DO QUE A MÉDIA DAS PESSOAS. PARE HOMEM, O QUE É QUE VOCÊ QUER? E DEPOIS? O QUE É QUE TEM NA CABEÇA?
A TSF METE NOJO. (impressiona-me, cada vez mais, as pessoas aceitarem e tentarem justificar e justificar e explicar e explicar, com aquele sorriso amarelo no rosto, o inaceitável, uma pessoa só pensa: como é possível, como é possível, como foi possível)
Call me morbid, call me pale I've spent six years on your trail Six long years On your trail
Call me morbid, call me pale I've spent six years on your trail Six full years of my life on your trail
And if you have five seconds to spare Then I'll tell you the story of my life : Sixteen, clumsy and shy I went to London and I I booked myself in at the Y ... W.C.A. I said : "I like it here - can I stay ? I like it here - can I stay ? Do you have a vacancy For a Back-scrubber?"
She was left behind, and sour And she wrote to me, equally dour She said : "In the days when you were Hopelessly poor I just liked you more..."
And if you have five seconds to spare Then I'll tell you the story of my life : Sixteen, clumsy and shy I went to London and I I booked myself in at the Y ... W.C.A. I said : "I like it here - can I stay ? I like it here - can I stay ? And do you have a vacancy For a Back-scrubber ?"
Call me morbid, call me pale I've spent too long on your trail Far too long Chasing your tail Oh ...
And if you have five seconds to spare Then I'll tell you the story of my life : Sixteen, clumsy and shy That's the story of my life Sixteen, clumsy and shy The story of my life That's the story of my life That's the story of my life That's the story of my life The story of my life That's the story of my life That's the story of my life That's the story of my life That's the story of my life That's the story of my life That's the story ...
O tema do falso inspector foi-lhe dado por Púchkin
Novidade deste mês na Assírio & Alvim:
"Título: O INSPECTOR — Comédia em Cinco Actos Autor: Nikolai Gógol Tradução do Russo: Nina Guerra e Filipe Guerra Colecção: Imaginário Ano de edição: 2009 / Tema, classificação: Teatro Formato e acabamento: 13,5 x 21 cm, edição brochada N.º de páginas: 208
Apresentação:
A publicação de O Inspector em português é a nossa homenagem a Gógol na passagem do bicentenário (1 de Abril de 1809) do seu nascimento. O Inspector foi estreado em 19 de Abril de 1836 no Teatro Aleksandrínski de Petersburgo, na presença do imperador e da alta sociedade. Foi um êxito e um escândalo: a farsa foi aplaudida pelos liberais e atacada pelos conservadores. A partir de então, como era habitual no instável Gógol – um fervoroso conservador –, instalou-se um grave mal-entendido entre a peça e o seu autor, e este passou a justificar-se, a arranjar, a reescrever a sua comédia durante mais de 10 anos. Mas era uma comédia que já não lhe pertencia e seguia o seu caminho com independência e fereza. «O Inspector é o ponto culminante do riso na obra de Gógol, a sua criação mais cómica, mais irremissivelmente cómica», diz Andrei Siniávski, o grande especialista russo da obra de Gógol. No entanto, a natureza ambivalente do homem e do artista Gógol – os elementos antinómicos de pesadelo de um lado e os do riso desenfreado do outro – traçam juntos as linhas definidoras desta comédia que revolucionou o teatro russo. O tema do falso inspector foi-lhe dado por Púchkin («dê-me um tema, divertido ou não, mas que seja um episódio verdadeiramente russo»—assim escreveu o autor ao seu poeta protector), e deve sublinhar-se este verdadeiramente russo.
Nikolai Gógol nasceu a 20 de Março de 1809 na província de Poltava (Ucrânia), no seio de uma família de médios proprietários rurais (1200 hectares e 200 servos da gleba). Partiu jovem para Petersburgo, a fim de fazer carreira. Passou grande parte da sua vida em viagens pelo estrangeiro e pela Rússia. Depois de uma lenta agonia, morreu a 4 deMarço de 1852, num estado de ascese e em grande sofrimento.
