insuficiência de alimentos como à dificuldade em aceder-lhes, bem como a práticas especulativas e à ineficácia das instituições políticas e económicas. Aumenta o fosso entre países ricos e pobres, porque a tecnologia evolui mais em quem mais tem e porque os produtos industriais vendem-se mais caro do que os agrícolas e as matérias-primas dos países pobres. Algumas observações ainda, de importância definitiva para ultrapassarmos a intolerável pobreza sofrida por tão grande parte da população mundial: é necessária uma globalização que atenda aos interesses de todos, em verdadeira «solidariedade global» (Mensagem, 8); um comércio internacional onde «todos os países tenham as mesmas possibilidades de acesso ao mercado mundial» (Mensagem, 9); um mercado financeiro que sustente a longo prazo os investimentos e o desenvolvimento, até porque «uma actividade financeira confiada no breve e brevíssimo prazo torna-se perigosa para todos, inclusivamente para quem consegue beneficiar dela durante as fases de euforia financeira» (Mensagem, 10); uma cooperação internacional que invista sobretudo na formação, capacitando para a criação de rendimento (Mensagem, 11); a indispensável conjugação da responsabilidade pessoal com «positivas sinergias entre mercados, sociedade civil e Estados» (Mensagem,12). Numa homilia como esta, mesmo em dia propício, não caberia uma análise socioeconómica só por si. Mas, ainda com Bento XVI, atingimos níveis de apreciação mais profundos e até religiosos. Assim, quando se requer um «código ético comum», em que prevaleçam normas «radicadas na lei natural inscrita pelo Criador na consciência de todo o ser humano», aí mesmo onde cada um de nós sente «o apelo a dar a própria contribuição para o bem comum e paz social»; ou insistindo na necessidade de «cada homem se sentir pessoalmente atingido pelas injustiças existentes no Mundo e pelas violações dos direitos humanos ligadas com elas» (Mensagem, 8); em suma, «a luta contra a pobreza precisa de homens e mulheres que vivam profundamente a fraternidade e sejam capazes de acompanhar pessoas, famílias e comunidades por percursos de autêntico progresso humano» (Mensagem, 13)."


"MARIA HELENA DA ROCHA PEREIRA

A quarta atribuição do Prémio Padre Manuel Antunes, da Conferência Episcopal Portuguesa, contempla este ano, com toda a justiça e oportunidade, a pessoa e a obra da Professora Doutora Maria Helena da Rocha Pereira.
A justiça é devida a quem dedicou e dedica um trabalho de tantos e tão preenchidos anos ao estudo e ensino da Cultura Clássica, com grande excelência internacionalmente reconhecida.
«Clássica» se chamou também por ser didacticamente transmitida, tal era a consciência que tínhamos do que lhe devíamos, da literatura à arte, da vida particular à política. E «clássica» era, ainda, por nos dar um ponto de partida humanista, suficientemente sólido e global para se tornar numa autêntica «casa comum».
Basta ler os textos do Novo Testamento, para ver como o Cristianismo nascente contou com tal cultura, vivendo nela, mesmo quando a ultrapassava 14. Aliás, caído o Império Romano, foi nas instituições eclesiais que o legado clássico encontrou abrigo e transmissão.
Particularmente com os europeus, esta cultura chegou ao Mundo inteiro e o actual quadro básico de direitos e deveres em que nos entendemos como «humanidade» é muito subsidiário desse primeiríssimo húmus.
Tratando-se de cultura, tem desta o vigor e o perigo. O vigor advém-lhe de ter sido tão propagada e assumida que ainda hoje se subentende, como memória, gosto e comportamento, verdadeiro «caldo cultural» que, à partida, nem se discutiria, tão omnipresente se revela. O perigo advém-lhe disso mesmo: é tão básica e geral, a herança clássica, que corre o risco de não ser advertida, nem sistematicamente transmitida. Isto pode significar tragicamente esquecida.
Neste preciso ponto tocamos a oportunidade da presente atribuição do Prémio Padre Manuel Antunes. Verificamos na sociedade portuguesa um maior investimento no ensino tecnológico, compreensível na actual conjuntura social e económica. Em termos de mentalidade, isto vai a par com a força da ciência, no sentido que ela foi ganhando na Europa moderna.
Tudo muito certo, tudo insuficiente. De facto, nas mais diversas áreas da sociedade e do trabalho, a modernização e os resultados práticos, vistos apenas do ponto de vista científico e técnico, correm o grande risco de perderem a prevalência humanista. Facilmente, a pessoa humana – cada homem e cada mulher em concreto – pode diluir-se na generalidade dos factores de produção e rendimento.
Perigo mais do que evidente, pois é gritante hoje em dia. Ora, se o legado clássico tanta coisa nos traz, é exactamente na imensa profundidade de cada ser humano que ele mais se traduz. E é também aqui que a cultura clássica mais se alia com o
«Ecce homo!» que Jesus de Nazaré inteiramente realiza e ofere-ce. Aqui também colhe, hoje como sempre, a advertência evangélica: «– De que vale ao homem ganhar o Mundo inteiro, se vier a perder a sua alma?»
E é por tais razões, de valor e circunstância, que a Conferência Episcopal Portuguesa, através do seu Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, atribui um prémio que transporta o nome doutro grande cultor dos estudos clássicos à Professora
Maria Helena da Rocha Pereira, eminente figura deste decisivo campo, cujo trabalho não há-de ser tido por derradeiro, mas sim como elo e garantia de futuro no saber essencial.

