A montanha mágica

Sábado, Maio 17, 2008

«depois se verá»






Richard Serra




1. Os mais descontentes

Um dia, um professor disse-nos que nós, os portugueses, éramos os mais descontentes dos descontentes, os insatisfeitos, dos indo-europeus que só pararam quando o mar encontraram. Muitos partiram muitos ficaram. E cá estamos, com outros mais que se juntaram vindos de outras paragens.
Estas palavras assaltam-me muitas vezes, por diversos motivos. E hoje, sexta-feira dia 16 de Maio, indo lá fora fumar um cigarro, por volta das 21h05m, levei comigo o livro Portugal e os Portugueses, de Manuel Clemente, de D. Manuel Clemente, Bispo do Porto, editado recentemente pela Assírio & Alvim. Não consegui deixar de o ler até agora, que já são 22h55m, até à página 73.
E logo no primeiro capítulo, chamemos-lhe assim, Portugal e os Portugueses (da página 9 à página 17), Manuel Clemente me fez ouvir, quando não esperava, e que bom é quando isso acontece, as palavras que ouvi há anos e que me vão assaltando dia sim dia sim dia não.
História, Projecção Religiosa, Geografia, Poesia, Figurações.
"Como se este [Portugal] fosse outra coisa do que nós realmente somos, apesar do distanciamento impossível que gostamos de manter com ele, ou com o que a sua nomeação evoca".
Projecção Religiosa: "que a relação que mantemos com Portugal é, fundamentalmente, bíblica."
Geografia: uma horta em Paris e um arquivo de documentação portuguesa em Cochim, nas mãos do bispo local que não sabia "nenhuma palavra nossa".
Poesia: a constante utilização do sufixo «inho/a», mesmo nas coisas mais utilitárias e prosaicas".
Figurações: o Zé Povinho, os painéis de Nuno Gonçalves e "a estátua que nunca se colocou no pedestal do alto do Parque Eduardo VII"
"Vivemos geralmente mal connosco próprios, por nos acharmos sempre aquém do que teríamos sido ou do que poderíamos voltar a ser..."


2. Portugal país encomendado a Nossa Senhora

E ao segundo capítulo, chamemos-lhe assim, Notas de Cultura Portuguesa (da página 35 à página 62, O culto de Nossa Senhora: da fundação à restauração da nacionalidade), Manuel Clemente me fez ouvir, quando não esperava, e que bom é quando isso acontece, as palavras que ouvi há anos e que me vão assaltando dia sim dia sim dia não.
Disse-me num outro dia outro professor, que Portugal era um país encomendado a Nossa Senhora. Naquele tempo percebi aquelas palavras mas se me pedissem para as sustentar gaguejaria, e não seria pouco, ou optaria por inventar meia hora de palavras sem dizer nada.
Manuel Clemente, partindo da História do Culto de Nossa Senhora em Portugal, de Alberto Pimentel, mostra, em 27 preciosas páginas, desde quando e como fomos partindo e chegando à devoção mariana. E escolho para citar uma parte do período da Fundação de Portugal pois é aí que, diz o autor, acabamos por encontrar mais respostas do que nos subsequentes: "Os cruzados virão até ao Tejo, aceitarão ajudar D. Afonso Henriques e em Julho está feito o cerco da cidade. Do alto das muralhas os mouros provocam os sitiantes. Fazem-no exactamente em torno deste tema critológico-mariano: «em arruídos e palavras injuriosas e insultantes, afrontavam a Santa Maria, mãe do Senhor, amesquinhando-nos porque adoramos com tanto respeito, como a um Deus, o filho duma pobre mulher, e dizemos que é Deus e filho de Deus, quando é evidente que só há um Deus, por quem foram criadas todas as coisas que têm princípio; que não pode existir outro que lhe seja coeterno e participante da divindade; que Ele era a suma Bondade, Perfeição e Omnipotência, e que, sendo omnipotente, era indigno e blasfemo restringirmos a um corpo humano e às formas dos membros o tão grande poder duma tão alta divindade; que nada julgavam mais insano e contrário à nossa salvação do que acreditarmos semelhantes coisas; e perguntavam-nos porque não afirmávamos antes que esse Filho de Maria era um dos maiores profetas, já que ao homem não é lícito usurpar o nome de Deus».
Aqui temos --mesmo devendo alguma coisa à redacção tanta teologia das muralhas abaixo-- o quadro propriamente teológico em que a conquista de Lisboa também decorreu."
Todavia, "esses indícios não significam, só por si e na maioria dos casos, uma consistência específica de marianismo nacional ou português, antes repetem aqui o que podemos encontrar noutras partes do mundo católico."