De D. Manuel Clemente relembro sempre aquela entrevista dada a Judite de Sousa no tempo em que João Paulo II estava bastante doente e se falava até mais não na sua substituição ou não, quase imperativa nos média. Nessa entrevista a jornalista passou o tempo todo a querer respostas imediatas, rápidas, instantâneas, num tempo curtíssimo, e D. Manuel, assim sem nada para lhe dizer naquele registo, num tempo longo longo. A jornalista agonizava e não percebia o seu convidado, parecia que não percebia o outro lado da vida que não aquele, frenético e fabricador de notícias. Uns meses mais tarde disse, numa entrevista a si feita, que não sabia viver sem aquele mundo de pressão das notícias, do estar no ar... Adiante, adiante.
A nova editora portuguesa Pedra Angular acaba de editar o primeiro livro, de um dos mais brilhantes e estimulantes intelectuais portugueses da actualidade:
Manuel Clemente Bispo do Porto UM SÓ PROPÓSITO Homilias e Escritos Pastorais
Dois excertos: um da mensagem de ano novo, 2009, e outro da atribuição do Prémio Árvore da Vida / Padre Manuel Antunes 2008, do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura a Maria Helena Rocha Pereira, Fátima, 20 de Junho de 2008.
"SANTA MARIA MÃE DE DEUS Ano Novo, Vida Nova
2. É connosco agora, neste «ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo» de 2009, que por Ele o é decerto e por nós o tem de ser também. Assim o propõe, com a precisão do actual contexto, o Papa Bento XVI, na sua Mensagem para este Dia Mundial da Paz, sob o título mobilizador: «Combater a pobreza, construir a paz». Pela análise e indicações que traz, esta Mensagem deve ser cuidadosamente estudada e correspondida por todos os católicos e pessoas de boa vontade. A Santa Sé manifesta-se hoje qual observatório permanente do estado do Mundo, juntando a informação local com a internacional, o que lhe permite análises sobremaneira avalizadas. E, tendo o conhecimento e a experiência do conjunto, abre-nos aquele horizonte geral que hoje tende a ser o mais determinante da vida das pessoas. A globalização apresenta-se de facto como realidade iniludível e é no seu contexto que devemos analisar-nos como humanidade em devir. Mas, nesta análise, contando com a imprescindível colaboração de economistas e sociólogos, estaremos também como os pastores evocados no Evangelho de há pouco, os quais, no que viram em Belém, reconheceram aquele significado maior que anunciaram a todos. Com eles, devemos olhar agora a globalização também no seu «significado espiritual e moral» (Mensagem, 2): divisamos um projecto divino, que nos quer como única família humana, fraterna e corresponsável. Só assim a globalização interessa e corresponde à expectativa de todos e à vontade divina. É à mesma luz que encaramos a pobreza, fenómeno infelizmente bem concreto e quantitativamente mensurável, mas incluindo «fenómenos de marginalização, pobreza relacional, moral e espiritual» (Mensagem, 2), também presentes em meios abastados. De tudo isto sabemos e devemos saber; com tudo isto sofremos e devemos sofrer, e sempre com quem mais sofra. Mas juntando sentimento e conhecimento, para que o remédio seja adequado. Sigamos Bento XVI, ao considerar a pobreza mundial e as suas causas. Antes de mais no âmbito demográfico, que certos equívocos tem trazido, alegando-se que a pobreza está associada ao crescimento da população e tomando este como factor negativo e até «justificativo» de campanhas de redução da natalidade, onde não faltam atentados à dignidade da mulher, aos direitos dos pais e à vida dos nascituros. Muito pelo