14 Já a própria religião grega ultrapassara outras, mas não a de Israel. Retenha-se este trecho da Autora: «A primeira e mais evidente característica destas divindades [dos Poemas Homéricos] é serem luminosas e antropomórficas, o que, pondo de parte a religião hebraica, que é um caso único e sem paralelo, representa uma superioridade incontestável sobre as demais da Antiguidade. Em vez de potências ocultas e terríveis, temos formas claras, que se comportam e reagem como seres humanos superlativados» (Pereira, Maria Helena da Rocha, Estudos de História da Cultura Clássica. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2.ª edição, 1967, vol. 1, p. 85).


[Na atribuição do Prémio Árvore da Vida / Padre Manuel Antunes 2008,
do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, Fátima, 20 de Junho de 2008]
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posted by luis Sexta-feira, Março 20, 2009

Quinta-feira, Março 19, 2009

o estrangeiro






Desde o dia em que o ministro dos negócios estrangeiros da república portuguesa fez saber aos E.U.A. que podia contar com Portugal na resolução e no desmantelamento da prisão de Guantánamo que estou à espera de ouvir alguém dizer mais alguma coisa sobre este assunto, é que não está tudo dito.
Claro que não está.
Claro que no que diz respeito aos Direitos Humanos e ao encerramento desta prisão está tudo dito. Para mim, nem há discussão.
Mas há discussão, sim, quanto ao momento e à legitimidade que um membro de um governo português tem para dizer o que disse e se oferecer como foi o caso. Oferecer sem conotação negativa.
Apesar da questão ser sobre um dos princípios mais básicos e elementares que já devia ser mais do que respeitado (devia e deve ser celebrado, o ser humano ter chegado aqui), deve-se dizer que o ministro português fez a figura de português típico, nossa, que é pôr-se em bicos de pé de dedo no ar ou correr para a fotografia.
Questão ética e moral também é saber e preocupar-se com o estado dos presos das prisões portuguesas, se são ou não respeitados, independentemente de serem ou não mais maus ou menos maus, melhores ou piores.
Se me perguntarem sobre como deviam ser tratados responderei que as prisões deviam ser lugares sóbrios mas de muito bom gosto e à beira mar ou coisa parecida. Tratar bem pessoas que se calhar nunca o foram, para se corrigirem e se arrependerem, ou não, de algo que fizeram e que não deviam ter feito, ou não.
Hoje há notícias de relatórios internacionais a dizer isto e aquilo e aqueloutro. Enfim. Não são precisos, as pessoas sabem, mas não se importam, não querem saber, é a vida.