3. D. Manuel Clemente na grande entrevista de Judite de Sousa

Vivia João Paulo II os seus últimos dias e andava toda a comunicação social em alvoroço. Jornalistas sôfregos em busca de opiniões que lhes dessem minutos de fama, que tinham conseguido vislumbrar em alguém uma certa discordância em ver João Paulo II continuar a ser papa naquelas condições de saúde.
Judite de Sousa entrevistou assim, por aqueles dias, o Bispo Auxiliar de Lisboa, D. Manuel Clemente, e o que pudemos ver foi um homem num registo de tempo muito longo e uma jornalista num tempo muito curto. Não conseguiu nada do que queria, apenas ouviu que o mundo pula e avança mas não tão assim.
E mais uma vez, nessa noite, estive em Valparaiso.


posted by luis Sábado, Maio 17, 2008

Sexta-feira, Maio 16, 2008

quedarse quieto





fotograma do filme Vampyr, de Carl Dreyer.



Num destes dias, acabava o dia e começava a noite quando um morcego me atacou, atingiu-me a cabeça. Gritos e pessoas a fugir. Tinha acabado a tarde sentado de garrafa com cerveja na mão a chupar cigarros até ao filtro e a ouvir a ave da esposa de Z.:


Lii-ion lii-ion,
Mii-ion mii-ion!
Iii-i-ioi iii-i-ioi!
Iii-i-ioi iii-i-ioi!



posted by luis Sexta-feira, Maio 16, 2008

Quinta-feira, Maio 15, 2008

Pina Bausch









posted by luis Quinta-feira, Maio 15, 2008

Quarta-feira, Maio 07, 2008

Mayo del 68 visto con ojos de hoy






El País: SLAVOJ ZIZEK 01/05/2008

Uno de los graffiti que aparecieron en los muros de París en Mayo del 68 decía: "¡Las estructuras no andan por la calle!". Pero la respuesta de Jacques Lacan fue que eso era precisamente lo que había ocurrido en 1968: las estructuras salieron a la calle. Los sucesos más visibles y explosivos fueron la consecuencia de un desequilibrio estructural, el paso de una forma de dominación a otra, en términos de Lacan, del discurso del amo al discurso de la universidad.

Existen buenos motivos para mantener una opinión tan escéptica. Como dicen Luc Boltanski y Eve Chiapello en The New Spirit of Capitalism, a partir de 1970 apareció gradualmente una nueva forma de capitalismo, que abandonó la estructura jerárquica del proceso de producción al estilo de Ford y desarrolló una organización en red, basada en la iniciativa de los empleados y la autonomía en el lugar de trabajo. En vez de una cadena de mando centralizada y jerárquica, tenemos redes con una multitud de participantes que organizan el trabajo en equipos o proyectos, buscan la satisfacción del cliente y el bienestar público, se preocupan por la ecología, etcétera. Es decir, el capitalismo usurpó la retórica izquierdista de la autogestión de los trabajadores, hizo que dejara de ser un lema anticapitalista para convertirse en capitalista. El socialismo, empezó a decirse,no valía porque era conservador, jerárquico, administrativo, y la verdadera revolución era la del capitalismo digital.