contrário, verifica-se que nas últimas três décadas saíram da pobreza algumas populações que registaram «um incremento demográfico notável» (Mensagem, 3), revelando- se o índice positivo da natalidade como potenciador de progresso. Outro âmbito de análise é o das pandemias que atingem algumas zonas do Mundo, pondo em causa os sectores produtivos e a vida em geral. O combate a tais pandemias passa certamente pela generalização de tratamentos e remédios; passa também pelos avanços da medicina e dos cuidados médicos, requerendo a disponibilidade de cientistas e produtores de fármacos; e não dispensa, em especial nalguns casos como a SIDA, a educação para uma sexualidade respeitadora da dignidade própria e alheia. Terceiro âmbito de análise é o da incidência infantil da pobreza. Dos cuidados maternos à educação, da vacinação aos recursos médicos e ambientais, tudo devemos às crianças. Sem esquecer a promoção e a estabilidade da família, pois «quando a família se debilita, os danos recaem inevitavelmente sobre as crianças» (Mensagem, 5). Em quarto lugar, o Papa insiste na relação existente entre desarmamento e progresso. Mas lamentamos com ele que, pelo contrário, se verifique o triste conluio da corrida aos armamentos com o subdesenvolvimento, desviando-se recursos que deveriam promover a vida e a economia de populações inteiras. Acrescente-se a actual crise alimentar, que não se deve tanto à insuficiência de alimentos como à dificuldade em aceder-lhes, bem como a práticas especulativas e à ineficácia das instituições políticas e económicas. Aumenta o fosso entre países ricos e pobres, porque a tecnologia evolui mais em quem mais tem e porque os produtos industriais vendem-se mais caro do que os agrícolas e as matérias-primas dos países pobres. Algumas observações ainda, de importância definitiva para ultrapassarmos a intolerável pobreza sofrida por tão grande parte da população mundial: é necessária uma globalização que atenda aos interesses de todos, em verdadeira «solidariedade global» (Mensagem, 8); um comércio internacional onde «todos os países tenham as mesmas possibilidades de acesso ao mercado mundial» (Mensagem, 9); um mercado financeiro que sustente a longo prazo os investimentos e o desenvolvimento, até porque «uma actividade financeira confiada no breve e brevíssimo prazo torna-se perigosa para todos, inclusivamente para quem consegue beneficiar dela durante as fases de euforia financeira» (Mensagem, 10); uma cooperação internacional que invista sobretudo na formação, capacitando para a criação de rendimento (Mensagem, 11); a indispensável conjugação da responsabilidade pessoal com «positivas sinergias entre mercados, sociedade civil e Estados» (Mensagem,12). Numa homilia como esta, mesmo em dia propício, não caberia uma análise socioeconómica só por si. Mas, ainda com Bento XVI, atingimos níveis de apreciação mais profundos e até religiosos. Assim, quando se requer um «código ético comum», em que prevaleçam normas «radicadas na lei natural inscrita pelo Criador na consciência de todo o ser humano», aí mesmo onde cada um de nós sente «o apelo a dar a própria contribuição para o bem comum e paz social»; ou insistindo na necessidade de «cada homem se sentir pessoalmente atingido pelas injustiças existentes no Mundo e pelas violações dos direitos humanos ligadas com elas» (Mensagem, 8); em suma, «a luta contra a pobreza precisa de homens e mulheres que vivam profundamente a fraternidade e sejam capazes de acompanhar pessoas, famílias e comunidades por percursos de autêntico progresso humano» (Mensagem, 13)."
