A montanha mágica

Quinta-feira, Maio 23, 2013

Na capa da Revista do semanário expresso do dia 11/5: os 100 mais influentes quem marcou os últimos doze meses em Portugal.

Esta merda das listas dizem que é bom mas é como as mentiras que repetidas muitas vezes passam por ser verdade, e lá se coloca quem realpolitikamente se quer para. Adiante.

E lá vamos dar. Olha, olha. Olha quem. Ui. Cruzes. Enfim. O que é que se havia de esperar? Afinal é o expresso. Eheheheheh. Stop. Deixa ler. "Exportador de cérebros". Exportador de cérebros? Eheheheheh.

Pode ser que seja para mostrar as aberrações que este homem disse no "olhos nos olhos" oh, não. Pelo contrário.


E depois no dia 18/5 a crónica/recensão do inenarrável ex-director do mesmo semanário Henrique Monteiro também comentador na rádio renascença (quase não nos podemos distrair, somos logo bombardeados, Orwell, Orwell devia ver isto agora) sobre a maçonaria.

Tudo é mau. A palermice e a pouca vergonha já não têm limites. Tal como o ex-cardeal de Lisboa também este homem começa por querer exemplificar, ui, e vai daí a maçonaria como o futebol como um clube de futebol. Jasus. É lixo em cima de lixo, veneno.

Podia ter citado José Mattoso em vez das palermices e das parolices que escreveu.:

José Mattoso:

"O carácter secreto da fraternidade maçónica, em si mesma, também não é incompatível com o ideal cristão, mas a ocultação das pessoas e dos meios de acção favorece a ambição pessoal e a conquista do poder económico e político por meio de processos ilícitos."

ou:

"A sabedoria cristã não acusa a fraternidade maçónica como tal mas também não pode deixar de apontar os riscos, a perda dos critérios morais quando o objectivo é favorecer um grupo secreto e excluir os seus concorrentes."

Viva o expresso.
Viva Portugal.
Sítio desgraçado.

posted by Luís Miguel Dias Quinta-feira, Maio 23, 2013

Segunda-feira, Maio 20, 2013

E ainda ninguém escreveu nada nos jornais 

portugueses sobre a crónica/recensão que o 

inenarrável e parolo Henrique Monteiro escreveu 

no passado sábado no Atual (caderno do espesso) sobre a maçonaria.

Impressionante. Revoltante. Somos nada. 



posted by Luís Miguel Dias Segunda-feira, Maio 20, 2013

Terça-feira, Maio 14, 2013

vídeo 500


posted by Luís Miguel Dias Terça-feira, Maio 14, 2013

Quinta-feira, Maio 09, 2013

Houve muitos dias que esperei religiosamente pela noite também por causa dos episódios de séries de tv que considerava muito importantes: ajudavam-me a desfazer nós, a seguir por veredas e carreiros que me mostravam um olhar diferente sobre… a vida, digamos assim. 

Acho que nunca tinha ouvido ou visto nas tvs qualquer referência a Flannery O`Connor. Comecei a seguir “Hannibal” com pouca curiosidade mas ainda assim para ver como é que eles iam tentar matar o Lecter Hopkins.
Surprise, surprise!
E depois. Depois.





Depois vemos Abigail acordar do coma e depois sentada na cama a ler.
Tem nas mãos a ´Antologia` de Flannery O`Connor que a Dra. Alana Bloom (“professora de psicologia, consultora do FBI e ex-aluna de Hannibal Lecter”) lhe deixou em cima da mesinha de cabeceira. 
Desta vez não sabemos qual é o conto. 
But. 

E depois achei que seria interessante juntar algumas notas que Flannery escreveu sobre a televisão, dada a sua acutilante atualidade e também porque tem sido ela o centro das atenções nestes primeiros episódios e que. 

Ora: 

“No dia 30 [Maio de 1955] vou a Nova Iorque para, quem diria!, dar uma entrevista ao senhor Harvey Breit para um programa que passa na cadeia NBC. Também vão encenar/dramatizar a cena inicial de ´A vida que salvar pode ser a sua`. Achas que isto me vai corromper?
 Todos os que leram ´Sangue Sábio` crêem que sou uma rude niilista, todavia penso passar a imagem de uma tomista desajeitada, ainda que, provavelmente, não serei capaz de pensar em nada para dizer ao senhor Harvey Breit que não seja ´Eh?` e ´Não sei`. Quando regressar se calhar terei de passar três meses dia e noite no galinheiro para lutar contra essas más influências.”