posted by luis Quinta-feira, Março 19, 2009

Quarta-feira, Março 18, 2009

há tantos mas tantos anos que já me tinha esquecido da USA dos GNR, que felicidade ver aquela alegria de todos em palco, like arcade fire, parabéns, e tantas vezes que saltei e agora outra vez


posted by luis Quarta-feira, Março 18, 2009

Terça-feira, Março 17, 2009





José Tolentino Mendonça
in Página 1, 25.09.2008



"O Cântico das Criaturas

Muito se tem escrito sobre "O meu querido mês de Agosto" de Miguel Gomes. É um «road-movie» que nos destapa: leva-nos os olhos por esse Portugal dentro, o Portugal que não é a «west Coast of Europe» da promoção, mas um país antioceânico, de minúsculas enseadas fluviais, uma paisagem pétrea, indiscernível, incessante, com florestas e matas ameaçadas, como se, de alguma maneira, elas (e não nós) se tivessem tornado ocorrências lesivas. É um filme que nos leva pelos cabelos a ver Portugal: um país a que se acede pela camioneta da carreira, ainda de ritos, de ofícios manuais, de jornais de província, de feiras, cabisbaixas ou não, e datas para assinalar... Um país arcaico, onde o desassossego da condição humana se exprime no tom estático e impávido que têm os Autos ou que teve, um dia, o grande teatro grego.

Podemos dizer que o cinema re(a)presenta o que o olhar vê e essa espécie de devolução modifica, adensa, entreabre a própria realidade. Mas não de maneira unívoca, e esse é um traço fundamental nesta obra. O cinema de Miguel Gomes, por exemplo, não nos revela apenas um Portugal submerso, distante das rotativas do discurso dominante. Deixa-se tomar por ele. De repente, sentimos que o filme estremece por o vento nas folhas ser isso mesmo, pelas nuvens riscarem mesmo de silêncio o céu, pelo marulhar ingénuo da pequena cascata afinal se ouvir, pelo deslumbre incalculável de certos encontros acontecer...

Tomando este belíssimo objecto de Miguel Gomes percebe-se então mais fortemente a oportunidade perdida que a ficção televisiva, servida em horário nobre, tem sobretudo representado. Uma telenovela, rodada nos Açores, no Douro ou no topo dos edifícios da Expo, o que faz é desdobrar estereótipos, repetir, deslocar actores daqui para ali, recorrendo ao local como mero cenário. Como quando a televisão se diz aproximar do quotidiano o que frequentemente faz é simplificá-lo até à caricatura. Há uma ânsia de homogeneidade que é uma outra forma de impermeabilização e surdez.

Por alguma razão o que se escuta é tão decisivo em “O meu querido mês de Agosto”. Pode-se pensar que se trata apenas de um chorrilho de cançonetas. A mim pareceu-me, antes, uma actualização, irónica e desesperada, do Cântico das Criaturas."






de: O Som e a Furia (oseafuria@gmail.com)

"AQUELE QUERIDO MÊS DE AGOSTO, a aplaudida segunda longa-metragem do realizador Miguel Gomes estreada entre nós no Verão passado, foi distinguida no Festival de Cinema de Las Palmas onde recebeu o prémio Lady Harimaguada de Prata, e também o prémio José Rivero, atribuído ao Melhor Novo Realizador.

Entretanto, o filme foi também seleccionado para a competição do Festival de Guadalajara, o mais importante certame de cinema do México, que se realiza naquela cidade de 19 a 27 de Março próximos.

Recorde-se que esta selecção acontece depois de uma impressionante carreira de festivais, de onde se destacam a Quinzena dos Realizadores, em Cannes (onde, aliás, o filme fez no ano passado a sua estreia mundial), o Festival de Valdivia no Chile, onde alcançou o prémio para Melhor Filme Internacional, a mais importante distinção aí atribuída, e o Prémio da Crítica, a Viennale – Festival Internacional de Viena, onde recebeu o prémio FIPRESCI, o Festival de São Paulo (Prémio da Crítica), e o Festival de Cinema Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira, onde arrecadou o Prémio Especial do Júri, Prémio da Crítica, Prémio dos Cineclubes e Prémio do Público.