"MARIA HELENA DA ROCHA PEREIRA
A quarta atribuição do Prémio Padre Manuel Antunes, da Conferência Episcopal Portuguesa, contempla este ano, com toda a justiça e oportunidade, a pessoa e a obra da Professora Doutora Maria Helena da Rocha Pereira. A justiça é devida a quem dedicou e dedica um trabalho de tantos e tão preenchidos anos ao estudo e ensino da Cultura Clássica, com grande excelência internacionalmente reconhecida. «Clássica» se chamou também por ser didacticamente transmitida, tal era a consciência que tínhamos do que lhe devíamos, da literatura à arte, da vida particular à política. E «clássica» era, ainda, por nos dar um ponto de partida humanista, suficientemente sólido e global para se tornar numa autêntica «casa comum». Basta ler os textos do Novo Testamento, para ver como o Cristianismo nascente contou com tal cultura, vivendo nela, mesmo quando a ultrapassava 14. Aliás, caído o Império Romano, foi nas instituições eclesiais que o legado clássico encontrou abrigo e transmissão. Particularmente com os europeus, esta cultura chegou ao Mundo inteiro e o actual quadro básico de direitos e deveres em que nos entendemos como «humanidade» é muito subsidiário desse primeiríssimo húmus. Tratando-se de cultura, tem desta o vigor e o perigo. O vigor advém-lhe de ter sido tão propagada e assumida que ainda hoje se subentende, como memória, gosto e comportamento, verdadeiro «caldo cultural» que, à partida, nem se discutiria, tão omnipresente se revela. O perigo advém-lhe disso mesmo: é tão básica e geral, a herança clássica, que corre o risco de não ser advertida, nem sistematicamente transmitida. Isto pode significar tragicamente esquecida. Neste preciso ponto tocamos a oportunidade da presente atribuição do Prémio Padre Manuel Antunes. Verificamos na sociedade portuguesa um maior investimento no ensino tecnológico, compreensível na actual conjuntura social e económica. Em termos de mentalidade, isto vai a par com a força da ciência, no sentido que ela foi ganhando na Europa moderna. Tudo muito certo, tudo insuficiente. De facto, nas mais diversas áreas da sociedade e do trabalho, a modernização e os resultados práticos, vistos apenas do ponto de vista científico e técnico, correm o grande risco de perderem a prevalência humanista. Facilmente, a pessoa humana – cada homem e cada mulher em concreto – pode diluir-se na generalidade dos factores de produção e rendimento. Perigo mais do que evidente, pois é gritante hoje em dia. Ora, se o legado clássico tanta coisa nos traz, é exactamente na imensa profundidade de cada ser humano que ele mais se traduz. E é também aqui que a cultura clássica mais se alia com o «Ecce homo!» que Jesus de Nazaré inteiramente realiza e ofere-ce. Aqui também colhe, hoje como sempre, a advertência evangélica: «– De que vale ao homem ganhar o Mundo inteiro, se vier a perder a sua alma?» E é por tais razões, de valor e circunstância, que a Conferência Episcopal Portuguesa, através do seu Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, atribui um prémio que transporta o nome doutro grande cultor dos estudos clássicos à Professora Maria Helena da Rocha Pereira, eminente figura deste decisivo campo, cujo trabalho não há-de ser tido por derradeiro, mas sim como elo e garantia de futuro no saber essencial.
14Já a própria religião grega ultrapassara outras, mas não a de Israel. Retenha-se este trecho da Autora: «A primeira e mais evidente característica destas divindades [dos Poemas Homéricos] é serem luminosas e antropomórficas, o que, pondo de parte a religião hebraica, que é um caso único e sem paralelo, representa uma superioridade incontestável sobre as demais da Antiguidade. Em vez de potências ocultas e terríveis, temos formas claras, que se comportam e reagem como seres humanos superlativados» (Pereira, Maria Helena da Rocha, Estudos de História da Cultura Clássica. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2.ª edição, 1967, vol. 1, p. 85).
[Na atribuição do Prémio Árvore da Vida / Padre Manuel Antunes 2008, do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, Fátima, 20 de Junho de 2008]"
Desde o dia em que o ministro dos negócios estrangeiros da república portuguesa fez saber aos E.U.A. que podia contar com Portugal na resolução e no desmantelamento da prisão de Guantánamo que estou à espera de ouvir alguém dizer mais alguma coisa sobre este assunto, é que não está tudo dito. Claro que não está. Claro que no que diz respeito aos Direitos Humanos e ao encerramento desta prisão está tudo dito. Para mim, nem há discussão. Mas há discussão, sim, quanto ao momento e à legitimidade que um membro de um governo português tem para dizer o que disse e se oferecer como foi o caso. Oferecer sem conotação negativa. Apesar da questão ser sobre um dos princípios mais básicos e elementares que já devia ser mais do que respeitado (devia e deve ser celebrado, o ser humano ter chegado aqui), deve-se dizer que o ministro português fez a figura de português típico, nossa, que é pôr-se em bicos de pé de dedo no ar ou correr para a fotografia. Questão ética e moral também é saber e preocupar-se com o estado dos presos das prisões portuguesas, se são ou não respeitados, independentemente de serem ou não mais maus ou menos maus, melhores ou piores. Se me perguntarem sobre como deviam ser tratados responderei que as prisões deviam ser lugares sóbrios mas de muito bom gosto e à beira mar ou coisa parecida. Tratar bem pessoas que se calhar nunca o foram, para se corrigirem e se arrependerem, ou não, de algo que fizeram e que não deviam ter feito, ou não. Hoje há notícias de relatórios internacionais a dizer isto e aquilo e aqueloutro. Enfim. Não são precisos, as pessoas sabem, mas não se importam, não querem saber, é a vida.