 Junho de 1955:

 “Na televisão foi medianamente horrível e estou encantada por estar de regresso com os frangos, que não sabem que acabo de publicar um livro.”

 Março de 1961:

 “As monjas estavam tão agradecidas por lhes ter arranjado um editor que me ofereceram um televisor portátil. É claro que fiquei atónita. Uma delas tem um irmão que lhe deu o televisor para que ela mo oferecesse. Elas não têm dinheiro próprio. Assim, finalmente a mamã e eu entramos no século XX. Agora posso contar-te tudo sobre medicinas como Geritol, Pepto-Bismol, Anacin, Bufferin, qualquer tipo de sabonete ou de cera para o chão, etc., etc. Afortunadamente, temos um canal educativo que passa programas interessantes.”

 Novembro de 1963:

 “A morte do presidente afetou muito o país. Todas a televisões comerciais pararam até ao fim do funeral, e, inclusivamente, os jogos de futebol foram cancelados, que é o maior símbolo de luto possível. A política sulista, que se inspirou e navegou muito sob a inspiração do ´maldito Kennedy`, tem agora de recolher as suas velas…”

 Maio de 1964:

 “Aquela operação de fevereiro reactivou-me o lúpus e há poucos dias estive no hospital outra vez. Agora estou em casa mas como diz a personagem da televisão «não faço nada, só estou ali sentada».”

 Termino com S. João da Cruz: "Para chegar ao que não sabes,/hás-de ir por onde não sabes."

posted by Luís Miguel Dias Quinta-feira, Maio 09, 2013

Domingo, Maio 05, 2013


Alberto Carneiro, "Momento 21 - ´Os pássaros começam onde as árvores acabam` (Ruy Belo). 
Uma homenagem para o meu amigo Domingos Fonseca, 2009-2013"

posted by Luís Miguel Dias Domingo, Maio 05, 2013

Quarta-feira, Maio 01, 2013

Aos trinta e um minutos e tal do segundo episódio de “Hannibal” exibido na tv fez a passda segunda-feira oito dias uma personagem sentada numa cama de um hospital lê para outra que está em estado de coma e uma outra que está a dormitar num sofá aos pés da cama acorda com a leitura.



O livro é uma antologia dos contos de Flannery O`Connor.
O conto que está a ser lido é “Um bom homem é difícil de encontrar”.
“Romper com o equilíbrio de todas as coisas e não poder fazer mais do que segui-lo ou fazer alguma maldade” diz Flannery “é a pedra angular que sustenta os meus contos”.

Nas palavras da autora “Um bom homem é difícil de encontrar é uma espécie de duelo entre a avó e as suas crenças superficiais e também um duelo entre o Inadaptado e a sua implicação com a ação mais profunda de Cristo, que o desequilibrou.”

Os contos de Flannery abordam sempre a nossa participação na vida divina, isto é, sobre a ação da graça que é, diz ela, “a única coisa capaz de provocar uma mudança de personalidade”.

Diz também: “parece-me que todos os bons contos tratam sobre a conversão, sobre a transformação de uma personagem. A ação da graça transforma a personagem. A graça não se pode experimentar em si mesma: por exemplo, quando vais comungar recebes a graça mas não sentes nada, se sentires algo não é a graça mas sim uma emoção produzida por ela. Portanto, num conto unicamente aquilo que podes fazer com a graça é mostrar que a personagem se está a transformar. Todos os meus contos tratam da ação da graça sobre uma personagem que não está disposta a aceitá-la.”

A personagem de Hannibal está em coma porque o pai, um serial killer, a tentou matar desferindo-lhe uma navalhada ou na carótida e/ou na jugular esvaindo-se em esguichos de sangue.

Em “Um bom homem é difícil de encontrar” diz a autora “o Inadaptado é tocado pela graça que provém da velha quando ela o reconhece como um filho seu, da mesma maneira que ela é tocada pela graça proveniente dele e do seu sofrimento.”

