quarta-feira, março 15, 2006
"Não foram precisos quatro dias. Sozinho de novo, encontrou o rasto logo na primeira manhã. Não se tratava de uma perseguição silenciosa, mas sim de uma emboscada. Programou o encontro quase como se se tratasse de uma entrevista com um ser humano. Na manhã do segundo dia, levando ele próprio o rafeiro com um saco enfiado no focinho e Sam Fathers dois dos cães presos por uma corda de arado a servir de trela, esconderam-se num ponto do rasto a favor do vento. Estavam tão perto que o urso se voltou, sem menção de correr, como se pasmado de surpresa ante a algazarra frenética e esganiçada do rafeiro, indo refugiar-se de pé nas patas traseiras contra o tronco de uma árvore; ao rapaz parecia-lhe que ele não mais ia parar de crescer, elevando-se mais alto, cada vez mais alto, e até os dois cães o seguiram, parecendo ir buscar ao rafeiro uma esperança desesperada e desesperançada."
William Faulkner (trad. Ana Maria Chaves), "O Urso" in Histórias Inéditas, Vol. I, Publicações Dom Quixote, 1998.
posted by Luís Miguel Dias quarta-feira, março 15, 2006