há tantos mas tantos anos que já me tinha esquecido da USA dos GNR, que felicidade ver aquela alegria de todos em palco, like arcade fire, parabéns, e tantas vezes que saltei e agora outra vez
Muito se tem escrito sobre "O meu querido mês de Agosto" de Miguel Gomes. É um «road-movie» que nos destapa: leva-nos os olhos por esse Portugal dentro, o Portugal que não é a «west Coast of Europe» da promoção, mas um país antioceânico, de minúsculas enseadas fluviais, uma paisagem pétrea, indiscernível, incessante, com florestas e matas ameaçadas, como se, de alguma maneira, elas (e não nós) se tivessem tornado ocorrências lesivas. É um filme que nos leva pelos cabelos a ver Portugal: um país a que se acede pela camioneta da carreira, ainda de ritos, de ofícios manuais, de jornais de província, de feiras, cabisbaixas ou não, e datas para assinalar... Um país arcaico, onde o desassossego da condição humana se exprime no tom estático e impávido que têm os Autos ou que teve, um dia, o grande teatro grego.
Podemos dizer que o cinema re(a)presenta o que o olhar vê e essa espécie de devolução modifica, adensa, entreabre a própria realidade. Mas não de maneira unívoca, e esse é um traço fundamental nesta obra. O cinema de Miguel Gomes, por exemplo, não nos revela apenas um Portugal submerso, distante das rotativas do discurso dominante. Deixa-se tomar por ele. De repente, sentimos que o filme estremece por o vento nas folhas ser isso mesmo, pelas nuvens riscarem mesmo de silêncio o céu, pelo marulhar ingénuo da pequena cascata afinal se ouvir, pelo deslumbre incalculável de certos encontros acontecer...
Tomando este belíssimo objecto de Miguel Gomes percebe-se então mais fortemente a oportunidade perdida que a ficção televisiva, servida em horário nobre, tem sobretudo representado. Uma telenovela, rodada nos Açores, no Douro ou no topo dos edifícios da Expo, o que faz é desdobrar estereótipos, repetir, deslocar actores daqui para ali, recorrendo ao local como mero cenário. Como quando a televisão se diz aproximar do quotidiano o que frequentemente faz é simplificá-lo até à caricatura. Há uma ânsia de homogeneidade que é uma outra forma de impermeabilização e surdez.
Por alguma razão o que se escuta é tão decisivo em “O meu querido mês de Agosto”. Pode-se pensar que se trata apenas de um chorrilho de cançonetas. A mim pareceu-me, antes, uma actualização, irónica e desesperada, do Cântico das Criaturas."
de:O Som e a Furia (oseafuria@gmail.com)
"AQUELE QUERIDO MÊS DE AGOSTO, a aplaudida segunda longa-metragem do realizador Miguel Gomes estreada entre nós no Verão passado, foi distinguida no Festival de Cinema de Las Palmas onde recebeu o prémio Lady Harimaguada de Prata, e também o prémio José Rivero, atribuído ao Melhor Novo Realizador.
Entretanto, o filme foi também seleccionado para a competição do Festival de Guadalajara, o mais importante certame de cinema do México, que se realiza naquela cidade de 19 a 27 de Março próximos.