De la liberación sexual de los sesenta ha sobrevivido el hedonismo tolerante cómodamente incorporado a nuestra ideología hegemónica: hoy, no sólo se permite, sino que se ordena disfrutar del sexo, y las personas que no lo logran se sienten culpables. El impulso de buscar formas radicales de disfrute (mediante experimentos sexuales y drogas u otros métodos para provocar un trance) surgió en un momento político concreto: cuando "el espíritu del 68" estaba agotando su potencial político. En ese momento crítico (a mediados de los setenta), la única opción que quedó fue un empuje directo y brutal hacia lo real, que asumió tres formas fundamentales: la búsqueda de formas extremas de disfrute sexual, el giro hacia la realidad de una experiencia interior (misticismo oriental) y el terrorismo político de izquierdas (Fracción del Ejército Rojo en Alemania, Brigadas Rojas en Italia, etcétera). La apuesta del terrorismo político de izquierdas era que, en una época en la que las masas están inmersas en el sueño ideológico del capitalismo, la crítica normal de la ideología ya no sirve, así que lo único que puede despertarlas es el recurso a la cruda realidad de la violencia directa, l'action directe.

Recordemos el reto de Lacan a los estudiantes que se manifestaban: "Como revolucionarios, sois unos histéricos en busca de un nuevo amo. Y lo tendréis". Y lo tuvimos, disfrazado del amo "permisivo" posmoderno cuyo dominio es aún mayor porque es menos visible. Aunque no hay duda de que esa transición fue acompañada de muchos cambios positivos -baste con mencionar las nuevas libertades y el acceso a puestos de poder para las mujeres-, no hay más remedio que insistir en la pregunta crucial: ¿tal vez fue ese paso de un "espíritu del capitalismo" a otro lo único que realmente sucedió en el 68, y todo el ebrio entusiasmo de la libertad no fue más que un modo de sustituir una forma de dominación por otra?

Muchos elementos indican que las cosas no son tan sencillas. Si observamos nuestra situación desde la perspectiva del 68, debemos recordar su verdadero legado: el 68 fue, en esencia, un rechazo al sistema liberal-capitalista, un no a todo él. Es fácil reírse de la idea del fin de la historia de Fukuyama, pero la mayoría, hoy día, es fukuyamaísta: se acepta que el capitalismo liberal-democrático es la fórmula definitiva para la mejor sociedad posible y que lo único que se puede hacer es lograr que sea más justa y tolerante. La única pregunta que cuenta hoy es: ¿respaldamos esta naturalización del capitalismo, o el capitalismo globalizado actual contiene antagonismos lo suficientemente fuertes como para impedir su reproducción indefinida?

Dichos antagonismos son (por lo menos) cuatro: la amenaza inminente de la catástrofe ecológica; lo inadecuado de la propiedad privada para la llamada "propiedad intelectual"; las implicaciones socio-éticas de los nuevos avances tecnocientíficos (sobre todo en biogenética); y las nuevas formas de apartheid, los nuevos muros y guetos. El 11 de septiembre de 2001, cayeron las Torres Gemelas; 12 años antes, el 9 de noviembre de 1989, cayó el Muro de Berlín. El 9 de noviembre anunció los "felices noventa", el sueño del "fin de la historia" de Fukuyama, la convicción de que la democracia liberal había ganado, de que la búsqueda se había terminado, de que la llegada de una comunidad mundial estaba a la vuelta de la esquina, de que los obstáculos a ese final feliz digno de Hollywood eran meramente empíricos y contingentes (bolsas locales de resistencia cuyos líderes no habían comprendido aún que había pasado su hora). Por el contrario, el 11-S es el gran símbolo del fin de los felices noventa de Clinton, el símbolo de la era que se avecina, en la que aparecen nuevos muros en todas partes, entre Israel y Cisjordania, alrededor de la Unión Europea, en la frontera entre Estados Unidos y México.