Em Portugal estão publicados os contos e as duas novelas.
Flannery O`Connor esteve uma vez em Portugal, numa viagem que fez à Europa em maio de 1958:
“O voo entre Roma e Lisboa foi nas Linhas Aéreas Argentinas. Não fomos a Fátima porque era um dia inteiro de viagem e R. estava bastante constipada. Os santuários da Virgem não parecem aumentar a minha devoção por elas e fiquei satisfeita por não ter ido. Sairam às oito da manhã e regressaram por volta das oito da tarde, todos esgotados excepto as irmãs B. que declararam sentirem-se muito melhor no fim da peregrinação do que no princípio.
Estou segura que poderia viver em Portugal por vinte e cinco centavos por dia.”

Flannery forever.


posted by Luís Miguel Dias Quarta-feira, Maio 01, 2013

Domingo, Abril 28, 2013

Extra! Extra! Extra!

Inédito de Miguel Esteves Cardoso.


posted by Luís Miguel Dias Domingo, Abril 28, 2013

Sexta-feira, Abril 26, 2013

Ouvir falar de Bem Comum num país capturado e minado e amordaçado (oh!) por sociedades secretas, lojas maçónicas e opus dei, é de corar.

O desplante. O topete. O descaramento. A falta de vergonha.

“Terra Prometida”, filme de Gus Van Sant, podia ser a introdução mas houve quem só visse e espalhasse que era sobre o Ambiente e multinacionais a querer retalhar uma pequena cidade/vila rural. Veja-se lá.
Não conseguiram ver o cerco avassalador, total, maquiavélico e travestido do demónio (que é quase sempre o primeiro a reconhecer a Graça) nem ver a angustiante, periclitante e decisiva resistência ao mesmo.
Como não se chegou lá mais vale ir logo directos ao assunto: as sete horas de “O Tango de Satanás”, de Bela Tarr.
Pois, é muito?
Não, nada.
No fim agradecemos prostrados.

Talvez o desplante, o topete, o descaramento e a falta de vergonha se vejam expostos ridícula e irremediavelmente.
Bando de parolos.

Desvendar o que quer que seja nunca é depressa ainda que urgente.


posted by Luís Miguel Dias Sexta-feira, Abril 26, 2013

Domingo, Abril 14, 2013

TERRA PROMETIDA

Um dia ouvi um prisioneiro de luxo dizer que mais tarde ou mais cedo todos tínhamos de pertencer ou escolher algum sítio ou lugar para estarmos/vivermos/nos realizarmos.
Que tínhamos de escolher. Que era inevitável.
(aquilo que me ia passando pela cabeça enquanto ouvia era República, Democracia, Bem-Comum, Cristianismo, por exemplo)
Fez-se entender bem embora travestido (à volta reinava um silencio reverente e castrador).
Eu não queria/não quero estar nesse sítio ou lugar, pelo menos daquela maneira.


Paulo Nozolino, Gloom #2, 2010


Depois passei uns dias a cantarolar --imagine-se, eu que não tenho nenhuma noção nem de ritmo nem qualquer afinação — Gotta Serve Somebody, de Bob Dylan:

"Well, it may be the devil or it may be the Lord
But you're gonna have to serve somebody.”

Hoje à noite e durante toda a semana quando o dia estiver quase a acabar quando terminar de rezar o Pai Nosso vou também lembrar e lembrar-me de Gus Van Sant.


posted by Luís Miguel Dias Domingo, Abril 14, 2013

Terça-feira, Abril 09, 2013

a câmara move-se lentamente num travelling com fusão suave






LMD, travelling, 2013




posted by Luís Miguel Dias Terça-feira, Abril 09, 2013

Terça-feira, Abril 02, 2013

travelling







LMD, travelling, 2013

posted by Luís Miguel Dias Terça-feira, Abril 02, 2013

Sexta-feira, Março 29, 2013



Dan Flavin, untitled VII (via crucis), 1962-1964
Dia Art Foundation, New York
Foto: Bill Jacobs, New York

posted by Luís Miguel Dias Sexta-feira, Março 29, 2013

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São horas, Senhor. O Verão alongou-se muito.
Pousa sobre os relógios de sol as tuas sombras
E larga os ventos por sobre as campinas.


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