Recorde-se que esta selecção acontece depois de uma impressionante carreira de festivais, de onde se destacam a Quinzena dos Realizadores, em Cannes (onde, aliás, o filme fez no ano passado a sua estreia mundial), o Festival de Valdivia no Chile, onde alcançou o prémio para Melhor Filme Internacional, a mais importante distinção aí atribuída, e o Prémio da Crítica, a Viennale – Festival Internacional de Viena, onde recebeu o prémio FIPRESCI, o Festival de São Paulo (Prémio da Crítica), e o Festival de Cinema Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira, onde arrecadou o Prémio Especial do Júri, Prémio da Crítica, Prémio dos Cineclubes e Prémio do Público.
Mas a digressão de AQUELE QUERIDO MÊS DE AGOSTO não pára por aqui, tendo já garantido a sua presença no Festival de Cinema Independente de Buenos Aires, na Argentina (25 Março-6 Abril), Festival de Cinema de Wisconsin (2-5 Abril), Festival de Cinema de São Francisco (23 Abril-7 Maio), Festival de Cinema de Los Angeles (18-28 Junho), e os Festivais de Cinema de Auckland (10-27 Julho) e de Wellington (18 Julho-3 Agosto), ambos na Nova Zelândia.
Uma co-produção O Som e a Fúria e Shellac Sud, AQUELE QUERIDO MÊS DE AGOSTO é um filme sobre o que significa viver no coração de Portugal. Simultaneamente uma colectânea de canções e uma compilação de ambiências próprias de Agosto, o mês em que a Beira Serra renasce para os encontros e as festas. Demonstração de fulgor que Miguel Gomes retrata através da simbiose dos géneros documentário e ficção.
O SOM E A FÚRIA R. Soc. Farmacêutica, 40 – 3 Esq 1150-340 Lisboa, PORTUGAL"
Um primeiro ministro que numa viagem de estado diz que aquela é a mais ambiciosa de sempre, que nunca como desta vez... blábláblá... faz lembrar o shopping maior da Europa, da árvore de natal maior do mundo e tal... Aquele bimbo típico, ignorante. Enfim.
A Vasco Pulido Valente tenho uma informação para lhe dar, alguém que a faça chegar, por favor: é mentira que ninguém tenha previsto esta crise, e com esta dimensão, é mentira. Posso apresentar-lhe pessoas que já há dez anos atrás falavam do que se está a passar agora. Mas como essas pessoas não aparecem nas televisões, não são cromos da tv, quase ninguém as ouve. Felizardos daqueles que os podem e sabem calar-se para os ouvir. Oráculos, e sem publicidade nenhuma. Em Portugal normal.
Enquanto Portugal for governado por advogados estamos fritos, quase toda a gente já sabe isso.
Tento abrandar um pouco, mas é verdade que ainda ando de mota.
Este filme do Wim Wenders fala de um fotógrafo. Todos nos lembramos de si de câmara na mão no "Apocalypse now" e também faz muita fotografia…
Concordo com a visão do Wim. Gosto mesmo do digital. O filme, com a revelação química, com o qual todos crescemos, está a ser substituído pelo digital. A diferença é que com o digital parece que estamos a pintar com a luz. Imprimo as minhas próprias fotografias digitais e quando usava filme nunca me preocupei em revelá-las.
Além da fotografia, também já fez vários filmes como realizador.
Mas a fotografia e o cinema têm apenas uns 120 anos de vida. Recordo-me sempre do que o Henri Langlois dizia quando eu vivia em Paris e ia à Cinemateca. "Dennis", dizia-me ele, muito à francesa, "todos os pedaços de filme, mesmo que nos pareçam muito maus, têm de ser preservados para o futuro, como os quadros do Renascimento".
E gosta que lhe tirem fotografias?