Mas a digressão de AQUELE QUERIDO MÊS DE AGOSTO não pára por aqui, tendo já garantido a sua presença no Festival de Cinema Independente de Buenos Aires, na Argentina (25 Março-6 Abril), Festival de Cinema de Wisconsin (2-5 Abril), Festival de Cinema de São Francisco (23 Abril-7 Maio), Festival de Cinema de Los Angeles (18-28 Junho), e os Festivais de Cinema de Auckland (10-27 Julho) e de Wellington (18 Julho-3 Agosto), ambos na Nova Zelândia.

Uma co-produção O Som e a Fúria e Shellac Sud, AQUELE QUERIDO MÊS DE AGOSTO é um filme sobre o que significa viver no coração de Portugal. Simultaneamente uma colectânea de canções e uma compilação de ambiências próprias de Agosto, o mês em que a Beira Serra renasce para os encontros e as festas. Demonstração de fulgor que Miguel Gomes retrata através da simbiose dos géneros documentário e ficção.


O SOM E A FÚRIA
R. Soc. Farmacêutica, 40 – 3 Esq
1150-340 Lisboa, PORTUGAL"

posted by luis Terça-feira, Março 17, 2009

Segunda-feira, Março 16, 2009

Cartão continente






Um primeiro ministro que numa viagem de estado diz que aquela é a mais ambiciosa de sempre, que nunca como desta vez... blábláblá... faz lembrar o shopping maior da Europa, da árvore de natal maior do mundo e tal... Aquele bimbo típico, ignorante. Enfim.

A Vasco Pulido Valente tenho uma informação para lhe dar, alguém que a faça chegar, por favor: é mentira que ninguém tenha previsto esta crise, e com esta dimensão, é mentira. Posso apresentar-lhe pessoas que já há dez anos atrás falavam do que se está a passar agora. Mas como essas pessoas não aparecem nas televisões, não são cromos da tv, quase ninguém as ouve. Felizardos daqueles que os podem e sabem calar-se para os ouvir. Oráculos, e sem publicidade nenhuma. Em Portugal normal.

Enquanto Portugal for governado por advogados estamos fritos, quase toda a gente já sabe isso.

posted by luis Segunda-feira, Março 16, 2009

Quarta-feira, Março 11, 2009

Tem andado muito de moto?

Fiz recentemente uma viagem de São Petersburgo a Moscovo. Durou cinco dias. Fomos do Ermitage até ao Museu Pushkin, para inaugurar uma exposição de 300 anos de arte americana. Foi uma viagem fantástica.

Quer dizer que ainda vive a 200 à hora…

Tento abrandar um pouco, mas é verdade que ainda ando de mota.

Este filme do Wim Wenders fala de um fotógrafo. Todos nos lembramos de si de câmara na mão no "Apocalypse now" e também faz muita fotografia…

Concordo com a visão do Wim. Gosto mesmo do digital. O filme, com a revelação química, com o qual todos crescemos, está a ser substituído pelo digital. A diferença é que com o digital parece que estamos a pintar com a luz. Imprimo as minhas próprias fotografias digitais e quando usava filme nunca me preocupei em revelá-las.

Além da fotografia, também já fez vários filmes como realizador.

Mas a fotografia e o cinema têm apenas uns 120 anos de vida. Recordo-me sempre do que o Henri Langlois dizia quando eu vivia em Paris e ia à Cinemateca. "Dennis", dizia-me ele, muito à francesa, "todos os pedaços de filme, mesmo que nos pareçam muito maus, têm de ser preservados para o futuro, como os quadros do Renascimento".

E gosta que lhe tirem fotografias?