Los tres primeros antagonismos antes citados afectan a los elementos que Michael Hardt y Toni Negri denominan "comunes", la sustancia común de nuestro ser social, cuya privatización es un acto violento al que hay que resistirse por todos los medios, incluso violentos, si es necesario. Son los elementos comunes de la naturaleza externa, amenazados por la contaminación y la explotación (el petróleo, los bosques, el hábitat natural); los elementos comunes de la naturaleza interna (la herencia biogenética de la humanidad), y los elementos comunes de la cultura, las formas inmediatamente socializadas de capital "cognitivo", sobre todo el lenguaje, nuestro medio de comunicación y educación, pero también las infraestructuras comunes del transporte público, la electricidad, el correo, etcétera.

Si se hubiera permitido el monopolio a Bill Gates, nos encontraríamos en la absurda situación de que un individuo concreto poseyera literalmente todo el tejido de software de nuestra red esencial de comunicación. Lo que estamos comprendiendo de manera gradual son las posibilidades destructivas, hasta la autoaniquilación de la propia humanidad, que se harán realidad si se da carta blanca a la lógica capitalista de encerrar esos elementos comunes. Nicholas Stern tiene razón al caracterizar la crisis climática como "el mayor fracaso de mercado de la historia humana". ¿Acaso la necesidad de establecer el espacio para una acción política mundial que sea capaz de neutralizar y canalizar los mecanismos de mercado no sustituye a una perspectiva propiamente comunista? Así, la referencia a los "elementos comunes" justifica la resurrección de la idea de comunismo: nos permite ver el "encerramiento" progresivo de esos elementos comunes como proceso de proletarización de quienes, con él, quedan excluidos de su propia sustancia.

Así, en contraste con la imagen clásica de los proletarios que no tienen "nada que perder más que sus cadenas", todos corremos el peligro de perderlo todo; la amenaza es que nos veamos reducidos a vacíos sujetos cartesianos abstractos, carentes de todo contenido sustancial, desposeídos de nuestra sustancia simbólica, con nuestra base genética manipulada, seres que vegetan en un entorno inhabitable. Esta triple amenaza a todo nuestro ser nos vuelve a todos, en cierto sentido, proletarios, y la única forma de no convertirse en ello es actuar de antemano para prevenirlo.

Lo que mejor condensa el auténtico legado del 68 es la fórmula Soyons realistes, demandons l'impossible! ("Seamos realistas, pidamos lo imposible"). La verdadera utopía es la creencia de que el sistema mundial actual puede reproducirse de forma indefinida; la única forma de ser verdaderamente realistas es prever lo que, en las coordenadas de este sistema, no tiene más remedio que parecer imposible.


posted by luis Quarta-feira, Maio 07, 2008

Domingo, Abril 27, 2008

«Quando saímos, se está a nevar e tudo se pôs branco, ficámos sós, sentimo-nos sós. Se o sol estiver a brilhar, talvez não. Mas nada garante que aquilo que o outro sente seja equivalente ao que nós próprios sentimos. Quanto à mensagem, não sei... Não há mensagem. A melhor coisa é deixar a intuição e a imaginação agirem. É verdade que eu quero dizer com força qualquer coisa difícil de formular, qualquer coisa de escondido; mas são os espectadores que têm de o descobrir, senão tudo seria tosco e grosseiro; são vocês que têm de o descobrir, eu não posso proceder demasiado directamente. Frente a certos valores, é preciso, acima de tudo, sensibilidade.»

Pina Bausch



posted by luis Domingo, Abril 27, 2008

Sábado, Abril 26, 2008

00:38





posted by luis Sábado, Abril 26, 2008

Sexta-feira, Abril 25, 2008

Antes 1:

"Mefistófeles

Já estudaste muito?

O estudante

Venho pedir-vos que vos encarregueis de mim!"

Goethe


"Eles são muito novos para se venderem."



fotograma de High Plains Drifter, de Clint Eastwood



Antes 2: Depois, mandaram-te sair pelas traseiras,
a espuma era já muita.


posted by luis Sexta-feira, Abril 25, 2008

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