Ao longo dos anos, fui-me habituando. E cada vez mais me identifico com os fotógrafos. Mesmo os paparazzi. Que maneira dura de ganhar a vida eles têm! Têm a minha simpatia, por isso, gosto de lhes agradar o mais possível. Mas não tenho fotos de mim penduradas em casa. Tenho é fotos de Andy Warhol, Jasper Johns, Rauschenberg e outros artistas que admiro. Para dizer a verdade, até tenho uma: o John Huston, o John Ford e eu na cama…
Como é que isso aconteceu?
Foi na altura do "Easy rider". Uma marca de uísque fez um anúncio com o John Huston e comigo, para mostrar que não havia nenhum problema geracional. Ganhei uma pipa de massa. O John Ford estava de cama e convidei o Huston para ir lá a casa e tirar uma fotografia. O John Ford estava a ver um jogo de basebol. Três meses depois, morreu.
De quem foi a ideia de tirar a foto na cama?
Foi mesmo dele. A mulher até o queria trazer numa cadeira de rodas para fora da casa, mas ele disse: "vocês não têm mesmo o sentido do drama, vamos é tirar a foto os três na cama!"
É verdade que comprou um quadro do Andy Warhol por 75 dólares (cerca de 70 euros)? Ainda o tem?
Não. Tenho quatro filhos, todos de mulheres diferentes. A minha primeira mulher ficou com todas as obras de arte que eu tinha coleccionado. Há ano e meio, estava em Paris, e vi que um quadro do Lichtenstein que eu tinha comprado por 1200 dólares (cerca de 1000 euros) tinha sido vendido por mais de 17 milhões de dólares (cerca de 15 milhões de euros).
O que levou do primeiro divórcio?
Um pontapé no rabo! Foi tudo o que levei.
Acha que a Hollywood de hoje ainda mantém algum desse espírito rebelde que você corporizou?
Quando tinha 18 anos, fiz o "Fúria de viver", com o James Dean. Mas acho que nem ele percebeu o que estava a fazer. Ele foi o primeiro beatnik. Apareceu ao mesmo tempo que Kerouac e Ginsberg. Mas o Dean e o Brando, de t-shirt e moto... Nessa altura, em Los Angeles, para se arranjar uma mesa no restaurante tinha de se andar de gravata ou de laço. Foram tempos de mudança. Comecei por ser boémio; depois, fui beatnik; a seguir, hippie, depois, já não sei o quê… As coisas estão sempre a mudar.
Então, e o que é hoje?
Hoje, sou um conservador. Não, só às vezes…
Como é que se deu com o Wim Wenders, que vem de um mundo completamente diferente do seu?
Já tínhamos trabalhado juntos, há 31 anos, em "O amigo americano". O Wenders continua o mesmo. É uma pessoa gentil e compreensiva. Sabe o que quer e continua a fazer filmes maravilhosos.
De certa forma, nos últimos anos, tem-se especializado em papéis de "mau da fita".
É verdade que a morte não tem lá muito boa reputação… Quando digo qualquer coisa sobre o "mau da fita" no filme, não estou a improvisar, já estava no guião. Mas talvez seja um comentário meu à minha própria carreira.
A maior parte dos actores diz que os vilões são sempre as personagens mais interessantes…
Na maior parte das vezes, sim. Mas a minha formação é em Shakespeare e, no grande bardo, as melhores personagens são quase todas incestuosas e assassinas.
Qual foi a personagem mais difícil de representar?
Acho que foi um filme produzido pelo Jeremy Thomas na Austrália, chamado "Mad dog Morgan". Levei o papel muito a sério, mas fizemos as coisas mais inacreditáveis. Bebi tanto que chegaram a considerar-me morto! É incrível como a Austrália ainda lá está…
quando ouço falar de Deadwood arregalo os olhos e as pernas começam a tremer
Só para corrigir um dos seus correctores, caro JPP: a terceira série também passou na fox, só não foi, isso sim, ainda editada, em dvd, em Portugal. É a vida. Também não me espanta que o livro ainda não tenha sido excelentemente traduzido para português. Não se pode deixar de falar, quando se fala em séries, também, de Carnivàle, não se pode, melhor: não se deve.