Ao longo dos anos, fui-me habituando. E cada vez mais me identifico com os fotógrafos. Mesmo os paparazzi. Que maneira dura de ganhar a vida eles têm! Têm a minha simpatia, por isso, gosto de lhes agradar o mais possível. Mas não tenho fotos de mim penduradas em casa. Tenho é fotos de Andy Warhol, Jasper Johns, Rauschenberg e outros artistas que admiro. Para dizer a verdade, até tenho uma: o John Huston, o John Ford e eu na cama…

Como é que isso aconteceu?

Foi na altura do "Easy rider". Uma marca de uísque fez um anúncio com o John Huston e comigo, para mostrar que não havia nenhum problema geracional. Ganhei uma pipa de massa. O John Ford estava de cama e convidei o Huston para ir lá a casa e tirar uma fotografia. O John Ford estava a ver um jogo de basebol. Três meses depois, morreu.

De quem foi a ideia de tirar a foto na cama?

Foi mesmo dele. A mulher até o queria trazer numa cadeira de rodas para fora da casa, mas ele disse: "vocês não têm mesmo o sentido do drama, vamos é tirar a foto os três na cama!"

É verdade que comprou um quadro do Andy Warhol por 75 dólares (cerca de 70 euros)? Ainda o tem?

Não. Tenho quatro filhos, todos de mulheres diferentes. A minha primeira mulher ficou com todas as obras de arte que eu tinha coleccionado. Há ano e meio, estava em Paris, e vi que um quadro do Lichtenstein que eu tinha comprado por 1200 dólares (cerca de 1000 euros) tinha sido vendido por mais de 17 milhões de dólares (cerca de 15 milhões de euros).

O que levou do primeiro divórcio?

Um pontapé no rabo! Foi tudo o que levei.

Acha que a Hollywood de hoje ainda mantém algum desse espírito rebelde que você corporizou?

Quando tinha 18 anos, fiz o "Fúria de viver", com o James Dean. Mas acho que nem ele percebeu o que estava a fazer. Ele foi o primeiro beatnik. Apareceu ao mesmo tempo que Kerouac e Ginsberg. Mas o Dean e o Brando, de t-shirt e moto... Nessa altura, em Los Angeles, para se arranjar uma mesa no restaurante tinha de se andar de gravata ou de laço. Foram tempos de mudança. Comecei por ser boémio; depois, fui beatnik; a seguir, hippie, depois, já não sei o quê… As coisas estão sempre a mudar.

Então, e o que é hoje?

Hoje, sou um conservador. Não, só às vezes…

Como é que se deu com o Wim Wenders, que vem de um mundo completamente diferente do seu?

Já tínhamos trabalhado juntos, há 31 anos, em "O amigo americano". O Wenders continua o mesmo. É uma pessoa gentil e compreensiva. Sabe o que quer e continua a fazer filmes maravilhosos.

De certa forma, nos últimos anos, tem-se especializado em papéis de "mau da fita".

É verdade que a morte não tem lá muito boa reputação… Quando digo qualquer coisa sobre o "mau da fita" no filme, não estou a improvisar, já estava no guião. Mas talvez seja um comentário meu à minha própria carreira.

A maior parte dos actores diz que os vilões são sempre as personagens mais interessantes…

Na maior parte das vezes, sim. Mas a minha formação é em Shakespeare e, no grande bardo, as melhores personagens são quase todas incestuosas e assassinas.

Qual foi a personagem mais difícil de representar?

Acho que foi um filme produzido pelo Jeremy Thomas na Austrália, chamado "Mad dog Morgan". Levei o papel muito a sério, mas fizemos as coisas mais inacreditáveis. Bebi tanto que chegaram a considerar-me morto! É incrível como a Austrália ainda lá está…

posted by luis Quarta-feira, Março 11, 2009

Terça-feira, Março 10, 2009



Penso que tem muito que ver com um gosto provinciano do Pirandello: a especulação da má-língua. Uma senhora de quem fui amigo, pintora, Titina Maselli, sobrinha da mulher do Pirandello, que vivia no mesmo prédio quando era pequenina, dizia: "Aquilo o que era?, era um homem da Sicília que gostava de estar à esquina a dizer: 'Esta é casada com aquele, mas anda a sair com o outro'. Sem consequências. O que ele gosta é de explorar as hipóteses narrativas". Efabular. Gosta da má-língua sem maldade. Gosta das hipóteses romanescas que o real lhe oferece. A Titina dizia que ele era como o boticário da aldeia.


Nunca teria percebido na época que o Fellini só era possível nesta cultura - eu teria feito uma encenação mais viscontiana, ou seja, nobre, lenta, respeitando os códigos teatrais. Descobri-o há dois anos num espectáculo que vi em Itália, e que era mau, de um encenador muito bom, o Federico Tiezzi. Tinha uma ideia engraçada: ele achava que "Os Gigantes da Montanha" era a origem de "Julieta dos Espíritos" (1965) do Fellini. Eia pá, nunca me tinha lembrado desta! E realmente, quer o "Oito e Meio", quer o "Amarcord" (1973) só eram possíveis numa cultura onde esta destruição da narrativa já tivesse sido possível.

posted by luis Terça-feira, Março 10, 2009

Segunda-feira, Março 09, 2009

quando ouço falar de Deadwood arregalo os olhos
e as pernas começam a tremer







Só para corrigir um dos seus correctores, caro JPP: a terceira série também passou na fox, só não foi, isso sim, ainda editada, em dvd, em Portugal. É a vida. Também não me espanta que o livro ainda não tenha sido excelentemente traduzido para português.
Não se pode deixar de falar, quando se fala em séries, também, de Carnivàle, não se pode, melhor: não se deve.


posted by luis Segunda-feira, Março 09, 2009

Quarta-feira, Março 04, 2009

Shortlisted natural history images from the Sony world photography awards








posted by luis Quarta-feira, Março 04, 2009

Terça-feira, Março 03, 2009

de Braga a Espinho a Torres Vedras
por aqui por aí assim
em toda a parte






posted by luis Terça-feira, Março 03, 2009

Domingo, Março 01, 2009

pilgrimage




Jay: Leviton-Atlanta

Flannery O'Connor at home in
Milledgeville,Ga., in 1962.



Flannery. She liked to drink Coca-Cola mixed with coffee. She gave her mother, Regina, a mule for Mother’s Day. She went to bed at 9 and said she was always glad to get there. After ­Kennedy’s ­assassination she said: “I am sad about the president. But I like the new one.” As a child she sewed outfits for her chickens and wanted to be a ­cartoonist.

She reluctantly traveled to Lourdes and claimed she prayed for the novel she was working on, “The Violent Bear It Away,” which she referred to as Opus Nauseous. She referred to each of her novels as Opus Nauseous. Rust Hills, the fiction editor of Esquire, put her in the middle of the “red-hot center” in his Literary Establishment chart of 1963. Elizabeth Hardwick took her to dinner at Mary McCarthy’s apartment, where McCarthy conceded that the communion wafer was a symbol of the Holy Ghost and a pretty good one, whereupon Flannery made her famous reply, “Well, if it’s a symbol, to hell with it.”

Hardwick described her at Yaddo: “She was a plain sort of young, unmarried girl, a little bit sickly. She had a small-town Southern accent . . . whiny. She whined. She was amusing. She was so gifted, immensely gifted.”

Describing her self-portrait with a pheasant cock, she wrote: “I very much like the look of the pheasant cock. He has horns and a face like the Devil. The self-portrait was made . . . after a very acute siege. . . . I was taking cortisone which gives you what they call a moon face and my hair had fallen out to a large extent due to the high fever, so I looked pretty much like the portrait. When I painted it, I didn’t look either at myself in the mirror or at the bird. I knew what we both looked like.”

posted by luis Domingo, Março 01, 2009

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São horas, Senhor. O Verão alongou-se muito.
Pousa sobre os relógios de sol as tuas sombras
E larga os ventos por sobre as campinas.


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